PELEJA SERTANEJA No sertão nasce o... Jose Vidal de Negreiros Neto...

PELEJA SERTANEJA

No sertão nasce o guerreiro
Com coragem por bandeira,
Aprendendo desde cedo
A vencer a vida inteira.
Faz da luta seu caminho,
Da esperança, companheira.

Quando o sol castiga a terra
E a chuva tarda a chegar,
O sertanejo não desiste,
Segue firme a caminhar.
Pois conhece que a vitória
Também sabe esperar.

O mandacaru florescendo
É lição de resistência,
Mesmo em solo castigado
Não abandona a existência.
Mostra ao povo nordestino
O valor da persistência.

O vaqueiro rompe a mata
Enfrentando espinho e chão,
Conduzindo o seu rebanho
Com firmeza na missão.
Leva a fé como armadura
Protegendo o coração.

Cada enxada abre sulcos
Na esperança do plantar,
Mesmo vendo a terra seca
Nunca deixa de sonhar.
Quem cultiva com coragem
Sempre aprende a esperar.

A mulher do velho sertão
É exemplo de bravura,
Transformando pouca água
Em riqueza que perdura.
Com amor sustenta o lar
E enfrenta toda agrura.

O poeta faz do verso
Uma espada de valor,
Cantando a vida sofrida
Misturada com amor.
Cada rima é resistência,
Cada estrofe, um louvor.

O sanfoneiro anuncia
Que a tristeza vai passar;
Quando o fole solta o canto,
Faz o povo se alegrar.
Mesmo em tempos de peleja
Sempre existe um festejar.

Quem conhece o sertanejo
Sabe bem de sua fé;
Nunca baixa a sua fronte,
Nunca perde o rumo em pé.
Tem em Deus sua fortaleza,
Sua rocha, sua mercê.

A peleja do sertão
É batalha sem igual;
Mas quem luta com esperança
Nunca encontra o ponto final.
Pois o povo nordestino
Tem coragem ancestral.

Enquanto houver sol queimando,
E um vaqueiro a cavalgar,
Haverá no velho sertão
Uma história pra contar.
Da peleja nasce a glória,
Da coragem, o triunfar.