Do nada
Existe um canal que nos liga,
Reafirme: que nada nos separa.
E muito menos não existe,
Alma audaciosa que nos defina.
Existe uma corrente tranquila,
Afirmativa e serena - nos leva
Para onde que ninguém imagina;
O coração vai e sempre solicita.
O encontro de embarcações
Doces e repletas de emoções,
Em busca de grande sensações.
O encontro de tripulações,
Desencontro de sensações,
- Distanciam emoções
Há o encontro de águas,
- um turbilhão de sonhos
Inteiros e macios...,
Livres, e cativos... não te conto!
Do nada comecei a cantar
Na beira do mar
Não tive como te abraçar
Pûs-me a escrever nas areias
O belo amanhecer
Recolhi carinhosas conchas
Lindos presentes das sereias
Vendo o barco passar
No balanço das ondas do mar.
Cantei algumas músicas
Todas em espanhol
O meu coração se abriu a sonata
A mais bela celebração apaixonada
Tentativas de quem não sabe
Mas de quem de coragem
De um dia aprender
E os mares cruzar
Só para te rever.
Acariciando o mar
Enternecido amanheceu o sol
E eu bem longe de você
Louca para te amar
Espantando o frio do outono
Resolvendo com tudo romper
A poesia praiana irá te ter
Como o Universo se abre para a Terra
Tens todo o meu amor e minh'alma
Que o Mal do mundo jamais encerra.
Não irei atrás de você,
Nada irei te cobrar,
Para lembrares sempre de mim,
Como um jardim em plena espera,
Vibrando pela primavera,
Que só o amor conserva.
Sempre voltarás correndo para mim
Porque o meu tempo é sempre ameno,
E o meu jeito é veramente sereno.
Porque se entregaste ao meu jeito,
Eu sou insaciável, viciante,
Como a flor que produz pólen,
Só para atrair a abelha,
Eu exalo uma aromatizante centelha.
Sou flor de alcaçuz,
Tenho perfume, cor e brilho,
Para povoar o teu espírito
Com o meu florir que seduz.
Ainda não conheceste bem a primavera,
Preparo-te todos os dias para ela,
Porque aqui sempre estarei de sentinela,
Aguardando de vez pela tua entrega,
Eu sempre estarei à tua espera.
Talvez o quê eu mais deseje
de ti seja intangível,
- escrevo.
Ou talvez não,
nada que a poesia
Não possa tocar o teu coração,
- incrível...
Numa insegurança
implacável
Está este corpo,
Nada que o teu
Colo não resolva,
- se ele for amável...
Carinhoso e inefável.
Neste meu canto de exaltação,
- desfaço-me por ti e sem fim...
Sim, assumiria para você
Que ainda sonho contigo,
Se você tivesse reparado
O quê é importante para mim.
Tenho nos meus abismos
mais escondidos
- inscritos -
os teus beijos
ofertados à eles;
ali estão os teus
beijos habitantes
dos meus recôncavos,
e nestes beijos
estão os afetos afogados.
O coração é bicho bom,
- é instrumento fino,
Quanto mais se aperta,
Mais se acerta [o tom]...
Estou correndo
na noite brumosa,
E desatada de mim
mesma na ágora
infante cercada
por essa relva azulada
- correndo de mim
para ir até você -
insinuando-me amorosa
aos caminhos
entreabertos que por ti
foram despertos.
Nunca correrei de ti,
só te espero;
Espero como quem
espera um milagre,
Um sinal celeste.
Dei para ti o meu
corpo sublime,
E com vocação amante
com a fé de quem ama
Crendo que poderá seguir
adiante - assim te espero.
Eu tenho um passo que é só meu,
Não suporto o quê por mim
Não foi criado
- nada me coloca -
Amarrada.
Sou bela porque voo livre,
Vivo solta e não me prendo à nada
- sou indomada -.
Eis-te aqui e um roseiral
Em floração que não
teme o tempo,
E que nasceu em meio às rochas.
E neste momento está
dançando no vendaval...
Expressão de fé e de entrega
Ao mundo celestial.
Não vivo à toa, gosto
de ser apreciada,
E de viver levemente sempre
Tendo um bom motivo
para estar apaixonada.
Há um mundo em movimento
Dentro de mim,
E uma audácia que não se acaba.
O meu coração é inteiro
quando se trata
De lealdade,
Quando você der
a minha falta:
Irás colher a fina
safra da saudade...
E quando você pensar
em me procurar:
Entenderás para sempre
que agiste tarde.
Deste meu corpo nascido
prum bom beijo,
E também para o perigo:
Sou nascida para o pecado, admito.
Resolvi deixar-te
de castigo,
Só porque você não
está aqui comigo.
Acostume-se com esse meu
jeito doido e bandido.
Desafiando as horas rebenqueadas,
- nada -
Mas nada mesmo há de deter
Os meus desejos dos teus
Sabores que carregam a essência
Do melhor de todos os amores.
Nada há de fazer que as nossas
Vontades se tornem alquebradas,
Somos duas almas mais do que livres
Que se entregaram apaixonadas...
Não precisamos de elementos,
- nem poéticos e nem exóticos.
Guardamos em nós os licores,
E os perfumes mais eróticos...
Com fidedignidade aos consentimentos
- nossos -
Assim faremos de tudo
- e muito mais -
Para preservar o amor espiritual
Aqui terreno;
Carrego você pleno e segura
Estou do nosso infinito sereno.
Da lingerie púrpura ao véu
- escarlate,
Há um pensamento e um segredo
Que em breve eu hei de revelar-te:
Porque exclusivamente foi você
Que me atiçaste com o teu fogo alto,
Já nem sei se o que estou escrevendo
É um poema ou mesmo um salmo.
O importante será que debruçada
Sobre ti farei o santo e o profano;
- e entre nós não haverá nenhuma dúvida
- e nenhum engano.
Estou cá neste alpendre,
Para o amor nada depende,
Tudo é beleza, tudo é certeza;
A paixão põe o amor na cama,
e também acende a chama...
Quem ama não engana,
E nem se engana;
Vive com grandeza!
O coração em largueza,
Não resiste à entrega;
Vive com as cartas na mesa
- é inteireza...
Admiro a tua força,
O meu coração é o teu reinado,
Tenho o meu Princípe nas mãos,
E nos pensamentos
os mais dulcíssimos pecados...
Essa filha do povo sonha
e recita para si própria
Que ainda será apaixonadamente
- tua -
E ainda por muitas luas
Transformada em teus braços
na mais sortuda Princesa.
Você surgiu
do nada,
Não sei o quê
em ti
Eu encontrei,
Só sei que
de você,
Não quero
me prevenir,
Há algo
em teu olhar,
Que me fez
sacudir,
Há algo
na tua boca
Que tenho
que provar,
E te recompensar
com leveza
de fada.
As minhas mãos
não podem
te tocar,
a minha letra une
as nossas mãos
de uma forma
maior,
para quando o tempo
de amar chegar,
os nossos corpos
hão de se render
e se colar,
Assim sou poesia
e perdição
a te provocar.
Não há nada
mais santificado
do que uma
vadiagem poética,
eu sou o quê
você procura
no meio
da bagunça
do seu coração.
Inspiro e respiro
aquilo que nutre,
e te traz fascinação.
Transpiro em verso
aquilo que sugere,
e te traz inspiração.
Não há nada mais
o quê ocultar,
escrevo poemas
para os lábios
teus abastecer,
e me incendiar
mais ardente
do que uma
vela no altar.
Seduzo em prosa,
aquilo que desejo,
e atrai por sedução.
Induzo em canto,
aquilo sem reverso,
e que já é paixão.
Não há nada
mais delicioso
do que uma fuga
do cotidiano,
eu sou o quê
te desafia,
e provoca
real encanto
trazendo revolução.
Sou presa de mim,
Nada me prende,
Sou feita de poesia,
Asas não criei,
Não sumi da pena,
Se ele aparecer
Para me soltar,
Nada mais sei,
sorrir ou inventar.
Dançando no abismo,
Sentimento revelado,
Alçando o estribilho,
Momento recordado.
Nada mais além
De mim e dele,
Na boca a sede:
Do beijo angélico
Que não provei,
Do abraço quente
Ainda guardado
para o amor divino.
Escrevo de mim
Para a largada,
Salto de partida,
Palavra reconhecida.
Egressa de mim,
Nada me prenderá,
Livre do passado,
Revoada do recomeço,
Nada me impedirá
De viver a toda hora,
Em todas as escalas
E de todos os planos,
Não quero mais enganos.
Alma lá da sacada,
Cabeça reerguida,
Vitória sobre o ego,
Estou amadurecida.
Nos teus olhos titânicos,
Eu vejo a cor do amor...
Eu te encontrei,
Você ainda não viu,
Eu te reparei,
Você nada pediu,
Eu te consagrei.
Irei ao encontro,
Eu não hesitarei;
Irei ao destino
Do amor que é lei.
Eu sou semente,
Vento nas areias,
Eu sou flor,
Corda de violão,
Eu sou oásis,
Acorde do coração.
Irei ao ponto,
Eu me renderei;
Irei ao caminho
Que eu encontrei.
Eu sou presente,
Sopro na estepe,
Eu sou perfume,
Rosa de Ahal,
Eu sou fonte,
Nômade e paixão.
Irei no ritmo,
Eu assim voarei,
Tenho convicção,
Vontade e fé,
Nos olhos do Protetor,
Nos passos da glória,
No peito cheio de amor,
Nos braços da História
Repletos de todo o amor.
De que adianta ter olhos
E não ter coração?
Ter olhos e não ter coração
De nada adianta,
Porque sem coração
Não se enxerga nada.
Os versos que escrevi
E não te contei estão
- aqui -
Os poucos que escrevi
Me distraí com amores
Dos outros esperando
Tu chegares de longe.
De que adianta não ter
Os teus olhos e coração?
Não tê-los me reduziram
Ao grau máximo do nada.
Escritos com lágrimas,
Talvez não mais belos,
Versos de sangue,
Rimas com bravura
Quero viver mil vidas,
Para dizer ao mundo
Que sem o teu amor
Atinjo a [loucura].
Meus versos são tentativas,
Que talvez jamais serão
- lidas-
O nosso reencontro
Não tem previsão,
Poderá ocorrer daqui
Algum tempo ou nunca,
E não sei [onde].
Só digo mais uma coisa:
- A literatura salva da morte,
E a poesia salva da vida,
Só me resta saber se serei
Para os teus braços devolvida.
Não existe nada mais
- fascinante -
Do que a sensualidade
- educada -
Pois ela é virtude fêmea
e elegante:
feita para deixar a alma
- masculina -
Envolvida e eriçada.
O paraíso é meu,
Nada [importa...,
Ele é sem trato,
Possui vegetação
- rasteira -
Abrigando flor rara
De pétalas brancas
E com [cor-de-rosa;
O paraíso é selvagem,
- surpreendente -
Por ser doce paragem,
Brilha como uma miragem,
Aroma que não se esquece,
Imagem que [enternece]...
Da Missa e da virtude
não conhece nada,
Não conhece o ditado,
e nem quem escreve
Do amanhecer calado,
não conhece a metade
Deste poemário atrevido,
e não menos sagrado.
Da alma e da liberdade
não conhece nada,
Não conhece o verbo,
e nem o sabor da carne.
Do gênio cheio de mar
não conhece nada,
Não conhece nem o rimar,
e nem a alma encantada.
Da feminina doçura
não conhece nada,
Não conhece o recato,
e nem quem devota
O dia rajado de Sol,
não conhece a ternura
Deste rimário tranquilo,
e não menos apaixonado.
Um dia eu morri
Acordei e era a espectadora
Nada mais podia ser feito por mim
Vi o amor fisicamente
A saudade tinha forma
A dor estava presente
As lágrimas escorriam dos rostos amados, eu não podia secá las
Eu amava cada um daqueles rostos
Em um lapso de tempo voei tão alto que o mundo ficou pequeno
Vi a insignificância do meu tempo aqui
Senti a morte ao meu lado
Em silêncio
Fui fisicamente para pensamentos que me ocuparam a vida e eles não fazia mais sentido
Enxerguei a indiferença disfarçada de atenção
Os planos agora são nuvens transparentes
Tudo o que vivi desfilou a minha frente
Fechei os olhos algumas vezes aceitando que o que estava feito feito está
O que eu aprendi?
Não interessa mais
Somos o suficiente pra quem nos ama
Era só o caminho
O fim chegou
Ana Cunha
Ainda que você fique sem nada e perca todo o seu status, preserve o que é essencial: caminhar ao lado de Jesus.
