Do nada
O dinheiro é nada, dinheiro acaba. Fica o teu trabalho.
Não ame pela metade, seja íntegro e se doe completamente, pois não existe nada pior no mundo do que dar migalhas afetivas e esperar em troca um amor puro e verdadeiro.
Rodei por um tempo no vazio das palavras. Elas, emudecidas, não diziam nada, e eu? imersa nos labirintos do meu silêncio, onde os pensamentos se embaralham. Mas hoje... Quase agora... Uma palavra ousada se atreveu a sussurrar em meu ouvido, quebrando o amargo do meu silêncio. Chamou isso de liberdade. Sigo, e cumpre minha sentença. O crime? Sentir demais. O único imperdoável, ou inafiançável.
Gostem ou não, a arte é uma instituição burguesa e o que chamam de “crise da arte” nada mais é do que uma crise do Habitus burguês.
Nada controla quem pensa sua própria mente, não há promessa que o iluda, chantagem que o prenda ou medo infundado que o assombre !
Nada de enganar os cães quando estiverem na sua cola. O máximo que pode fazer é ir o mais longe que puder. Ganhar a maior distância possível.
Nada é de sua própria explicação. Existe uma descrição melhor de um cubo do que a de sua construção?
Os vícios são grudentos
Assim como o vazio sereno
Que rouba devaneios
E nada resta, nem princípios
Os vazios são incontáveis
Medo, desejo, solidão, anseio
De fato, inexistem mãos hábeis
Que suportem o excerto
Os vícios são estrondosos
Capazes de desfazer vazios
Mas, feitos para se tornarem desgostosos
Ignorando possíveis perigos
A vida é bela
Como um amor materno
Mas basta uma queda
E ela se torna o inferno
(A)inda acho ela a mulher mais incrível do mundo
(N)ada pode anular isso da minha mente
(I)nstinto me diz que ela não me pertence
(N)ão quer dizer que devo segui-lo
(H)á esperanças dentro de mim
(A)final, nem sempre o instinto acerta
A razão é o timão que guia. A emoção, a vela que impulsiona. Mas sem os ventos, nada se move. E não, isso não é sobre barcos!
O que ele faz sem ela?
Se ela não queria nada,
por que fez parecer que queria?
Por que o olhou como quem encontra um lar,
e partiu como quem nunca pertenceu?
Enquanto não encontra a pessoa certa,
brinca com as erradas?
Ele não brinca com o que sente.
Seu desejo não é pelo efêmero,
mas pelo que se constrói,
pelo que se guarda para durar.
Se ela quisesse, ele esperaria.
Guardaria seu tempo, seu riso,
seus gestos mais ternos,
pra quando ela precisasse.
Mas o tempo não volta,
e nele ele gasta o que tem de mais valioso:
a esperança de que um dia,
o amor não seja só um eco no vazio.
Viver…
Viver não é um instante que se apaga,
não é um nome esquecido entre mensagens.
É olhar nos olhos todos os dias
e pensar:
como teve a sorte de encontrar alguém
que quer ficar,
que ama,
que escolhe?
Momentos não lhe bastam.
Ele quer vida.
E a liberdade que deseja
é a de ter um amor que não precise duvidar.
Sempre foi sozinho,
e aprendeu a ser.
Mas quando se prova o calor de um afeto sincero,
o frio da ausência se torna insuportável.
O vazio, um abismo difícil de preencher.
Ele está ficando velho,
e cada dia pesa mais.
Precisa de algo que seja âncora,
algo que resista ao tempo.
Mas e se ela nunca voltar?
O que ele faz dessa vida sem ela?
