Coleção pessoal de northon_salomao
Há homens que temem a solidão porque jamais descobriram que a própria consciência pode ser uma companhia intelectualmente inesgotável.
A solitude não é o vazio entre dois relacionamentos; pode ser o espaço em que o indivíduo finalmente escuta a própria voz sem a interferência das expectativas alheias.
Aquele que precisa ser escolhido para sentir-se valioso já entregou ao acaso o governo de sua própria dignidade.
Quem conhece seus próprios limites negocia melhor porque não precisa aceitar qualquer preço para evitar a perda.
A verdadeira confiança não exige demonstração permanente; ela permanece de pé mesmo quando ninguém está olhando.
O homem que trabalha obsessivamente para parecer superior continua dependente daqueles diante de quem precisa parecer superior.
A realidade afetiva é menos democrática do que gostaríamos: ninguém é obrigado a desejar aquilo que consideramos desejável.
Quem transforma toda rejeição em ofensa demonstra que ainda acredita possuir direito sobre aquilo que nunca lhe pertenceu.
A rejeição raramente é uma sentença sobre o valor absoluto de alguém; frequentemente é apenas incompatibilidade entre dois sistemas de desejo.
O desejo não funciona como tribunal moral: alguém pode ser excelente e ainda assim não ser desejado.
Status é uma linguagem social silenciosa: antes que alguém conheça profundamente nossa história, o mundo frequentemente interpreta os sinais exteriores dela.
O homem que precisa convencer alguém de seu valor já começou a negociação em posição de dependência.
A atração pode ser influenciada por valores, caráter e inteligência, mas jamais será inteiramente governada pela razão. O desejo possui sua própria jurisprudência.
Quem confunde desejo com merecimento transforma a própria frustração em teoria sobre a injustiça do mundo.
A realidade não se curva à narrativa que construímos sobre nós mesmos; cedo ou tarde, ela cobra evidências.
A paixão é própria da juventude, quando o desejo ainda confunde intensidade com destino; com o passar dos anos, espera-se que a experiência transforme o fogo em discernimento e ensine que nem todo incêndio merece ser alimentado.
Às vezes penso que o universo é a grande obra e que nós, em nossa pretensão de compreendê-lo e dominá-lo, somos apenas a erva daninha que cresceu dentro dela.
A privatização juridicamente legítima não se mede pela quantidade de patrimônio público que se transfere, mas pela compatibilidade entre a transferência realizada, a finalidade constitucional preservada e o procedimento que autorizou sua realização.
