Em meio a Fumaça
Quero ser a fumaça em seu trago
O envelhecer do teu vinho
O tira-gosto em sua boca
A sua fantasia mais louca.
Fumaça
Tudo tem limites,
todo bom livro tem um fim.
Assim como nossas vidas,
que um dia acabarão.
Tudo acaba
e se apaga,
como uma fogueira,
que só deixa a fumaça.
Lembranças permanecem,
como o cheiro da fumaça
que fica na memória.
Portanto, coloque lenha na fogueira,
deixe sua vida fazer fumaça,
e sua história não terá limites.
Não posso mais segurar o que sinto, assim como fumaça sobre a palma da mão, não posso segurar meu coração.
Dos Meus Vícios
Trago em mim o trago destilado
Da fumaça embriagada das cortinas
Nas janelas empoeiradas que refina
Tão fugaz sagacidade de meu fado
Neste intenso resplendor enlameado
Regressivo a fusão do meu espírito
Manifesta-se num flagelo quão explicito
Traduzindo um coração amargurado
E destes hábitos a que faço meu refugio
Renego em alto minh’alma ao perjúrio
Em uma putrefação viva e amarga
E no teso fardo que aspira o existir
Precedo assim o inevitável que há por vir
Imorredouro sono que a nós todos resguarda
Sem querer acabo sendo fogo. Que queima, que consome, que muda e remolda. E minha fumaça atrai, é vistosa e enganosa, ela é azul.
Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça. Tomando champanhe ou não. Aprendi que essa fumaça a minha janela embaça. Por fora, por dentro, não.
TENHO UMA SAUDADE IMENSA DOS PASSEIOS NA MARIA FUMAÇA, MESMO SOLTANDO AS FULIGENS QUE NOS ATORMENTAVAM, SUJANDO-NOS INCLUSIVE. FICARÃO NA MEMÓRIA PARA SEMPRE, INCLUSIVE NAS DOS QUE AS AFUGENTARAM PARA SALVAR O MEIO-AMBIENTE".
O coração da mulher é assim, parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece
Da solidao
Um vício
A cada trago
Uma lagrima (?)
Da noite
Um sorriso na fumaça
Leve degustação
Uma distração
Uma fuga
Um refúgio
Um cigarro.
Uma Xícara de Café
O cheiro me alucina,
A fumaça me fascina.
Sou o preferido em várias casinhas.
Sou aquele que é servido,
Na manhã na tarde,
Até mesmo na noite.
Sou apreciado pro todos,
Não importa cor ou gosto.
AGRURA
Tanta fumaça!
Nesse quadrado de lembrança...
enquanto a ausência se faz alvo
A saudade chicoteia o presente.
As lagrimas por certo...
Tentam em vão um aclive reto
e, em deslavo dos pensamentos,
o umedecer do incrível deserto.
E, essa flecha de pontiaguda lembrança
mira em tudo que esta longe
transferindo e ferindo tudo que esta perto.
Nesse ínterim...
O oásis é apenas, miragem de sentimentos
e os sonhos vagam por...
trote desgovernado de ferraduras
e por pedregulhos íngreme de pesadelos.
Por mais uma vez, o encharco do ser
é a única maneira de alvorecer
para logo, despencar no esquecido
e ver a cabeça doer sob o amanhecer.
Antonio Montes
A luz se apaga, fumaça se mistura com a neblina
Noite fria, mas nosso calor transforma o clima
Menina, me guia e não deixe que isso termine
Logo vem por cima a magia do amor que ela imprime
Na epiderme, trocas de fluído, injeção de alívio
Sem juízo as coisas que cantas no meu ouvido
Me sinto na porta do céu, dentro do paraíso
Gosto do mel na boca com a resposta em teu sorriso
Eu sou refém dos teus desejos
escravizado por teus beijos
Guardião das tuas vontades, amo até os teus defeitos
Minha eterna rainha, minha cama é o seu trono
De camiseta e calcinha é fácil de eu perder o sono
Por favor não pare, pode ficar até tarde
Prazer é sentir energia nos poros da tua carne
E quando o dia nasce não é o sol que admiro
E nem as estrela do céu somam teu brilho
Neblina dos meus pensamentos
A fumaça perdida se dissipa
Sem rumo, sem rua
Sem trilha, tampouco avenida
A pedra no caminho faz as certezas serem açoitadas e mentiras estimuladas pelo vento da fumaça, farfalham dúvidas irriquietas no labirinto da mente.
Vai, fumaça
diz pra ela que o tempo
já não passa
já não passa de tortura
caminhando reto
pra loucura
diz pra ela
enquanto finge
que não passa de vexame
esse amor que não se finge
e virou cerca de arame
diz o que quiser
mas não esquece
de dizer que o amor padece
se ela não vier
diz que amor é flor
que se não rega, morre
que se não cega
escorre
pela bochecha
pela camisa
pela alma
pela brisa
pela fronha
que virou a cara medonha
da saudade
que virou altar de quem sonha
de verdade
Diz pra ela que eu guardei
os copos que beijei
e que os dela
queimei
de tanto beijar
diz que o silêncio dela me ensurdece
que o calendário dela me entristece
e que já esqueci de rezar
Diz pra ela que fui eu
o autor do céu que escureceu
e das ruas paralelas que se perdeu
diz que fui eu
o menino que morreu
e todos que morreram
por falta de amor
diz que eu sou fraco
em nome do senhor
e que eu sinto frio
quando falam de calor
Diz que fui eu
quem gritou na janela
do quarto
e do peito dela
e que eu to rouco
louco
e oco
sem ouvir resposta
Diz que tu é pedaço de mim
que me gosta
e mostra
pra ela
que ainda fumamos os mesmos cigarros
diz que guardei
os cigarros
da sorte
que ficam por último no maço
que tenho muitos maços
guardado pra ela
Diz o que quiser
mas não esquece
de me contar o perfume dela.
