Do nada
“E respondendo Simão Pedro disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado a noite toda, nada apanhamos, mas, porque mandas, lançarei a rede” (Mateus 5.4)
Que garantia Pedro tinha senão confiar?
Muitas vezes será assim.
Uma palavra dEle.
E nossa obediência.
Num oceano infinito de dúvidas, a certeza de que, Aquele que ordena o lançamento da rede é O mesmo que cumpre Sua promessa.
Às vezes as frustrações são necessárias para desviarmos nosso olhar para novas perspectivas.
Às vezes as rejeições são necessárias para te manter humilde.
Às vezes tudo o que você precisa é exatamente isso que você está enfrentando.
Afinal, se soubéssemos tudo o que Ele (Deus) sabe, nossas preces seriam músicas de gratidão pelo que estamos vivendo hoje…
Quem sabe, um novo ângulo da história está sendo desvendado para você nesses dias?
Quem sabe, na solitude presente o coração de Deus está sendo revelado de uma forma profunda e única?
Quem sabe, onde menos se espera, um cardume de esperança aguarda um coração que, embora frustrado, anseia por lançar a rede?
A melhor “pesca” de todas,
Aquela “maravilhosa” que vem depois da frustração, só acontece depois que você obedece.
E não.
Não estamos falando de pesca.
O fato de nos sentirmos sobrecarregados não significa que o outro não esteja fazendo nada. Talvez não estejamos delegando como deveríamos ou não estejamos dispostos a reconhecer o esforço e a dedicação alheia.
É como se você batalhasse, mas nada mudasse. Ou talvez tenha mudado, mas a perda consome a percepção, distorcendo qualquer progresso. O id, o ego e o alter ego lutam entre si, mas nem sequer sabem pelo quê. No começo, parece um vazio—aquela sensação de estar flutuando no mar, sem rumo, esperando ser salvo por um navio ou morrer afogado. Mas, aos poucos, o vazio dá lugar a um peso no peito, um aperto que esmaga, sufoca e se confunde com culpa. Afinal, o inimigo está mais próximo do que se imagina, ou melhor, basta olhar o espelho para enxerga-lo. Não porque quero, mas porque não posso escapar. Ele é uma versão de mim, mas que não desejo que seja eu.
Tanto esforço para nada. Cada passo dado parece apenas um ciclo se repetindo, um esforço inútil contra algo invisível. A fraqueza se instala, não no corpo, mas na alma. A incapacidade de viver plenamente se arrasta como um eco constante, um lembrete cruel de todas as falhas. Não porque não tentou, mas porque o nível de estoicismo não é suficiente.
O medo de se perder de novo é pior do que qualquer queda. Porque se perder significa voltar para aquele lugar onde o silêncio ensurdece, onde os próprios pensamentos não calam a boca, te puxando para baixo como areia movediça em um deserto de areia infinita. E a única opção que resta é seguir em frente—não porque há esperança, mas porque ficar parado dói ainda mais.
Seguir sem saber se há um destino. Apenas seguir.
O dinheiro é nada, dinheiro acaba. Fica o teu trabalho.
Não ame pela metade, seja íntegro e se doe completamente, pois não existe nada pior no mundo do que dar migalhas afetivas e esperar em troca um amor puro e verdadeiro.
Rodei por um tempo no vazio das palavras. Elas, emudecidas, não diziam nada, e eu? imersa nos labirintos do meu silêncio, onde os pensamentos se embaralham. Mas hoje... Quase agora... Uma palavra ousada se atreveu a sussurrar em meu ouvido, quebrando o amargo do meu silêncio. Chamou isso de liberdade. Sigo, e cumpre minha sentença. O crime? Sentir demais. O único imperdoável, ou inafiançável.
Gostem ou não, a arte é uma instituição burguesa e o que chamam de “crise da arte” nada mais é do que uma crise do Habitus burguês.
Nada controla quem pensa sua própria mente, não há promessa que o iluda, chantagem que o prenda ou medo infundado que o assombre !
Nada de enganar os cães quando estiverem na sua cola. O máximo que pode fazer é ir o mais longe que puder. Ganhar a maior distância possível.
Nada é de sua própria explicação. Existe uma descrição melhor de um cubo do que a de sua construção?
Os vícios são grudentos
Assim como o vazio sereno
Que rouba devaneios
E nada resta, nem princípios
Os vazios são incontáveis
Medo, desejo, solidão, anseio
De fato, inexistem mãos hábeis
Que suportem o excerto
Os vícios são estrondosos
Capazes de desfazer vazios
Mas, feitos para se tornarem desgostosos
Ignorando possíveis perigos
A vida é bela
Como um amor materno
Mas basta uma queda
E ela se torna o inferno
