E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
Por causa do sono dessa noite, lembrei que há uns dois anos atrás sonhei que André tinha recebido uma nova chance de viver. Ele estava adulto como quando partiu. Lembro que virei para ele e aconselhei que ele tomasse conta com carinho dessa nova vida e não fizesse com essa o que fez com a outra.
Amor carente
Quando olho para a lua,
Vejo-me como estou na tua,
E no silêncio da noite na rua,
O meu pensamento flutua.
E nessa noite de luar,
Fui hipnotizado pelo teu olhar,
E logo, logo,comecei a lhe amar,
E com isso tive que me entregar.
Me entregar em uma noite fria,
Ao som de uma linda melodia,
Nossos beijos quentes em sintonia,
E preso em teus braços, tenho minha alforria.
Quando vejo essa noite enluarada,
Lembro-me dos teus abraços de madrugada,
Onde posso fazê-la sentir-se amada,
Porque sou louco por você,minha namorada.
Quando vem a noite em sua essência,
Os teus beijos libertando-me da inocência,
Então me entrego a você como na adolescência,
Sem medo e sem prudência.
Vem o amanhecer gelado,
Você me prendendo em teus braços,
Entre beijos e abraços,
Me regozijo e me desfaço.
Eu te amo tanto,infinitamente tanto,
E esse sentimento ecoa por todo canto,
Minh'alma se embriaga em um triste pranto,
De pensar em perdê-la tanto....
Lourival Alves
À Beira da Cova
No frio da noite, a chuva cai,
Silêncio e sombra, o vento trai.
No peito um peso, um grito mudo,
Lembranças mortas no chão escuro.
O ferro canta no couro negro,
Correntes frias, passado azedo.
Uma garrafa, um último brinde,
Ao que se foi, ao que ainda finge.
LOWLIFE gravado na carne e na alma,
Caminho sem volta, sem rumo, sem calma.
Um túmulo aberto, convite ao fim,
Mas sigo em frente, a morte é pra mim?
Na lápide o nome, espelho cruel,
O destino escrito num tom de fel.
E ali parado, entre a lama e o breu,
Vejo no fundo... apenas eu.
Morfeu uchiha
A noite chega e a curiosidade aumenta, de noite não há julgamentos... Os prazeres se tornam realidade até a última hora da noite.
Ela amava a noite, mesmo sabendo que que aquele breve período de tempo iria acabar uma hora...
O dia a deixava tímida, mas no alto da noite ela se soltava...
A Mariposa e a Luz
A mariposa dança no abismo da noite,
cativa de um sol que não nasce.
Seus olhos são fome de lume,
seu corpo, um verso prestes a queimar.
Ela não pergunta ao fogo quem é seu dono
nem teme o abraço da lâmina ardente.
É desejo sem fronteira,
um grão de poeira sonhando ser tudo.
O tempo não pesa em suas asas,
pois tudo o que vive já nasce em ruína.
A vida é uma ânsia de brilho,
um voo cego rumo ao cerne do nada.
E, quando, por fim, toca o imponderável,
não há grito, nem sombra, nem fuga.
A luz a devora num sopro sem nome,
a sede de eternidade, em silêncio, a consome.
Em teus olhos, vejo o brilho da lua,
Reflexo suave que ilumina a noite,
Teu sorriso é a luz que sempre flutua,
E em cada toque, sinto o amor mais forte.
Teus abraços são o lar que eu procurei,
Um porto seguro em meio à tempestade,
Em cada palavra tua, eu me encontrei,
A essência pura da felicidade.
Mesmo quando a distância se faz presente,
A chama do amor nunca se apaga,
Com paciência e fé, sigo em frente.
Pois sei que ao teu lado a vida é uma saga,
E juntos trilharemos o caminho ardente,
Um amor eterno que sempre nos embriaga.
Dama da Noite
Dama da noite
Que incendeia o meu coração
Dança comigo essa dança,
Até o ponto que alcança o ápice da sedução.
Dama da noite,
Permita-me te satisfazer
Se joga em meus braços nesse luar,
Faz amor, deixa rolar
E o resto pode deixar o tempo dizer.
Faz como outrora,
Onde o sempre nunca acaba,
Onde o depois vira agora
Onde o tempo nunca passa,
Onde a luz da lua não vai embora.
Dama da noite,
Vem buscar a tua paz
Deitada nesse colchão, te levo ao céu,
Te deixo no chão,
Ah, o nosso amor é quente demais, é algo sagaz, uma louca sensação!
Não ame!
Noite estrelada e minha notificação silenciada.
A lua clareou e ele me amou.
O sol irradiando e ele me odiando.
A constelação é tão distante que ele levou à minha paixão ao insignificante.
Muitas revelações sem emoções.
Então, o resultado é a soma dos fatores, gerando valores ou dores.
Perdão, meu amor, por ter me descuidado,
A noite escura me levou a errar,
Com os copos cheios, o coração acelerado,
Esqueci do mundo e deixei de te amar.
Teu olhar preocupado foi um golpe profundo,
Senti a dor de te ver assim sofrer.
Saiba que em cada instante, em cada segundo,
Meu amor por ti só faz crescer.
Te agradeço por ser tão compreensiva,
Por acolher minhas falhas com ternura.
Teu perdão é a luz que me motiva,
A ser melhor e buscar a altura.
Amar-te é um sonho que quero viver,
Prometo cuidar do nosso bem querer.
Um falso amigo é como uma sombra, na luz do dia ele te segue e na escuridão da noite ele vai embora.
te amar é como dançar durante a noite,
aqueles abraços aconchegantes da avó,
enquanto ela conta histórias antigas,
quando não temos energia e a chuva cai.
é pensar nas frases mais robustas e diferentes,
imensurar o que sinto, dizer aberto e simples.
é sorrir, ah, sorrir — a vida soa boa,
refletir sobre tudo, eu amo refletir.
é lembrar da hello kitty, olhar o rosa,
perambular com músicas antigas: djavan, ivete, marisa monte.
você pode não estar na cabeça, mas está na vida,
nas letras miúdas que escrevi e as que não escrevo.
na vontade de melhorar sempre que te vejo escrever,
é chorar sangue pelo coração, se abraçar nas noites escuras.
é aquela voz segura, mas também a insegura,
lavar os pés durante a noite — é rir e sentir aquela sensação tão boa.
Desde pequenos, nos ensinam a dar
sem esperar nada em troca.
Mas, à noite,
olhamos para o céu e percebemos:
somos humanos.
Dar é belo,
mas também precisamos receber,
para amar,
precisamos ser amados.
Somos todos iguais,
seres imperfeitos,
buscando equilíbrio entre dar e receber.
Se a voz insiste em nos chamar,
será loucura ou um aviso a se escutar?
No silêncio da noite, ela vem sussurrar,
entre o medo e o mistério a nos rodear.
Se não sou eu e nem é você,
quem nos chama sem a gente querer?
No portão ou no quarto escuro,
o som ecoa como um presságio puro.
Ignorar ou tentar entender?
Se afastar ou deixar acontecer?
Entre o real e o desconhecido,
a voz segue, num chamado infinito.
Mesmo com a mais negra noite (sem lua ou estrelas) podemos seguir caminhando, tendo a luz da esperança como farol a nortear nossos passos.
Mesmo no mais profundo dos abismos sempre a fé nos impulsionará a subir pelas escarpas.
Mesmo que os grandes amores tenham naufragados no mar da vida, mesmo que o farol tenha a luz queimada, mesmo que a escarpa seja íngreme demais, sempre são os amigos que procedem ao resgate.
A solidão não grita.
Ela sussurra baixinho no meio da noite,
no espaço vazio ao lado da cama,
no silêncio de uma mensagem que nunca chega.
Ela não aparece de repente.
Vai se acomodando aos poucos,
ocupando os lugares que antes tinham nome,
preenchendo as lacunas que alguém deixou.
A solidão tem cheiro de café esfriando na xícara,
de música tocando para ninguém,
de palavras engolidas porque não há quem as ouça.
A noite é uma criança…
Quando foi a última vez que você convidou a "sua" criança para brincar? Não falo do filho, sobrinho ou afilhado. Refiro-me àquela centelha dentro de você, a criança que um dia correu descalça pelos campos da imaginação.
A vida adulta, com suas regras, convenções e o peso da opinião alheia nos afasta da essência do ser. Esquecemos de simplesmente existir, de sentir a alegria pura que pulsava em nossos corações infantis. Mas hoje, algo mágico aconteceu.
De repente, sem aviso, a criança que habita em mim me chamou para brincar. E sem pensar em nada, simplesmente dei as mãos à ela e fui. Abandonei as amarras do relógio, as preocupações que pesavam como pedras, e me entreguei à leveza da infância.
Comi doce, sem pensar no amanhã, aquele turbilhão de açúcar entrando na minha corrente sanguínea, que despertou não apenas as células do meu corpo, mas também a alma adormecida. Cada pedacinho de felicidade era uma rebelião contra a rotina da alimentação saudável, do comportamento socialmente aceitável. Um grito de liberdade.
Quanta rebeldia! Pensei eu, com aquele sorrisinho maroto de criança traquina estampado na cara.
Infelizmente a hora de ir embora chegou. Fui para o carro, a chuva chegou. Um convite irresistível. Vamos esperar a chuva passar ou vamos encarar? Segui o conselho de Lulu: vamos nos permitir! Com minhas amigas, transformei a rua em um palco de memórias, onde as gotas frias lavavam as mágoas e reacendiam a chama da alegria.
A água escorria pelo meu rosto, senti a textura do chão molhado sob meus pés, o cheiro da liberdade invadindo meus pulmões. Por um instante, o tempo parou, e eu voltei a ser aquela criança que não temia a água, não se importava se ia encharcar a roupa, se ia molhar os cabelos, e o mais legal de tudo: eu apenas vivi o momento.
A felicidade era como uma bolha de sabão, leve e fugaz, que explodia em risadas no ar. Descobri que a alegria não precisa de grandes planos, ela se esconde nos detalhes, nos momentos simples que a vida adulta nos impede de ver.
A minha criança precisou ir dormir. A vida adulta me chama de volta, com seus boletos e compromissos. Amanhã Colocarei meu salto, vestirei a armadura da responsabilidade e sairei para “vencer” a vida.
Mas Prometi à minha criança interior que a visitaria novamente, que não a deixaria esquecida em algum canto da memória. E sei que ela estará lá, esperando, com um sorriso travesso um convite para brincar.
O VIOLÃO EM SERESTA
Mansa noite, seresta ao luar, um cupido violão, românticos e apaixonados, desfilam em ruas e vielas, fazendo mais felizes as donzelas nas janelas.
Meia luz pela fresta dá o sinal, o sono se esvai, o coração palpita forte e a alma em candura se segura.
Aos poucos vai deixando entrar o afinado som da melodia, que acalma, que inebria e aflora o fogo da paixão.
O romantismo, que alucina e arrepia, faz tremular braços e pernas como no frio a zero graus.
As canções escolhidas a dedo, dão o recado como se balbuciasses palavras doces aos ouvidos...
A noção do tempo se perde na poeira da emoção, o sono que virou sonho acordado, corre ladeira abaixo.
Já é quase madrugada. Bate sonolento o relógio da matriz, cinco badaladas, vixe, já é quase hora de levantar.
O romântico violão se cala, passos lentos vão sumindo, a cama vazia à espera para o aconchego do amanhecer. Mas o sonho acordado faz girar a roda em pensamentos salpicados.
Já é hora de recomeçar o dia, uma nova jornada e um novo porvir.
Fica martelando um bate-bate da lembrança misturada com a saudade.
O Romântico violão aguarda ansioso seu retorno triunfante na janela que se abre à meia luz.
O romantismo ainda existe, mesmo que seja apenas em poesia.
Élcio José Martins
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