Dentes
A boca maldita fala em preto e branco por uma voz rouca, com erros graves de linguagem e sem dentes, de uma realidade crua e desnuda, sem os retoques cenográficos de uma maquiagem colorida e primaveril.
Estêvão
Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações,
e rangiam os dentes, contra ele, com agressões.
Mas ele, cheio do Espírito Santo, fixando os olhos,
no céu, viu a glória de Deus nos altos céus.
Viu também Jesus, que estava à direita de Deus,
e disse: Olhai, eu vejo abertos os altos céus!...
E o filho do homem, que está em pé à direita de Deus!
Mas eles gritaram em gritos raivosos, diante dos judeus!
Taparam os ouvidos, é avançaram todos contra ele,
e expulsando-o da cidade, atiraram pedras a ele...
as vestes de Estêvão, aos pés de Saulo as puseram.
E continuaram a apedrejá-lo, que em oração a Jesus,
dizia: Senhor, recebe o meu espírito na tua santa luz.
E não os condenes, por este pecado que me fizeram!
Lavou seu rosto na bacia,
Escovou os dentes,
Arrumou seus lençóis,
Calçou os sapatos de feltro,
Após colocar as meias de algodão,
Seus dentes perolados ofuscam a retina,
Globos oculares castanho-esverdeados,
Fios alaranjados semelhados a tangerina,
Perfumadas e vibrantes bochechas de resina.
Quando o mal quis ranger os dentes como pesadelo, a bondade me mostrou através da realidade que é possível sonhar
O Tempo é implacável, vai arrancar teus dentes, teus cabelos, tua beleza, teu sorriso, sem você notar.
Camorra é conflito, é briga de rua, é sangue nos dentes.
Kamocha é reflexo divino, é "como Tu", imagem do Eterno.
Kamorra é o encontro entre os dois: a força do homem que luta, guiado pela luz que não se dobra.
o canibal
ele não me morde
me lê com os dentes
começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.
não grito.
abro.
passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.
comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.
depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.
e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.
devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.
flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.
não resisto,
entrego.
cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.
o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.
não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.
o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.
e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.
do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.
dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.
cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.
quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.
o canibal limpa a boca
e vai embora.
fico.
pela primeira vez,
íntegro.
e o que ficou,
não escreve m canibal
ele não me morde
me lê com os dentes
começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.
não grito.
abro.
passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.
comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.
depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.
e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.
devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.
flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.
não resisto,
entrego.
cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.
o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.
não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.
o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.
e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.
do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.
dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.
cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.
quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.
o canibal limpa a boca
e vai embora.
fico.
pela primeira vez,
íntegro.
e o que ficou,
não escreve mais.
Ahh!! o amor
sempre ele
mostrando os dentes
os olhos, a boca
o batom
amar
coisa louca
um delírio
você meu colírio
meio tom
tão perto do olhar...
Nos dentes afiados
da Piranha-preta
e da Piranha-Vermelha
estão as cristalinas
páginas das correntes
do rio que é o indomável
poema das nossas vidas,
Tome nas tuas mãos
o remo e respeite
o seu próprio tempo.
O meu poema é quase
um Peixe-Cachorro
que sabe nadar e morder
com seus dentes enormes
para as ideias acordarem
nos rios da sua criação
e por todos os lugares
onde é preciso ter inspiração.
Ser feliz nem sempre é estar mostrando os dentes. Às vezes é estar pertinho... de quem nos faz sentir completo... por um encontro de almas.
