Democracia
Um poder que esteja a serviço do mau, ao sujeitar outro poder legitimamente constituído e benfazejo, obrigando-o a agir segundo seus intentos maléficos, revela quão mau ele é!
Um poder legítima e democraticamente constituído que se sujeita a um outro poder ou sistema que visa o mau praticar, revela quão fraco ele é!
A inércia coletiva, longe de ser uma ausência inofensiva, configura-se como a renúncia tácita à soberania, permitindo que interesses sectários se apropriem do espaço decisório. Nesse vazio volitivo, a democracia se fragiliza, convertendo-se em arena para hegemonias estratégicas.
CALE-SE OU CÁLICE BUARQUE E GIL?
Naquele espaço que nem o sol se ver quadrado, porque o manto do sofrimento cobre a luz, a mente não raciona mais, não idealiza mais, não discute mais porque ali se acredita que é o fim da linha.
Muitas pessoas chegaram ao limiar da mansão dos mortos e retornaram, mas, outros como Manoel Lisboa, Jayme Miranda, Rubens Paiva e todos os mártires daquela época não tiveram mais a oportunidade de sentir a carícia da brisa.
Naquela solidão não há o farfalhar das árvores, nem o murmúrio do vento, há corpos que resistiram as tormentas e a inspiração foi além das paredes que sobressai e tenta afastar o cálice porque ali não há os braços de um anjo para acolher aqueles corpos sem lenço, nem documento, Caetano.
Quando se atinge o limiar da angústia, dor, tortura, onde é possível sentir a desintegração da matéria e na pele em lugar do suor espalha o sangue e sente o roçar da foice, ainda sente nas entranhas que o lirismo surge e se materializa como protagonista da saga que presencia o mártir tomando o cálice de fel e sente o cuspe preso na garganta, o desespero, a face explode em prantos e o seu cérebro transborda em formato de poesia.
Acreditamos que os corpos encontrados ou desaparecidos estão à direita do Altíssimo e que aquele sistema sombrio não retorne, porque democracia é liberdade.
A junção da dor e da esperança desperta a essência que explode em Cálice que retrata o peso do manda quem pode, obedece quem tem juízo, mas as vítimas avisam a nova geração para refletirmos a nós, a eles e não mais aceite o cálice de fel e nem se cale diante de injustiça.
Democracia é tudo.
Poema da Opressão
Na túnica obscura do poder estatal,
oculta-se a força de um jugo brutal.
Sob os holofotes da democracia ferida,
ergue-se a mordaça que cala a vida.
Censura, exceção, anomia reinam,
num sistema onde as injustiças tecem.
A liberdade é prisão, um cárcere oculto,
repressão vestida de ordem, fruto do insulto.
Desigualdade social em atrofia cruel,
o país, sob tirania, perde seu papel.
Monarquias de prepotência e aristocracia,
Luiz XIV, na história, uma sombra sombria.
O governo centralizador, tirânico e frio,
exerce seu poder sob o despotismo sombrio.
Coerção e coação em ondas violentas,
a brutalidade desenha cicatrizes cruentas.
Arbitrariedade e boçalidade, armas da dominação,
intolerância que corrói o chão da nação.
Prisão, ergástulo, enxovia do pensamento,
solidariedade e humanismo viram lamento.
Mas, mesmo sob o jugo da sujeição,
há quem sonhe com a ruptura da opressão.
Fraternidade e dignidade em luta renascem,
na corrosão do sistema, forças se entrelaçam.
Icônica será a força da liberdade,
quando o humanismo vencer a atrocidade.
Que a túnica negra caia, revelando a luz,
e a democracia, enfim, conduza à paz que seduz.
O direito de escolher representantes pelo voto é um regime político fundamental, essencial. Anormal e inexplicável é um indivíduo tendo o poder de decisão, escolher o destrato pela coisa pública, a ilicitude, o descaso social, a instabilidade financeira coletiva, a mentira!
O planeta, numa concepção niilista, tem seus donos terrenos.
As democracias não exprimem, por isso, uma liberdade soberana.
Vivemos um bem enredado faz-de-conta.
"A esperança de um novo horizonte de liberdade começa a surgir na América do Sul. Viva a liberdade, viva a democracia! A liberdade há de brilhar novamente em nosso Brasil. Aqueles que hoje ocupam o poder passarão, e a chama da liberdade há de se reacender."
Os políticos são a forma mais baixa de vida da Terra e os democratas são a forma mais baixa de político.
"Nada poderá usurpar a dignidade e o orgulho do nosso amor à pátria e à liberdade se nos mantivermos fiéis aos primados republicanos que fundam nossa nação, sobretudo o respeito às instituições, a democracia e o cumprimento às leis que nos governam a todos, indistintamente."
