Encontro entre Amigos

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"Quem gasta tempo atacando outra mulher perde tempo de evoluir a si mesma.
Ataques entre mulheres não enfraquecem a outra, só mostram a fraqueza de quem ataca.

Uma vez assistindo na TV uma reportagem em um condomínio, lá se instalou um conflito entre os moradores, era só brigas e confusão!!!
O repórter perguntou a um morador qual era o melhor vizinho que ele conhecia no condomínio, ele respondeu: É um morador que não fala com ninguém, ninguém nunca o vê, vive dentro do seu apartamento, não cria confusão, esse é o melhor vizinho que temos aqui!!!

Pra você guardei


Pra você eu guardei
um amor inteiro,
dobrado entre silêncios,
como carta que o tempo
não conseguiu apagar.


E nem notei
que, enquanto eu procurava
respostas nas estrelas,
você florescia escondido
no jardim secreto do meu peito.


Não se preocupe com mais nada.
A tempestade já passou.
Levou as coisas ruins com ela,
varreu do caminho as dores,
os medos e as promessas quebradas.


Agora, o céu se abre devagar,
lavado de tristeza,
e a luz repousa mansa
sobre nossas mãos.


Tudo está novo para viver:
o primeiro abraço sem pressa,
o riso que nasce tímido,
a esperança aprendendo
a caminhar novamente.


Se ainda houver feridas,
deixe que o tempo as acalme.
Eu fico.


Fico para ouvir seu silêncio,
para proteger seus sonhos,
para amar sem exigir
que o amanhã seja perfeito.


Porque depois de tanta chuva,
há em nós uma primavera inteira—
e, desta vez,
eu não vou deixar
que o amor passe despercebido.

O que, de fato, eu não suporto é a falsidade entre pessoas que só querem uma oportunidade para se beneficiar à custa de inocentes.

A paz


Há um tipo de pensamento que não faz ruído,
uma brisa escondida entre as frestas do dia.
Ele chega devagar, sem bater à porta,
vestido de sombra e luz,
como o entardecer quando toca portas e janelas.


Não traz respostas,
nem exige caminhos.
Apenas se senta ao nosso lado
e contempla, em silêncio,
o que fomos deixando para trás.


Por um instante, o mundo desacelera.
As horas, cansadas de correr,
deitam-se sobre os ombros da tarde
e respiram docemente conosco.


Então percebemos:
há silêncios que não são vazios,
mas moradas profundas,
onde a alma se encontra
sem precisar dizer seu nome.


E nesse breve intervalo
entre o ontem e o que ainda não nasceu,
o coração aprende a permanecer –
não como quem espera,
mas como quem finalmente escuta
a delicada música de existir.


Talvez seja isto a paz:
um pensamento sem ruído,
pairando dentro de nós,
como a última luz do dia
antes de partir.

Adequar a rotina não é um mero custo de adequação normativa, mas a calibração exata entre a preservação humana e a alta performance de um sistema.

⁠Contemplar o belo é coexistir entre o simples e o espetaculoso através de um olhar que te leva à intensa e pura elevação da alma

"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"


Eu transito.


Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.


Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.


Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.


Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.


Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.


Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.


A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.


Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.


Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.


Eu sou rei na arte de transitar.


Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.


Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.


Hoje,
muitas são estranhas.


E tudo bem.


Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.


Houve amor.


Houve desejo.


Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.


E depois?


Depois, seguimos.


Distintos.


Como duas gotas de água.


É assim que a vida me ensinou.


Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.


Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.


Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.


E é aqui que você entra.


Porque eu nunca quis ser seu amigo.


Não naquela noite.


Não depois daquele beijo.


Não quando deitei ao seu lado.


Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.


Eu queria você.


Não sua amizade.


E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.


Eu já tenho amigos.


Tenho muitos.


Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.


Não me faz falta
mais uma cadeira.


Estou acostumado à solidão.


A solidão nunca me assustou.


Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.


E sobrevivi.


Então não me ofereça
o prêmio de consolação.


Eu não quero.


O amor é arrogante.


Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.


Ele não aceita sobras.


Não aceita redução.


Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.


Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.


Prefiro a derrota limpa.


Prefiro a ausência verdadeira.


Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.


Já não me importa.


Você pode me cumprimentar.


Pode não cumprimentar.


Pode sorrir.


Pode seguir reto.


Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.


Nada disso me abala.


Porque o que me importa agora
não é ter você.


É não mentir sobre você.


Eu quis sua boca.


Quis sua presença.


Quis você ao meu lado.


E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.


Não.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Sempre sem engano.


Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.


A maior vitória
é não se possuir pela mentira.


É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.


Então vá.


Atravesse a rua.


Atravesse a cidade.


Atravesse a fronteira.


Faça da sua vida
o que quiser.


Eu farei da minha
o que sempre fiz:


transitarei.


Com meu cigarro.


Minha bicicleta.


Minha poesia.


Meus bares.


Minhas cidades.


Minhas mulheres.


Minha solidão.


E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.


Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.


Foram feitas para passar.


E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.


Precisam apenas
de honestidade.


Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,


não procure uma cadeira vazia para mim.


Eu já aprendi a sentar sozinho.


E se quiser me chamar de amigo,


não.


Eu nunca quis.


Não quero.


E nunca serei.


Porque entre te perder
e me enganar,


eu escolho perder.


Entre a sua amizade
e a minha verdade,


eu escolho a verdade.


Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,


eu escolho o vazio.


Porque o vazio passa.


A mentira fica.


E eu,
que sou tão acostumado a partir,


não tenho medo de partir de você.


Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Essa é a vitória.

Entre todos os tormentos que a alma humana pode suportar, não há nada mais dilacerante do que ver-se privado daquilo que deveria estar ao seu alcance. Contudo, mais cruel ainda é ser rejeitado, expulso, traído... justamente por aqueles que um dia juraram ser o porto seguro ao qual eu recorreria em minha hora de maior necessidade. Essa ferida não apenas consome o coração — ela desperta a chama da revolta.

Entre Tantos Caminhos

Quando o mundo disser para esquecer,
quando a distância nos quiser separar,
quando o medo me disser para partir,
quem há de permanecer
se não tivermos coragem de ficar?

Não basta amar quando tudo é perfeito;
é na adversidade que o coração revela
aquilo que verdadeiramente deseja.

E entre tantos caminhos,
entre tantos destinos,
meu coração ainda escolhe o teu.

Pois amar é permanecer
quando tudo conspira para nos separar,
é segurar tua mão
quando a vida ordena soltá-la.

E se não for por aquilo que amo,
por aquilo que meu coração escolheu,
então, quem serei eu?

Entre ladeiras e vielas, a realidade se revela crua, sem filtros e sem espaço para ilusões.


Uns cumprimentam com um sorriso no rosto e um aceno sincero; outros, com olhares acanhados ou ressabiados, carregam o peso invisível de quem aprendeu a desconfiar do mundo cedo demais.


E, como em qualquer lugar deste mundo, existem os que acolhem e os que fecham a cara para a nossa presença.
O bem e o mal caminham por toda parte.


Mas andar por ali e testemunhar pessoas vivendo bem e dentre tantas outras, em estado de vulnerabilidade, vivendo com pouco ou quase nada, é algo que aperta o peito e se entristece profundamente.


É preciso deixar claro, com todas as letras: morar na comunidade nunca foi, e nunca será, sinônimo de mau caminho.
O que existe na essência desse povo é uma dignidade gigante, a luta diária de quem resiste à falta de tudo, mas não perde a honra.


Ainda assim, é impossível dar cada um desses passos e não pensar no futuro: as crianças. O mundo é imenso, transbordando de possibilidades, e nenhum menino ou menina deveria ter o destino podado pela escassez ou pela falta de escolha.
Elas merecem crescer longe das armadilhas da vida, com o direito sagrado de estudar, prosperar, viver melhor e conquistar um horizonte infinitamente maior do que a dureza do ponto de partida.


Que cada criança tenha a chance real de ver além das encostas e escrever uma história de vitórias. Porque todo ser humano merece a oportunidade de brilhar.

A expectativa é a distância entre o que você quer e o que a vida realmente é. Quanto maior o roteiro, maior o tombo.⁠

Entre um dia e outro, ciclos da vida se iniciam, outros terminam, alguns são aprimorados e outros, procrastinados. E isso não é sobre os dias!

O bandido do bairro domina a rua, mas o bandido no poder domina a regra. A aliança entre eles é o que transforma o crime organizado em um projeto de poder.

Entre cem bilhões de estrelas da via láctea, você é a que decidiu brilhar aqui, em meio a vida terrena. ⁠

Se o poeta disse que amar é um verbo intransitivo
e entre outros adjetivos tem seu sentido completo,
eu te digo que o amor é um tanto quanto relativo,
um sentimento cativo, que não aceita decreto.
​Se ele se basta em si mesmo e não pede complemento,
como explicar o aperto que dá no meu coração?
Como entender esse laço, esse doce tormento,
que me rouba o pensamento e me joga na tua mão?
​O amor pode até ser livre na teoria da gramática,
mas na vida prática ele é dependente sim.
Precisa de um sujeito que lhe dê a voz exata,
que mude a sua fonética e faça ninho em mim.
​Não me venha com a lógica de que o amor é isolado,
pois quando estou do teu lado a regra perde o valor.
O meu amor só é pleno se for conjugado contigo,
no presente do indicativo...
No plural do nosso amor.

O tempo passa, mas deixa cicatrizes onde a memória insiste em ficar. Entre o que fomos e o que seremos, existe um silêncio impossível de explicar. Talvez algumas despedidas sejam apenas o começo de outro ciclo.




_KANGAL

A Tragédia dos Que Brigam Entre Si


É estranho pensar
que pessoas comuns,
que acordam cedo,
trabalham duro
e carregam as mesmas dificuldades,
acabam se tornando inimigas
por causa de guerras que não criaram.


Lá em cima,
os poderosos discutem seus interesses,
fazem alianças,
mudam discursos
e seguem suas vidas.


Aqui embaixo,
nós perdemos amigos,
rompemos famílias
e carregamos mágoas
por causa de uma disputa
que nunca esteve em nossas mãos decidir.


O vizinho deixa de ser vizinho.
O amigo vira adversário.
O irmão olha para o irmão
como se fossem de mundos diferentes.


E no final,
quem realmente ganha com isso?


Enquanto brigamos por aqueles
que nunca saberão nossos nomes,
continuamos enfrentando
os mesmos problemas,
as mesmas contas,
os mesmos medos
e as mesmas incertezas.


A maior tristeza de uma sociedade
é quando o povo esquece
que tem mais coisas em comum
do que diferenças.


Nenhuma opinião vale
a perda de uma amizade.


Nenhuma bandeira vale
o desprezo por outro ser humano.


Nenhum líder merece
que alguém destrua a própria paz
ou transforme amor em ódio.


Porque no fim da vida,
não serão as discussões da internet,
os discursos dos políticos
ou as brigas por ideologias
que ficarão ao nosso lado.


Serão as pessoas.


As mãos que seguramos.
As histórias que construímos.
Os momentos que nunca mais voltam.


A verdadeira tragédia
não é existirem pensamentos diferentes.


É permitirmos que eles sejam usados
para nos afastar daqueles
que caminham no mesmo chão que nós.

Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.

"A nossa evolução exige o equilíbrio entre o risco de nos permitirmos viver e o cuidado de nos protegermos, sabendo que ir rápido demais nos fere, mas a estagnação nos impede de existir."