Emil Cioran Frases
Nós somos mais felizes hoje porque outros o fizeram para nosso bem? Que bem? Se alguém sacrificou-se verdadeiramente para que eu fosse mais feliz no presente, eu sou, na verdade, mais infeliz do que ele, pois não concordo em fundar minha existência sobre um cemitério.
Ninguém se recupera do mal de nascer, chaga capital entre todas. É, no entanto, com a esperança de nos curar dele um dia que aceitamos a vida e nos submetemos às suas provações. Os anos passam, a chaga permanece.
Só nos tornamos cúmplices da vida quando dizemos – de todo coração – uma banalidade.
O conhecimento em pequenas doses encanta; em grandes doses, decepciona. Quanto mais se sabe, menos se quer saber. Pois aquele que não sofreu do conhecimento não terá conhecido nada.
O poeta: um espavitado que sabe atormentar-se sem motivo, que se dedica com ardor às perplexidades, que as procura por todos os meios. E depois, a ingênua posteridade se apieda dele...
Se tivéssemos o justo sentido de nossa posição no mundo, se comparar fosse inseparável de viver, a revelação de nossa ínfima presença nos esmagaria.
As experiências subjetivas mais profundas são também as mais universais, na medida em que elas se ligam ao fundo original da vida.
As mulheres desconcertam: quanto mais pensamos nelas, menos as compreendemos.
A eternidade não conduz nem ao triunfo do bem nem ao do mal: ela anula tudo.
Aqueles que amam com grande paixão nunca poderiam amar várias mulheres ao mesmo tempo: quanto mais força há na paixão, mais o seu objeto se impõe.
É inacreditável que a perspectiva de ter um biógrafo não tenha feito ninguém renunciar a ter uma vida.
Essa espécie de mal-estar quando tentamos imaginar a vida cotidiana dos grandes homens... Por volta das duas da tarde, o que fazia Sócrates?
A desonestidade de um pensador se reconhece pela quantidade de ideias precisas que enuncia.
O ceticismo que não contribui para a ruína de nossa saúde é apenas um exercício intelectual.
Envelhecendo aprendemos a converter nossos terrores em sarcasmos.
O mendigo é um pobre que, ávido de aventuras, abandonou a pobreza para explorar as selvas da piedade.
