Conto Amor de Clarice Lispector
Enquanto a tua alma, indecisa, vagava pelo tempo atrás de caminhos incertos, eu só pensava andar por um caminho já feito, em pensamento, contigo de mãos dadas. Como um sonho passageiro, daqueles que nascem de manhã e morre a tarde, você não percebeu que a noite chegava e a escuridão tapou seus olhos, não deixando que você visse além. Você via apenas vultos de si mesma, vagando na neblina da memória sofrida, atormentada pelo medo, e alguns poucos raios de luz, trazidos por um coração de viajante até venceu a frieza das trevas, mas não aqueceu nem despertou o coração que se acostumou a tatear no desconhecido confiando apenas na própria intuição.
Apenas quando sofro, quando amo, quando rio, quando choro, quando me entristeço, quando me alegro, quando perco, quando ganho, quando conheço, quando desconheço, quando contemplo a vida, quando penso no que vem além dela, quando acerto, quando erro, quando aprendo, quando ensino... apenas nesses momentos é que me torno poeta.
Talvez o que esteja acontecendo, seja o fato do meu negligenciamento com os meus princípios cristão. O investimento em um julgo desigual é a prova viva da construção de um projeto sobre as areias de um deserto árido. Na verdade, são duas pessoas com os mesmos propósitos, mas esses propósitos só se tornam realidade, de fato, se os dois tiverem o mesmo intuito: buscar a Deus, o Criador. De nada adianta ou adiantaria, se apenas um buscar a presença de Deus, enquanto o julgo desigual não faz isso. E a mão de Deus pesa, e Ele é justo. Como Deus é misericordioso, Ele nos dá o escape, nos dá o livramento certo no momento certo.
A essência do cristianismo é a seguinte: Deus é invisível, mas Ele tornou-se visível numa Pessoa. Mas você está no século XXI. Onde está essa pessoa aqui? Essa Pessoa não está andando ao teu lado como já esteve andando ao lado de outras pessoas milênios atrás. Então essa Pessoa deve ter providenciado meios que prolongassem a Sua Encarnação no decorrer dos séculos. Para isso, a ideia presente no cristianismo desde o seu início é 'Eu sou a videira, vós os ramos'. Com isso Cristo quis dizer que os santos recebem a vida divina que Nele existe essencialmente. O que o tronco e os ramos têm em comum? Justamente a seiva vital que irradia do tronco para os ramos. A vida interna dos ramos é exatamente a mesma vida interna do tronco. Entre os ramos e o tronco existe, por um lado, uma descontinuidade exterior: tronco não é ramo e ramo não é tronco. Mas, por outro lado, e numa dimensão interior, os ramos e o tronco são a mesma coisa. Na dimensão vital e essencial eles têm a mesma vida. Desde o começo, os grandes teólogos e místicos já diziam que essa vida é a própria vida divina que em si mesma é invisível, mas tornou-se visível através das ações e pensamentos do Cristo. Então, quando você reproduz um ícone de um santo, ou venera alguma relíquia de um santo ou o próprio santo, você está buscando com isso a seiva espiritual que vai do tronco para os ramos.
Que o sentimento seja sincero enquanto durar. Se não o for, peço por gentileza que nunca exista. É preferível viver por suas escolhas, do que numa escravidão e escuridão de um falso amor. No entanto, se a pureza e a sinceridade transparecerem, o que provavelmente será comprovado após anos e perdurará para a vida toda, eu desejarei a você boas-vindas ao amor. Conhecerás a ternura desse sentimento, desconhecido por muitos
Por muito tempo andara em uma estrada conhecida, por vezes, esbarrava em algumas paisagens lindas. Entre idas e vindas, passeios e estadias, pensamentos e devaneios, me veio uma lembrança muito gostosa de sentir. Foi um momento nostálgico. Uma retrospectiva de um quinquênio passou em minha cabeça numa fração de segundos. Foi intenso, foi estarrecedor. Me pego pensando nesta nostalgia que me fez viajar em preciosas lembranças. Penso na dor que os nós causam quando não podemos expressar o sentimento vivido; talvez esse seja o real significado de viver um momento nostálgico, um retrato guardado no porão da memória: olhar pros nós da algia que você sente. De imaginar O nós que se foi um dia e, que, por um momento, virou uma dor sem medida. A nostalgia de hoje me fez lembrar de nós, dos nós, e de como esse nós foi feito e, consequentemente, como foi desfeito. A lembrança de hoje me fez lembrar dos nós, de nós, e de como doeu em mim quando o nó se desfez. O nó da algia que sinto hoje me traz O nós que vivi outrora. Nunca tinha parado para contemplar a paisagem da estrada que sempre passei, nela tinha uma estação; ali, passavam-se trens com várias locomotivas. O nós começou ali quando a porta se abriu, quando o coração se abriu. E não poderia ser diferente... no final da estação a porta se abriu, descemos, um nó se formou, a porta se fechou. Ficou a lembrança. Ficou a dor prazerosa de sentir a mesma sensação de quando O nós aconteceu. Ficou a dor do nó. Depois de tanto sentir, talvez tenha encontrado o verdadeiro significado da nostalgia: reviver a dor do nó que não consegui desatar e nem mesmo expressar.
Talvez eu precisasse escrever, talvez não. A difícil façanha de descrever o nada, o tudo, o eu. Navegando neste emaranhado de palavras advindas de um lugar que não se pode ver, mas se pode sentir. Tornar o abstrato em algo concreto é uma tarefa que requer muita habilidade, diria que um pouco de maestria. A difícil arte do viver, do que é viver, de dar vida àquilo que apenas habita em seus pensamentos, em seus sentimentos. Outrora, tenho pensado sobre o que seria esse abstrato que tanto almejo tornar concreto. Não sei! Talvez não tenho uma resposta concreta para dizer. Não consigo nomear. E o fato de não conseguir nomear tal grandeza de sensações, de sentimentos, de vazios, de vácuos, de confusões... me faz uma pessoa capaz de ver a vida com os olhos que abarcam a utopia do que é viver. Mas, ainda não compreendo muito bem sobre a arte da vida, sou muito jovem ainda para ter essa tal de maturidade a ponto de compreendê-la! Talvez a maturidade nunca chegue. E se chegar, um sábio me tornarei, talvez já sou, mas não ouso arriscar em falar sobre essa sabedoria que jaz, creio que é uma responsabilidade a mais para se carregar e, eu não quero. Andei pensando, corri pensando, nadei pensando, viajei pensando, naveguei pensando... mergulhei! Mergulhei de cabeça! Fui à procura do tão utópico e sonhado abstrato; nessa parte, leia-se com expressão de estupefação, um neologismo, até! Será se viver não seria um neologismo a cada instante? A façanha caminhada à deriva no mundo do abstrato, à procura das tão temidas sensações que compõem os vácuos da vida, as lacunas impreenchíveis e, que, possivelmente, nunca serão! É preciso que o vácuo exista e se faça presente, para, só assim, você se reinventar e preenchê-lo sempre que desejar e da forma que achar plausível para sua breve existência de vivências e experiências. Nesta parte, é difícil falar do abstrato, pois o mesmo soa como algo indizível, e ressoa em você como algo intocável, pois as vivências são únicas e abstratas, ao seu modo. Aqui, cabe a mim dizer que o abstrato tem forma, tem vida, tem nome e sobrenome e, apesar de ter nome, não consigo nomeá-lo, por mais que eu queira. Será se esse nome não seria a junção de tudo aquilo que compõe o vazio? Aqui, você pode ler em tom de espanto com um misto de dúvida. Te dou a autorização para navegar no abstrato que paira em você. Continuo te autorizando a refletir sobre o quão imenso e vazio são os abstratos que te compõem. Ledo engano! Cá entre nós, da minha parte, você não precisa de autorização nenhuma. A única pessoa que, realmente, precisa te autorizar, é você mesma. Comecei escrevendo dizendo que precisava escrever. Escrevi, escrevi, escrevi... no final, ainda não consegui nomear o abstrato que habita em mim e que reflete em você. Talvez eu nunca conseguirei fazer tal descrição. Acho que a maior façanha é essa: tentar viver aquilo que não se pode prever.
A acomodação e o relativismo é o medo de sair daquilo que pra mim é seguro, mas ao mesmo tempo é o valor da traição. Olhamos de longe Jesus sendo morto e não fazemos nada, com medo de sermos nós também julgados, e justificados assim, vivemos na escuridão, e como se essa situação já não fosse ruim, muitas vezes nós mesmos é que somos os acusadores de Cristo.
Quando ficamos com várias pessoas na busca pelo prazer ou pela conquista para engrandecer o ego acabamos nos tornando pessoas frias, sem afeto, o que leva a desconsiderarmos cada vez mais o outro, perdendo nossa identidade, formando uma pessoa cheia de espinhos, sem confiança e rasa, pois mergulhamos em um mundo de pessoas sem afeto e tomamos para si tudo que é de ruim de todos os lados, não enxergando mais o amor, como uma rosa que se cerca de seus próprios espinhos até se sufocar ferindo-se toda não podendo sair nem deixando que ninguém com amor se aproxime, morrendo na própria desilusão criada.
Há pessoas que foram criadas sempre com muitos presentes e demonstrações claras de afeto e isso é bom, porém podem começar a acreditar que para alguém valer a pena ou estar amando ela precisa necessariamente enchê-la de presentes, o que é algo errôneo e inclusive muito maldosamente utilizado por pessoas de má índole que compram a outra ou mesmo usam isso para tapar seus erros e ausências. É preciso saber diferenciar e saber que o amor se manifesta não só com um ato aprendido de dar presentes, que o outro pode não ter vivenciado e aprendido, sem que esse presentear se torne condição necessária pra que o amor exista.
Uma coisa que não pode, em hipótese alguma, é perder a esperança, a vida sempre sorri para nós, as vezes demora porque ela quer nos mostrar que temos que valorizar os pequenos gestos, então quando ela sorrir, abrace-a com todo amor, não deixe passar pequenos atos, vai que seja a cena que define o teatro de sua vida, já pensou perder uma das melhores peças por descuido?
Chegar aos portais da vida é alçar a eternidade infinita aonde a contemplação e a energia formam a origem e o destino. A existência é a ocupação do espaço, a vida é a percepção do valor do imaterial. Ali na existência há resistência ao mundo, aqui na vida o fluxo é contínuo e harmônico. Ali na existência existem adversários, aqui existem irmãos. Ali na existência há competição e egoísmo, aqui na vida existe altruísmo e generosidade. Ali na existência há previsibilidade, aqui na vida existe lugar para o imprevisível e o inesperado. Ali o destino se impõe, aqui se faz escolhas em acordo com o propósito. Ali na existência sempre existe uma voz passiva, aqui na vida há protagonismo. Ali tem preço, aqui tem valor. Ali tem acumulação, aqui tem prosperidade. Ali tem ódio, aqui na vida tem paz. Ali tem mágoa, aqui na vida tem perdão. Ali na existência tem ingratidão e falta permanente, aqui na vida tem gratidão a um plano maior mesmo diante dos pequenos detalhes da natureza.
Todo fracasso está fundamentado em um ou mais álibis! Enquanto a responsabilidade pelo próprio destino não chega, nada mudará! Neste estado estas pessoas costumam não dar crédito as nossas vitórias, porque não possuem coragem para mudar. Nunca se permita andar ao lado de quem despreza as suas conquistas, a vida exige de nós coragem! Quando eu me amo, eu me respeito, me valorizo e ando com quem pode me amar!
Me recuso aceitar o até que a morte nos separe, não, não vou aceitar que morreu já era, vivemos em um Mundo com mais de 8 bilhões de pessoas e eu amo meia dúzia, o Universo é infinito e eu vivo até os oitenta, não admito que a força do meu amor simplesmente vire pó comigo e com os meus amores, preciso viver a eternidade com minha mãe sendo minha mãe, meu pai sendo meu pai, minha esposa sendo minha esposa e meu filho sendo meu filho. Deus é nosso verbo vivo do amor, ele nos ensinou sobre amar, é um mandamento, não é possível que seja apenas um sussurro de uma vida mundana, Me recuso com indignação, redundância e pleonasmo.
Eu preciso, eu quero. Quero deitar-me, silenciar-me e talvez até gritar! Tenho medo, sim eu tenho medo. Vem, estou te esperando há dias; vou me levantar, erguer a cabeça e sair a sua procura. Espere-me, me escute, olhe-me com outro olhar, já posso sentir a ternura mais terna em seu olhar. Olhaste diferente desde o dia em que eu toquei-a com as minhas singelas palavras. Talvez não foram as minhas palavras que fizeram você ficar atraída por mim e sim o eco que grita em nossos corações desde vidas passadas e quem sabe essa não é a hora de fazer tudo valer a pena? Essa pergunta não pode ficar sem respostas, é claro que o destino vai se encarregar de respondê-la.
Só em saber que tu serás o meu opióide, a minha morfina tão desejada; a dor irá se dissipar junto com você para lugares inimagináveis se bifurcando do mero devaneio para um passeio sem volta. Se lançando ao infinito tão esperado, desejado... Vamos gritar soltar berros bem baixinhos como se fosse um sussurro no coração um do outro, vamos chegar ao ápice, ah! esqueci, não existe ápice para isso, o horizonte é o que me sustenta. Olho para o horizonte e vejo que estás longe, ergo a cabeça vejo além do meu olhar e te toco, sinto o teu cheiro, ouço a tua voz sussurrando em meu ouvido como se fosse uma brisa da aurora. Quando desperto desse sonho ao raiar do sol percebo que estou ao seu lado e que estive ao seu lado o tempo todo.
Não perca sua essência para caber nos sonhos de outra pessoa. Não se anule para agradar alguem que não seja você mesmo. As vezes vamos aceitando, cedendo, relevando e no final o único prejudicado será você mesmo! O primeiro e maior amor é o próprio: pratique! Se não está bem com você busque algo que goste muito e trabalhe para este sentimento aumentar.
Luz e escuridão. O bem e o mal. Otimismo e pessimismo. Paz e guerra. Amor e ódio. Fartura e miséria. Anjos e demônios. Progresso e estagnação. Verdades e mentiras. Ética e canalhice. Moral e imoral. A dualidade permeia a humanidade, que se agita diante do incerto futuro. O cristianismo se desenvolveu na tradição dualística de Israel. Incorporou a cultura greco-romana, que também era dualista e influenciou outras culturas e religiões. O islamismo não foi diferente. A meditação é um dos caminhos para se ir além do dualismo. Quando a mente cessa, podemos superar resquícios da memória atávica e descobrir um princípio unificador que nos leva a compreensão do todo, da unidade e diversidade cósmica. (D. Juan de Marco - filósofo espanhol Sec. XVIII incorporado por J. Jardim - Sacy Pererê).
É impossível atravessar as alamedas do coração, sem que uma amizade cause decepção e sem que um amor nos abandone... Se, depois da dor, pensarmos que não há nada melhor por vir, nenhum outro momento de felicidade virá mesmo... O problema não está nos fatos ruins, e, sim, na maneira como reagimos a eles.(Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Alamedas do Coração"
“Pessoas e coisas confundem-se constantemente por aqueles que, na ausência de amor em sua essência e não havendo desenvolvido a habilidade de pensar e refletir, não entendem o propósito real da criação, tão pouco sua existência. Por cometerem tal blasfêmia, a sociedade caminha para uma forma de vida completamente irracional ao passo que essa qualidade de gente não consegue entender que as pessoas são mais importantes do que as coisas. Compreenda-se por coisas tudo aquilo que não é uma “pessoa”. Ame o Senhor nosso Deus acima de todas as “coisas” e o seu próximo como a ti mesmo.”
