Disputar uma Pessoa
AMAR, AMANDO SEM AMOR
Amor que surge de um acaso
De uma brisa qualquer
Meio desgovernado
Amando uma mulher.
Entre a sobra dos seios
Encosto meu rosto
Sem sessão sem meios
Fazendo da carne encosto.
Do ventre nasceste amando
Sem amor e pecado
Do sorriso carregando
Um doce amargo.
Na falta de sentido
Uma noite de lua
Iluminando o vestido
De corpo despido
Andando na rua.
Não é agora
Mas o amor é isso
Tudo na hora
E depois desperdício.
Eu só quero uma tarde com você
Um sofá, um cobertor e uma tv
Te abraçar e esquecer o mundo lá fora
E é só você que eu quero agora.
Uma das grandes tragédias da Igreja em nosso triste país é que ela voluntariamente abdicou de ser Mater et Magistra - Mãe e Mestra - para tornar-se uma simplória animadora de programa de auditório.
Lembremos sempre: é preferível ter um perfil xucro que ter uma latrina no lugar da cabeça; antes o xucrismo puro que sermos uma alma de geleia sebosa.
Bastou um sorriso
E meu mundo
Mudou de cor
Bastou um olhar
Uma brincadeira...
Pra regar
Florir minha alma
Basta um riso
Um olhar
E me desmonto
Me entrego
Me jogo na praia
Me afogo
No mar de sonhos !
Enquanto não tenho uma decisão ou ideia brilhante que me tire do labirinto bifurcado em que me coloquei, vou tomar a atitude mais madura que posso para uma situação como essa: vou tomar um sorvete, afinal, tem como alguém ser triste tomando sorvete?
Amizade
é uma forma que
Deus tem
de nos mostrar
que esta sempre ao
nosso redor,
cuidando da gente
de pertinho.
A VIDA NA ROÇA.
Uma casinha singela,
Ao lado de uma estradinha de chão,
Onde a vida é simples e bela,
Há paz de alma no coração.
Uma porteira na entrada,
Um mata-burro ao lado,
Um liberando a estrada,
O outro inibi a passagem do gado.
Construída ao pé do morro,
Roupas limpas no varal,
Com a casinha do cachorro,
E uma farta horta no quintal.
Não há luz elétrica e nem muro,
Mas tem lamparina e lampião,
Lá não se vive no escuro,
Lá não há poluição...
Meu casebre e palhoça,
Onde plantei a felicidade,
Eu não troco a minha roça,
Pelo conforto da cidade.
O de repente é a resposta de uma promessa que foi recebida, entendida e conquistada com um clamor unânime e perseverante
Uma porta abre outras lembre-se disso
Só não se esqueça que quando se trata de pecado não se difere também...
EU VI A LUA
Quando pequeno,
uma noite no meu terreiro
sob o vento, meu inteiro!
Eu olhava a lua...
Tão alta, tão, alva
tão minha...
Tão sua.
Lá nas alturas, muito longe
lua, cavalo, dragão e conde
o mundo ali... Pra onde?
A lua, as vezes se esconde
e vaga por cima do bonde.
Os dois 'mundo e lua'
... Encontram-se nas velhas ruas
e nas fofocas da língua sua.
Quando pequeno, eu olhava a lua...
passeando pelo inverno
rodeada pelas estrelas
as crianças queriam velas
e no meu terreiro, fogueira
fazíamos rodas de verso
ali, segredo e confesso
aos olhos da lua faceira.
'Lua, luar
eu quero viver e crescer
passear pela paixão
ver a flor branca florescer
e o povo abrir as mãos.
Quero ver o mundo em paz
acalentando os inocentes
felicidade estampadas
e risos no rosto da gente.
Quando pequeno, eu olhava a lua...
e sob o vento frio na margem do rio
a lua nas águas, demonstrava seu brilho.
Eu vi a lua e sua clamura
vi seu encanto com pranto
vi no espelho oceânico
chorando as suas lagrimas
e enxugando com seu manto.
Quando pequeno eu vi a lua
toda nova, toda cheia
minguante de pois crescia
espantando as candeias.
Antonio Montes
Indecifrável fração de pétala
rola no chão, soprada pelo vento...
Teria sido de uma rosa ou talvez de um jasmim?
Cumpriu a função de sua efêmera vida
e foi esquecida na brisa, na chuva, no tempo
O que me faz lembrar da transitoriedade do existir
e que, da mesma forma,
sumirão os frágeis fragmentos de mim.
Cika Parolin
