Corpo
Viver nesse estado não é uma escolha estética, é a única forma de habitar um corpo que já não reconhece o sol como uma promessa.
O corpo é uma casa que, às vezes, entra em reforma sem nos consultar, trocando a fiação do ânimo por circuitos de agonia que não têm interruptor. Resta-nos habitar o cômodo que sobrou, acender uma vela de oração e esperar que a estrutura resista a mais uma noite de ventania.
O corpo é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, um terreno baldio cheio de placas de “vende-se” que ninguém se interessa em comprar. Mas eu ainda cultivo algumas flores nesse solo cansado, umas orquídeas de esperança que teimam em brotar entre as rachaduras. E mesmo quando o vento leva embora o pouco de cor que resta, há raízes silenciosas insistindo em permanecer, como se soubessem algo que eu ainda não entendi. Porque dentro desse abandono aparente, existe uma vida que não se rende, uma força quase invisível que recusa o esquecimento. Talvez ninguém veja beleza nesse cenário quebrado, mas há uma espécie de milagre discreto acontecendo aqui, uma resistência quieta, que não pede aplauso, só espaço para continuar existindo. E é nessa teimosia delicada que eu ainda me reconheço.
- Tiago Scheimann
Há uma exaustão que não vem do corpo, mas do peso de sustentar pensamentos que não descansam, como se minha mente fosse um tribunal permanente, onde eu sou, ao mesmo tempo, acusado, juiz e sentença.
A resiliência é a arte brutal de continuar mesmo quando cada parte do seu corpo implora por descanso.
O peso do corpo sobre a cama nas manhãs difíceis não é preguiça, é a gravidade da alma sentindo o peso de todas as batalhas internas que ninguém viu você lutar, mas que deixaram marcas de exaustão que nenhum sono de oito horas é capaz de apagar.
Aprenda a ouvir o que o seu corpo diz quando a sua boca silencia, pois as dores nas costas e o aperto no peito são os gritos de uma alma que se cansou de carregar verdades que não lhe pertencem e pesos que foram colocados ali por mãos alheias e cruéis.
O peso do corpo sobre a cadeira, o calor da xícara entre as mãos, o ritmo da respiração... a felicidade não é um evento grandioso, mas a soma desses pequenos momentos de presença absoluta onde o passado e o futuro deixam de nos assombrar por alguns minutos.
Há um cansaço que não mora no corpo, mas na alma. É o peso de existir sem interrupção, de sentir demais em um mundo que exige dureza, e ainda assim continuar respirando como quem tenta bastar.
Às vezes, o que me sustenta não é esperança. É o hábito de continuar. É o corpo seguindo mesmo quando a alma hesita. É a persistência automática de quem caiu tantas vezes que aprendeu a levantar antes mesmo de acreditar.
O corpo pede estímulo, não medo
Ele cresce quando é desafiado
Não é máquina que se quebra no uso
É anti frágil, nasce reforçado
O teu coração tem sabor a mar, a tua alma tem o perfume da floresta e o teu corpo é poesia naufragada no meu corpo.
Setembro-me
inteiro dentro
do teu corpo,
quero sentir
todo o teu verão,
vagarosamente
a evaporar-se
no meu corpo.
Suor da Lua
O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.
Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.
O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.
O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.
No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.
