Encontro entre Amigos

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"Existe uma diferença entre temor a Deus e viver aterrorizado por Deus. Você conhece essa diferença?"

Às vezes, a gente aprende no silêncio do que não aconteceu.
No intervalo entre o querer e o desistir, mora um tipo de verdade que ninguém ensina,
só se sente.


Tem coisas que não florescem, não por falta de cuidado,
mas porque não eram raízes para o nosso chão.


E tudo bem.


Nem tudo que chega é para ficar,
e nem tudo que vai leva embora o que fomos.
Há partidas que devolvem a gente para si.


No fim, a vida não é sobre segurar tudo,
mas sobre reconhecer o que merece ser permanência dentro da gente.

Entre a menina e a mulher

Tenho andado sozinha.

Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.

Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.

Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.

E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.

Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.

E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.

A Linha do Extremo


Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.


De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.


Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.


Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.


Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.


E talvez seja essa a parte mais inquietante:


saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...


e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.


Não quero alguém que me arraste para o extremo.


Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.


Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.


Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.


Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.

⁠Confiança, um voo audacioso entre duas pessoas, um salto de fé sobre o precipício do constante, construída com pequenas verdades partilhadas.

Quero morar na floresta ou em uma ilha paradisíaca, entre árvores e silêncios, e nunca mais me curvar às exigências do mundo.

“Perdida entre o que digo, o que não quero dizer, o que já disse e tudo aquilo que ainda preciso dizer.”

⁠Quando há amor entre duas pessoas não se deve olhar o sexo, a cor, a altura, nem a idade. Quando há amor não se pode colocar na balança conceitos sobre quem devemos amar e a quem devemos pertencer. Quando há amor nada mais importa, o importante é amar e ser amado na mesma medida.
💞
Feliz dia dos Namorados!

⁠A confiança entre as pessoas é fundamental para excelência no ambiente de trabalho e seus resultados. Então, encare os desafios como grandes oportunidades de crescimento.

Entre o Indizível e o Infinito.


Há dias em que me leio por dentro e me descubro escrita nas entrelinhas de Clarice.
Porque nela encontro esse espelho raro,
onde o íntimo não se esconde apenas pulsa.


E quando encosto meu silêncio no silêncio dela, entendo por que diz:
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”


Talvez porque eu também deseje o indizível, o que não cabe no mundo, mas insiste em caber dentro de mim.


Vinícius, então, chega como quem abre uma janela para a alma respirar o que é essencial.
Ele afaga minhas dores,
desamarra minhas paixões, e relembra que o amor não precisa permanecer para ser eterno:
“Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.”


E é nesse infinito breve que encontro a beleza do que sou e do que sinto.


Sigo assim, entre Clarice e Vinícius, como quem caminha por um corredor de luz e sombra, observando meus próprios contornos, aceitando o que é brasa, acolhendo o que é vento.


Na elegância dos meus pensamentos soltos, me reinvento.
Na profundidade dos versos que me escolhem, me encontro.
E na vida, essa poesia que não se explica e continuo sendo rascunho e revelação.

Ontem é o hoje

Se um dia eu tivesse que escolher entre o hoje e o ontem, talvez eu não soubesse responder.
Não porque eu tenha medo de escolher, mas porque existem escolhas que o coração simplesmente não consegue fazer.

O ontem guarda coisas demais de mim.

Guarda lugares por onde passei, pessoas que abracei, palavras que disse e outras tantas que ficaram presas na garganta. Guarda risadas que ainda consigo ouvir quando fecho os olhos. Guarda lágrimas que ninguém viu. Guarda amores que chegaram devagar e outros que partiram sem sequer avisar.
O ontem guarda uma versão de mim que já não existe, mas que ainda mora em algum lugar dentro do homem que sou hoje.

E talvez seja por isso que sentimos tanta saudade.

Não sentimos saudade apenas das pessoas ou dos lugares. Às vezes, sentimos saudade de quem éramos quando aquelas pessoas estavam conosco. Sentimos falta daquele coração que acreditava de outra maneira, daquele sorriso que nascia mais facilmente, daquela inocência de imaginar que algumas coisas seriam para sempre.
Mas então existe o hoje.
E o hoje também me chama.

O presente não tem a segurança das lembranças. Ele acontece diante dos meus olhos, sem me perguntar se estou preparado. Ele chega todas as manhãs e coloca uma página em branco diante de mim, como quem diz:

Continue.

E eu continuo.

Continuo amando, errando, aprendendo, sentindo saudade. Continuo encontrando pessoas, perdendo outras, construindo histórias que talvez amanhã também se transformem em lembranças.

É estranho pensar nisso: o hoje é apenas o ontem que ainda não terminou de acontecer.

Talvez por isso eu não pudesse escolher.

Se escolhesse o ontem, escolheria tudo aquilo que me trouxe até aqui. Os abraços, os encontros, as despedidas, os amores, as dores e até os caminhos que pensei terem sido errados.

Mas, se escolhesse somente o ontem, perderia a possibilidade do amanhã.

E se escolhesse apenas o hoje, teria que abandonar todas as pegadas que fizeram de mim quem sou.

Então talvez eu tenha descoberto uma terceira resposta.

Eu não escolheria.

Carregaria o ontem comigo e continuaria vivendo o hoje.

Porque o passado não precisa ser uma casa onde voltamos para morar. Pode ser apenas uma janela que abrimos de vez em quando para lembrar de onde viemos.
E o presente não precisa apagar aquilo que passou. Pode ser a continuação de uma história que ainda está sendo escrita.
No fundo, somos feitos justamente desse encontro: daquilo que fomos com aquilo que ainda estamos aprendendo a ser.
Há pessoas que pertencem ao nosso ontem, mas continuam vivendo dentro do nosso hoje. Há amores que o tempo levou para longe, mas não conseguiu arrancar da memória. Há beijos que terminaram há muitos anos e, mesmo assim, quando lembrados, ainda parecem tocar os lábios.

Porque o coração possui um calendário diferente.

Para ele, algumas coisas nunca envelhecem.

Por isso, se um dia alguém me perguntar:

Você escolheria o ontem ou o hoje?

Talvez eu apenas sorria.

O ontem me deu histórias para contar.

O hoje está me dando histórias para viver.

E entre aquilo que vivi e aquilo que ainda estou vivendo, existe uma coisa que eu jamais gostaria de perder:
a capacidade de amar cada capítulo da minha vida, mesmo sabendo que nenhum deles foi escrito para durar para sempre.

Entre a lei escrita e a vida concreta há um abismo onde a ética urbana deveria construir pontes — mas frequentemente apenas observa o vazio.

O conflito moderno não é entre certo e errado, mas entre o que o Direito consegue ver e o que ele ainda não reconheceu.

Escrever sobre Direito é, muitas vezes, escrever sobre o intervalo entre o que deveria proteger e o que efetivamente abandona.

“Entre o fato e a norma existe um abismo que o sofrimento ocupa primeiro.”

“A justiça não é eterna, ela é constantemente renegociada entre medo e esperança.”

Entre o fato e a norma existe sempre um abismo que o juiz preenche com sua própria humanidade.

Entre afirmar e negar existe o território mais honesto da razão.

Talvez a maior tensão da religião esteja entre preservar o mistério e administrá-lo.

A realidade talvez seja uma herança genética entre universos.