Do nada
Quem dera que o amor entre opostos fosse possível.
Na ilusão do romântico débil, nada crível.
O marinheiro não pode se apegar ao porto.
Como o vinho não suporta
o desconforto.
A música não se faz com acorde torto, assim
o amor só poderia existir num sonho morto
Quando fores a uma exposição
ou galeria de arte, não toques em nada
o divino está na contemplação.
A beleza deve ser sempre preservada da posse
tuas mãos não foram feitas pra pensar
usa a mente, o êxtase do encanto
reside em contemplar.
Não confundas a arte com mulheres
que se usa as mãos para tocar.
Veja a arte como flor imarcescível
nuncas sabes que matéria ele usou criar.
"O nada se cansou de um ser nada, então se explodiu no big ben, virando muitos, dando assim vida, luz, consciência e instinto, razão a tudo."
Sinto saudades de você
do café no shopping.
Andar por aí sem nada pra fazer
O que faz o gênio é o ócio
A inquietação do vício
A abstinência.
Embora louco o gênio pode amar
Desde que a musa seja feita
De presença e solidão.
Estou condenado a ser livre
Livre de toda sorte de prisão.
Mas entrego-me com fúria
E prazer aos caprichos do teu corpo
Aos afagos inigualáveis das tuas mãos.
Vertigem do Nada
Há um buraco no centro do peito,
não é dor, não é falta, é vazio.
Um eco que grita sem nome, sem rosto,
um abismo que engole o que antes era rio.
As estrelas são olhos mortos no céu,
testemunhas frias daquilo que somos:
poeira sem rumo, sem forma ou destino,
fantasmas que ao nada vagando retornam.
O tempo, carrasco sem face ou clemência,
sussurra promessas que não pode cumprir.
Cada instante é um fardo, uma farsa,
um passo mais perto do eterno cair.
E quem sou eu neste vasto deserto,
senão sombra que sonha ser luz?
Um verbo calado, um silêncio sem versos,
um grão de areia que o vento conduz.
Procurei na matéria, no espírito, no verbo,
mas o Nada me encara, imóvel, voraz.
Sou apenas o medo vestindo a esperança,
um eterno adeus a tudo que jaz.
Se há sentido, ele dança no escuro,
esquivo, risonho, a zombar do querer.
Mas na borda do abismo, ainda respiro,
porque mesmo no Nada, há ser.
Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema que premia a mentira, que endeusa o disfarce, que trata a hipocrisia como virtude social.
A indignação me dá vida. Me acorda. Me empurra pra escrita. Não sou movido a paz interior, nem a frases de autoajuda. O que me move é o desconforto. O que me guia é a vergonha de ver o mundo como está e fingir que está tudo bem. Eu não me adapto, não consigo. E não quero.
Escrever, pra mim, não é florescer: é rasgar. É reagir. É cuspir de volta o que me enfiaram goela abaixo. Minha arte não é gentil — é necessária. É a forma que encontrei de não enlouquecer. Porque se eu me calar, se eu aceitar, se eu sorrir junto, aí sim estarei perdido. A raiva me lembra que estou vivo. A indignação me prova que ainda sinto. E enquanto isso durar, ninguém vai me domesticar.
Nada garante que vai dar certo. Mas não é isso que é emocionante? Por isso que chamam de “sonho”.
(Allie)
DESAPEGO
O que temos a perder? Nada. Nunca perdemos nada quando não esperamos nada de ninguém, quando a nossa capacidade de desapegar for maior que nossa fraqueza. Quando abrimos um leque de oportunidades e nos deparamos com a mudança que tanto almejamos.
Percebemos então que vencemos aquela batalha que estava travada há muito tempo.
Que nos arredores deste mundo egocêntrico vive a sabedoria. Ela espera que nos coloquemos à disposição para crescermos juntos.
Viver requer força e coragem. Viver é um desafio. Viver é uma luta constante. Viver é desafiar a vida todos os dias.
Batalhei e lutei para que as coisas fluíssem da melhor maneira possível. Hoje, nada mais me afeta. Nada mais importa. O que ficou, ficou muito distante.
Somos somente aquilo que desejamos ser. Ninguém poderá fazer nada por nós a não ser nós mesmos. Esconder-se atrás do véu da insegurança, não resolverá. O momento será sempre propício para recomeçar e aceitar o que foi determinado. Busque apenas o que faz bem ao seu coração. A vida proporciona isso, portanto não tenha medo.
