Encontro entre Amigos
A diferença entre o sábio erudito e o homem comum não reside na essência do seu espírito, mas apenas na vestimenta dos conhecimentos que acumulam. O doutor não possui a destreza das mãos do artesão, assim como este não alcança a sutileza das ideias daquele. Reconhece, pois, que cada mente é uma fagulha da razão divina; subestimar o outro é ignorar que o verbo do conhecimento pode se manifestar tanto na poeira dos livros quanto na arte do fazer. A verdadeira virtude não está no acúmulo, mas na humildade de aprender com toda criatura. KW
.entre nós.
Eu não sei o que a gente é agora.
E essa talvez seja a única coisa que ainda me incomoda.
Porque eu sei o que fomos. Sei o que senti. Sei das coisas que você provavelmente já esqueceu e das coisas que eu finjo que esqueci também. Sei exatamente em que momento algumas coisas começaram a mudar, mesmo que nenhum de nós tenha tido coragem de apontar para aquilo e dizer: é aqui.
Mas agora?
Agora eu não sei.
E eu odeio não saber.
Às vezes penso em te mandar alguma coisa completamente idiota. Uma música. Uma piada. Alguma coisa que só faria sentido para nós dois. Aí eu paro.
Porque já não sei se ainda posso.
É engraçado como uma pessoa pode sair da sua rotina sem sair completamente da sua cabeça.
Eu continuo encontrando você em coisas que nem deveriam ter relação com você.
Uma música tocando no aleatório.
Uma rua.
Um horário.
Uma frase que alguém diz e que, por algum motivo absurdo, me faz pensar em você.
E eu fico alguns segundos naquele lugar entre mandar mensagem e respeitar o silêncio.
Quase sempre escolho o silêncio.
Não porque eu não queira falar.
Talvez justamente porque eu queira demais.
Eu acho que parte de mim ainda gostaria de saber como você está. Não por obrigação, nem porque eu esteja procurando uma desculpa para voltar.
Só quero saber.
Você ainda ri daquele jeito?
Ainda faz aquela coisa quando fica nervosa?
Ainda pensa em mim às vezes?
E se pensa...
é com carinho ou com aquela sensação de “ainda bem que acabou”?
Eu não tenho coragem de perguntar.
Então invento respostas.
É mais fácil.
Às vezes imagino que você sente falta.
Às vezes imagino que não sente absolutamente nada.
E, dependendo do dia, acredito nas duas.
Talvez seja isso que reste quando alguma coisa termina sem realmente desaparecer.
Não uma vontade desesperada de voltar.
Só uma curiosidade persistente.
A vontade de saber se aquilo que foi tão grande para mim ocupou algum espaço parecido dentro de você.
E talvez seja por isso que a pergunta continue aqui, mesmo depois de tudo.
Não se a gente vai voltar.
Não se deveria ter sido diferente.
Só se ainda existe alguma coisa entre nós que não precise de um nome tão complicado.
Se ainda dá para conversar sem parecer que estamos invadindo um território proibido.
Se ainda dá para rir de alguma coisa que só nós entenderíamos.
Se, depois de tudo, ainda existe espaço para eu ser alguém na sua vida — mesmo que de um jeito completamente diferente.
Porque talvez eu não esteja procurando a nossa história de volta.
Talvez eu só esteja tentando descobrir se ela realmente acabou em todos os sentidos.
Então eu fico com essa pergunta, meio ridícula, meio sincera, impossível de responder sozinho:
depois de tudo que fomos,
ainda existe um “nós” em algum lugar?
Ou pelo menos...
ainda somos amigos?
quando o acaso decidir
Talvez o mais estranho entre duas pessoas não seja aquilo que aconteceu.
É aquilo que continua acontecendo depois.
Uma foto qualquer pode carregar uma história inteira. Uma pessoa pode aparecer ao lado de outra, sorrindo, sem intenção nenhuma além daquele instante, e ainda assim atravessar uma tela e parar justamente onde não deveria. Em algum lugar, alguém vê. Reconhece. Sente alguma coisa que talvez nem queira admitir. E responde de um jeito pequeno, quase casual, como quem tenta esconder o tamanho daquilo numa frase.
Engraçado como algumas pessoas ainda conseguem fazer isso.
Mesmo longe.
Mesmo depois de tudo.
Mesmo quando já não existe mais motivo para prestar atenção.
Talvez porque certas histórias nunca tenham aprendido a terminar direito.
Elas só mudam de lugar.
Saem das conversas e vão parar nas músicas. Saem dos encontros e aparecem numa foto. Saem da rotina e, de vez em quando, voltam pela boca de alguém que nem fazia parte da história.
E talvez seja por isso que algumas pessoas parecem tão familiares mesmo quando estão vivendo uma vida completamente diferente da nossa.
Como se existisse uma versão do mundo em que as coisas tivessem acontecido um pouco diferente.
Um segundo a mais.
Uma escolha a menos.
Um medo que não tivesse vencido.
Uma mensagem enviada na hora certa.
Uma porta que alguém tivesse decidido não fechar.
Nesse mundo, talvez fosse simples.
Talvez vocês se encontrassem sem precisar fingir que não estavam procurando um ao outro.
Talvez não existisse esse cuidado exagerado com o que sentir, com quem vê, com quem sabe, com quem aparece numa foto ao lado de quem.
Mas aqui é diferente.
Aqui vocês aprenderam a conviver com a estranha habilidade de ainda significarem alguma coisa sem precisar dizer exatamente o quê.
E talvez você nunca descubra se aquela reação foi ciúme, saudade, curiosidade ou apenas aquele pequeno incômodo que aparece quando alguém percebe que a pessoa que um dia ocupou um lugar importante continua existindo muito bem sem pedir licença.
Talvez nem ela saiba.
E tudo bem.
Porque existem sentimentos que não precisam de nome para serem verdadeiros.
Às vezes basta uma foto.
Uma amiga em comum.
Uma mensagem atravessada.
Um “não” disfarçado de brincadeira.
E pronto.
O passado abre os olhos por alguns segundos.
Depois volta a dormir.
Eu gosto de pensar que, se realmente existe outra vida, talvez ela não seja uma segunda chance.
Talvez seja apenas um lugar onde certas pessoas conseguem se encontrar sem carregar tudo aquilo que carregaram nessa.
Sem orgulho.
Sem medo.
Sem a necessidade de parecer indiferente.
Sem precisar transformar sentimento em silêncio só porque ninguém sabe muito bem o que fazer com ele.
E talvez, nessa outra vida, quando alguém mandar uma foto dizendo “olha com quem eu estou”, a outra pessoa não precise fingir que não se importou.
Talvez ela apenas sorria.
Porque, no fundo, algumas pessoas não desaparecem.
Elas só deixam de ser presença e passam a ser possibilidade.
E existe uma diferença enorme entre esquecer alguém e aprender a viver sem essa pessoa.
Acho que é isso que ainda me intriga em nós.
Não saber se foi uma história que terminou…
ou apenas uma história que chegou cedo demais.
Talvez em outra vida a gente descubra.
Ou talvez não.
Mas, se algum dia você ler isso e sentir que tem alguma coisa familiar demais nessas palavras, talvez seja porque certas histórias têm esse problema:
mesmo quando ninguém fala o nome,
elas sabem exatamente de quem estão falando.
O cristianismo é um confronto de realidades entre a carne e o espírito; é Deus te mandando perdoar mesmo quando não há forças para tal;
É Deus te mandando ser fiel mesmo quando as tentações te induzem à infidelidade
Entre erros e aprendizados
Escolhi caminhos que
não deviam ser, Errei,
me perdi,deixei você sofrer.
Cada passo em falso
deixou minha mão vazia,
E noites longas pediam
tua companhia.
Mas do erro nasce a luz que
não se via,
Aprendo com a dor,
descubro a melodia.
Cada escolha falhada
me ensina a amar,
A valorizar teu riso,
teu jeito de cuidar.
Não posso voltar
o tempo que passou,
Nem apagar as lágrimas
que caíram ao chão.
Mas guardo em meu peito
a lição que ficou:
O amor verdadeiro exige coração.
E mesmo com cicatrizes,
sigo a caminhar,
Com olhos atentos,
pronto a escutar.
Que cada falha
me transformeem quem sou,
Mais sábio, mais teu,
e ainda te amando, enfim.
Beijo que Não Devia
Havia silêncio entre nós,
Mas de repente, algo escapou.
Um beijo roubado, inesperado,
Que não queria acontecer…
e aconteceu.
Teu gosto ficou marcado,
Mesmo sabendo que era errado,
Mesmo sabendo que era impossível,
Ainda assim, não pude resistir.
No instante em que nos tocamos,
O mundo inteiro desapareceu.
Só restou o que sentimos,
Só restou nós,
mesmo que proibidos.
Não sei se foi loucura ou desejo,
Mas sei que cada vez que
penso em ti,
obeijo vem de volta,
inteiro e urgente,
como se pedisse pra
nunca ser esquecido.
Entre versos quebrados
O silêncio virou música quando você partiu, cada passo teu ecoou como um refrão tardio.
Meu peito aprendeu a tocar saudade em tom menor, e o amor, que era festa, virou solo de dor.
As lembranças giram como vinil riscado, promessas pulam, repetem, não seguem o combinado.
Teu nome ainda dança entre notas e ais, é a canção que insiste em não terminar jamais.
No meio da noite,
o coração muda o ritmo,
tenta ser forte,
mas falha no próprio compasso.
Entre versos quebrados
e acordes perdidos,
aprendo que amar também
é saber ficar só no espaço.
E quando o último acorde
enfim se desfaz,
não é o fim do amor
— é só o fim de “nós dois”.
Guardo essa trilha como parte de quem fui, porque toda despedida também ensina depois
Enquanto te olhava
Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.
Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.
Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.
Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.
Chama do Destino
Nasceu pequena,
quase um sussurro,
entre o acaso e o querer não dito.
Uma centelha tímida no escuro,
como se o destino respirasse comigo.
Cresceu no tempo,
ardendo em silêncio,
iluminando caminhos
que eu temia pisar.
Queimou dúvidas,
aqueceu ausências,
fez do medo apenas cinza no ar.
Mesmo quando o vento tentou apagar, ela dançou,
firme, contra a noite.
Pois há chamas que
não pedem permissão:
existem para arder,
custe o que custar.
E sigo, marcado por essa luz antiga,
sabendo que não fui eu quem escolheu.
Foi a chama do destino que me encontrou e, ao tocar meu peito, escreveu quem sou.
Labirinto Interior
As pedras falam,
mas ninguém escuta.
O sangue quente escorre
entre sombras que dançam na cabeça.
Há vozes que me atravessam,
rasgam o silêncio,
e deixam rastros de carvão no peito.
Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.
Senhor, você que vê meu coração no meio da confusão,
guarda-me da própria sombra
sem apagar o fogo que me lembra que existo.
Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.
Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.
Pausa (Entre Nós)
Quando estamos juntos,
o tempo aprende a ser delicado conosco,
como se cada segundo soubesse
que o amor também precisa de suavidade.
Entre teus gestos e o meu silêncio,
tudo ao redor perde a pressa de existir,
e a vida faz uma pausa para nos olhar,
reconhecendo em nós um instante raro.
Então entendemos, sem dizer nada,
que não é o amor que corre atrás do tempo,
é o tempo que se curva diante de nós,
respeitando aquilo que nasceu para ficar.
A Delicadeza do Agora
Existe um instante raro em que tudo silencia,
um lugar secreto entre nós,
onde o sentir é mais forte que a pressa,
e o presente aprende a respirar.
É ali que acontece a delicadeza do agora,
quando o tempo aprende a amar,
despido de urgência, sem cobranças,
apenas ficando.
Nesse espaço invisível, onde o tempo se curva,
os gestos falam mais que promessas,
e cada olhar é uma escolha calma
de permanecer.
Então fazemos uma pausa,
não para fugir do mundo,
mas para existir juntos,
como se o amor fosse exatamente isso.
Sou livre
Sou livre como o vento que aprende teu nome ao passar entre janelas abertas do peito;
não me prendo ao medo, faço do silêncio um céu onde teu riso pousa sem receio.
Sou livre como o rio que aceita suas curvas, beija pedras, sangra margens e segue inteiro; teu amor é ponte, não prisão — nele atravesso sem perder-me.
Sou livre porque amar não é jaula,
é asa confiada ao próprio voo;
se fico, é escolha do coração
que encontra em ti um horizonte,
não um nó.
Teu olhar me guia
Nos meus sonhos, teu olhar me guia,
E entre suspiros, me vejo inteiro,
Desejando ser mais do que sou,
Ser abrigo e calor no teu mundo inteiro.
Cada gesto teu acende minha vontade,
De ser verso e rima que te toca o coração,
De ser abraço que dissolve a saudade,
E refúgio de toda tua emoção.
Quero muito ser o que sempre sonhei,
Mas teu amor me ensina a esperar,
Pois o verdadeiro sonho não é só querer,
É florescer ao teu lado, sem jamais me cansar.
Entre o chão e o céu,
Entre o ontem e o amanhã,
Que mesmo nas pequenas quedas,
Há sempre um motivo para rir,
E para tocar o infinito nos olhos do outro.
Cafeteira
O aroma do café desperta a manhã,
Mas é teu olhar que realmente me acorda,
Entre goles e suspiros,
encontro teu sorriso
E a rotina se torna poesia
em teus gestos.
Cada xícara guarda
um segredo nosso,
O calor que aquece os dedos também aquece o peito,
E enquanto a fumaça
se espalha pelo ar,
Sinto que somos dois corações
em um só compasso.
Mesmo que o mundo
se apresse lá fora,
Aqui dentro,
entre café e silêncio,
Aprendo que o amor
se serve aos poucos,
E que teu abraço é a
bebida mais doce que existe.
Me infiltro
Me infiltro nos cantos do teu mundo,
entre risos e gestos que se escondem sem querer.
Busco provas do teu afeto profundo,
e cada detalhe teu me faz renascer.
Entre palavras soltas
e olhares discretos,
sigo pistas que só o coração
pode ler.
Cada segredo teu me deixa
mais completo,
cada suspiro é um mapa
que quero conhecer.
No fim da busca,
não há mistério ou distância,
apenas a verdade
Que pulsa entre nós.
O maior achado da minha persistência
é o teu amor, silencioso,
Que me conduz.
Entre códigos e caminhos que ninguém vê,
Teu rastro me guia como luz na escuridão.
Se amar é encontrar,
Então eu já sei:
Meu prêmio oculto és tu,
minha paixão.
