Eco
O Último Eco do Romantismo
Ainda que as luzes da cidade apaguem o luar, e o tempo corra sem pressa de sentir, eu continuaria a sentar-me à mesa e a criar, versos de um amor que muitos deixaram de ouvir.
Que me chamem de o último romântico da Terra, o guardião de uma chama que teimam em apagar.
Se o mundo lá fora se perder em sua guerra, eu venço os dias no simples ato de amar.
Mesmo que minhas palavras encontrem o vento, e flutue sem destino feito folhas no chão, sei que o silêncio do espaço acolhe o sentimento,
e o próprio universo compreende a canção.
Pois nada que é puro se perde do nada, nenhum sopro genuíno se desfaz em vão.
A vida,
em sua volta sensata e sagrada, devolve o afeto que sai do coração.
E assim escrevo,
sem medo do vazio, falando ao infinito o que a alma traduz em letras.
Se sou o último a cantar à beira do rio, que minhas palavras guardem o restinho de luz!
Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.
O vale repete o nome daquilo que se perdeu. Mas o eco não é lamento, é promessa que cresceu. Toda distância é caminho pra quem ama e não esqueceu.
A vida é um eco das escolhas que fazemos nos momentos de extrema pressão e de dúvida, e a nossa capacidade de agir com desprendimento define a estatura moral de nossa existência. O amor, quando é verdadeiro, não exige garantias ou reciprocidade, ele simplesmente se doa, transformando o risco da perda em uma vitória espiritual que silencia qualquer argumento. A renúncia não é fraqueza, é a mais alta expressão de uma força que transcende o ego. Você está vivendo para acumular ou para doar o que há de mais precioso em você?
O homem que se isola por medo do erro renuncia à sua natureza e torna-se um eco em seu próprio deserto.
O silêncio me ensinou mais do que mil conselhos, Nele eu ouvi o eco das minhas verdades escondidas, os ruídos da alma só se calam quando são encarados, e hoje não temo mais minhas sombras, eu converso com elas até que se tornem luz.
O vazio é uma câmara de eco projetada para reverberar sua própria voz, a única e mais cruel solidão é a ausência do seu eu naquele espaço que clama por
sua presença.
O futuro é um território virgem que só manifesta a gentileza que você permite, ele é um eco direto da sua permissão para a felicidade. A sua capacidade de sonhar é a primeira e mais importante arquitetura do amanhã que
você deseja construir.
Perdido entre o silêncio dos ossos secos e o eco de almas vazias, busco no norte o caminho do vento para, enfim, ter o ímpeto de navegar contra a correnteza que tenta me levar de mim mesmo.
Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino.
Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino da minha memória. Eu converso com as sombras, não porque perdi o juízo, mas porque as sombras são as únicas que sabem ouvir sem interromper.
A saudade é uma onomatopeia que ninguém consegue pronunciar, um eco de passos que nunca chegam a tocar o chão do corredor. Escrevo o teu nome no vidro embaçado, esperando que o frio traduza em som o que o peito tenta, mas falha em organizar. No fim, resta apenas esse vocábulo estranho, um balbucio oco, a onomatopeia de um adeus que não teve coragem de fazer barulho.
A melancolia é o eco das histórias que a nossa alma esqueceu de contar e que agora insistem em sussurrar nas noites vazias, pedindo para serem registradas. Eu sou o escrivão desses fantasmas, o secretário de uma dor que não tem nome mas que exige ser ouvida.
O eco mais difícil de silenciar é aquele produzido pelas palavras que nunca tivemos coragem de dizer.
No silêncio onde o eco devora a vaidade dos discursos, ergue-se o meu monumento invisível: não são apenas palavras, mas fatos. À sombra do tempo que tudo apaga, gravei na rocha do invisível o que nenhuma testemunha pode negar: é o meu compromisso, minha maior ambição. Pois quando o teatro das aparências fechar suas cortinas, restarão apenas os passos que dei no escuro, sabendo que esta é a missão da minha vida, o enigma que vim decifrar tornando-me o meu próprio destino.
Reno Fioraso
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