Coleção pessoal de northon_salomao
Antes de perguntar se uma norma é justa, é necessário perguntar o que significa chamar alguma coisa de justiça.
Há contradições que não precisam ser eliminadas; precisam ser compreendidas como partes constitutivas da realidade.
O Direito que ignora a mudança transforma a norma em monumento e o monumento, cedo ou tarde, em ruína.
A estabilidade absoluta é uma ficção produzida pela incapacidade humana de perceber o movimento contínuo das coisas.
O conflito não é necessariamente a negação da ordem; muitas vezes é a força que revela sua verdadeira estrutura.
Nenhuma lei permanece inteiramente idêntica ao mundo que pretende regular, porque o próprio mundo já se tornou outro.
A verdadeira harmonia não elimina diferenças; estabelece entre elas uma relação que impede a diferença de converter-se em guerra.
O excesso destrói aquilo que a ausência também não poderia sustentar; a medida é frequentemente a forma mais elevada da prudência.
A história das instituições é também a história das forças invisíveis que determinaram aquilo que elas se tornaram.
A sociedade transforma-se silenciosamente antes que suas leis reconheçam que já não descrevem o mundo que pretendem ordenar.
Toda realidade política possui uma atmosfera moral: quando ela se deteriora, até instituições formalmente legítimas começam a respirar corrupção.
O tempo é o tribunal perante o qual até as estruturas que se julgavam eternas acabam apresentando suas contradições.
Nenhuma instituição permanece legítima quando transforma sua própria permanência em fundamento de sua legitimidade.
A justiça não consiste apenas em distribuir direitos, mas em reconhecer os limites que impedem um elemento de converter-se em medida de todos os demais.
O poder que se julga absoluto desconhece que também está submetido à estrutura que pretende dominar.
