Destino poema
"Do que adianta salvar vidas, se eu não vou salvar a minha?
Reclamo de tudo isso, mas minha mente é vazia.
Não falo mais de amor, porque não sei amar.
Eu preciso de ajuda, mas eu quero te ajudar."
Tens o dom
O teu jeito de ser, de agir comigo muda tudo que imaginei um dia receber tão naturalmente,
a beleza em teu olhar, a leveza em teu tocar, tem se tornado cada vez mais profundo o teu ficar,
a lua tem forças enigmáticas sobre o mar agitado, o poder do sol oferece os mais belos tons de verde a natureza, a tua energia me faz transborda em sentimentos e isso tudo é tão transparente quanto sobrenatural,
além do que é razão ou emoção, além do que é realidade ou sonhos, tua força foi lapidada em amor e brilha como um diamante ofuscando a velocidade do tempo,
tu tens o dom de enganar até o próprio destino que separou duas almas mas não conseguiu separar dois corações.
"Sorver da dor,
o sabor do aprendizado,
sem fazer disso um lenitivo,
tampouco um predicado,
exceto,
seu destino,
seu legado."
Sobre controle
Do telescópio no alto de uma montanha ti vi caminhando no muro das lamentações em passos largos e apressados,
logo os teus cabelos longos, corpo esguio e a flagrância do teu perfume raro foram sendo encobertos por uma camada de nuvens densas com formatos de algodão,
o sol votou a abrilhantar os teus caminhos e do topo da montanha continuei a admirar o teu desfile na passarela do destino, soberana no domínio do saber viver.
A vida tem suas surpresas..
Aquilo que tu menos espera acontece, aquilo que tu planeja não sai como planejado..
A vida é de fato uma caixinha de surpresas? Ou será apenas tudo obra do destino?
A vida tem muitas trilhas
que temos que percorrer...
é como andar no escuro
sem saber o que vai haver.
Se pisar em um espinho,
mantenha o seu caminho
até a sorte aparecer!
Ouvi dizer que você me esqueceu
Então me diz o que eu faço
Se o teu cheiro ainda está em mim
E ainda sinto você nos meus braços
Fico Pensando e ainda sem entender
Quando a gente deixou de ser nós
Qualquer lugar faz lembrar de você
E ainda ouço o som da sua voz
Mas o Universo um dia vai
Se encarregar de responder
Essas perguntas que o destino nos traz
UM SONHO
Quisera ser um pouco de poesia
Pra poder ter expressão diferente
Colocar-me numa prosa inocente
Bem longe da sofrência e arrelia
Com essa tal turra que não sacia
Sinto o agrado vazio e pendente
E, assim, a sensação descontente
Transmigrando d’alma nua e fria...
O tempo vai... e o verso a se calar
Fico a janela a ver a ilusão passar
E a emoção que no curso esvoaça
Uma tristura, aperto e melancolia
Arranca-me o prazer e a fantasia
Dando ao sonho cunho de fumaça
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24 janeiro, 2022, 04’17” – Araguari, MG
DISPARADA
Abarrotados sonhos pressurosos
Vão no viver, indo em disparada
São esmeros e gestos vaporosos
Do fado, numa condição agitada
Desejo, ensejo, todos cobiçosos
Amores, e a tal alma apaixonada
Corre o tempo em atos curiosos
Veloz, numa viagem pela estrada
No galope do ser aquele intento
Na casual o diverso sentimento
Tudo no acontecimento da sorte
Tudo passa, apressado, ó dureza
Num piscar fugaz e de incerteza
De um começo, meio e a morte!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27 janeiro, 2022, 10’45” – Araguari, MG
Prontos ou não, lá vou eu.
Empurrando a embarcação.
Meu silêncio é a canção
que no sonho se perdeu.
E o tempo que nunca foi meu,
pintou meus cabelos de velho.
Me fez renascer no afélio.
...
A vida é tão lacônica.
Não comporta reprises.
Emendarmos os erros.
Sabotamos os acertos.
Somos forçados a agir.
Reagir por impulsos.
E determinar o futuro.
Somos atores e dublês.
Interpretamos dramalhões.
Com eloquência.
A arte do bem dizer.
Do mal dizer.
Tudo sem ensaios.
E scripts ligeiros.
Somos seres intuitivos.
Sem avaliações prévias.
Validações sequentes.
Somos humanos emotivos.
Sem álbuns e recortes.
Das gargalhadas, cenas amargas.
Sem vestígios da nossa novela.
E aí invertemos sentimentos.
O choro vira riso.
A chuva vira brisa.
O barulho vira silêncio.
A poesia vira eco.
E eu viro folhas em branco.
Não acredito na sorte.
Não consigo acreditar que tem alguém lá em cima jogando uma moeda para decidir a minha vida, se sair cara as coisas vão dar certo e se sair coroa tudo vai desmoronar.
Isso quer dizer quer dizer que acredito em destino? Sinceramente não sei.
Mas acredito que não é por acaso, até as coisas mais simples que acontecem nas nossas vidas tem um significado ou um porquê.
Poesia Macabra
Nascemos para morrer;
No intervalo do nascimento e da morte, vivemos.
Vivemos e crescemos ;
Vivemos diminuindo o tempo de vida;
Usamos a vida para irmos ao encontro da morte;
E a morte nunca despreza o fim da vida ;
Vivemos crendo que suportaremos tudo
Vivemos com coragem acreditando em superar todos os desafios
Vivemos investindo toda força na lida
Toda fé na vida
Acreditando em vencer um dia
E a morte nos encontra no fim da linha
Luz que se apaga
Fantasia que impacta
Flor que murcha
Ilusão é os dias
Morte minha vida.
AGRADO ..
Quando a saudade me aperta o passado
de quando nostálgico me acho perdido
vejo que de tudo pouco me foi temido
e que todo o afeto me foi bem amado
Sempre no mais valioso e mais cuidado
tudo que a emoção valia me era podido
os desenganos, as venturas, tudo válido
tudo querido, um tanto e mais arrojado
Os sonhos que solevava o pensamento
no ponto supremo do prazer os erguia
chorava, ria, mas vivia cada momento
Que diversas somas nos faz a fantasia:
alegria, tristura, vida e morte. Sustento
de ternura, agrado e o saciar na poesia! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24/03/2021, 14’58” – Araguari, MG
Teu coração é terra de teus passos.
Ninguém de fora conhece o teu caminhar.
Falam só do que enxergam no olhar,
mas nunca percorrerão o destino designado a ti.
Quando eu acredito em mim mesmo, eu me aceito.
Quando eu me aceito, eu confio;
Quando eu acredito, aceito, e confio, coisas maravilhosas acontecem!
E na beleza dessa mudança, fazemos nosso destino!
Se você tivesse asas, para onde voaria?
Para cima.
Mas onde pousaria?
Não pousaria.
Que sentido teria isso?
Se a ferramenta de liberdade não mudar suas perspectivas de destino ela age apenas como uma nova pintura na sua cela: muda a sensação, não a realidade.
PASSA O TEMPO
Quando a noite pousa lentamente,
recolho e acolho lembranças suas
(hoje confusas na minha mente)
Enquanto contava uma história,
você nos meus braços adormecia,
( sonhadora criança menina ).
passa o tempo…e passou bem depressa…
Feroz, sem saber que era feliz
rasgou seu vestido azul de organdi
e cortou seus cabelos com tranças.
Com uma havaiana no seus pés
e asas na sua alma, voo longe.
( igual um pássaro sem destino)
A distância levou sua presença
deixou comigo ondas de saudades.
Voz de mãe: sonho com minha filha,
choro baixinho na madrugada,
abro meus braços, dou - lhe meu abraço.
NAS ENTRELINHAS
Se alguém pudesse ler a alma da poesia
secreta, onde cada sentimento a traçou
talvez entenderia mais sua terna melodia
os sonhos, os suspiros que elevaram voo
Estar é o destino e, se acaso, algum dia
a condição no sofrer, então, lacrimejou
esse verso não era a poética de alegria
nem tão pouco a emoção que enlutou
É a vida, ilustrada, da direção da gente
tateando a cada momento eternamente
trajando o além dum agrado ou aflição
Nessa prosa, na composição reservada:
um olhar, um sussurrar, a afeição velada...
nas entrelinhas de uma variante sensação!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26 março/2022, 14’41” – Araguari, MG
Escolhas
Lá estava ele, à beira do abismo. Mente impregnada pelo terror. Vozes gritando, trevas, demônios em chamas, espinhos, lama. Confortavelmente entorpecido pelo medo, olhos esbugalhados, voltados ao horizonte. Uma das mãos no bolso, roçando em um objeto metálico circular e outra agarrada numa garrafa de vidro. Pés descalços. Brisa quente.
Foi tempo perdido?
Pássaros livres voam sem se importarem com o tempo, e mesmo assim não o perdem.
A toda hora, em todos os locais, tempo é gasto, mas não desperdiçado. Pois amorfo como água o tempo é. Toma a forma das nossas dores e passam inevitavelmente dilacerando nossos sentimentos. Mas a dor é fogo que derrete o metal bruto afim de moldar a bela jóia que torna-se o homem que assimila seu sofrimento.
A mão sai do bolso com uma moeda do valor da insegurança e covardia. Por ela será decidido o destino.
Marteladas no peito.
Lançada ao sabor do vento, com o brilho da prata a refulgir a cada giro do medo, ela cai pesarosa na mão que a lançou e esta se fecha relutante em abrir, a mão verte suor e treme.
Na outra mão a garrafa vai à boca, e o fel de fundo adocicado da coragem desce pela garganta queimando a incerteza, aquecendo o coração, fluindo mente adentro, clareando idéias.
Mais uma vez a moeda ganha os ares, e sem revelar sua escolha vai cada vez mais longe para nunca mais voltar. Ao abismo ela se vai e ele escolhe a vida.
