Coleção pessoal de TaynaCutrim
*A Lente Invertida*
Andamos em vagões de espelhos opacos, vestindo certezas que nunca foram nossas,
apontando o dedo para os trapos
e escondendo a vergonha nas nossas fossas.
Cruéis são os olhos que se julgam puros, que veem a estranheza na veste alheia, enquanto constroem, em si, altos muros
e se afogam lentamente na própria areia.
Pois o julgamento que sai de tua boca,
que desdenha a cor, o adereço, o passo, é a mesma mordaça, cega e louca,
que te prende ao teu próprio fracasso.
Ah, se pudesses ver a foto revelada
na luz silenciosa do teu próprio quarto…
Verias tua alma tão fantasiada, tão cheia de remendos e de fardo.
O monstro que te assusta na esquina
é o mesmo reflexo que habita o teu peito.
Criticamos a vida que não nos domina,
porque no padrão jamais fomos aceitos.
E assim seguimos, juízes de nada,
pelas ruas frias do nosso desencanto:
chorando a dor da alma mascarada,
sem ver que no outro existe o mesmo pranto.
28.09.2026
Por Tayna Cutrim
“Conto Sem Fuga”
Viaja, coração — sem mapa, sem bagagem,
cruzando desertos de rotina e miragens,
na esperança de que o amor seja real,
e não apenas um eco no quintal da alma.
Liberdade soa linda…
até que ela custa o toque,
o riso em dia nublado,
o cheiro no travesseiro —
onde antes havia lar, há silêncio calado.
Sentimentos se embaralham como vento em véus,
confusos, intensos — ora céu, ora breu,
e as lágrimas que caem não são fraqueza,
são bilhetes molhados ao universo, pedindo beleza.
Pagamos caro por sonhar:
o apego, o abrigo, o beijo não dado,
o amor que nunca disse a que veio,
mas ficou sentado no peito, espreitando.
E ainda assim — sorrimos.
Colocamos a máscara de contentamento,
enquanto o "eu" lá dentro
grita por toque, por verdade, por alento.
Grita por um conto de fadas
que não precise de dragões ou castelos,
mas de mãos que se reconhecem,
e olhos que digam: “eu também me perdi, mas vim te achar.”
E talvez o encanto esteja nisso:
na dor que não some,
na pele que ainda arrepia só de lembrar o nome,
no beijo que mora sem nunca morar,
no instante que foi…
e ficou para eternizar.
Mas ao final da página —
não há fuga, nem feitiço.
A realidade sempre nos chama
e exige o compromisso.
"Desmascaramento"
Em um labirinto de ilusões, eu me perdi,
Decepcionada pelo eco de uma paixão fugaz.
O nojo cresceu, como uma sombra que me envolve,
Vergonha por ter confiado em um coração de pedra.
Surpresa ao descobrir o monstro disfarçado,
Por trás da máscara de um amor que nunca existiu.
Desgosto por ter cultivado sentimentos verdadeiros,
Por alguém que apenas representava um papel.
No palco da vida, você atuou com perfeição,
Mas eu, ingênua, acreditei naquela encenação.
Agora, resto-me apenas as cinzas da ilusão,
E a certeza de que a verdade é um presente raro.
No silêncio, eu me pergunto:
"O que é real? O que é falso?"
E a resposta ecoa, como um sussurro:
"A verdadeira liberdade está em não se deixar enganar."
16.04.2011
Tayna Cutrim
Na escuridão da realidade, falsidades se ocultam,
Deslealdades se disfarçam com máscaras de carinho.
Bênçãos são proferidas com lábios de perfídia,
Maldições se escondem em palavras de agonia.
O coração é um dédalo de ilusões,
Onde a verdade se perde em labirintos de silêncio.
Quem é o enganador? Não se sabe,
Só o tempo revela o que a alma dissimula.
Tayna Cutrim
16.12.24
Pensamento.
