Coleção pessoal de Negreiros

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REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA

No coração do Nordeste
Nasceu um novo esplendor,
República da Caatinga,
De coragem e de valor.
Onde a honra faz morada,
E a fé floresce em flor.

Nação de bravos guerreiros.

Sua bandeira tremula
Com orgulho e tradição;
Azul do céu que protege,
Branco da paz em união,
Laranja é força e coragem,
Que aquece cada coração.

Nação de bravos guerreiros.

São nove Estados unidos
Num destino verdadeiro,
Como nove sentinelas
Guardando o chão caatingueiro;
Cada povo é uma estrela,
Cada filho um guerreiro.

Nação de bravos guerreiros.

No alto brilhou no infinito
Uma nova constelação;
Nove estrelas reluzentes
Desenhando a região,
Fez do céu da Caatinga
Seu eterno pavilhão.

Nação de bravos guerreiros.

À esquerda vive o sertão,
Mandacaru altaneiro;
O sol poente se despede
Pintando o chão por inteiro,
Mostrando que a resistência
É o brasão do sertanejo.

Nação de bravos guerreiros.

À direita canta o mar
Com seu azul cristalino;
Coqueirais fazem reverência
Ao nascer do sol divino,
E as ondas beijam a praia
Num espetáculo genuíno.

Nação de bravos guerreiros.

Do couro nasce a coragem,
Do barro nasce a missão;
Da seca brota esperança,
Da chuva a celebração;
Cada espinho é uma escola,
Cada luta uma lição.

Nação de bravos guerreiros.

O vaqueiro e o jangadeiro,
Cada qual no seu labor,
Um domina a terra firme,
Outro enfrenta o mar bravio;
Ambos levam no semblante
A grandeza do valor.

Nação de bravos guerreiros.

A sanfona abre caminhos,
O aboio encontra o mar;
O coco dança com o vento,
O xaxado faz lembrar
Que a cultura desta terra
Nunca deixa de cantar.

Nação de bravos guerreiros.

Que esta pátria imaginada
Seja exemplo de união,
Onde o povo seja livre,
Respeitando o irmão;
Sob as nove estrelas brilhe
Uma eterna construção.

Nação de bravos guerreiros.

CANTOS DA CAATINGA

No sertão quando amanhece,
Tudo ganha novo ardor,
Cada ave faz um verso
Ao divino Criador.
Na caatinga a esperança,
Vence o tempo e o dissabor.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Asa-Branca levanta
Num gracioso esplendor,
Levando paz em suas asas
Mesmo em tempo de calor.
Quando canta lá distante,
Renasce em mim o valor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Cancão, inteligente,
Defensor do seu redor,
Com coragem anuncia
Que a vida tem seu vigor.
Seu chamado desafia
Toda sombra e todo horror.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Patativa, rainha,
Do mais puro cantador,
Transformando o chão rachado
Num jardim cheio de flor.
Sua voz parece prece,
Cheia de fé e de amor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Galo-de-Campina,
Vestido de muita cor,
Leva encanto ao sertanejo
Com seu belo esplendor.
Cada nota que derrama
É perfume em meu redor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Sofrê faz seu lamento,
Que parece um trovador,
Misturando a saudade
Com um gesto acolhedor.
Sua voz consola a alma
Com divino resplendor.
Seus cantos aliviam minha dor.

A Rolinha faz seu ninho
Com trabalho e com amor,
Ensinando à humanidade
O caminho do labor.
Sua paz anuncia sempre
Um futuro promissor.
Seus cantos aliviam minha dor.

Bem-te-vi anuncia cedo
Mais um dia promissor,
Despertando o sertanejo
Para o campo e seu labor.
Seu aviso traz esperança
Ao pequeno agricultor.
Seus cantos aliviam minha dor.

O Sabiá da Caatinga
É poeta e trovador,
Faz do galho seu palco,
Da manhã seu esplendor.
Quem escuta sua cantiga
Sente Deus por onde for.
Seus cantos aliviam minha dor.

Cada ave é um tesouro
Que nos deu o Criador,
Guardião da natureza,
Do sertão encantador.
Preservemos essa vida
Com respeito e muito amor.
Seus cantos aliviam minha dor.

VERSOS, CONTOS, MÚSICAS E MODAS


No terreiro do sertão,
Nas veredas do luar,
Nasce o verso feito fonte,
Que não para de cantar.
É a cultura nordestina
Que ninguém pode apagar.


Tem poeta e cantador,
Violeiro de valor,
Que transforma a própria vida
Em semente de amor.
Cada rima é uma colheita,
Cada canto, uma flor.


Os contos passam de boca
Como o vento no roçado,
Misturando fantasia
Com um fato acontecido.
Quem escuta guarda a história
No coração enraizado.


As modas de viola ecoam
Pelos campos sem ter fim,
Falam da seca e da chuva,
Do mandacaru e do alecrim.
Cada nota leva a alma
A um jardim dentro de mim.


Tem aboio de vaqueiro
Rasgando a imensidão,
Chamando o gado disperso
Com coragem e precisão.
É a voz do homem do campo
Abraçando o coração.


A sanfona abre o fole,
A zabumba faz tremer,
O triângulo acompanha
Fazendo o povo viver.
Quando o forró principia,
Ninguém pensa em padecer.


Os mestres da poesia
São estrelas do sertão,
Deixam livros e folhetos
Como eterna inspiração.
Cada estrofe permanece
Feito raiz no chão.


O repente é desafio
De talento singular,
Onde dois grandes cantores
Fazem versos sem falhar.
Quem domina a inteligência
Faz a plateia admirar.


Luiz Gonzaga ensinou
Que o Nordeste tem valor;
Patativa fez do verso
Um jardim de esplendor.
Cada mestre deixou viva
Sua marca e seu louvor.


Dos folhetos de cordel
À viola dedilhada,
Dos romances às cantigas,
Da toada apaixonada,
Tudo forma um patrimônio
Da cultura abençoada.


Enquanto houver um poeta
E um cantor para cantar,
Haverá versos e contos
Para o povo recordar.
Pois o sertão nunca morre,
Só aprende a florescer
E em suas músicas e modas
Ensina o mundo a viver.

PELEJA SERTANEJA

No sertão nasce o guerreiro
Com coragem por bandeira,
Aprendendo desde cedo
A vencer a vida inteira.
Faz da luta seu caminho,
Da esperança, companheira.

Quando o sol castiga a terra
E a chuva tarda a chegar,
O sertanejo não desiste,
Segue firme a caminhar.
Pois conhece que a vitória
Também sabe esperar.

O mandacaru florescendo
É lição de resistência,
Mesmo em solo castigado
Não abandona a existência.
Mostra ao povo nordestino
O valor da persistência.

O vaqueiro rompe a mata
Enfrentando espinho e chão,
Conduzindo o seu rebanho
Com firmeza na missão.
Leva a fé como armadura
Protegendo o coração.

Cada enxada abre sulcos
Na esperança do plantar,
Mesmo vendo a terra seca
Nunca deixa de sonhar.
Quem cultiva com coragem
Sempre aprende a esperar.

A mulher do velho sertão
É exemplo de bravura,
Transformando pouca água
Em riqueza que perdura.
Com amor sustenta o lar
E enfrenta toda agrura.

O poeta faz do verso
Uma espada de valor,
Cantando a vida sofrida
Misturada com amor.
Cada rima é resistência,
Cada estrofe, um louvor.

O sanfoneiro anuncia
Que a tristeza vai passar;
Quando o fole solta o canto,
Faz o povo se alegrar.
Mesmo em tempos de peleja
Sempre existe um festejar.

Quem conhece o sertanejo
Sabe bem de sua fé;
Nunca baixa a sua fronte,
Nunca perde o rumo em pé.
Tem em Deus sua fortaleza,
Sua rocha, sua mercê.

A peleja do sertão
É batalha sem igual;
Mas quem luta com esperança
Nunca encontra o ponto final.
Pois o povo nordestino
Tem coragem ancestral.

Enquanto houver sol queimando,
E um vaqueiro a cavalgar,
Haverá no velho sertão
Uma história pra contar.
Da peleja nasce a glória,
Da coragem, o triunfar.

A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA


I


Num jardim nasceu a peleja,
Que o destino foi traçando;
Abelha, rainha das flores,
Seu trabalho cultivando.
Mosca vinha do outro lado,
Cada qual seu rumo andando.


II


Disse a Abelha, muito altiva:
— Eu vivo do puro mel,
Faço cera, gero vida,
Cumpro um nobre e bom papel.
Quem visita flor perfumada
Nunca perde seu troféu.


III


Respondeu logo a Mosca,
Sem baixar sua cabeça:
— Cada ser tem seu caminho,
Sua sina e sua peça.
Não escolhi meu destino,
Nem a vida que me cerca.


IV


A Abelha retrucou ligeiro:
— Gosto bom é o da flor!
Quem procura coisa limpa
Leva paz, perfume e cor.
Quem vive entre imundícies
Não conhece o verdadeiro amor.


V


A Mosca falou sorrindo:
— Prazer muda de pessoa;
O que é doce para uns,
Pra outros não se entoa.
Cada qual segue o costume
Que a existência lhe abençoa.


VI


A Abelha fez ferrão,
Defendendo seu reinado;
A Mosca bateu as asas,
Sem mudar de seu traçado.
Cada qual julgando a outra,
No seu mundo fechado.


VII


Uma buscava o néctar
Nas campinas coloridas;
Outra rondava os caminhos
Das sobras já esquecidas.
Duas formas de viver,
Duas rotas tão distintas.


VIII


Mas o tempo, velho mestre,
Ensinou sem humilhar:
Nem só flores dão sustento,
Nem só lixo há de ficar.
Toda vida tem seu ciclo,
Seu nascer e seu findar.


IX


Disse então a Natureza:
— Parem já de discutir!
Cada qual cumpre um serviço
Que não pode se medir.
Quem condena a escolha alheia
Pouco aprende a refletir.


X


Abelha produz o mel,
Mosca limpa o que apodrece;
Uma encanta os jardins,
Outra evita o que fenece.
Mesmo sendo tão diferentes,
Cada qual à vida tece.


XI


Gosto, hábito e costume
Nem sempre são iguais;
Cada um faz sua estrada
Entre erros e ideais.
Não existe um só caminho
Para todos os mortais.


XII


Terminou-se a velha peleja
Com lição de igualdade:
Quem despreza o semelhante
Só cultiva a vaidade.
Abelha e Mosca, no fim,
São iguais nas diferenças da humanidade.

TRANSCEPTO CRUZEIRO



No mar da velha poesia,
Dois navios vão singrando:
Um carrega a dor da história,
Outro segue renovando.
Entre o ontem e o agora,
Vai o verso navegando.


Castro Alves levantou
Sua voz de claridade,
Denunciando as correntes
Da cruel desumanidade.
Fez do poema um clarim
Em defesa da liberdade.


Seu Navio Negreiro, então,
Foi um grito contra o mal,
Retratando o sofrimento
Do cativeiro brutal.
Cada estrofe era um açoite
Na consciência mundial.


Negreiros Neto, por sua vez,
Lança a Nave ao infinito;
Não conduz corpos cativos,
Mas o sonho mais bendito.
Leva esperança na proa
E Deus guiando o seu rito.


Se um navio foi prisão,
Outro é ponte e travessia;
Se um cruzou mares de sangue,
Outro semeia poesia.
Um revela antigas sombras,
Outro anuncia o novo dia.


No transcepto do cruzeiro,
Onde os rumos se entrelaçam,
A memória encontra a fé
E os destinos se abraçam.
O passado vira mestre,
Sem que as feridas desfaçam.


Castro Alves fez da pena
Uma espada de justiça;
Negreiros faz do cordel
Um altar de boa liça.
Cada qual em seu tempo
Cultivou igual premissa.


Não disputam grandeza,
Nem procuram primazia;
São faróis de um mesmo porto,
Cada qual com sua guia.
Um combate a escravidão,
Outro exalta a harmonia.


Transcepto Cruzeiro é ponte
Entre o pranto e a esperança;
É o encontro das palavras
Com a eterna confiança.
Quem conhece o seu passado
Dá ao futuro segurança.


Que o Brasil jamais esqueça
O valor da consciência;
Pois a arte quando é livre
Transforma toda existência.
E a poesia permanece
Como luz da resistência.

ARRUMADINHO DE AMOR

Desde os tempos de menino,
Quando a vida era brincar,
Já diziam: "Esses dois
Ainda vão se enamorar."
Théo sorria para Flor,
Sem saber o que esperar.

As famílias, entre risos,
Já faziam armação,
Um passeio no parquinho,
Uma doce diversão;
Era um jeito carinhoso
De plantar a afeição.

No balanço e na gangorra,
Na corrida e no escorrega,
Os olhares se cruzavam,
Sem que o tempo desse trégua;
A inocência da infância
Foi quem fez a entrega.

Veio então a adolescência,
Na escola a estudar,
Sempre havia um professor
Que fazia aproximar;
Na mesma fila da sala,
Pra conversa despertar.

Num trabalho em parceria,
Num caderno a dividir,
Entre provas e recreios
Viram sonhos florescer;
Sem que o mundo percebesse,
Começavam a se querer.

Já na flor da juventude,
Nas festinhas do lugar,
Os amigos insistiam:
"Vocês têm que se encontrar!"
Cada dança era um convite,
Cada música um luar.

Quando a vida fez madura
Sua estrada prosseguir,
No cinema, lado a lado,
Foi difícil resistir;
Na penumbra da telona
Fez o amor se definir.

Já adultos, os encontros
Reuniam amizade;
Sempre alguém organizava
Com enorme felicidade:
"Théo e Flor vêm para o jantar,
É por pura afinidade!"

Tantos laços preparados,
Tantos risos sem igual,
Mostravam que o destino
Escrevia um ideal;
Cada encontro era um capítulo
Desse enredo magistral.

Um olhar virou promessa,
Um abraço, um coração;
Duas almas descobriram
A perfeita direção;
Quem nasceu pra caminhar junto
Vence qualquer solidão.

Hoje contam essa história
Com ternura e gratidão:
Nem foi sorte, nem acaso,
Nem somente intenção;
Foi Deus guiando os caminhos
Com amor e perfeição.

CALDO DE CANA

No roçado amanhecendo,
Vi o sol beijar a estrada,
A enxada cortando o mato,
Na lida abençoada.
O cheiro verde da cana,
Na memória adormecida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

No engenho a roda cantava,
Gemia o velho moendão,
A garapa escorria farta,
Feito bênção pelo chão.
Cada gota era esperança,
Pela família repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Tinha a cana Caiana,
Alta, forte e vigorosa,
Ao lado da velha Pitú,
Sempre doce e generosa.
Cada talo era um tesouro,
Na jornada tão sofrida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O caldo de cana gelado,
Com pão-doce e boa broa,
Era um banquete de pobre
Que a lembrança ainda entoa.
Pouco havia sobre a mesa,
Mas nunca faltou comida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O melaço fervilhando
Na panela de carvão,
Perfumava o terreiro inteiro,
Adoçando o coração.
O doce vencia a dureza
Da batalha já vivida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Quando vinha o tempo da safra,
Era festa no canavial,
Mas depois da derrubada
Recomeçava o ritual.
A terra pedia de novo
A semente repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Na reçoca do plantio,
Brota a força da raiz,
A cana vence o tempo,
Sem esquecer seu país.
Quem conhece esse mistério
Vê a vida refletida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

O suor de cada homem
Era chuva sobre o chão,
Misturando fé e coragem
Com trabalho e oração.
A colheita era pequena,
Mas a honra garantida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Hoje o engenho silencia,
Muita coisa já mudou,
Mas o cheiro da garapa
O tempo nunca apagou.
Quem provou aquele caldo
Leva a alma comovida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

Que o caldo de cana ensine
O valor da tradição,
Da família reunida,
Da coragem do sertão.
Pois o doce da memória
Jamais conhece partida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.

E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.

Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

E quando o vento da história sopra,
Levando embora folhas e vaidades,
Fica de pé apenas o que foi plantado
Nas raízes profundas da verdade.

EU! MEU MUNDO.

Eu tenho o meu caminho,
Meu jeito de compreender,
Vejo o mundo diferente,
Mas também sei perceber.

Nem sempre encontro palavras
Pra dizer o que senti,
Mas meu coração conversa
Com tudo que existe aqui.

Eu vejo a luz da manhã,
O desenho do luar,
O canto dos passarinhos,
O vento vindo brincar.

Gosto daquilo que acalma,
Que me traz conforto e paz,
Dos rostos que me acolhem
E do carinho que satisfaz.

Meu sorriso é uma ponte
Que vai do peito ao olhar,
Mesmo quando fico em silêncio,
Tenho muito a revelar.

Olho fundo as pessoas,
Como quem quer conhecer
Os segredos que se escondem
No simples jeito de viver.

Vejo beleza nas coisas
Que muitos não vão notar:
Uma folha que balança,
Uma nuvem a passar.

Tenho o meu próprio universo,
Meu tempo e minha canção,
Um mundo feito de afetos,
Sensações e emoção.

Se às vezes pareço distante,
Não pense que estou sozinho,
Pois carrego dentro da alma
Muitos jardins de carinho.

Eu sou feito de ternura,
De esperança e de calor,
E guardo em cada sorriso
Uma semente de amor.

Meu mundo é grande e bonito,
Mesmo sendo singular,
E quem entra com respeito
Sempre encontra um bom lugar.

Porque eu vejo, eu sinto,
Do meu jeito, sem igual.
Sou um jovem, sou um sonho,
Sou humano, sou especial.

Eu! Meu Mundo.
Um universo inteiro a florescer,
Onde o amor é a linguagem
Que todos podem entender.

Em homenagem a Guilherme Negreiros

FAMÍLIA VIDAL DE NEGREIROS


Das terras velhas da Europa,
Onde a História começou,
Veio um tronco de bravura
Que o destino encaminhou.
Trazendo fé e coragem,
O oceano atravessou.


Pelas rotas da aventura,
Pelo vento e pelo mar,
Entre povos e culturas
Foi seu nome semear.
Na África deixou pegadas,
Fez histórias prosperar.


Mas foi no solo brasileiro
Que ganhou dimensão,
Misturando sangue e sonhos
Com trabalho e devoção.
Fez da luta seu estandarte,
Fez da honra sua missão.


Em Pernambuco floresceu
Como um forte cajueiro,
Enfrentando tempestades
Com espírito guerreiro.
Cada filho foi guardando
O valor de um pioneiro.


Na Paraíba encontrou
Terra fértil pra crescer,
Entre engenhos e sertões
Fez raízes renascer.
E nas secas e invernias
Aprendeu a resistir e vencer.


Lá no Maranhão distante
Também fincou seu brasão,
Misturando sua história
Com a história da nação.
Fez do Norte uma morada,
Fez da terra seu chão.


Passaram-se muitas gerações,
Mudou roupa, fala e jeito,
Mas permaneceu acesa
A chama viva no peito.
Que não se mede em riqueza,
Mas em caráter perfeito.


Vieram mestres e soldados,
Lavradores e doutores,
Homens simples e honrados,
Mulheres de mil valores.
Todos regando a família
Com seus exemplos e amores.


Cada ramo dessa árvore
Tem memória pra contar,
Dos avós que abriram trilhas
Para os novos caminhar.
Mostrando que a verdadeira herança
É saber perseverar.


Hoje o tempo segue adiante,
Como rio rumo ao mar,
Mas a Família Vidal de Negreiros
Continua a navegar.
Entre passado e futuro,
Sem jamais sua essência deixar.


Que Pernambuco a celebre,
Que a Paraíba também,
Que o Maranhão reconheça
O legado que ela tem.
Pois quem honra seus ancestrais
Fortalece o que mantém.


E enquanto houver descendentes
Preservando a tradição,
Viverão os antepassados
Na memória e no coração.
Família Vidal de Negreiros,
Orgulho de uma geração.

DEFESA CIVIL: ALMA E CORAÇÃO

No sertão e na cidade,
Na montanha e no baixão,
Existe uma grande força
Feita de união e ação.
Tem alma de solidariedade,
Tem coragem no coração,
É a Defesa Civil viva,
Servindo a população.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Muita gente ainda pensa
Que é apenas repartição,
Mas quem conhece sua essência
Sabe bem sua missão.
Não é somente um órgão,
Nem vive só na gestão,
É sistema que integra
Toda a Federação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

União, Estados e Municípios,
Cada qual com sua função,
Somam forças com o povo
Em perfeita integração.
Bombeiros, escolas, igrejas,
Empresas e associação,
Todos formam essa rede
De proteção e prevenção.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Quando o risco é identificado,
Começa a preparação,
Mapeando as ameaças
Com estudo e observação.
Planejando cada passo,
Fortalecendo a região,
Para evitar que o desastre
Cause dor e destruição.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

A prevenção é o caminho
Mais seguro e eficaz,
Pois evita sofrimento
E protege muito mais.
Obras, alertas e campanhas,
Conhecimento que satisfaz,
Construindo comunidades
Mais seguras e capazes.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Mas se a força da natureza
Chega sem pedir permissão,
Vem a resposta imediata
Com coragem e prontidão.
Socorrendo os atingidos,
Levando apoio e atenção,
Para salvar vidas humanas
Na mais dura situação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Depois da tempestade forte,
Da enchente ou vendaval,
Chega a fase da recuperação
Do cenário ambiental.
Reconstruindo esperanças,
Com esforço coletivo e leal,
Para que a vida retorne
Ao seu curso natural.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Assim gira o grande ciclo
Da gestão do desastre então:
Prevenção e preparação,
Resposta e recuperação.
Um trabalho permanente,
Movido por dedicação,
Protegendo cada cidadão
Com amor e vocação.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

Que essa mensagem alcance
Toda a nossa população,
Mostrando que a segurança
Nasce da participação.
Pois quando o povo se une
Em espírito de cooperação,
A Defesa Civil revela
Sua alma e coração.

Com Deus no Comando e juntos numa só voz:
Defesa Civil somos todos nós.

"Quem respeita o Tempo de Deus transforma a espera em aprendizado, o trabalho em esperança e a conquista em gratidão."

TEMPO DE DEUS

No correr dos dias modernos,
Numa pressa sem direção,
Tem gente querendo colher
Antes mesmo da plantação.
Quer o fruto sem a semente,
Sem trabalho e dedicação.

Vivemos tempos apressados,
De ansiedade e agonia,
Onde tudo tem que ser rápido,
Da noite para o outro dia.
Mas a vida tem seus ciclos,
E Deus tem sua harmonia.

Muitos pulam os degraus
Que ensinam a caminhar,
Trocam lição por atalho,
Sem tempo de observar.
Depois sentem a fraqueza
Quando chega a hora de lutar.

O conhecimento amadurece
Como o fruto no pomar,
Precisa de sol e chuva,
De tempo para se formar.
Quem acelera o processo
Pode até se machucar.

A conquista mais bonita
É aquela construída,
Com suor, fé e coragem
Em cada etapa vivida.
Pois o valor da vitória
Está na estrada percorrida.

Esperar o Tempo de Deus
Não é ficar sem fazer nada,
Nem cruzar os braços à sombra
Vendo a vida estacionada.
É plantar todos os dias
E cuidar da caminhada.

É trabalhar com firmeza,
Ter esperança e ação,
Preparando o próprio campo
Com amor e dedicação.
Pois Deus abençoa a colheita,
Mas requer participação.

Quem confia no Senhor
Segue em frente sem parar,
Faz a parte que lhe cabe
Sem viver a reclamar.
Porque sabe que o impossível
Deus também pode realizar.

Cada fase tem seu tempo,
Cada tempo tem valor,
Há momentos de silêncio,
Há momentos de labor.
Tudo acontece na hora
Determinada pelo Criador.

Se a porta ainda não abriu,
Não entregue o coração
À tristeza ou ao desânimo,
Nem à precipitação.
Talvez Deus esteja apenas
Preparando a ocasião.

Porque aquilo que vem cedo
Nem sempre permanece,
Mas o que Deus determina
Floresce, cresce e fortalece.
Chega firme, chega certo,
E jamais enfraquece.

Por isso siga sua estrada,
Com trabalho, fé e união,
Aprendendo em cada passo,
Em cada nova lição.
Que o relógio do homem corre,
Mas o de Deus não falha, não.

CABRA-MARCHO


Sou cabra-macho do Sertão,
Homem de fé e fundamento,
Não meço força na aparência,
Mas no valor do sentimento.
Pois quem carrega honra no peito
Segue firme em qualquer vento.


Aprendi com meu velho pai
A palavra nunca quebrar,
Respeitar os mais antigos,
Trabalhar sem reclamar.
Porque o homem vale mais
Pelo que faz que pelo falar.


Sou filho que guarda o nome
Como tesouro e tradição,
Carrego raízes profundas
Plantadas no coração.
Feitas da mesma madeira
Da família e da educação.


Sou pai que ensina no exemplo,
Sem precisar levantar a voz,
Mostrando que o bom caminho
Se constrói dentro de nós.
E que o amor de um verdadeiro pai
É um laço que nunca se desfaz.


Sou amigo nas horas difíceis,
Companheiro de caminhada,
Daqueles que estendem a mão
Sem esperar receber nada.
Pois amizade verdadeira
É riqueza abençoada.


Carrego valores antigos
Que o tempo não conseguiu levar:
Honestidade, respeito e coragem,
Virtudes para cultivar.
São tesouros que não enferrujam
Nem o mundo pode comprar.


Sou raiz pivotante no solo,
Que ninguém consegue enxergar,
Mas sustenta toda a árvore
Quando o vento quer derrubar.
Pois a força que dura na vida
Vem de dentro para lutar.


Não vivo de fama ou riqueza,
Nem de aparência e posição,
Minha maior fortaleza
É ter paz no coração.
E saber que minha consciência
Não me acusa em oração.


Tenho somente um temor
Que guardo com devoção:
Desagradar ao Deus Altíssimo,
Fonte da minha salvação.
Pois homem que teme a Deus
Nunca perde a direção.


Se a luta aperta o caminho,
Se a seca castiga o chão,
Eu me ajoelho primeiro
E entrego tudo em oração.
Porque a vitória do homem
Nasce da fé e da ação.


Cabra-macho de verdade
Não é quem vive a se exaltar,
Mas quem protege sua família,
Sabe servir e respeitar.
Quem honra pai, mãe e amigos
E não foge de trabalhar.


Assim sigo minha jornada,
Sem orgulho e sem vaidade,
Com Deus na frente dos passos,
Com amor e dignidade.
Pois ser homem é ter caráter,
E viver com honestidade.

ESTÃO INDO EMBORA


Estão indo embora aos poucos,
Sem fazer grande alarde não,
Como o sol que se despede
No final da tarde, então.
Deixam marcas pelos caminhos,
Saudades em nossos ninhos,
E amor no coração.


São os avós de cabelos brancos,
Bibliotecas do viver,
Que ensinaram com exemplos
O valor de agradecer.
Cada ruga é uma história,
Cada lembrança, uma memória
Que o tempo não vai vencer.


Estão indo embora os pais,
Sentinelas da existência,
Que enfrentaram tempestades
Com coragem e resistência.
Construíram nosso abrigo,
Foram força e foram amigo,
Fonte viva de experiência.


Também partem nossos tios,
Companheiros da jornada,
Que enchiam as reuniões
Com risadas na calçada.
Contadores de causos bons,
De conselhos e lições,
Na família respeitada.


A cadeira fica vazia,
Mas não fica sem valor,
Pois quem viveu com virtude
Nunca morre por completo, senhor.
Permanece na lembrança,
Na fé, na perseverança,
E nas sementes do amor.


O relógio segue andando,
Sem parar sua missão,
Mostrando que nesta vida
Tudo tem sua estação.
Quem hoje é filho e neto,
Amanhã segue o trajeto
Da divina criação.


Mas não devemos chorar
Somente pela partida,
Pois quem plantou bons exemplos
Continua dando vida.
Na palavra ensinada,
Na família edificada,
Sua presença é sentida.


Quando o vento sopra manso
E a noite cobre o terreiro,
Parece ouvir a voz antiga
De um avô conselheiro.
Ou de uma mãe carinhosa,
Ou de uma tia bondosa,
Num abraço verdadeiro.


Estão indo embora, é certo,
Como manda a natureza,
Mas deixam em cada filho
Sua maior riqueza.
Honra, caráter e fé,
Para quem segue de pé
Com amor e com firmeza.


Por isso ergamos os olhos
Ao Deus da eternidade,
Agradecendo o legado
Que venceu a brevidade.
Pois quem vive para o bem,
Mesmo partindo, mantém
Sua luz na humanidade.


Estão indo embora os corpos,
Mas o exemplo permanece.
Quem semeou amor na Terra,
No coração nunca falece.

APOSTASIA


No correr dos tempos modernos,
Vai mudando a geração,
Muitos trocam a verdade
Pela própria opinião,
Esquecendo os mandamentos
Que conduzem à salvação.


A palavra está escrita
Nas páginas da Escritura,
Mas há quem feche os seus olhos
Para viver na aventura,
Trocando a luz do Evangelho
Pela sombra mais escura.


A fé que movia montanhas,
Hoje alguns deixam de lado,
Buscando somente os bens
Que o mundo tem ofertado,
E o altar do coração
Fica vazio e abandonado.


A apostasia se espalha
Como fogo pelo chão,
Quando o homem se distancia
Da divina orientação,
E transforma a própria vontade
Na sua única razão.


Muitos dizem: "Não preciso
Do Senhor para viver",
Mas esquecem que a existência
Dele veio a proceder,
E sem a graça divina
Nada pode florescer.


As Escrituras Sagradas,
Tesouro de imenso valor,
São deixadas nas estantes
Cobertas pelo pó e dor,
Enquanto falsas doutrinas
Ganham espaço e louvor.


Os mandamentos de Deus,
Que são farol e direção,
São tratados com desprezo
Por grande parte da nação,
Que prefere os atalhos
Da vaidade e da ilusão.


A incredulidade cresce
Como erva no terreiro,
Faz do pecado um costume
E do erro um companheiro,
Levando muitos caminhos
Para um destino traiçoeiro.


Mas Deus continua firme
Em sua misericórdia,
Chamando o homem perdido
Para sair da discórdia,
Oferecendo perdão
E uma eterna concórdia.


Ainda existe esperança
Para quem quer regressar,
Pois o Pai abre seus braços
Pronto para abraçar,
Todo filho arrependido
Que deseja se achegar.


Quem retorna ao Evangelho
Encontra paz verdadeira,
Descobre que a salvação
Não é promessa passageira,
Mas presente preparado
Pela mão do Deus que impera.


Portanto, meu povo amado,
Escute esta reflexão:
Não abandone a Palavra,
Nem rejeite a salvação,
Pois longe da luz de Cristo
Só existe escuridão.


Guarde a fé e os preceitos,
Com respeito e devoção,
Pois aquele que persevera
Com sincera contrição,
Encontrará no Senhor
A eterna redenção.

PERCURSO DO TEMPO


O tempo segue seu caminho,
Sem jamais olhar pra trás,
Carrega sonhos e destinos,
Leva os fortes e os demais.


Hoje somos voz presente,
Nome vivo e conhecido,
Mas amanhã, lentamente,
Seremos quase esquecidos.


Primeiro fica o retrato
Dependurado na parede,
Onde um olhar, vez ou outra,
Mata a saudade que precede.


Depois viramos lembrança
Guardada em velho arquivo,
Entre papéis e memórias,
Num silêncio pensativo.


As histórias vão ficando
Mais curtas a cada ouvido,
Até que reste apenas
Um nome meio perdido.


O relógio não se cansa,
Nem conhece compaixão,
Transforma reis em poeira,
E castelos em chão.


Por fim, seremos um objeto
Que o destino fez sumir,
Como folha levada ao vento
Sem ninguém para seguir.


Mas há quem vença o esquecimento
Sem riqueza ou posição:
Quem plantou amor na vida
Floresce no coração.


Pois o tempo apaga rostos,
Datas, feitos e brasões,
Mas não destrói por completo
O bem semeado em milhões.


Assim percorre o tempo,
Do nascimento ao partir;
E o homem vira memória,
Até memória não existir.


Mas enquanto houver bondade,
Mesmo após o fim da lida,
Algo de nós permanece
Caminhando pela vida.