Distraído
Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. (...)
E foi quando pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos. (...)
Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? (...)
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. (...) É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e o então castigo é amar um mundo que não é ele. (...) Sei que nunca poderei pegar um rato sem morrer de minha pior morte. (...) Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? (...) Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. (...) Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
Amor é lembrar daquela pessoa, depois de um dia inteiro distraído, e perceber que passou cada momento do seu dia pensando nela, mesmo sem perceber...
Às vezes, a pessoa não é boba, distraída ou mesquinha como você pensa, ela vê tudo, mas tem uma alma nobre, um espírito evoluído e pessoas assim não gastam energia e tempo com coisas insignificantes e sem relevância para elas.
Tenho andado distraído procurando um motivo para amar
Perdido só as divindades sabem onde podem me encontrar
Aos gritos chamo um alguém mas sei que ele não vai me escutar
De lado finalmente me viro e dessa vez vou dormir sem parar.
AS CORDAS AFINADAS DA VIDA
As cordas afinadas da vida,
São livres, íntegras e às vezes distraídas.
A harmonia de suas batidas faz a alma mais atrevida,
Enche de sorriso e graça o coração da ESCOLHIDA.
A nota DÓ trouxe a paz na construção da arca de Noé,
A nota RÉ driblou a dor com a maestria de Pelé.
A nota MI representa DEUS e eleva o poder da fé,
É o fogão caipira que mantém aquecido o bule de café...
A nota FÁ vem de Belém ou do além,
A nota SOL faz renascer a saudade de alguém.
A nota LÁ traz à tona a lembrança do amor que senti,
A sonoridade da nota Si relembra as lágrimas que um dia derramei por ti.
O romantismo afinado em suas cordas dedilhadas,
Aguça e coração e deixa a alma confortada.
Não há tempo nem espaço no palco da jornada,
Sob as luzes da ribalta o amor constrói morada.
Oh! Viola destemida que canta a alegria e a tristeza!
Foste tu a lembrança de minha aventura e maior proeza...
Do tilintar de suas cordas veio a verdade e a certeza,
Que o homem veio ao mundo apenas para amar.
Essa é a sua natureza!
Élcio José Martins
Um Povo com a mentalidade de Escravo que se mantém bastante ocupado ou distraído para não aprender sobre as Leis do País, sobretudo os seus próprios direitos e deveres, este mesmo povo vai continuar a ser escravisado para enriquecer os Líderes Políticos enquanto este mesmo povo fica cada vez mais pobre e dependente das opiniões e das decisões de seus escravocratas.
O inusitado pode ocorrer quando você está distraída; mas o importante é não perder a chance de usufruir o encanto do momento.
Nas dias do ontem não há amparo
O destino tem portas abertas
Mas distraída, não vislumbrei sua face
Ele paralisou por um segundo.
Foi o tempo necessário para tudo abandonar
O passado é tem a força de carregar todas as fases
Consegui me deslocar
Dou um passo aqui outro acolá
Existiu a infância, adolescência, o crescer
As lágrimas e dores visam o infinito
As portas estão diferentes.
Ouço minha voz e vejo-me no espelho
A clareza o destrói
Rompe-se o mistério
Era eu pequena amedrontada
Perambulando pela casa
O silêncio penetra meu peito,
Não há espelhos quando as crianças se perdem
Olhos escarlate
distraído por vícios
transparece em minhas cicatrizes ocultas.
Acendo mais um,
tá aceso
Já estou tão distante.
Tenso.
Não sei para onde foi o dia.
Desde quando?
Até quando?
Meu passado me definiu,
meu destino se manifestou,
às vezes desacreditava,
que sou anjo enviado do céu.
Aquele cheiro,
se misturava com o vento lá fora.
Aquela brisa,
essência da maldição.
Desde quando?
Até quando?
Estive sempre ausente
de tudo e de todos
na obscuridade do meu mundo vazio.
o que tem para o almoço...?
Estive nisso,
no esgoto,
no abuso,
sem limites,
sem desculpas,
sem luz,
sem vida.
