E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
Quando pequeno, eu gostava muito de ver o cair da noite através das janelas de casa. Meus olhos brilhavam ao contemplar as estrelas se apoderando da imensidão do céu, enquanto que as cigarras, em algum ponto da escuridão, ensaiavam seus novos cânticos.
Naquela época era comum eu associar o fim de tarde com o início de uma estranha espera. Em quase todas as noites eu fixava o olhar em boa parte daqueles tantos pontos brilhantes que formavam aquele tapete estelar, na esperança de que a qualquer momento, um daqueles pontos de luz se mostrasse diferente dos demais e então resolvesse vagar entre os demais conformados.
Eu acreditava que tendo a oportunidade de vê-lo passear pela imensidão daquele azul-escuro-quase-preto, eu poderia fazer-lhe um pedido qualquer – olha o nível da viagem –, que ele, de algum jeito, daria seus pulos e realizaria.
Desde quando eu decidi parar com este hábito (tão bobo, diga-se de passagem), se passou muito tempo. E muita coisa aconteceu neste intervalo. E foi nesse meio tempo que eu entendi a lógica tão bem descrita na frase: “De onde muito se espera é que não surge nada. O amor prefere se aproximar dos distraídos.”
Pois é. Foi justamente num desses momentos de distração entre noites que pareciam não ter fim e dias que pareciam criar asas e conquistar a liberdade das horas que corriam, que eu percebi que a saudade é também composta por um cheiro tão gostoso, que ao menor sinal da sua presença eu já sorria olhando para o nada, mesmo que de perto eu fosse observado por olhares de espanto.
Desde então, toda vez que a saudade vem me visitar no meio da noite, eu procuro dar uma chegada na janela mais próxima, só para dar uma conferida no céu, abrir um sorriso e dizer em pensamento: Eu entendi!
Hoje eu arrisco dizer que até sinto falta das cigarras. Mas já não procuro mais o ponto de luz lá no céu. Descobri que ele, a partir de uma simples distração, passou a morar aqui dentro. Junto ás doces lembranças que vivem a sorrir para todos os lados e tempos.
“Saudade é pra quem sente amor. Sentir falta é pra quem sente vazio.” (Gabito Nunes)
A noite chegando, esse frio gostoso e esse vento maravilhoso tirando os meus cabelos do lugar. Tudo o que eu queria era uma xícara de café e você pra me abraçar.
Seu perfume pra sentir, seus braços pra me apertar, seu sorriso pra me fazer flutuar, seus olhos pra me fazer viajar.
Eu só queria você..
Agora eu vejo as árvores balançando, e mesmo com imenso barulho da cidade e dos carros eu consigo te ouvir sussurrar bem baixinho no meu ouvido, consigo te ouvir chegar, mesmo que seja só imaginação, pra mim é muito real.
Nada consegue me desconcentrar, eu estou fixada em você. Consigo sentir você me abraçar, me apertar bem forte, fazer carinho em toda a extensão dos meus cabelos e me pedir pra ficar, consigo te ouvir dizendo que eu sou só sua. Consigo ver seu sorriso, consigo me perder em seus olhos, sentir sua respiração tão perto da minha.
E por mais que seja somente minha imaginação, eu sinto como se tudo fosse real. Sinto cada toque, cada abraço, ouço cada palavra, e nada pode me desconcentrar, nem o grito mais alto, nem a buzina dos carros desesperados, e nem o mal humor constante de quem não sabe amar.
Cai a noite, sereno
chuvas
pingos caem, madrugadas.
Sem chamegos, sem xodós
vento,
trovoadas, relampeia...
falta cheiros
cama vazia, corpo carente
bate saudade
vem um rosto, canta o frio.
Rola sonhos, vazios...
nem aconchegos,
nem cobertor.
No silêncio da noite enquanto a chuva cai pensamentos sórdidos me corroem ,é impressionante como a falta do seu simples sorriso me destrói
A melhor hora para colher a vida é no orvalhar do coração.
O choro da noite com o perfume das flores.
A emoção tem sono leve, basta teu cheiro no silêncio da noite para que ela acorde, e revire sem minha permissão todas as gavetas que guardo ternas lembranças suas.
A madrugada escura, noite silenciosa. Apenas o breu.
Pensamentos dispersos sem eira nem beira, trazem à mente aquilo que sinto a falta de ver, de sentir, de cheirar.
Laços, traços e abraços em cacos, estilhaçados pelo tempo. Pela distância. Tempo e distância injustos... Tempo que já tem, tempo que não tenho, tempo que preciso.
Esse tempo sem você.
E não importa quantas taças de Bordeaux,
Quantas conversas furtivas ao cair da noite,
Ainda que eu tente esquecer,
A cada gole ou palavra eu encontro você.
Stellabaetta
Então chegou a noite e nesse momento observando a lua vi seu rosto nela refletida, imediatamente a saudade de você escorreu pelos meus olhos em forma de lágrimas.Lembrança de momentos mágicos que passamos juntos, de tantos segredos trocados no escuro de nosso quarto, palavras de amor, beijos demorados, abraços sem fim.
Nesse momento me pego a segurar minha alma que desesperadamente se desprende de mim para sair a sua procura em um busca sem fim.
Volto a olhar para o céu e vejo o brilho das estrelas que mais parecem o seus olhos me vigiando e e dizendo quero você.
Fecho os olhos e espero finalmente que o cansaço e o sono me levem para um sonho onde nos ficamos juntos no final!
Sergio Fornasari
Vc some e eu fico por ai...
Vc some e eu passo a noite a esperar...
Vc some e a insônia faz morada..
Vc some e o pensamento em vc não...
Vc some mais deixa vc dentro de mim, então de que adianta vc sumir?
É tarde
meu sono não me acompanha
escuto por entre os grilos da noite
o seu acinte resfolegar da solidão
O tempo perpassou por entre nós
e não nos demos conta do fugaz desejo que embebia nossos corpos
Nossa mente fora devassada por solilóquios assombrosos
que insistiam em negar o óbvio
Minha trêmula carne desvaneceu
perante a frustrante incerteza
de não ter certeza que um dia seríamos só nós
E assim
desejosos da comunhão carnal
desejo esse alimentado pelos alambiques soturnos
embaralhado pelas confissões ao pé do ouvido
fomos nos deixando à deriva no horizonte
Enganados pelas correntes
nossos corpos tomaram distâncias náuticas
Hoje, meus olhos se perdem de vistas
e não encontram os seus
Bravejo cânticos
Provoco estampidos
Procuro nos meus dedos o toque das suas mãos
mas já não te vejo
Não te sinto
Não me ouço
Não te entrego
Nem me redimo
Fica à mercê das coisas mundanas
Procuro em cada escaninho da noite
o som dos seus passos
Mas o silêncio encerra a madrugada
Quando dou por mim
o sol rompe minha retina
mais um dia se afiança no meu destino
Sigo meu caminho na vastidão desértica
desse oceano amoroso
que a falta de seus braços
comprimindo meu corpo
me faz
O choro pode durar uma noite, o sofrimento pode durar uma madrugada, más quando o sol nascer os amigos vão trazer a alegria
Chegou a noite e a lua me chama. Estou saindo e deixando minhas pegadas para quem quiser me acompanhar e poder me encontrar.
Qual o meu destino? A nossa felicidade! Estarei lá, mas não vou te esperar até o sol raiar, tenho que me encontrar com o céu lilás e ele não demora a ir embora, depois refarei minhas pegadas, só para você saber que a minha vida não pode parar, mas não significa abrir mão de te levar por onde quer que eu vá.
E se você não sabe o motivo, eu digo mais diretamente que a tradução da minha poesia é amar você!
Eu te amo até mesmo quando você precisa que eu te ensine que eu cultivo muito amor por você e em planejar o futuro impossivel, mas tão desejado, praticar tantos desencontros, pelo simples prazer de sentir saudade de nós dois juntos!
Se ainda não entendeu ou não acreditou, eu posso escrever de novo que sinto saudade, mas amo tanto pensar em nós que ela passa a ser parte desse amor!
GRACINHA
Eu sou aquela caixa d'água a tilintar dentro da noite veloz. Lá fora, o sereno caía vadio enquanto os rumores dos carros mexiam com as luzes dos postes. Tchiqui, tchiqui, tchiqui... Quase sempre, o ventilador ao pé da cama. A cama. A cama. Aquela cama... Na área, o churrasco embalava os nossos estômagos famintos. A fumaça passeava por todo espaço. Chegava na cama. A cama. Aquela cama... Ao meu lado direito, meu mano: pequeno, raquítico, olhos negros, cabelos lisos. No centro, a mana: covinhas amontoadas, coqueirinhos na cabeça, chorinho fácil a descolar na boca. Ao lado esquerdo: vovó. Vovó. GRACINHA. Corpo roliço, cabelo despreparado, pele macia e branca. Sua mão a "irribuçar" os netinhos com colcha vermelha. Sua mão a cantarolar no meu peito. Um dois três carneirinhos. O ronco, o sereno a cair, os rumos dos carros e eu-caixa d'água, eu-saudade, eu-vontade-de-voltar.
Sentados na calça, ainda meio terreiro, limpo e preparado para passar a noite ali. Uma roda ia se formando, velhos, crianças e cachorros.
De tudo se falava. Falava-se da filha da Maria que saiu de casa roubada pelo filho do Francisco. Comentava-se acerca do vestido da Joana, que não tinha necessidade de usar roupa nova antes da missa da quaresma. Os meninos ficavam a roubar pela rua, a roubar bandeira, brincadeira essa que fazia todos ficarem molhados de suor. Depois, sentavam-se todos aos pés das velhas senhores que contavam histórias assustadoras de seres encantados, assombrados e enfeitiçados. Até que se ficava tarde, já era hora de cada qual ir ao seu lugar. Nesse tempo, todos moravam perto. Não era preciso telefone para se comunicar. Se fosse necessário chamar alguém, bastava da porta gritar: “Fulano, é hora dormir”. A rua inteira ouvia, e prontamente o fulano corria para cama. Esse tempo era bom, era intenso e cheio de boa intenção. Tudo hoje mudou, queria eu poder voltar ao tempo que a rua era o lugar de reunião.
É na calada da noite que entra as lembranças amargas e só se escuta o roncar do vento entre os pinheiros e logo cai algumas lagrimas ao lembrar de um passado tão distante.
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