Do nada
O espaço tempo não se repetirá, porque o único tudo que se tem é o nada, para que a luz atravesse o vácuo sem desvios ou interrupções.
Nada
Adoro fazer nada. Quando nada faço sou indesejável. Nesse instante é o que faço, nada. O nada parece torna-se impuro. Como pode alguém não fazer nada? Eu posso. Acanho-me e ruborizo quando sou elogiada de malandra, folgada, não tenho apreço por elogios. Essa timidez ainda me mata.
Desejei o poder de mudar o mundo.
E o poder me fora dado.
Com ele mudo mas percebo que apenas calo.
Quem dera meu desejo, fosse o poder de escutá-lo.
Agora calado, não mudo, nada pode ser mudado.
O mundo segue calado.
Eu, mudo.
Ela mal poderia contar quantos quilômetros da amazônia ela havia ajudado a desmatar ultimamente, devido a quantidade de vezes que ela teimou em fazer papel de trouxa.
Não falo da vez que ele a deixou esperando - linda e cheirosa - na porta de casa e não apareceu. Ou daquele dia em que ela ligou exatamente 6 vezes e ele não retornou. Nem mesmo quando ele foi viajar e disse que lá não funcionava o celular - por longos 10 dias - para ligações. Incrivelmente ele só funcionava para visualizar o whatsapp (e não responder) e postar fotos nas redes sociais, sei lá.
Nem vale lembrar aquele dia em que ele ficaria em casa, e sem querer já estava na mesma balada, acompanhado da amiga - aquela de infância que ela nunca ouviu falar, que havia esquecido o vestido em casa e lançando a moda do use somente uma blusa na balada -, esse dia nem foi pra tanto né?
Também não falo daquela vez em que ele acordou sem lembrar do que aconteceu no dia anterior (principalmente a parte em que ele a pediu em namoro), coitado né?
Ou aquela vez que ele beijou aquela garota na frente dela, depois de ter afirmado no dia anterior que ela era a garota mais legal que ele havia conhecido (esqueceu de falar que era a "do dia"). Sem contar quando ele afirmou que gostava muito dela, mas que era ela quem estragava tudo. Tudo culpa dela. Vai entender.
Isso que esses acontecimentos cotidianos nem fazem parte do último pacote de 800 folhas, que ela acabou de utilizar.
Mesmo com tantas indiretas - quase tapas na cara de verdades doídas - para que ela entendesse de uma vez por todas, que a única coisa que ele desejava entre eles era a existência de um muro bem alto, ela não enxergava, era tão claro. Mais parecia que a garota gostava mesmo de sofrer.
Por diversas vezes ela acordava pra vida - ao som da música Aleluia, sei que esta cantando baixinho -, apagava o número dele, excluía seu instagran, seu facebook, e permanecia por meses sem sequer tocar no nome do indivíduo. Oh Glória!
Mas entre algumas bebidas e outras, quando batia aquela saudade que ela nem sabia do que, lá pelas tantas da manhã. Após ter flertado com no mínimo os 4 caras mais lindos da festa, ela lembra dele. Caraca!!!
Logo agora? Então, ela sorri aliviada quando lembra que excluiu o número dele, não tem o facebook nem o instagran. Ótimo garota! Até que começam a surgir aqueles números aleatórios e piscantes em sua mente.
Não é que a garota sabia de cór o número dele?
Então - por favor, trilha sonora triste, muito triste, qualquer uma, tem? - ela ligou. Isso. Cara ela ligou. Tudo, por água a baixo.
Depois de tudo que conseguiu até aqui, depois de não ter lembrado dele após o segundo copo, depois de não ter mandado qualquer estou com saudade, aleatório, sem querer e indevido. Depois de quase esquecer. Não acredito! Ela voltou a estaca zero e passou a desmatar intensamente a amozônia novamente. É isso mesmo?
Ela só precisava entender o que estava tão óbvio. Ele não queria ela. Pronto. Tão simples e tão na cara.
Não adiantava. O problema não estava nela, nem nele.
Ela não fez nada de errado, não ligou na hora errada, não chegou na hora errada, não é demais para ele, nem vice-versa. Ele só não queria estar com ela. Sem explicações, sem motivos conclusivos.
Ela precisava entender que a natureza e aquelas árvores coitadas não tinham nada a ver com o papelão que ela estava teimando em fazer, e que insistir em um cara que definitivamente não quer saber de você, é igual olho azul em gente feia, não adianta nada!
Desequilibrada na minha lucidez,
vou sobrevivendo nesta estrada,
nocauteando a tristeza...
Em busca do tudo e tantas vezes
me contentando com o nada.
Por mais forte que eu pareça,
às vezes deixo que me enlouqueça,
é quando penso em partir...
E depois de tudo,
ficaram as Lembranças...
E você se pergunta : Se valeu a pena?
É claro que valeu, melhor ter lembranças
do que nada!
Sinto meu coração desacelerar cada vez que penso em ti. É como se ele não quisesse mais bater, é como se ele soubesse que não existe mais nada depois de você.
Nada sou
A maior dor que já senti
Não veio do horrendo
Emergiu ferozmente
Da profundidade da beleza.
Mostrando-me quão
Ordinária e ínfima sou
Pensava que me bastava
Julgava que a tudo alcançava.
Pobre de mim!
Vagando apenas por meus olhares
Que incapazes são
De me manter certa
Da minha própria condição.
Foi ao falhar a minha voz
E ao nublar do meu sentido
Que reparei.
Ah, meu Deus!
Eu não sou nada
Sem estar contigo.
Enide Santos 08/02/16
Chega de meios termos,
acabe com as indecisões :
É tudo ou nada?
Quer ou não quer?
É ou não é?
Se tem tantas dúvidas
sobre o que é
certo ou errado...
Opte pelo
que te faz feliz!
A vida pregressa amorosa não é prova confiável de nada
Desafios cotidianos diários, conflito de interesses, eu gostava dele mais facilmente se ele acatasse minhas sugestões massageando assim meu comportamento carente ou grudento.
Tenho limitações e deficiências, coisas sem sentido em nome do amor, trato de assuntos importantes com muito sofrimento e crises humanas, gosto de fazer o trabalho andar para o meu bem.
O Amor é a delícia das delícias, eu acho que você não respeito sua opinião sobre um monte de coisas que não combina com a minha, eu acho que deveria ter uma reação mais contida, eu acho que seus amigos fazem seu coração vibrar.
Sinto pressão para casar com ele, mas ele foi um safado a vida toda, ele não respeitou infinitas mulheres, ele já se divorciou três vezes, é difícil não me incomodar com seu jeito de ser e como ele foi no passado.
Nenhum amor nos faz poderosos para mudar o outro, sei que não mudarei, mas ele se apresenta hoje de outra forma, mas seu passado me faz agir de forma insegura e imatura, eu sei que a vida tem suas surpresas, às vezes me sinto deslocada ao lado dele, parece que somos de mundos distantes, outras vezes me defendo tentando minimizar os riscos para não amar verdadeiramente.
Tenho habilidade de debater e argumentar e fiz isso quando vi algumas fotos comprometedoras, ele se saiu muito bem, disse que era passado e que eu conhecia o seu passado escuro.
Descubro algo pessoal sobre ele na primeira conversa, ele já sofreu por amor, já fizeram canalhices com ele e por causa disso ele igualou para pior todas as mulheres que eu superestimo.
Fiquei enlouquecida, cheia de transtornos comportamentais e tornei-me passiva e contida. Em um mundo ideal, poderíamos ir a qualquer lugar e fazer qualquer coisa, mas eu tinha medo dele se apaixonar perdidamente, tinha medo que ele se arrependesse de ter maltratado alguma ex, tinha medo de não ser boa o suficiente para segurá-lo.
Você vai ter a vida que quiser ele me dizia me dando total liberdade para eu ser eu mesma, eu vivia contando os dias para casar, ter filhos, falar abertamente para todo mundo que eu tinha uma família cheia de sentimentos e sem problemas.
Eu ficava chateada por ainda não conhecer os pais dele, talvez eu seja de outro tempo, eu vivia tentando me interligar a ele mesmo que a medicina fosse algo chato para conversar.
Colocava na minha cabeça que coisas acontecem quando têm de acontecer e o passado não interessava mais, o que importava era o momento presente e as escolhas de hoje.
A conversa descamba para revelações íntimas e eu não gosto de escutar muitas coisas que ele me diz sem eu perguntar, coisas que eu não gostaria de saber, sei que não foi culpa dele ele só queria um laço de sinceridade entre nós.
A importância da lealdade e do amor é o ensaio do felizes para sempre e nessa hora entendi o quanto fui intolerante ou criança em não perceber o quanto o passado dele não me deixava viver o nosso presente.
