Distraído
O acaso
O acaso quase me pegou,
No momento em que eu estava distraído.
A instabilidade que a vida me proporcionou...
Quase fez-me pecar!
Contra tudo o que havia escolhido.
Por viver um período conturbado,
O acaso quase me arma um laço...
Superando todas as bases de cálculos,
Que por mim foram definidos.
Mas a providencia veio do alto!
Procurando ter um bom histórico,
Busquei ser um homem preparado.
Para que esse grande "mestre" chamado acaso,
Não me desse o seu tiro de misericórdia,
Aí, conheci o poder soberano da glória...
Se o acaso será para sempre uma provação,
Punição, benção, distração, sorte ou azar? Eu não sei.
Não quero ter mais essa sensação...
Quanto a uma resposta plausível, só se ele voltar a me atacar.
E muitos já sofrem, só de ouvir dele falar...
Existem pessoas que conseguem do acaso se aproveitar
Eu prefiro os erros evitar
Para o acaso não me alcançar
Mas se não conseguir dele escapar
Tenho espírito forte, para ele encarar...
Não é que eu seja distraída, nem desajeitada. Eu só não gosto de observar coisas que me cansam. O mundo já não é o mesmo e a minha atenção já não se volta para as mesmas coisas.
A moça olhava para uma das mãos, distraída. Ignorava as vozes, as gargalhadas exageradas, o bater de garfos nos pratos, o arrastar de cadeiras, as buzinas lá fora e todo o resto do mundo. Estava mergulhada em pensamentos, talvez inundada deles, quase se afogando. Estava parada como uma estátua vazia, mas aposto com qualquer um que estava tão cheia e agitada quanto um show de rock. Ela era linda, mas de um jeito triste. Tinha os cabelos da cor do mais puro mel, os braços compridos que terminavam em mãos tão sutis que me faziam imaginar como seria o seu toque, a postura um pouco curvada de quem já sofreu muito e não aguenta mais o peso de tanta descrença e os lábios cerrados em um sorriso duvidoso. De repente virou-se como se tivesse acabado de chegar ao mundo e encarou aquele rapaz com um olhar lânguido que quase implorava que lhe pegasse no colo, lhe cantasse uma canção e lhe pusesse pra dormir. Ele retribui com os olhos de quem promete que vai te ninar pra sempre. A moça simplesmente ignorou e voltou a encarar sua mão, como quem se vê tomada por um desejo que ameaça romper as barreiras do corpo. De súbito, arrancou a bolsa da cadeira, colocou-a sobre o balcão e começou a remexer procurando alguma coisa. Tirou um telefone celular e sua carteira. Digitou um número no celular e hesitou. Apertou o aparelho como quem tenta afastar uma tentação, sem saber que ceder-lhe é a forma mais eficaz de se livrar dela. Parecia tão docemente perturbada! Colocou novamente o aparelho onde lhe trouxe. Fixou os olhos em mim e de uma forma seca pediu:
- Traga-me um café, por favor. Mas puro, sem açúcar, ou leite, ou creme. E que venha em uma xícara bonita.
Mas vejam só! A moça se afundava cada vez mais no amargo do café, para que assim ninguém percebesse a doçura que trazia em seus lábios. E confundia-se com seu próprio pedido, tentando arduamente tornar-se uma pessoa amarga, mas que não conseguiria jamais, exatamente pelo fato de estar pura, com uma aura completamente branca ao seu redor. Levantou-se inquieta. Percebi números em sua mão - Deve ser o número de alguém para quem queria muito telefonar, mas a mágoa impedia. Certamente alguém por quem nutre fortes sentimentos e que talvez esteja longe... não! talvez esteja por perto mas ainda assim longe demais. - e quando voltou do banheiro, não estavam mais lá. Sentou-se. Tomou seu café como quem é obrigado a tomar cicuta. E continuou olhando para a sua mão, distraída numa tristeza suave. Pagou a conta e foi embora carregando o peso do "e se". Certamente não tinha nada pra falar ao telefone, mas tinha ao menos o desejo de ser lembrada ao utilizar essas ondas sonoras pra transmitir uma voz melódica e doce, como o creme que faltou em seu café
E um jeito de quem, distraidamente, costura cinco sentidos aos sonhos do coração... E nos pequenos detalhes aquele olhar jamais esquecido de cada momento..
Olha, eu sei que tenho andado meio distraído, um pouco relapso, desleixado. Talvez tenha sido aquele dia, onde eu estive notando alguns pequenos detalhes. Sabe, realmente foram sempre pequenos detalhes, aqueles que passavam despercebidos, que ninguém além de mim notava. Era aquela forma que quando você ficava nervosa, você mexia o polegar em torno do dedo indicador, ou quando ainda fazia esse mesmo gesto e mordia o canto inferior direito do lábio, como disse, eram pequenos detalhes, como quando você não acreditava no que eu falava e erguia apenas uma sobrancelha, quase sempre era a direita, ou então, lembra aquele sorriso safado e sarcástico que você soltava quando eu lhe dizia algo que você teimava não ser real, ah sempre foram pequenos detalhes, que ninguém jamais vai reparar, mas eu reparei, e acredite, continuo reparando. Passaram se meses, anos, e você apesar de ter crescido, continua com as mesmas manias, os mesmos costumes, o mesmo sorriso, a mesma inocência, ahhh como eu suspiro vendo seu sorriso, ou como seu olho brilha a cada elogio recebido, a cada presente aberto como se fosse o último, a cada buque de rosas recebidas, você ainda é uma criança, seu espirito ainda é de criança, uma mulher que por dentro nunca deixou de ser aquela menina que eu me apaixonei e que no fundo eu sempre fui o mesmo idiota, inconsequente que você jamais deixará de amar, pode passar o tempo que passar, as pessoas que entrarem e possam entrar em nossas vidas, sabemos que nada vai mudar.
Era um sujeito tão distraído, mas tão distraído que em certa e infeliz ocasião levou um tiro no pé e teve que ir andando, devagar e dolorosamente, até o hospital, e só ao chegar lá percebeu que estava mancando do pé errado.
Entro no ônibus, me encosto distraidamente sobre uma das portas, analiso ao meu redor a sociedade à qual tento fazer parte. Percebo nos seus trejeitos informações desconcertantes quanto à mim mesmo, consequência da minha neurose urbana. Penso nos assuntos cabíveis para se iniciar uma conversa nesse universo em que eles vivem, e me deixando levar por esses pensamentos, acabo pensando em todas as pessoas que realmente um dia me fizeram sentir integrado à um grupo. E nesse instante de contato foi que eu encontrei minha individualidade, me compreendi, e nesse instante em que reflito é que percebo que cada dia mais, me perco.
Este fui eu.
Sensível, perdido, louco, apaixonado, amigável, sociofóbico, egocêntrico.
“Estava andando distraída e criei uma peça que falava: até no zombar da filosofia nos aprendemos a filosofar, até porque filosofia significa amor a sabedoria e para adquirirmos a sabedoria temos que ter a humildade de saber ouvir a todos aqueles que tem sempre algo a falar, que venha a ser útil na escola da vida. Falei peça porque a vida consiste num errar humano, para se tornar uma belíssima apresentação”.
Aquele simples oi,
Que fez cruzar nossos caminhos
Eu que distraída vinha vindo,
Não te veria passar.
E quando o teu sorriso abriu as portas,
Eu passei a encabular.
A tua voz me prendia atenção,
E tudo era um jogo intrigante.
A cada encontro o aumento da inquietude.
Nós que tínhamos mil razões pra ter acertos,
Mas nos irritamos por qualquer razão.
Foi cada um juiz da própria sentença,
A estupidez teve resultado garantido.
A penitência são todos arrependidos,
Na mágoa que não há perdão.
As vezes o amor da sua vida bate a porta
Distraída você não nota
Mais quando ele vai, você sente falta
Quando ele fala com você, você sorri
Quando ele está com você o tempo voa
Quando ele está com outra pessoa sentes ciúmes!
Se liga, por que a vida
Passa muito rápido e amanhã
Talvez já seja tarde para perceber
Que o amor da sua vida
Também depende que você o perceba!
Da junção do espermatozoide com o óvulo até a lápide passa rápido demais se ficarmos distraídos por muito tempo nesta jornada.
Élcio José Martins
AUSÊNCIA
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
A apartação do distanciamento,
Foi escasso desaparecimento.
Do sumiço privativo,
Pede a carência o curativo.
A exiguidade do tempo,
Desse seu alheamento,
Fez da vida esquecimento,
Do apertado apartamento.
Esse mundo de apartação,
Unido na separação,
Traz no bojo privação,
Paz e amor, abstração.
Absentismo da carência,
Foge do raio a coerência.
Na exiguidade do tempo,
Trouxe ao indivíduo o esquecimento.
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
A escassez do nada,
Faz o caminho da manada.
Chama os seus de camarada,
Tenda e lona, sua morada.
O distraído tropeçou,
No lapso da consciência.
Sentiu a dor da ausência,
Da total inexistência.
Élcio José Martins
Vou pelo caminho da simplicidade.
É quando distraída...
Escuto a melodia dos pássaros e Deus florescendo a minha vida!
Andava tão distraído que nem percebia os cabelos embranquecendo. Não tinha tempo para olhar o mar e agora jazia sem tempo pra mais nada...
