Despertador
Chegou a segunda-feira,
e não quero acordar.
O despertador tocou
incessante, sem parar.
Derrubei o desgramado,
ele toca até quebrado...
o jeito é levantar!
Acordei tão linda hoje que o despertador, ao invés de tocar com um barulhão, , subiu na cama e me acordou com beijinhos.
ROTINAS
Todos os dias ela segue a mesma rotina
o despertador está programado para tocar três vezes
mas ela sempre levanta na primeira.
vai ao banheiro, se olha no espelho
tenta identificar o porquê das olheiras
lava o rosto, se veste e lava o rosto novamente.
Tudo parece uma tentativa de tirar a máscara,
de tirar aquilo que parece não lhe pertencer.
Ao sair na rua, observa o céu deslumbrada
as 5 horas da manhã a lua ainda está acordada
mas ela não, ela continua sonhando,
ela preferia nem ter acordado.
depois de trabalhar o dia todo,
rodeada de pessoas que vagam de um lugar para o outro,
vivendo a mesma rotina, infelizes
ela decai em melancolia pois percebe que isso é previsível
e ela sempre faz o que é previsível.
De noite, vai a escola, mesmo sem saber a razão
ela tem sonhos e isso soa como um muro na frente destes sonhos.
Para ela, as pessoas parecem tão vazias, tão mesmas
tão comuns.
Ela conquista os amores sem nem fazer nada,
eles a querem, mas ela não os quer
porque, eles todos parecem parte desta rotina,
e ela chora, por não ter vontade de ter vontade.
Ela vive, ela não ama, ela faz amigos,
mas ela odeia rotinas, e por pior que seja
acaba se tornando alguém comum, como seu maior medo,
ser como todos os outros,
rotineira.
E isso nos faz ser diferente em um mundo onde todos ligam o botão play assim que toca o despertador.
Toda noite antes de deitar regulo o despertador para no alvorecer seguinte acordar. Por mais que não tenha garantia nenhuma que vou acordar na próxima manhã, mesmo assim, coloco-o ao lado da cabeceira da cama e adormeço na ESPERANÇA de um novo dia alvorecer.
O moço do metrô
Era pra ser só mais um dia comum. Despertador estridente e banho frio como método de tortura e adeus ao sono às cinco horas da manhã. Paciência e agilidade matinal - dualidade duvidosa - pra domar a jubinha de leão, deixar pra depois o café que eu não tomo e enfrentar aquele trânsito caótico da cidade maravilhosa rumo às aulas de inglês.
O fato é que o sono não é tão invencível, a cidade não é tão maravilhosa às seis horas da manhã e após enfrentar o trânsito nosso de cada dia, que parecia duas vezes pior, desisti da aula já que pelo horário, só chegaria a tempo de ouvir o "bye, bye...see you on friday!"
Aproveitei o tempo para resolver outras pendências.
Mudei de rota e dessa vez fui de metrô. Até que não estava tão cheio, tinha espaço suficiente para entrar com calma e poder virar o pescoço observando a calmaria comum e tediosa que habitava o local. Habitava, até que, para surpresa geral, chega um cidadão carioca, rompendo o silêncio dominante, cantando a música "fora da lei" em volume e tons propagáveis para todo o vagão. O cidadão comum que acordou se achando o Ed Motta, atraiu a atenção e o estranhamento de todos ali presentes.
A senhora com cara de "tô brava", lançava olhares de fúria, decerto achou um disparate a coragem e suposta má educação do rapaz. O engravatado olhou com cara de reprovação, repassando bravamente as folhas de seu jornal. O nerd afundou ainda mais a cara em seu livro de "alguma coisa chata demais" certamente sentindo vergonha pelo rapaz que, não só cantava, mas insistia nos "paradibirudubuaê" típicos do Ed.
E eu? Eu só conseguia rir. Rir dos "paradibirudubuaê", rir da naturalidade em que o rapaz levava aquela situação e principalmente da reação ao redor.
Me recordei de um episódio do programa "De cara limpa" em que o ator-humorista-músico-autor e corajoso Fernando Caruso entra no metrô vestido de mulher e dança na barra de aço, realizando uma inusitada e divertida performance de pole dance para surpresa, estranhamento e simultaneamente risada geral.
Trata-se de um programa que visa desmistificar as regras do marasmo, levando humor e descontração a locais públicos onde a tensão ou o tédio imperam, assim, na cara dura, ou conforme o nome, de cara limpa. O que é sensacional, eficaz, positivo e porquê não, construtivo em tempos de estresse coletivo e certeiro. Em tempos de correria e agitação trivial, desatenção aos detalhes cotidianos, ao que é essencial. Um momento pra sorrir, um momento pra romper com as barreiras invisíveis do silêncio, doa a quem doer, custe os olhares insatisfeitos que custarem.
Momento pra respirar leveza, diminuir o ritmo. Despir as vestes da formalidade, dos bons modos, ser quem se é quando ninguém está vendo, mas quando todos estão vendo. Coragem? Sim, e autenticidade.
Me remete a uma citação de um dos meus escritores preferidos. Luis Fernando Veríssimo disse "Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo". Eu concordo. E o moço do metrô também.
O amor pode adormecer nas profundezas do coração, até que seja despertado pelo despertador da paixão!
O despertador soou cedo. A noite pareceu ter sido tão curta. Meus pés descalços sob o piso frio percorrem o quarto até o banheiro. Vejo-me natural em frente ao espelho, sem os efeitos diários que cobrem o meu rosto, o batom, a maquiagem, por hora escondem a minha essência. Sei quem estas ali, ainda que, a ignorância do mundo coloque-me rótulos. Algumas rugas aqui, que chegam acompanhando os anos. Tudo tão meu. Sim, meu. Frente à frente, sozinha comigo, percebo que nada mais, e nem ninguém pode falar ou escolher por mim. Amei-me, amo-me e amarei-me. De todo o amor que tiver em mãos, darei à mim, pelo menos a maior parte.
Hoje acordei antes do despertador...
A casa estava em silêncio, o sol entrava pelas janelas anunciando um novo dia.
Alimentei os gatos, falei com o cachorro, tomei meu café e fui trabalhar...
Nada incomum, as mesmas pessoas, os mesmos lugares, mesmo caminho...
A dia passou a noite chegou e nada mudou...
Tudo está no mesmo lugar, exceto eu...
Se houvesse um despertador de verdades, não vendiam cópias das falas, nem imagens daquilo que não viram, não tocaram e não sentiram, não vendiam amor nem salvação, nem pecado nem perdão. Se houvesse um detector de verdades sobre os rituais talvez não desfilasse o gosto do pecado sobre as escadarias, nem vendiam folhetos dominicais dotados de um sistema mecanizado “amém”. Bom mesmo são umas modinhas de romance fracassado em duetos no radinho de pilha. Verdade mesmo é a palha que baba a vaca, que sustenta o leite da cabra. Verdade mesmo é o pó na aba do chapéu no fim do dia, o pó da terra que a criança brinca e o cachorro deita. Tem muita coisa por aí que não passa de comércio de medalhinhas, fitinhas, e supostos milagres, comércio da falácia sarcástica, e, de uma moda de vestes contemporâneas. Papa Francisco afirmou sua vontade de que “os cristãos ultrapassem as suas diferenças e se tornem uma única comunidade religiosa”. Padre Fábio de Melo nos alerta que “a Igreja foi criação de homens e não de Cristo, Jesus não queria a Igreja, queria o Reino de Deus, mas a Igreja foi o que conseguimos dar a Ele”. Raul seixas destaca a igreja invisível “Para os pobres e desesperados e todas as almas sem lar”. A toda ovelha revoltada resta o repúdio do sistema e a criação de um novo templo e uma nova religião, uma nova ideologia que buscam apenas o sustento das verdades em cima de um povo humilde faminto. Sendo assim tão logo aos sistemas cabe uma nova criação de mais papas, mais santos, de uma nova bíblia, e, de um novo cristo já que é inevitável a subdivisão eclética, porque para o povo tudo é verdade desde que sustentada à verdade seja em nome de Deus. Assim sejam o despertar todas as manhãs em que eu acordo (A. Valim).
DESPERTADOR
Demétrio Sena - Magé
Hoje são os profanos que proclamam
esse amor que já foi da liturgia;
essa grande alegria por quem entra
nos domínios da própria liberdade...
Cabe à fila insondável dos ateus
a procura da paz, do bem querer,
porque Deus, propriamente, virou marca
secundária nas lojas dos louvores...
Os perdidos apelam aos cristãos
que se rendam às boas relações,
dando as mãos aos iguais e diferentes...
É que a besta chegou à outra margem;
a miragem da velha santidade
se desfez entre a fé contemporânea...
Todo esse tempo de descanço, o despertador lembrou que é hora de acordar o coração;
Sonolento, percebesse que o amor espera para adentrar em um coração que foge da solidão... Com lúcidez, gritava em silêncio querendo me encontrar! Eu falo: Venha que eu deixarei o amor entrar;
O despertador ,despertava
O calendário servia para lembrar as datas
A lista telefônica era para achar os números de telefone
A calculadora de mão era para fazer seus cálculos mais rápidos e precisos
As cartas eram ótimas para se corresponder
O telegrama era bem mais rápido nas mensagens de urgência
No radinho de pilha você ouvia seus programas preferidos
Na velha vitrola ,você ouvia suas músicas preferidas com os velhos discos de vinil
No DVD você visualizava seus clipes musicais com som e imagem, e por aí vai ....
AÍ VEIO O CELULAR E ASSUMIU TODAS ESTAS FUNÇÕES EM UM ÚNICO APARELHO DE MÃO ...
Moral da História : Se você se especializar em uma única função na vida ,as suas chances de ser substituído por algum profissional que se especializa em múltiplas-funções é gigantesca, não seja a máquina de escrever empoeirada do século XXI ,saia da sua zona de conforto. Pense, reflita !
Nosor Beluci
Em um único aparelho celular você tem: máquina fotográfica, calendário, despertador, lanterna, serviços de correios, calculadora, TV e outros tantos mais, então se não quiser ficar para escanteio, atualize-se o tempo inteiro!
Cinco pras Seis
Soa o despertador. Deu vontade de quebrá-lo ou atirá-lo contra a parede ou retirar a bateria ou engoli-lo. Programou para voltar a tocar em cinco minutos, voltou a dormir e sonhou. Falta de ar. Sangue escorrendo. Corpo esfriando. A morte chegando. Nem um minuto mais lhe restaria. Ao tocar pela segunda vez, de sobressalto pôs-se sentado, beijou o aparelho e jurou, ainda ofegante, amor eterno.
Quando o tempo deixar de ser seu despertador diário, seus sonhos desaparecerão em meio a angustia sentida em razão do seu inexistir. Contudo, aprenderás que nem toda ferida foi a causa de toda aquela dor, pois o homem que vive sem expectativa alguma, vive por viver... morrendo silenciosamente a cada segundo de sua respiração.
Amanheceres
A luz do amanhecer já não fazia diferença para Olga, se não fosse o velho despertador de corda, presente de Camilo, (irmão mais velho). Olga vive entre crenças e caridades realizadas e na companhia do seu fiel escudeiro, o cãozinho Pipoca.
Nunca, nem um dia era igual ao outro.
Enquanto o apito da chaleira não avisa a fervura da água, Olga liga o rádio: as notícias não param...
O telefone toca (..trim...trim...trim..)...
Olga caminha até a sala para atendê-lo: "Alô?, Alô?: Quem fala?"
Do outro lado a voz rouca tesponde: sabe quem fala? Ao mesmo tempo responde, é Ava sua sobrinha. Alegrias, saudades expostas, assuntos em dia.
