Contexto da Poesia Tecendo a Manha
Eu me apaixonei por ela no verão, minha linda garota de verão
De verão ela é feita, minha linda garota de verão
Eu quero muito passar um inverno com a minha linda garota de verão
Mas nunca me aqueço o bastante para a minha linda garota de verão
É verão quando ela sorri, fico rindo como criança
É verão nas nossas vidas; vamos fazê-lo durar
Ela guarda o calor, a brisa do verão no círculo da sua mão
Ficarei feliz com este verão se for só o que tivermos
COÇA POEMAS
A poetisa coça rumos
coça a cabeça e piolho
coça, poemas da vida
poesias e desaforo.
Tilinta a chave do mundo
com suas frases projetadas
abrindo, fechaduras de tudo
como se não fosse nada.
Poetisa coçadeira
já coçou também o amor
e n'uma carta derradeira
se coçou com chororôs.
Um dia coçou a lua
para sorrir para o sol
e a lua caiu na rua
por cima do seu lençol.
Coça, coça poetisa
coça enquanto a vida coça
não esqueça de coçar
aquilo que tanto coça.
Antonio Montes
NUNCA VIU ?
Quem foi que nunca viu um zaroio!
quem não teve piolho
ou nunca comeu um molho?
Piolho eu tive
zaroio eu vi de lado
e o molho, eu comi, disfarçado.
Eu vi o bem-te-vi que te viu
no trilho em que o vento sumiu
antes mesmo de partir.
Eu tive um molho de chaves, vivas
um olho molhando a ferida
antes da chuva cair.
Eu vi a saudade partida
sem tropicar sem dividir
laqueando o amor da vida
sob o tempo da despedida
sem direito de sair.
Antonio Montes
EXALTAÇÃO AO CERRADO (soneto)
Retorcido, bem se sabe. Mas encantador
nos seus planaltos, berço extraordinário
desabrocham ipês, pequis no seu cenário
de um chão cascalhado e forrado de flor
E neste imenso entrançado, e tão vário
a vida luta com garra, resistência e ardor
tal como gladiador, ou um guará solitário
o cerrado é aos olhos ato transformador
Nada o impede que seja do belo apogeu
se o belo no encanto o encanto acendeu
e fascina, do dessemelhante embaixador
Deus o pôs, de um nobre a um plebeu
riscando o horizonte com a luz e breu
em uma quimera de paixão e de amor!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
FULGOR DA VIDA
Na madrugada escura,
de uma rua estreita...
Explode um pau-de-fogo
... E um grito, projeta-se, sobre...
O beco macabro, de um momento fúnebre,
marcando o ultimo tíc, tác de um peito
dilacerado.
Uma bala e duas lagrimas rolam...
E sobre o leito de uma dor finda,
o arrependimento tomba apagando
o ultimo fulgor, de uma triste vida.
Nesse ínterim...
Como se fosse lençol de uma branca
mortalha... Brada o silencio sufocado
sob, o ultimo sopro da estupidez...
E os olhos, se enchem de nevoa branca,
impregnado de frio e de tremor, de uma
alma, que nunca foi aquecida,
pelo fulgor da doce vida.
Antonio Montes
TIC, TÁC, DO AMOR
Na ampulheta do amor
tic, tác, tic, tác
tic, tác vou subindo
pelo tempo...
tic, tác tic, tô,
o tempo passa
e eu vou...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác, tic tô....
No tic, tác, tic, tác
tic, tác vou descendo...
Não me peça por favor!
Se eu vou no tic, tác...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác estou vivendo
tic, tác, tic tác...
Tic, tác para o amor.
Antonio Montes
Uma vida…
(Nilo Ribeiro)
Uma vida maravilhosa,
uma vida de prazer,
admirar uma rosa,
apreciar o entardecer
uma vida de primor,
uma vida feliz,
aprender como professor,
ensinar como aprendiz
uma vida divina,
uma vida de comunhão,
bater papo na esquina,
me entregar em oração
uma vida encantada,
uma vida transformadora,
quem me mostrou foi minha amada,
minha mestra e professora
uma vida de alegria,
que eu não dava valor,
hoje vivo em poesia,
pois me mostrou o amor
o amor modifica,
hoje sou alguém,
a paz se solidifica,
eu te agradeço, amém…
Teu beijo…
(Nilo Ribeiro)
Muitos beijos eu gastei,
que serviram de experiência,
mas foi no dia que te beijei,
que do amor senti a essência
todo beijo trocado,
só me fez aprender,
mas só depois de ter te beijado,
que eu descobri o prazer
a mudança foi percebida,
quando te beijei sem pudor,
foi o beijo da minha vida,
um verdadeiro beijo de amor
o mais significante beijo,
um ato de simbologia,
supriu todo meu desejo,
se transformou em poesia
ela passei a escrever,
ela é para te confessar,
que não quero te perder,
sem um dia te beijar
um beijo sem medo,
um beijo sem segredo,
um beijo transformador,
um beijo cheio de amor
o teu beijo eu clamo,
na poesia eu esclareço,
ALMA eu te amo,
do teu amor eu padeço…
BAY, BAY ARCO-ÍRES
Há centenas de dias, não garoa
a felicidade deu... Bay, bay ao querer,
não chove, e a densa cerração...
deixou de nos envolver,
partículas do ar, secaram e as nuvens
d'água... E essas, não cruzam mais céu,
nem as minas, das ires de você.
Dos rios o que sobrou, foi margens....
... Margens secas... Até as lagrimas dos olhos,
deixaram de existir.
Outro dia eu vi uma mãe, tentando chorar,
só para com as lagrimas do choro seu...
Sanar, a desidratação do seu filho.
A tempo, eu ouço que, a umidade do ar
se acabou, e tudo que nos restou foi seca,
eu vejo a poeira cobrindo as paredes das
casas e dos edifícios, vejo corpos secos,
cambaleando sob a sequidão do mundo
Vejo as crenças pegando racha,
disputando o pódio para galgar o paraíso.
O sol deixou de ser alvo...
Agora, ele se apresenta por de traz
de camadas: Vezes cinzas, vezes vermelhas,
nunca mais presenciamos a sua felicidade
através da sua alvura, o amanhecer perdeu-se
em meio a desilusão, e o entardecer, é apenas
um ponto demarcando a indecisão da
nossa esperança. O vento que um dia...
Abríamos as nossas narinas para que ele
nos soprasse vida, hoje usamos mascaras
para que ele não nos traga a morte.
O arco-íres desagregou do seu amor...
Nunca mais subiu aos céus para
demonstrar a sua cor,
a flora perdeu a sua vitalidade,
e as arvores sem seu verde,
deixaram de dar frutos e flores...
Para alimentar, o verdadeiro amor.
Hoje... Quantos sonhos para o futuro!
sendo que o futuro, outrora...
Fazia parte de uma pintura, que um
dia reinou no passado.
Todavia, tentamos fazer de tudo
para irmos morar no paraíso; fixo nas alturas
nunca paramos para observar que somos
os maiores parasitas planetário...
Nem nunca, demos o menor valor, muito
menos conta que vivíamos no próprio paraíso
terrestre.
Hoje pagamos pela estupidez da ganância
essa ambição insaciável, na qual...
Cobiçamos mais e mais, cada vez mais!
Agora tudo que podemos fazer é, olhar
e ver.
É uma pena que não podemos, retroceder.
Antonio Montes
( suficientemente incompleto)
Não suponho que estou pronto. Pois, o mundo e as pessoas mudam. O que serve hoje não servirá amanhã. Acredito na metamorfose ambulante que é o ser humano, conforme Raul Seixas destacou.
Aprendemos a viver de acordo com as tecnologias e de acordo com os sentimentos que são desenvolvidos dia a dia. Não há conhecimento que perdure e nem sabedoria que seja sábia para sempre.
Por isso sou incompleto na minha plenitude da consciência de que observo coisas mutáveis de acordo com o bel-prazer da insuficiência de conhecimento humano. Ou seja, mudo de acordo com o sistema. Por isso, sou suficientemente capaz de absolver o vazio do mundo.
A vida é complexa
Temos medo de perder
Temos medo de conhecer
A vida não é brincadeira
Querer não é poder
Nem sempre ganhamos
Nem sempre entendemos
É melhor perder hoje
Assim amanhã não sofremos
A felicidade é uma via de mão dupla
No mesmo sentido não andamos
É melhor descer
Espairar para vida entender
A vida é feita de "às vezes"
Às vezes amamos
Às vezes amados somos
Às vezes felizes estamos
Mãe
Símbolo de amor
De cuidado maravilhoso
Onde pensa-se primeiro na cria
De modo muito zeloso
Tudo fica em segundo plano
Bens materiais
Vive para os filhos
Não o abandona por nada mais
É possível viver
É possível colher
O amor em primeiro lugar
E até se sacrificar
Àquelas que sabem ou não amar
Feliz dia das mães
Receba carinho e amor
Em tudo que aos filhos depositou
SILÊNCIO DAS MADRUGADAS (soneto)
Ainda muita expressão não me avieste
As achatei nas lástimas e tão guardadas
Ações que pelo vento foram dispersadas
E na imensidão do cerrado se fez agreste
Tenho em mim sílabas em vão esperadas
Se devaneio é porque o sonho me veste
E frases trêmulas vão pelo espaço celeste
Enredando o destino com outras paradas
Foi quando o fado me fez centro oeste
Na busca das tão molestadas bofetadas
Das chagas, que a dor ornou com cipreste
Assim, eu, ainda tenho palavras caladas
Nas angústias do coração... tão cafajeste!
Que insistem no silêncio das madrugadas
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
AMOR ROBÔ
Trocou o meu amor, por um robô...
Só porque ele canta, e te encanta!
Limpa a casa
lava louças e roupas
faz teu almoço, café
e prepara a sua janta?
Ouça-me...
Me ouça!
Ele tem calor sentimental?
Ele pode sorrir e chorar?
As vezes ele briga e se irrita
lhe dar adeus e vai embora?!
Ele, lhe tem amor...
Ele te ama como eu?
Ouça-me: Eu não sou maquina!
Tenho dores, tenho vontades...
Observo o sol a lua e a chuva
tenho opinião, ouço e choro
sinto alegria de viver,
não sou um ser obediente...
movido por teclado de comando.
Eu tenho vida e estou vivo
posso partir, mas se eu morrer...
eu morrerei te amando
Antonio Montes
ULTIMO MOMENTO
Uma sala grande,
um caixão sobre a mesa...
Rostos, esboçavam tristezas
rostos, choravam saudades,
e rostos banhavam-se, sob lagrimas.
E as falas...
Umas falas, falavam faladas
outras falas, falavam caladas,
enquanto isso, n'aquele mundo ali...
o único mundo aonde parecia
parar de existir... Envolta do morto
a sensação era de aborto.
Bocas, rezavam para o morto
bocas, rezavam para a alma
enquanto outras bocas,
cochichavam sobre...
O futuro degradante dos ossos.
Antonio Montes
ENTREGA NA PRAIA
Sob o mar, ninguém morre p'ra feder
p'ra ser enterrado
para se ter cruz, ou usar luto
para se ter marcha funerária...
Rezas orações para o defunto
pára andar de cabeça baixa
por cima, ou por baixo de viaduto.
No mar, não tem cemitério...
Não tem cova não tem tumulo
travessa, semáforo, beco arruelas
estradas, caminhos... Fim de mundo,
mãos abanando adeus,
lagrimas de choro por ela.
Sob o mar... Tem vida tem perola
tesouro, historias perdidas,
sem moveis pergaminhos, luz arandela
... Roupas, ou pano de cambraia,
a vida se move por água
e a morte morre na praia.
Sob o mar, não tem triste nem tristeza
não tem rostos chorosos nem alegres
Não tem lagrimas
Não acende velas
não tem trégua nem telas.
Lá no mar...
Ninguém chora para os mortos
ninguém paga pelo que vive
Não tem cachaça nem bêbado
desavença nem segredo
sob o mar, nada e navega
a vida sob o mar...
É, uma verdadeira entrega.
Antonio Montes
VAMOS P'RA ROÇA
Tá na hora... Tá na hora...
Tá na hora de acordar,
acorda menino!
vamos acordar...
Acorda que está na hora,
na hora de trabalhar.
Passarinho que não deve
já voa pelos os orvalhos
está cordado faz tempo,
o leite já esta no coalho,
o café esta pronto na mesa...
sob a caneca esmaltada
acorda menino acorda
vamos com a madruga.
Antes vá até a cacimba
e traga água na moringa
p'ra bebermos cm o sol
e amenizar a fadiga.
Depois...
Vamos pegar as enxadas
e subir morro arriba...
Menino, vamos p'ra roça
escrever sem caneta ou giz
roçar, carpir e rastelar
e plantar para ser feliz.
Acorda menino acorda!
Sinta o gosto do crescer
acorda para trabalhar...
Até o dia de morrer.
Antonio Montes
GUARDA-CHUVAS
guarda-chuvas todos na chuva
apanhando as gotas d'águas
para não cair, todos nas ruas!
P'ra não fazer, represa e poças
para que as pedras que possam
façam suas piabas na lua.
Guarda-chuvas todos na chuva
livrando os bordados das pumas
junto as suas falcatruas....
Fazendo fitas na garoa
enfeitando o seu designer
no pôster, de gente boa.
Eu guardei a chuva perene
em uma caixinha de presente
para molhar meus sentimentos
e assim, ficar contente.
Antonio Montes
SURFE DE SENTIMENTO
Seu moço... E esse frio!
Que esta assim como gelo
treme o queixo e o pescoço
... Navalha cortando osso
em padecer com o medo.
Ah seu moço, eu preferia...
Aquele velho calor,
que com ele...
Eu se atirava nas águas!
Nadava que nem piaba
surfaria, pelas areias da praia
e esqueceria, aquela dor.
Antonio Montes
Fiapos de Memórias
Se fui pobre não me lembro! Mas lembro de que já cai de caminhão de mudanças.
E isso é coisa de pobre. Ricos contratam empresas, delegam tarefas, colocam
os filhos confortavelmente em seus carros, enquanto funcionários embalam taças
de cristais, xícaras de porcelanas e telas de pintores renomados.
E nós? Como era engraçado. Na véspera arrumávamos caixas de papelão e muitos jornais, embalávamos os copos de vidros as xícaras de louças e portas retratos
com fotos da família. Enquanto todos estavam ocupados, furtivamente fui ao portão do vizinho, despedir-me do menino da lambreta, prometendo-lhe escrever.
Eufóricos com o prenúncio da aventura íamos dormir.
Com a claridade que precede o nascer do sol, meu pai nos acordava, tomávamos café preto com bolinhos de fubá. Lá íamos nós! Minha mãe se ajeitava na cabine
com os três filhos menores, junto ao motorista, e meu pai na carroceria com outros seis filhos incluindo eu. Partíamos rumo ao destino desconhecido.
A mesa da cozinha mais parecia uma espécie de barraca, o colchão em baixo amortecia os solavancos, com a lona por cima e o resto das tralhas espalhadas por todos os lados, uma pequena abertura na lona, nos servia de janela, que era disputada por todos.
Exceto por uma irmã, que com mania de grandeza, não fazia questão de ficar na janela improvisada, morria de vergonha que alguém a visse.
Mas eu me divertia! Acenava a todos, e foi assim que eu cai do caminhão. Foi um susto danado, achei que ia ficar para trás. A gritaria foi geral dentro do caminhão, mas foi alguém da calçada, quem conseguiu alertar o motorista. Reboliço total,joelhos e cotovelos ralados, broncas, risos e beijos. Para compensar tudo isso, uma
parada na beira da estrada, para um sortido, “prato feito”.
A irmã com mania de grandeza fingia que a aquela família não era a dela...
Seguíamos a nossa viagem, que hoje sei que era para um lugar no litoral do Paraná,onde meu pai dizia: O mar de lá tem muitos peixes e nada vai nos faltar.
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