ESTÃO INDO EMBORA Estão indo embora... Jose Vidal de Negreiros Neto...
ESTÃO INDO EMBORA
Estão indo embora aos poucos,
Sem fazer grande alarde não,
Como o sol que se despede
No final da tarde, então.
Deixam marcas pelos caminhos,
Saudades em nossos ninhos,
E amor no coração.
São os avós de cabelos brancos,
Bibliotecas do viver,
Que ensinaram com exemplos
O valor de agradecer.
Cada ruga é uma história,
Cada lembrança, uma memória
Que o tempo não vai vencer.
Estão indo embora os pais,
Sentinelas da existência,
Que enfrentaram tempestades
Com coragem e resistência.
Construíram nosso abrigo,
Foram força e foram amigo,
Fonte viva de experiência.
Também partem nossos tios,
Companheiros da jornada,
Que enchiam as reuniões
Com risadas na calçada.
Contadores de causos bons,
De conselhos e lições,
Na família respeitada.
A cadeira fica vazia,
Mas não fica sem valor,
Pois quem viveu com virtude
Nunca morre por completo, senhor.
Permanece na lembrança,
Na fé, na perseverança,
E nas sementes do amor.
O relógio segue andando,
Sem parar sua missão,
Mostrando que nesta vida
Tudo tem sua estação.
Quem hoje é filho e neto,
Amanhã segue o trajeto
Da divina criação.
Mas não devemos chorar
Somente pela partida,
Pois quem plantou bons exemplos
Continua dando vida.
Na palavra ensinada,
Na família edificada,
Sua presença é sentida.
Quando o vento sopra manso
E a noite cobre o terreiro,
Parece ouvir a voz antiga
De um avô conselheiro.
Ou de uma mãe carinhosa,
Ou de uma tia bondosa,
Num abraço verdadeiro.
Estão indo embora, é certo,
Como manda a natureza,
Mas deixam em cada filho
Sua maior riqueza.
Honra, caráter e fé,
Para quem segue de pé
Com amor e com firmeza.
Por isso ergamos os olhos
Ao Deus da eternidade,
Agradecendo o legado
Que venceu a brevidade.
Pois quem vive para o bem,
Mesmo partindo, mantém
Sua luz na humanidade.
Estão indo embora os corpos,
Mas o exemplo permanece.
Quem semeou amor na Terra,
No coração nunca falece.
