Corpo
Tudo neste mundo nos foi emprestado, a família que temos as roupas, a casa, o carro e até o corpo, em breve partiremos e tudo, digo tudo ficará por aqui para outros usarem.
Se você crer em Deus sabe que não mais pertence a este mundo, mas que sua alma habita em um corpo. Equivalente a um vaso com água. A depender de nossas atitudes, transborda águas salgadas ou doces.
“Há leis que libertam o corpo, leis que protegem a consciência e leis que apenas trocam uma prisão visível por outra.”
A lei pode prender o corpo, mas somente a consciência pode libertar o homem daquilo que o levou a delinquir.
O corpo pode ser fotografado, a preferência pode ser medida e o comportamento pode ser previsto; nada disso transforma a pessoa em propriedade de quem a observa.
O poder do tirano termina quando seu corpo desaparece; o poder daquele que morre por uma convicção pode começar justamente quando já não possui corpo para defendê-la.
Nenhuma conquista deveria exigir como pagamento a destruição do corpo, porque o indivíduo que sacrifica a própria saúde para possuir uma vida melhor pode descobrir, tarde demais, que perdeu justamente o instrumento pelo qual poderia vivê-la.
O corpo é a primeira fronteira da consciência e talvez sua mais incômoda verdade: antes de sermos ideias, projetos ou biografias, somos matéria vulnerável atravessando o tempo.
O corpo não é uma prisão habitada pela consciência; é a linguagem silenciosa pela qual a consciência encontra o mundo.
Não carregamos simplesmente um corpo: somos, em grande medida, a maneira como esse corpo habita o espaço, o tempo e os outros.
O corpo não é um objeto entre objetos; é a condição silenciosa para que qualquer objeto possa aparecer diante de nós.
A liberdade nunca nasce no vazio: escolhemos sempre dentro de uma história, de um corpo, de uma época e de circunstâncias que não fomos nós que inventamos.
O corpo é nossa primeira pátria e talvez a única da qual jamais conseguimos verdadeiramente emigrar.
A medicina muitas vezes cura o corpo enquanto oferece à esperança o tempo necessário para que a própria natureza faça seu trabalho.
A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.
A soberania não pertence àquele que governa; pertence ao corpo político cuja vontade dá origem à própria autoridade do governo.
