Encontro entre Amigos
"Há uma linha tênue entre ajudar e virar escravo voluntário! Ser parceiro é dar uma força quando alguém precisa de ajuda, mas é algo bem diferente quando nos anulamos querendo carregar o mundo nas costas, deixando que folgados abusem de nossa boa vontade. Dizer "não" para o abuso alheio não nos torna pessoas ruins ou egoístas; nos faz indivíduos com amor-próprio e saúde mental em dia. Quem se acostumou com a nossa escravidão voluntária sempre vai achar ruim quando decidimos nos libertar. Aprender a colocar limites na nossa vida é a verdadeira libertação da caridade abusiva!"
É curioso como algumas pessoas chegam à nossa vida pela porta mais improvável. Ela chegou entre ofensas, provocações, brincadeiras e aquela vontade infantil de sempre ter a última palavra. Era quase uma disputa, dessas que fazem a gente rir enquanto finge não se importar. E talvez tenha sido justamente assim que ela foi ficando. Primeiro, nas conversas. Depois, nos pensamentos. E, quando percebi, já existia nela um lugar que eu não sabia explicar. Há um carinho que cresce sem fazer barulho. Uma vontade de estar perto que aparece mesmo quando não é chamada. E existe, ainda, essa parte amorosa que, sem pressa, parece crescer um pouco mais a cada dia. Não sei se algumas coisas precisam realmente de um nome. Talvez certas pessoas simplesmente aconteçam dentro da gente, e isso já seja suficiente. Ela, entre tantas coisas, acabou se tornando uma delas — talvez a mais difícil de explicar.
No Tempo de Agora
Senhor, sou um viajante estelar em experiência em um planeta
Entre mares, céus, estrelas e cometas
Experimento a mente num corpo de carne, sangue de gametas
Que anda, pula, salta e se movimenta
Que tem por dentro construção imperfeita
Minha memória guarda flashes do que dizem ser ontem
Lembranças de uma vida de um tempo mais longe
Nem sei onde nem sei de onde
Saudades do que não vivi
Sem saber qual lugar foi lar de verdade
Aqui ou em lugar que não se compreende
O que chamam de avós, pais e irmãos
Me acrescentam apego, apreço e comunhão
A tal história da evolução
Tal qual pede o livro na parte da ressurreição
Não compreendo as lutas, as guerras, o ruim e o bom
Os falsos, os exatos, o mal e o bem
A fábula do belo, do feio e de mais quem
Sem nunca ter certeza de nada também
O que chamam de tempo contei
Até o ponto em que não é bom mais contar
Pois com ele perdi tudo
O que lutei pra juntar
E quanto mais o tempo passa
Mais difícil é entender
Se a vida foi longa demais
Ou se faltou tempo pra viver
Meu apego a uma mãe que me fez existir
Mas partiu sem nunca mais voltar
E nem deu tempo de me ver formar
Agora é o tempo de irem embora
Um a um, os amigos, irmãos e minha história
Meu coração que é de carne dói, recorda e só chora
Mas penso nas vidas que cruzaram a minha
E nas pessoas que pude ajudar
Talvez eu nunca tenha sabido
Quantas vezes minha palavra
Pôde fazer um caminho ser do bem
Quantas vezes proteger, ensinar e cuidar
Foi importante na parte da vida de alguém
E quando alguém parte
O que resta não me parece só saudade
É também a pergunta que ninguém responde:
Fiz o melhor que podia enquanto esteve aqui?
O que aprendi, ensinei, só ficou na memória
E o tempo também apaga as paredes do abrigo
Mas talvez alguma coisa permaneça
Na história de quem caminhou comigo
Mesmo que eu nunca saiba
Pois até o saber é sopro impreciso
Talvez viver seja isso
Ser passagem e companhia
Cruzar outras vidas
Por algum tempo, algum dia
Não saber de onde viemos
Nem saber para onde vamos
Mas poder fazer melhor
O tempo em que nos encontramos
Senhor, se existe um sentido
Que eu ainda não consigo entender
Talvez esteja no instante
Que ainda posso viver
Pois o ontem virou memória
O amanhã ninguém pode contar
E se existe algo sagrado
É acordar e ainda estar
Quando me despertar para ir embora
Que eu possa então recordar
Não tudo o que consegui juntar
Mas aqueles que pude amparar
As vidas que tocaram a minha
E o bem que pude deixar
Pois que viver é só um ato
Breve, imperfeito e humano — alma que implora por tempo
Uma passagem entre dois mistérios
No tempo de agora.
O Silêncio da Afinidade
O distanciamento entre as pessoas funciona como um movimento natural da jornada, que muitas vezes independe de brigas ou conflitos. Almas se atraem pelo que precisam aprender juntas, mas também se afastam quando os ciclos de aprendizado mútuo se completam. Quando a afinidade silencia, o esforço para manter o laço passa a ser um peso desnecessário para ambos os lados. Não há culpados no afastamento; há apenas caminhos que tomaram rumos diferentes em busca de sobrevivência emocional e auto reencontro. Compreender essa dinâmica nos dá a vigilância espiritual necessária para aceitar as despedidas sem o amargor da rejeição, entendendo que abençoar quem parte é o maior gesto de maturidade e respeito pela evolução do outro.
Sou inteira
não há fronteira
entre a vida pessoal e o trabalho.
O tempo me pede cuidado:
distinguir o urgente
do importante.
Pergunto a mim mesma:
até onde quero ir
ao custo do esgotamento?
De que vale consumir mais,
se o preço
é a saúde ou a sanidade?
Antes que a natureza imponha sua resposta,
preciso aprender
a impor a minha.
"Quando a aversão encontra uma alma ferida
Quando entre Deus e o homem há uma mentira
Quando os bons ventos entram em sua vida
Quando a honestidade é trocada por malícia.
O que faremos e por quê?
O preço da ignorância é a escravidão, a escravidão.’’
Desde o Império, a história brasileira é marcada pela entrelaçada polarização entre a política e a Justiça, em que leis e tribunais frequentemente atuam como arenas de disputa pelo poder, e o Direito oscila entre o instrumento de emancipação e a ferramenta de hegemonia partidária.
O Sagrado Entre-Lugar
Os períodos mais transformadores da vida começam exatamente assim com a sensação de estar entre um lugar que já não é mais nosso e outro em que ainda estamos aprendendo a habitar. E é nesse 'entre' que muitas das nossas maiores transformações e estado de consciência plena acontecem.
Não é um espaço de conforto, é de verdades. O 'entre' é o lugar onde a pele se sente fina, a respiração fica pesada e onde as certezas de ontem se desfazem e as de amanhã ainda não possuem contornos definidos. É o silêncio que precede o salto e o vazio que antecede a nova forma.
Para a chegada do novo é necessário se desfazer do anterior. Pois eles podem não caberem ou mesmo poder serem juntos.
Tememos esse intervalo, ansiosos por chegar logo à próxima margem. Mas é justamente no tempo de espera, na suspensão entre a partida e a chegada, que a vida nos convida à escuta. Ali, despidos dos papéis e das "máscaras" que já não nos cabem, temos a oportunidade de perguntar não apenas para onde vamos, mas quem estamos nos tornando durante a jornada.
Não tenha, pois, pressa de sair do desconforto. O que chamamos de "estar perdidos" é, na verdade, a vida nos dando espaço para o reencontro.
A transformação não acontece no destino, ela floresce na travessia.
Dulias Durreis©
A diferença entre pessoas prósperas e pessoas escassas esta na necessidade não precisar provar nada.
Teu olhar me despe antes da mão,
e a pele aprende a esperar.
Há um incêndio manso entre nós,
ardendo devagar, pedindo mais ar.
Meu corpo te chama em silêncio,
arqueja na beira do sim,
cada passo teu me invade,
como fome que sabe de mim.
Não me toques — ainda.
Deixa o desejo crescer,
porque quando enfim me alcançares,
não haverá retorno,
só o prazer de me perder em você.
Seu silêncio também me toca.
Fica entre nós como uma mão.
Não sei se é medo ou desejo,
mas sei que me chama.
Aproximo o rosto,
espero sua decisão.
O amor é este lugar
onde o sim precisa ser inteiro.
As horas escorrem entre os dedos como grãos de areia, cada uma levando consigo um pedaço de nós. Não são apenas segundos que se somam; são oportunidades, risadas, lágrimas e aprendizados que compõem o mosaico da nossa existência. O tempo, implacável e silencioso, nos lembra que o agora é o único momento que realmente possuímos. Ele nos convida a ser mais presentes, a sentir a textura de cada instante e a valorizar a jornada, pois, no final das contas, o que resta não é o número de horas que vivemos, mas sim a qualidade com que as preenchemos.
Se há na terra, e entre todas as nulidades, algo a ser adorado, se há algo de sagrado, puro, sublime, algo que deva sustentar esse imenso desejo pelo infinito e vago que chamamos de alma, esse algo é a arte.
Esparjo os meus versos
entre lençóis bordados
com pétalas de lua
e folhas de estrelas..
e enquanto o olhar suspirante
do oceano captura a minh'alma
o céu boceja poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
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