Eco

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O Eco dos Anos


No limiar da meia-noite, o calendário curva-se novamente,
dissolvendo um ano em fumaça fina que escapa entre os dedos.
Não é o tempo que foge; é o eco que persiste.
Gestos repetidos como versos de poema gasto,
pensamentos sulcados na alma,
conversas nascidas velhas, pesadas pelo não dito.


Somos espelhos rachados.
Nelas reflete o mesmo espírito:
felicidade oca em dias cinzentos,
palavra de dicionário que evade a pele.
Buscamos reflexos polidos, amores distantes,
palavras que enchem o silêncio sem tocá-lo.


Num descuido ou graça súbita,
abrimos a porta da casa interior.
Ali, o caos negado: silêncios empilhados como móveis quebrados,
sorrisos mofados no escuro,
danças paradas no meio do giro.


As máscaras fundiram-se à carne.
Não sabemos onde acaba a encenação
e começa o real.
Avarentos com o coração, sabotamo-lo
por uma longevidade ilusória,
adiando o encontro essencial
como se a morte negociasse prazos.


Vivemos à espera — do fim do dia, do brinde vazio,
da distração que cala a voz insistente:
a vida não avisa o fim.


Quando a poeira baixa,
o novo ciclo surge não como promessa,
mas pergunta austera:
será possível, num lampejo lúcido,
acolher os cômodos vazios da alma?


Nesta virada, dispense jantares fartos e sorrisos falsos.
Chame-me apenas — para saber se estou bem.
Chame para a reciprocidade nua,
para aprender, devagar, empatia, generosidade, resiliência —
e as palavras que brotam no caminho, sem performance.


Voltemos ao templo que somos:
casa de sentimentos em pedra antiga e luz trêmula.
Com mãos lentas, sem julgamento,
varramos o ressentimento cristalizado,
lavamos janelas embaçadas,
deixamos o vento renovar.


Que nossas verdades ecoem no outro,
vulnerabilidade vire ponte de mãos estendidas.
Não reerga o edifício todo.
Entreabra uma janela,
deixe a luz cortar a poeira,
lembre: dançar é possível
entre escombros, peito partido,
eco persistente.


Que o templo seja morada, não prisão.
Ao limpá-lo, na poeira e luz tímida,
encontremos o espaço onde a reciprocidade inspire


Que os anos traga não felicidade premiada,
mas honestidade à criatura teimosa
que, apesar de tudo, escolhe estar...


Ysrael Soler

EU, POEMA DE MIM

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.

Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.

Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.

Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.

Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.

Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.

Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.

E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.

Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

A vulnerabilidade humana, por mais extrema que seja, ainda encontra eco nas leis e na solidariedade de sua própria espécie. Quando a crueldade se volta para os animais, estamos diante da forma mais pura de covardia moral: o massacre silencioso de quem não possui meios de defesa, nem palavras para exigir o direito à própria vida.

Arquitetura da Alma
Não sigo trilhas feitas de fumaça,
nem busco o eco de aplausos vazios;
minha jornada tem o peso da graça,
da fé que molda os meus próprios caminhos.
Cada degrau foi ganho com suor,
no plantio firme de quem sabe o que faz;
minha colheita tem um brilho maior,
pois traz na essência o silêncio que traz.
Minhas raízes se fincam no afeto,
no riso claro que aquece o meu lar;
ser fortaleza é proteger este teto
e ter a mão sempre pronta a ajudar.
Quem vive de cópias não lê os bastidores,
não entende a força de quem se construiu;
sigo blindada, colhendo as minhas flores,
na melodia mais linda que a alma sentiu.

Enfermagem, cuidar sem aplausos, viver sem aumento




A enfermagem grita, mas o eco têm sido o silêncio.


Fomos a linha da frente quando todos recuaram...


E agora, somos a última linha na folha de proventos.


Estamos adoecendo não de vírus, mas de esquecimento.


Cuidamos dos corpos que governam...


Somos as mãos que amparam a vida e acalmam a partida.


Aquelas que trocam fraldas, limpam feridas, e ainda assim


recebem proventos que doem mais doque qualquer ferida.


Enquanto o pais dorme, estamos cuidando dos que respiram


com a ajuda das nossas mãos...


Enquanto as autoridades discursam, estamos trocando curativos,


enxugando lágrimas e sustentando a vida.


Quando a velhice bater á porta dos poderosos...


e a soberba já não servir de abrigo, serão as mãos da enfermagem


que cuidarão das suas feridas, trocarão as suas fraldas frias...


Talvez descubram nesse momento o valor de ser cuidado.


E quando o tempo cobrar a fatura, seremos nós... as mesmas que ignoram...


quem estarão ali, trocando suas fraldas, curando suas feridas...


e mostrando mais uma vez que aprendemos a curar mesmo sem remédios.


Apesar do cansaço, continuamos firmes, mesmo diante de tantas promessas vazias.

O "deus" que você adora provavelmente é apenas o eco da violência que seus ancestrais sofreram para se ajoelharem.

A saudade é o eco temporal de uma presença que o tempo não conseguiu abolir.

A liberdade começa quando o indivíduo deixa de confundir a voz da consciência com o eco das normas que o formaram.

Bradei por socorro.
Mas ninguém ouviu.

Era apenas a passagem do meu eco
em desalinho.

Fé sem amor, sem gratidão, sem humanidade, sem humildade é como um eco vazio que ressoa em um templo sem alma; não é divina, pois o divino se revela onde o essas virtudes são verdadeiras, sem isso a fé se torna uma crença sem essência, algo distante da verdadeira natureza de Deus.

A maldade é o eco da escassez: Quem tenta pisotear a nobreza alheia revela apenas a própria pobreza de espírito, incapaz de enxergar o tamanho de um caráter íntegro.

O Hemisfério Celestial Sul
no meu coração faz eco.
Da meia-noite à meia-noite
não é segredo que o amor
em nós tem construído
um particular império;
não existe explicação
para este nosso mistério.

Antes do sucesso, a sombra dá seu último suspiro, o eco de todas as resistências que um dia te impediram de avançar. E então, ao ser integrada, ela se dissolve diante da tua iluminação, abrindo um oceano de infinitas e promissoras possibilidades.

Quando o nosso coração se declara, ele
torna-se mais feliz quando ouve um eco.

Inserida por babolim

O EGO faz da ECO uma ECA!

A destruição da nossa ecologia advém da ambição humana.

Inserida por ketantonio

'Facil como um click
so ligar e desligar .
Apenas um cd caido
dentro do carro.
So o eco da cancao
que nao se ouve mais
mil veses ao dia.
Nada alem da pausa na voz
quando um nome e dito ao acaso.
Quando for so isso
de verdade
entao pode ser que seja pra sempre.''

Inserida por Starr

MEU AMIGO, EU

Ouço em segunda voz,
como um eco em retorno de uma rocha.
A função do subconsciente
nem retarda, nem falha,
um aviso sem som presente,
mas uma intuição de forma concreta.
Provando que seu melhor amigo é você mesmo,
chacoalha teu entusiasmo,
faz seu corpo tremer de receio,
um medo sem dor presente,
por um futuro de dor ausente.
Que bom termos esse amigo dentro de nós,
conversas a um, é sinal de conselhos certeiros.
O elo da confiança alheia é infinita,
nem sempre você é o melhor amigo de seu melhor amigo,
a corrente pende a outra pessoa.
Seu aprendizado, às vezes não entra pelos ouvidos,
já está dentro de sua mente,
esperando por você aceitá-lo.

Inserida por cesarcarvalho

O amor é um grito no silêncio... Um eco muitas vezes.

Inserida por catarinapoeta

O profundo silêncio que se escuta. Eco de liberdade. Fios de cabelo no chão. Quantos cairão até o final do último parágrafo?Eu celebro o ato de descamar diariamente. Um pedaço de pele. Um pedaço de unha. Um pedaço de palavra. Esfrego a minha senhora, enquanto tomo banho. Retiro o cheiro dela, disfarço o gosto, camuflo o medo. Eu entrego, sem objeções, o meu império. Os pés dançam sob o abismo velado a espera diária por uma solução eficaz. Eu bebo a minha eternidade no café da manhã. Assopro as certezas para longe. Peço para que em breve, não haja mais chão. Nem buracos. Nem padrões. O meu tempo deve ser todo consumido. Me despeço enquanto apago as memórias deixadas. Intercessões, alegrias, dores, marcas, as cicatrizes e afins. Os pormenores serão abortados. Até que tudo vire ausência. E o acaso me transforme em lembrança.

Inserida por thamynf