Crônicas
Amor: semelhanças e contrastes no trabalho ( parte II )
O segundo, nem por algum instante as pessoas o ver como um cidadão de bem, com boas perspectivas profissionais. Mas este, podes crê; Já obteve sonhos misturado ao medo e a ilusão. Um sonho visto bem à linha do horizonte. O medo bem real, na qual aniquila a ilusão e torna-se fato consumado. Já não existe mais medo, não existe mais mãe , não existe mais segredos, muito menos mais sonhos. Se um é o melhor profissional, e tem a consciência que poderia ter alçado voos mais altos. O outro, também executa bem o seu trabalho, e é grato ao destino pelo que se tornou, porque as
possibilidades de escolhas por caminhos obscuros, eram bem mais evidentes do que alternativas dentro da legalidade.
100822II
A Árvore Invisível
No meio da floresta, onde o verde se espalha em incontáveis tons de vida, há uma árvore morta. Seu tronco retorcido e seco ergue-se como um esqueleto, desprovido de folhas, de seiva, de movimento. Os pássaros não pousam em seus galhos; os insetos não a rodeiam; até o vento parece desviar-se dela, como se sua presença fosse um incômodo.
Ela já foi grande, já sustentou ninhos, já balançou sob o peso de frutos. Agora, é apenas um vulto silencioso, uma sombra esquecida no meio do esplendor alheio. Os olhos dos passantes deslizam sobre ela, sem fixar-se, sem reconhecer sua existência. Afinal, quem se importa com o que já não floresce?
Assim também é a velhice humana. Há um momento em que as folhas caem — a vitalidade, o vigor, a utilidade aparente — e, de repente, o mundo parece desviar o olhar. O idoso, outrora centro de histórias e sustento, torna-se uma figura quieta nos cantos da casa, nos bancos das praças, nos quartos de asilos. Suas rugas são como as rachaduras no tronco da árvore seca: marcas de tempestades sobrevividas, de anos que não foram gentis, mas que ninguém mais se dá ao trabalho de ler.
A floresta segue verde, impiedosamente bela. A vida dos outros segue, impiedosamente alegre. E a árvore morta permanece, invisível, até o dia em que o vento mais forte a derrubar, e então, talvez, alguém note sua ausência — mas não sua existência.
Assim como tantos velhos, que só são lembrados quando já se foram.
DÁ NÃO DÁ
A cidade quer a noite
A cidade quer o dia
As baladas querem ritmo
Não importa a harmonia
O menino quer poder
A menina também quer
O sagrado é profano
Bem me quer ou mal me quer?
Somos sós quando queremos
Somos brasa em pleno inverno
E no verão quase Dezembro
A alegria é eterna, terna!
"Vamos a la praia"
É o refrão mais que mais se ouve
Bichos e bichas num só grito:
Queremos mais amor
Seja como for
Seja o que for
Sentimento não se mede
Queremos mais calor
Queremos sol e mar
Sentimento não se pede
Queremos celebrar
Um segundo é importante
Depois vemos no que dá
Luciano Calazans, 10/08/2017
Você e o Estado.
Somos seres sociais, isso é um fato. Somos integrados em uma sociedade que exige de nós uma participação que pode acontecer de forma direta ou indireta. Essa integração social, faz com criemos uma dependência das outras pessoas que também desfrutam dessa mesma sociedade.
Nós comemos, bebemos, vestimos, enfim, tudo que fazemos tem a participação de algo ou de alguém. Alguém produziu, alguém fez e nós partilhamos ou desfrutamos. Essa troca existente entre os seres, faz com que a sociedade se mantenha, como a engrenagem de um grande relógio. Todas as peças têm uma função, todas trabalham em conjunto para o funcionamento ininterrupto da máquina.
E como a sociedade não é tão homogênea em razão das diferentes formações pessoais e culturais, essa sociedade, entendendo isso, delega parte de seu controle, criando o estado.
Em cada país o estado fornece algum tipo de controle, visando em um primeiro momento a perpetuação e o desenvolvimento daquela sociedade. Esse controle é muitas vezes consuetudinário, o que acaba por ser absorvido pela maioria ou a totalidade daqueles que vivem sob aquele estado. Temos leis, decretos, normas, atos, enfim, uma infinidade de mecanismos de controle que nós mesmos acabamos criando e por consequente empoderamos o estado.
Com esse poder, o estado se torna maior que o indivíduo e ouso a falar que dependendo da situação, maior ainda que seu próprio povo. Basta vermos os grandes massacres, misérias e fomes, produzidos em nome do estado através da história.
Ora, perante o estado, muitas vezes agimos e somos tratados como semoventes. Criamos algo que pela nossa falta de interpretação e inércia, aprendemos a temer. E tememos justamente por não entender que o estado é cria nossa, é nosso filho. Nós o fazemos, nós o criamos, nós o alimentamos.
Abrimos mão de nossa individualidade para nos somarmos ao todo, mas, neste processo, acabamos por criar uma dependência doentia, na qual não conseguimos dar um passo, sem este estar sendo ditado por outros.
Basta acompanharmos os noticiários que veremos que o ser humano ficou para trás. Discutimos ainda, em pleno 2020, questões que provam que a nossa sociedade pouco evoluiu. Discutimos questões como: gênero, raça, crenças. Penso que todas essas questões em uma sociedade evoluída, deveria fazer parte apenas nos anais históricos. Talvez por isso ainda precisemos que alguém nos dite o que fazer e o que comer.
Somos extremamente motivados pelo todo, e perdemos a capacidade de pensar por si mesmo. Não distinguimos mais o certo e o errado. Nas trágicas coisas talvez, mas, nas coisas simples do nosso cotidiano, preferimos que alguém dite o que nós devemos fazer. A modinha virou moda, que virou conceito, que virou verdade, que mudou sua vida.
Partindo do princípio que devemos ser todos civilizados, penso ser estranho quando normas reguladoras me dizem o que posso ou não posso fazer. Fato, tal situação não se aplica a quem vive a margem social e não consegue ter convivência com outros seres humanos. Neste caso toda regulação e restrição, ainda será pouco. Aos humanos, humanidade.
Neste momento você poderá achar que estou me considerando um ser acima da lei e da média. Mas, a questão não é essa. Se você sabe quais são suas obrigações sociais, se precisar ser cobrado a todo instante sobre elas, logo, podemos concluir que: ou você não sabe, não internalizou ou você a quebra continuamente.
O estado regula aquilo que nós damos para ele regular, simples assim. Quem manda em sua vida? Você ou o estado. Lhe digo que é o estado. De tanto empoderarmos o estado, fizemos dele nosso pai, ou mãe se preferirem. O estado lhe diz: Use cinto de segurança, senão você poderá se machucar, use capacete, senão você poderá se machucar. Se cuide, senão te puno. Ora, essas questões nem sequer deveriam fazer parte de uma lei em um mundo civilizado. A própria consciência do ser humano, deveria entender que para sua proteção individual, essas ações são necessárias, independentemente de uma norma regulatória.
Poderão aos gritos dizerem: Ora, não evoluímos a esse ponto, precisamos de regras senão a sociedade desmorona.
Observem o quão essa afirmação é perigosa: “Precisamos de regras”. Quando afirmamos isso atestamos nossa animalidade. Mostramos que como seres humanos, temos que ser domesticados, adestrados, senão não conseguiremos viver em sociedade.
O estado que criamos não é nosso porto seguro, antes, é a coleira que nos mantém presos, é o forcado que impede que atravessemos a cerca.
Quanto mais você evolui como ser humano, menos você necessitará do estado. Quanto mais você evolui, mais clareza sobre as coisas você consegue ter. Assuntos antes polêmicos, se tornam simples. Assuntos simples, viram poeira ao vento. Questões que hoje ainda enchem salões como: aborto, racismo e homossexualidade, perdem a importância, pois para um ser humano, a raça, o comportamento, o trato da vida, são apenas questões individuais e devem ser respeitadas por cada indivíduo.
O nosso mal, é que importamos demais com o alheio, opinando sobre como os outros devem conduzir suas vidas, e esquecemos que pessoas não são marionetes de nossos desejos e vontades. Muitas vezes queremos o melhor para a pessoa, mas, como saber o que é melhor para outra pessoa, sem se tornar ela? Usamos uma única receita para todos os males. Isso é no mínimo perigoso.
Você e o estado podem andar de mãos dadas, mas, não se esqueça, ele é sua cria, e não o contrário. Charles Chaplin, parafraseou: “Não sois máquina! Homens é quem sois! ” Pergunto, com tanta submissão e controle de sua vida, somos homens ou máquinas?
Pense e reflita.
Paz e bem.
Kentuck san
No KFC (fast food de frango frito), o japonesinho contempla o bom Kentuck.
Grita eufórico, esperando em vão uma resposta. Intrigado com o velhinho estático, pula, dança, com o intuito de chamar-lhe a atenção. Nada.
Inspeciona-o de perto, e tenta beliscá-lo. Outro menino, um tiquito maior, tenta grudar um escaravelho. Os olhinhos do primeiro o observam e depois abre um sorriso. Inútil.
O experiente Kentuck, talvez vacinado contra traquinagens, continua impassível.
O japonesinho olha, desafia-o e finalmente pespega-lhe um formidável pisão no pé.
Kentuck wins. O menininho sai pulando, no seu imaginário, pisando em anões.
ECO
Todas as noites são iguais: ela senta, pensa, levanta, bebe e, come - enquanto pensa - enquanto sente.
Todas as noite são iguais: os sonhos são perturbadores, as pernas não ficam quietas, há muita coisa para ser pensada e, ela pensa - enquanto sente.
Sente as dores no peito, as angústias do mundo, toma para si o sofrimento que não é seu. E ela teme: morrer, viver, sofrer, padecer e assim - ela vive.
Todas as manhãs são iguais: ela acorda - triste, angustiada, presa ao cansaço.
Às nove consegue apagar.
Mas, o que parece cedo já é tarde, porque ela precisaria: levantar, comer, rezar, falar, se esconder, aparecer, trabalhar.
E por mais que sobre tempo, nunca há tempo para ela, quando viu, lá se foi uma semana ou até mesmo um mês.
E ela sempre precisa: levantar, comer, sorrir e rezar...
A castração do verbo
A evolução humana ocorreu devido ao espantamento do homem em relação ao seu universo exterior, deste aspecto o questionamento buscou a experimentação e dela a firme convicção para se provar e defender teorias científicas referendados em enciclopédias, manuais indecifráveis e inacessíveis à muitos de nós, entretanto, quando hodiernamente nos defrontamos com está evolução, descobrimos o quanto o universo imaginário brasileiro foi duramente castrado por séculos de dominação. Quando Maria Lu T S Nishimura, se coloca como personagem da própria escrita é para extrapolar e quebrar barreiras contra a hegemonia da criatividade!
Ao ser questionada quais são as minhas referências a despeito do que escrevo, afirmo que minha escrita possui a referência da consciência para a liberdade. A minha consciência é libertária e objetiva desafiar o ser humano a se autocompor - se, buscando o desenvolvimento interno dos talentos inerentes à cada um. Se somos todos filhos de Deus, a capacidade que Ele nos dotou é para o polir contínuo de si por bem e para o bem. Este é o real crescimento que Deus espera de todos os seres humanos, independentemente de raças e credos. Portanto, condenar, martirizar, críticas destrutivas, boicote social e moral contra as personalidades como forma de cessamento da criatividade é castração social e humano.
Culturalmente a imposição do limite se fez pelo medo, pela punição, pela difamação, pela humilhação, pela condenação. O limite deve existir para o mal e não para o bem. A minha escrita é um bem, portanto, o limite cultural que a sociedade por ventura, venha aplicar sob injúria manipuladora de regras, costumes, posturas, atuações, personalidades e humores, constituem no intento o cálice da castração do verbo!
Luzes e sombras nos caminhos da vida.
Os caminhos da vida têm trajetórias surpreendentes.
Quando somos jovens, acreditamos que a felicidade é uma questão de tempo. Durante a nossa vida, imaginamos que teremos várias amizades, seremos felizes, ficaremos velhos e teremos o amparado de familiares e amigos, sempre cumprindo tudo que pretendíamos fazer nesta vida. Mas não é bem assim. As luzes e as sombras dos caminhos da vida acontecem durante as trajetórias.
Nos trechos iluminados, tudo gira a seu favor. São os trechos da harmonia, onde surgem as parcerias, a admiração e a cumplicidade. São os trechos dos companheiros e dos interesses. A quantidade de companheiros aumenta ou diminui de acordo com a sua posição na sociedade. Chega um momento em que você confunde companheiros com amigos.
Mas há os trechos com sombras onde encontramos dificuldades para passar. São nesses trechos que os companheiros desaparecem e ficam apenas os amigos. E o quantitativo de amigos é medido pelas suas necessidades, ou seja, quanto mais necessidade, menos amigos.
Você descobre que poucas pessoas têm a capacidade de se doar e de ajudar você com as mudanças que surgem pelos caminhos. Muitos dividem as suas alegrias, mas poucos têm a habilidade de dividir suas tristezas.
São nesses trechos que ficamos mais maduros e passamos a administrar melhor nossas caminhadas. Descobrimos que temos menos trechos para caminhar do que o que caminhamos até agora. Já não escolhemos reuniões intermináveis, discussões, pois nosso tempo é curto e devemos aproveitá-lo ao máximo. Portanto, valorize quem está com você nas luzes, mas principalmente, valorize quem está com você nas sombras dos caminhos da vida.
Eu vejo...
Com meu pai no carro
Ele diz que quer passear .
Eu, como uma garota desse novo mundo
Não quero nem ligar.
Meu pai, dirige pela estrada de cimento
Que depois é tomado ,por terras e pedras .
Ao chegar no destino, nas serras
Abre-se as portas .
Não saiu nem um pouco , lá fora
Trancada, prefiro ficar
Até que, uma voz , chega ao meu lado
E me pergunta: "quer voar?"
Animada fiquei ; fui voar
Colocaram-se equipamentos de voo
Um moço me segura por trás, para ficar bem firme, no equipamento .
Houve alguns desentendimentos com o vento ,
Até que, enfim, fomos no ar.
No voo,pude ver pessoas , vaca, carro e estradas, tudo pequeno.
Mas, ao olhar , diretamente ao céu
Lá estava...aquela pequena esperança
Que havia nascido, mas já se ponha...
Aquele laranja, fogo ardente, sedo tomado
Pelo escuro, de pequenas estrelas.
Se em seus olhos vejo aconchego
Meu conselho é que vibre
Pois de ti tenho medo
De um amar sem retorno
Daí, em torno não me apresso
Me stresso em compassos
Visto que era minha calma
Agito minha alma pois é impossível
E se solicito o plausível
Vou seguindo
Sozinha
Em contento com um som agradável
Sua voz
Que me transporta
Me importa
E esgota
É meu amor
Um solitário bobo
Que quando ouve sua voz
Se dilacera em solidão
Minha pressa
Não me critique por minha pressa
Vejo fruto em sementes que brotam
Ou queima em floresta verde
Enxergo longe
Não me critique por manter-me ativa
Proativa que sou em viver
E se meu ver te cansa
Siga mansa é sua natureza
Mas não me critique pela corrida
Minhas pernas formigam
E preciso alcançar
Mesmo que os erros decidam
Tentei
Amei
Escrevi
Vivi
E se te incomoda minha pressa
Borbulhe em chá fresco
É sua mina
É sua sina
E porque corro
É porque em segundos morro
E meu caminho
Não serão percorridos por seus pés
A casa da Vovó
A casa da vovó era tão grande, lá eu me sentia Latifundiário em vinte metros quadrados, lá eu subia no muro que parecia o de Berlim , lá eu subia nas Goiabeiras, nas pitangueiras e não tinha medo de subir, de cair, de sussuarana e nem tão pouco de perder a hora do almoço porque eu sabia que meu anjo envelhecido ali estava para me lembrar ,carinhosamente , que meu prato preferido estava na mesa.
A casa da vovó era tão grande , lá , no quintal, tinha uma enorme pedra, que hoje, diante de meus olhos nem tão grande era assim!
Lá às formigas eram gigantes, as flores mais coloridas , o suco mais doce e os biscoitos mais crocantes. Lá tudo ficava gostoso, até a couve que mamãe fazia e pedia pra vovó colocar em meu prato. Lá verdura era carne tenra.
A casa da vovó era meu itinerário preferido e ela a guia turística mais fantástica que eu já conheci .Meu passeio preferido, meu colo preferido, meu abraço mais quente e meu sim constante.
A casa da vovó era tão grande e se tornava maior por tanto carinho, tanta generosidade, tanto amor. Não cabia em suas intenções tanto carinho, expresso em apenas um olhar, um aconchego ou um sabonete e um talco quando ela ,de mãos dadas comigo, íamos receber sua pensão.
Assim a casa da vovó era uma mansão , tamanhos cantos que tinha, tamanha a vontade de agradar, tamanho o tamanho daquele envelhecido coração.
A casa da vovó, a casa da vovó era minha esperança de crescer , crescer e encontrá-la , envolver meus bracos pequeninos em seus bracos envelhecidos, ou o contrário ou ,simplesmente falar baixinho:
-Vó pede pra minha mãe deixar eu ficar aqui hoje? Pede vó , pede!
E ela com aquele sorriso conivente me abraçava e dizia:
-Pode deixar, ficaremos juntas mais um dia.
E eu simplesmente ,hoje envelhecida na saudade, falo:
- A casa da vovó era tão grande! Mas o amor da vovó era bem maior.
Cavalos e palavras
A palavra é um meio. É forma. É uma ponte por onde atravessam os nossos saberes, nossas deduções, os nossos pensamentos. A palavra não é conteúdo, nem essência, nem música. Ela é um mero instrumento através do qual revelamos a voz da alma. Sem a palavra ainda existe música. É uma composição secreta, silenciosa, que soa apenas dentro de nós.
Eis o segredo da escrita: entender que a essência não se domina, mas se deixa fluir. A essência vive em nós desde a nossa primeira respiração. O que nos cabe é optar por um meio que possa revelá-la. Escolhemos que instrumentos preferimos tocar. O que se domina é o instrumento, a própria palavra, a gramática. Não o conteúdo.
Há pessoas que sonham em escrever, mas não revelam a poesia que carregam. A mudez de ações impede a essência de existir. A falta de prática, de comprometimento e de disciplina cala a voz da alma. Bloqueia a literatura no interior das mentes incessantes, transformando-as em prisões de segurança máxima.
A ideia é como um cavalo selvagem correndo solto por um gramado infinito. Ela é tão livre, tão cheia de possibilidades, que não consegue decidir por si só. Ela não sabe por onde ir. Nós existimos no plano físico para orientar a ideia. Nós conduzimos a ideia através da escrita. Damos nome ao cavalo, alimentamos, montamos nele e descobrimos o que nos espera quilômetros à frente.
A palavra é uma corda, uma sela, um balde de água potável. Só dominamos o cavalo quando sabemos do que ele precisa. Enquanto não entendermos o cavalgar da nossa própria mente não conseguiremos escrever. Porque nos prendemos facilmente à forma. Achamos que um texto bonito é mais importante que um texto que faça sentido. Mas o único texto verdadeiramente bonito é aquele que flui em sua essência, que se revela em sua forma mais pura.
O livro que você quer escrever já existe. Ele está aí dentro correndo solto, descontrolado, sem rumo certo. Se o seu desejo é escrever, é de sua responsabilidade parar para ouvi-lo, entender o que ele precisa, praticar o instrumento. Enquanto você não fizer isso, a música permanecerá muda. O cavalo permanecerá solto. E o livro permanecerá preso.
Meu tipo de gente
Eu costumava aplaudir gente famosa. Ia a teatros para ver palhaços, via entrevistas para dar risadas, contava piadas para ser notado. Mas, de repente, eu mudei o meu tipo de gente. Não vejo mais graça em palhaços do twitter, reviro os olhos pras piadas levianas e prefiro as conversas sérias, aprofundadas, principalmente sobre assuntos que eu não domino.
Meu tipo de gente é quem me ensina. Quem faz com calma. Quem estende as mãos, sem pudor, e sorri se não há nada a dizer. Meu tipo de gente não tem motivos para palhaçadas. Pois já são trapezistas, mágicos e bailarinas, no dia a dia do espetáculo da vida. E eles não têm medo dizer o que pensam. Mas respeitam que existem os que sabem mais, e que ninguém no mundo pensa igual.
Gosto de gente bem resolvida. Que escolhe por si e não depende de conselhos. Gente que repensa a própria vida, os próprios erros, acertos, vitórias e derrotas. Meu tipo de gente conhece mais a si que aos outros. Por isso impõe limite entre a privacidade e a rodinha de bar. Compartilha, se quiser. Apenas se o assunto somar.
Meu tipo de gente é de verdade. Sente, chora, dança, cai, se levanta e sonha. Tudo numa mesma medida. Pode até chorar de menos, sentir de mais, mas não se deixa carregar pela incerteza de um sonho. Mantém um pé na realidade e trabalha para conquistar o que deseja. Quando não dá certo, a minha gente sorri, pois já sabe que o mundo não está aí para embalar ninguém.
Minha gente escuta boas histórias, assiste bons programas, lê o que lhes convém. São Marinas, Vivianes, Beatrizes e Isabellas, que, no fundo, nada tem a ver comigo. São só elas. Mas quem é muito diferente e me respeita como eu sou, essa é a minha gente.
Aplausos. Vocês merecem.
21 (ou memórias limitadas)
Hoje eu completo 21 anos. Que maravilha. Vou confessar que nunca me imaginei com 21 antes. Já me imaginei com 70, aposentado, deitado numa cadeira de praia em Bahamas. E também com 30, estabelecido, quem sabe formando família e financiando um apartamento. Mas jamais pensei que chegaria aos 21. Que idade! Não sou tão jovem como quando tinha 20, nem mesmo um brotinho de adulto aprendendo a pagar contas. De repente pulei um degrau e caí no mundo real. Bum. Estou aqui. Tenho 21 anos e sou um adulto. Cem por cento consciente e responsável pela minha própria vida.
Com 17 eu olhava os de 21 e achava-os velhos demais. Pensava: “falta um cem anos até eu chegar aí”. Mas o século passou como um piscar de olhos. Olho ao redor e noto que o imaginar virou realidade. O tempo passou. A criança cresceu. Já não dá pra fingir que sou adolescente. Pela primeira vez eu percebo que cada uma das minhas idades, aniversários, velinhas sopradas e presentes abertos jamais voltarão. São só memórias limitadas (que com o correr dos anos vão se esticando, se rasgando e se perdendo no esquecimento).
Percebo que talvez eu não crie uma memória aos 22. São 365 dias que me separam do meu próximo aniversário. Nesse meio tempo eu posso ser atropelado, esquartejado, me afogar, levar uma bala perdida, ou ser vítima de um desastre natural. Até se o meu corpo falhar, o diagnóstico: “no máximo 3 meses” pode ser dito por um médico. Isso existe, não? Ou as doenças terminais afetam só os idosos? Não sejamos hipócritas.
Fazer 21 significa estar atento às mudanças do mundo. A própria idade é um alerta. É como se o calendário dissesse: “Agora perceba o quanto mudou. Nada jamais se repete” . E assim me dou conta que nenhum apego valeu a pena. Nem as aversões tiveram sentido algum. Pra quê me apeguei tanto a uma ideia, um sonho, ou um relacionamento se tudo acaba um dia? Pra quê me ceguei de ódio por aquela pessoa? Também de nada adiantou eu me frustrar demais pelas derrotas, ou estacionar nas minhas vitórias. As coisas mudaram. E a tal “estabilidade”, na realidade, nunca existiu. É um mito. Tudo nesta vida está em constante transformação.
Percebo agora que não existe um Gean criança, um Gean adulto e um Gean idoso. Somos vários tempos numa só pessoa. Sou o mesmo adolescente envergonhado por cantar em público. Sou a criança sensível que um dia observava as abelhas no jardim. A sensibilidade é a criança que já fui e ainda vive no meu interior. Reconheço outras idades em determinados medos, traumas, sensações, arrependimentos e aprendizados. O antigos eus continuam aqui. Alguns deles até estão mais presentes que outros – esses pode ser que me acompanhem até o definitivo fim.
Só me resta agora sorrir e agradecer. Que bom estar vivo. Que maravilha poder celebrar mais um ano de amizades, descobertas, tristezas, erros, lições, amores e temores. Que alegria entender que não pulamos de fases como num jogo. Mas deslizamos pelas idades feito o correr das águas de um rio. Por vezes mansa, por outras transbordando pelas margens. Enquanto houver água, que haja vida. Já se foram 21 anos da minha. Tempos que desaguaram em belos lagos cintilantes, oceanos profundos e em cachoeiras paradisíacas.
A Bola
A bola tem sido uma personagem muito importante na vida dos seres humanos, pois todo hominídeo de bom senso ou não, já se relacionou, em algum momento, com uma “amiga esférica”. Para dizer a verdade, muitos já se apaixonaram por ela. Dizem, cá entre nós, que tem jogador que dorme com a bola... Afh!!!...
▬ Bola, que bom ter te conhecido... Eu te amo.
▬ Entra na fila, você não é o único.
A dita cuja, já se tornou até parte da linguagem do dia a dia de todos nós.
“Não dê bola a ele” dizem para uma jovem que precise evitar um rapaz;
“Não pise na bola” dizem para alguém que está nos prejudicando;
“Ele tá bolado” dizem de alguém estar drogado ou fora de si;
“Ele comeu a bola” dizem de quem arrasou no jogo;
“Não dê bola fora” dizem de quem está dizendo o que não deve;
“A bola da vez” quando alguém está marcado para ser o próximo de algo;
Pensando desta forma, tomar bolinha não é um bom negócio. Imagine uma conversa dessa: “No assalto o ladrão levou uma bolada de dinheiro”.
Se tem a galinha pintadinha, também tem bola pintadinha e de variadas cores. Aliás, tem até bola autografada por jogadores campeões e que vale uma bolada de dinheiro.
Já ia me esquecendo, a Terra é uma bola... O sol é uma bola, o zero também e tem gente que rebola.
Você consegue imaginar, quantos esportes dependem da bola ou são boladependentes. Fico imaginando se 22 jogadores entrarem em campo e souberem que a bola se negou a participar do jogo... A choradeira... Jogadores e torcida chorando... Sem dúvidas, ela é mais importante do que todos os jogadores... Ela merecia o maior salário no esporte.
Existe até uma ferramenta na construção civil chamada de desemboladeira, simplesmente porque serve para eliminar as bolas da parede. Podemos lembrar também da velha brincadeira das bolinhas de sabão e das bolinhas de gude... Já ia me esquecendo do bambolê.
Espero que paremos de comer bola na vida, pois se existe uma bola da vez é aproveitar as oportunidades para aprender, sem dar bola para os convites que não nos levam a nada e bola pra frente!!!
A pressa das pessoas
As pessoas em seu dia-a-dia vivem correndo por onde passam, que nem se dão conta que estão perdendo de apreciar as belezas ao redor, mas acima disso estão perdendo de viver a vida por viver na correria!
Larguemos a correria e vamos viver!
#Pare
#Viva
#A_vida_é_uma_só
#A_vida_é_aqui_e_agora
1000 amigos, não!
1000 conhecidos!
Meus amigos do facebook, alguns apenas conhecidos tem 1000 pessoas no facebook, mas a verdade é que algumas dessas pessoas são apenas conhecidas, amigos são aqueles com quem convivemos no dia a dia, que confiamos e contamos segredos, mesmo assim não chegam a 1000, no meu facebook tenho cento e poucas pessoas adicionadas, mas a maioria são conhecidos.
Tecnologia
Nos dias de hoje é raro ver uma pessoa sem celular, se bobear até crianças pequenas em vez de brincar com brinquedos como Bárbie ou carrinhos, joga joguinhos no celular, mas esse é o mundo de hoje, mundo da tecnologia, é difícil ver alguém lendo um livro, pois só se lê em celulares atualmente, me pego imaginando como devia ser boa a vida antes da tecnologia, creio que as pessoas eram mais unidas, se reuniam e se olhavam nos olhos, hoje em dia a pessoa pode estar do nosso lado e mesmo assim se comunicam pelo celular, a tecnologia ao meu ver, virou uma infestação, para tudo que vamos fazer precisamos de tecnologia para digitar um trabalho, para fazer uma pesquisa, etc.
VIA-LÁCTEA...
Lalala, é o único pensamento racional que me vem a mente, não saber nada da vasta expansão, sobre o que as pessoas pensam, o que querem dizer com seus gestos e olhares, que na verdade não revelam muita coisa. E como eu me sinto? Sim, agonia, talvez seja isso mesmo, como se meu fraco e lamentável cerebro pedisse por informações que jamais lhe seriam concedidas. Sabe, é engraçado pensar como um filósofo, que nunca terá a resposta da sua melhor pergunta respondida, envelhece e morre, com a agonia de desprover da mesma, qual sera a solução para esse lamento? Esse sentimento de angústia que me leva a pensar ~estaria minha impulsiva e questionadora mente errada?~ será que um simples "oi", ou um "tchau" poderiam ser interpretados como uma forma de acrasia ? E o amor, ah, o doce sentimento que muitas vezes é confundido com a artificial e momentânea dependência. É vivendo para ver que a vida não é como um filme ou um desenho animado no qual "a dama fica com o vagabundo, o excluido fica com a menina da escola (ou trabalho) a sinderela fica com o príncipe encantado, e a bela fica com a fera". Para a tristeza de muitos não, não é assim.
Se eu pudesse dizer tudo o que penso nesse papel seria quase como se tirasse o peso da via-láctea de minhas costas o que provavelmente não será possível...lalala.
