Eco
O Abismo e o Eco
Eles vêm, de olhar vazio,
sem ver, sem saber, sem perguntar.
Marcham—não, rastejam—
com a certeza tola dos que nunca duvidam,
com o fervor triste dos que nunca pensam.
Erguem aos céus um nome, um vulto,
uma sombra que os consome,
um charlatão de feira, um embusteiro de trapos,
que lhes promete um mundo feito de espelhos
onde só veem o que querem ver.
E riem!
Riem do meu desespero,
da minha fúria que a ninguém toca,
do meu nojo que os diverte.
Saboreiam o ódio que os denuncia,
porque sabem que nada os toca,
que nada os convence,
que nada os redime.
E eu, que vejo?
Vejo ruínas erguidas como templos,
mentiras coroadas como verdades,
a história dobrando-se sobre si mesma
como um espectro de vergonha.
Dizem-me: "A história julgará."
Mas que história?
Se forem eles a escrevê-la?
Se o mundo for seu?
Se a verdade for extinta
como um lume apagado no vento?
E então?
E então nada.
Talvez reste apenas o eco,
o resquício de um tempo que poderia ter sido.
Talvez reste apenas este grito—
este grito inútil,
este grito impotente,
este grito que ninguém quer ouvir.
Reflexão sobre a Vida sem Amigos
Na vastidão da vida, um eco de solidão,
Já fui acolhida por amigos, um abraço de coração.
Quando a família se virou, as contas se tornaram pesadas,
Foi na amizade que encontrei as luzes apagadas.
Mas a vida é um ciclo, cheias de nuances,
E eu, que fui abrigo, também fiz as minhas danças.
Péssima amiga, talvez, em momentos de dor,
Ferindo quem foi bom, sem saber do valor.
Traições marcaram, como cicatrizes na pele,
A confiança despedaçada, um amor que se enredou em um fel.
A dor do abandono, um lamento profundo,
Quando quem amei se foi, deixei vazio em meu mundo.
A vida sem amigos é um horizonte embaçado,
Um deserto sem riso, um caminho isolado.
Mas, ao refletir, percebo que cada dor ensina,
E que as lições são parte da própria sina.
Os amigos que se foram, deixaram seu legado,
Cada risada, cada lágrima, um amor que foi amado.
E mesmo na ausência, guardo suas memórias,
Um mosaico de vivências, entre risos e histórias.
É preciso aceitar que a vida é assim,
Um jogo de perdas, onde o amor pode ter fim.
Mas na solidão, uma força eu descubro,
Que, mesmo sem amigos, ainda sou um ser puro.
Custo a perdoar a mim mesma, pelas falhas,
Mas a busca por crescimento, em cada lágrima que estilha.
A vida continua, mesmo sem o calor de um abraço,
E em cada amanhecer, renasço no meu passo.
Que eu aprenda a ser amiga de mim mesma,
A encontrar na solidão um espaço de beleza.
E que, quem sabe um dia, novos laços se formem,
Em uma dança de almas, que, juntas, se transformem.
O Amor como Essência e Questionamento da Existência
O amor é o eco da alma no abismo,
A busca incessante pelo que não se vê,
É a verdade oculta, o eterno paradoxo,
Onde ser e não ser se entrelaçam ao viver.
É a essência que transcende o corpo,
Mas que ainda assim, o abraça em fogo,
É o abismo e o céu, a queda e o voo,
O desejo de ser e de se perder no outro.
Não é a posse que o define, mas o vazio,
O espaço que se preenche de presença e falta,
É o questionamento do ser e do não-ser,
A dúvida que nos molda e nos exalta.
Amar é entender que nada se sabe,
E, ainda assim, buscar, persistir e crer,
É a eternidade fugindo do tempo,
E o momento, carregado de infinito, a se fazer.
O amor é a pergunta que se torna resposta,
É o mistério que nos habita e nos chama,
O que existe e não existe, o que é e não é,
A filosofia do ser que se desvela na trama.
Liberte-se de qualquer doutrina contida em sistemas de ideias: política partidária, religiosa e econômica.
Na agitação da vida, podemos ouvir o suave eco da harmonia quando nos permitimos encontrar a paz que necessitamos.
O horizonte ermo e noturno,
E eu aqui, desorientado, sem razão, No eco do silêncio, um coração soturno,
Estou perdido, num tempo já perdido, na solidão.
Espírito sociangustista
Nas ruas da desilusão,
Onde o eco da injustiça ressoa,
Caminhamos com o peso da opressão,
Na sociedade que nos despoja e magoa.
Erguem-se muros de indiferença,
No labirinto do progresso vazio,
Onde a esperança é uma crença,
E o amor, um bem desafio.
Mas ainda na angústia coletiva,
Há uma chama que persiste,
A luta por uma vida ativa,
Onde a justiça enfim existe.
Quebraremos as correntes do medo,
Com a força da união e da palavra,
Por um futuro onde haja mais enredo,
E menos dor que a alma lavra.
Pois somos mais que meros números,
Somos vozes, sonhos e ação,
Contra os abismos sombrios e erros,
Levantamos a bandeira da transformação.
No eco das palavras, nossos pensamentos são bordados, criando a realidade onde somos moldados. Pensamentos e discursos sem o poder delas, bem organizados, são retardados...
Leonardo Godoy As árvores caem em silêncio, mas o eco de suas vozes perdidas ressoa nas lágrimas da natureza, testemunhando a tragédia do desmatamento que dilacera nossa alma e devasta nosso futuro.
Não sou pergunta nem resposta, sou o eco que nasce e morre entre elas antes de adquirir a medíocre forma das coisas exatas e definidas pela semântica dos termos.
O silêncio dos inocentes é um eco ensurdecedor que revela o medo dos que se calam diante do grito da injustiça.
"O fantasma, na visão lacaniana, é o eco do desejo que nunca foi saciado, um laço entre o corpo pulsional e a falta no Outro."
**O Eco do Silêncio**
Amei-te em segredo, como quem guarda uma flor,
Reguei-te em meu peito com lágrimas de amor.
Na dança do tempo, meu olhar te seguia,
Mas eras estrela que o céu escondia.
Sonhei com teu toque, tão doce e gentil,
Mas tudo que tive foi o frio abril.
Minha voz no vazio chamou teu nome,
E o eco, cruel, devolveu-me a fome.
Cada sorriso teu era luz que feria,
Uma chama que arde, mas não me aquecia.
E em cada palavra que nunca ouvi,
Um pedaço de mim ficou por ali.
Amei-te com força, sem pedir permissão,
E paguei o preço da minha ilusão.
Pois amar sem resposta é abraçar o vazio,
É um fogo que queima sem dar arrepio.
Mas ainda assim, amo-te em silêncio,
Mesmo que doa, mesmo que intenso.
Pois amor verdadeiro não exige um porquê,
Ama no escuro, mesmo sem se ver.
O que é viver, senão perguntar?
Um ciclo sem fim, um eco a vibrar.
Porque vivemos? Porque existimos?
Será o destino, ou passos perdidos?
Será que vivo, ou apenas respiro?
Será que sou mais do que o pó que retiro?
Há uma palavra para explicar tal dor?
Ou o silêncio responde com mais rigor?
Será que Deus guarda a resposta em segredo,
Ou somos nós presos no mesmo enredo?
Porque vivo, se um dia vou partir?
Porque morro, se ainda quero sentir?
Porque e porque… a pergunta persiste,
Na busca do sentido que nunca desiste.
Viver é dúvida, morrer é certeza,
Entre os dois, resta-nos só a beleza.
## Adeus Sem Retorno
Não quero dizer nada,
apenas repetir o eco da minha alma.
Se você não entende o que faz,
se vê que está correta,
não vale a pena insistir.
Palavras que você não vai ouvir,
serão palavras ao vento,
chegando aos seus ouvidos vazias,
sem alma, sem cor.
E minha dor só aumenta.
Então hoje é um adeus,
sem um até breve.
Um adeus sem retorno,
um adeus sem esperança.
"Desmascaramento"
Em um labirinto de ilusões, eu me perdi,
Decepcionada pelo eco de uma paixão fugaz.
O nojo cresceu, como uma sombra que me envolve,
Vergonha por ter confiado em um coração de pedra.
Surpresa ao descobrir o monstro disfarçado,
Por trás da máscara de um amor que nunca existiu.
Desgosto por ter cultivado sentimentos verdadeiros,
Por alguém que apenas representava um papel.
No palco da vida, você atuou com perfeição,
Mas eu, ingênua, acreditei naquela encenação.
Agora, resto-me apenas as cinzas da ilusão,
E a certeza de que a verdade é um presente raro.
No silêncio, eu me pergunto:
"O que é real? O que é falso?"
E a resposta ecoa, como um sussurro:
"A verdadeira liberdade está em não se deixar enganar."
16.04.2011
Tayna Cutrim
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