Coleção pessoal de luccisantz

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Aprendi tarde que existem pessoas que confundem bondade com recurso infinito. Não virei fria por começar a dizer “não”. Só cansei de alimentar o mundo inteiro enquanto eu mesma passava fome por dentro.

Sorri.
Conversei.
Fingi normalidade.


Enquanto por dentro,
as paredes desabavam devagar.


Tem gente que acha
que a morte sempre faz barulho.
Mas às vezes ela chega mansa,
senta no peito
e apaga a pessoa aos poucos,
como luz de casa atrasada.


E o pior?
Você continua vivo depois dela.


Carregando os restos.
Aprendendo a respirar
com os pulmões cheios de ausência.


Mas existe uma coisa irritantemente nossa, humana..
sobre sobreviver:
mesmo quebrada,
a alma insiste.


Insiste em escrever.
Em sentir.
Em levantar da cama
mesmo sem acreditar muito no amanhã.


Talvez porque,
lá no fundo,
até as ruínas sonham
em virar lar outra vez.

Você viu distância.

Eu via ruínas
tentando ficar de pé
dentro de mim.

Há silêncios
que não nascem da falta de amor.

Nascem do excesso
de dor.

Você chamou de ausência.

Mas ninguém percebe
quando a pessoa
está desaparecendo
por dentro.

Eu me perco todo dia.


Às vezes nas lembranças,
às vezes no mercado tentando lembrar por que entrei ali.


Tem dia que me perco em gente errada,
em conversa inútil,
em saudade reciclada igual pote de sorvete virando tupperware.


A verdade é que viver é isso:
um grande “cadê meu equilíbrio emocional?”
enquanto a gente procura o celular
com o celular na mão.


Mas sigo.
Porque até GPS recalcula rota,
e eu não vou perder a chance
de me achar mais gostosa, mais forte
e um pouquinho mais surtada amanhã.

“Eu sou assim porque sou escorpião.” “Tenho lua em caos e ascendente em sumiço emocional.”

Humaninhos pegam traço tóxico, colocam glitter cósmico e chamam de profundidade. Astrologia era pra ser símbolo, reflexão, linguagem arquetípica. Aí transformam em carteira de habilitação pra ferir os outros sem culpa. Uma espécie de “desculpa jurídica do zodíaco”. Impressionante o esforço da humanidade pra terceirizar responsabilidade até pros planetas. Saturno deve estar exausto.

Tem gente que usa signo como autoconhecimento. E tem gente que usa como biombo emocional.

“Sou intensa.” Não, querida, você só não sabe dialogar sem explodir metade da cidade emocional ao redor.

“Sou fria porque sou de escorpião.” Não. Você escolheu silêncio como arma e romantizou isso.

No fim, caráter nunca esteve no mapa astral. Só o caos potencial. O resto é decisão.
E a pior parte? Quem ama ainda tenta entender. Fica procurando sentido em casa astral enquanto recebe indiferença na cara. Uma tragédia bem humana, aliás. Pessoas ferem, somem, deixam cicatriz… e depois culpam Vênus retrógrado como se o universo tivesse hackeado o bom senso delas.

Pessoas seguras não precisam transformar outra pessoa em piada pública pra sobreviver.

Ser humaninhos adoram transformar defeito em identidade mística. Astrologia às vezes vira crachá de irresponsabilidade afetiva com planetas decorativos.

"Eu queria existir no olhar dela"

Desejo não invalida amor. Saudade não invalida distância. E lembrar de alguém não significa traição emocional com outra pessoa.

Nem toda saudade significa que a pessoa precisa voltar. Às vezes ela só marcou território dentro da memória.

O problema de enxergar demais
é perceber que quase todo mundo
vive atuando uma versão editada de si.
Como se a alma tivesse assessoria de imprensa.

Tem gente que vai embora da nossa vida
sem bater a porta.
E talvez seja isso que machuque tanto.
O silêncio nunca pede desculpas.

Justa Causa da Vida

Tem gente que perde dinheiro e aprende.
Tem gente que perde amor e amadurece.
Mas perder o réu primário por justa causa da vida…
isso aí é quando o mundo te empurra pro abismo
e ainda pergunta por que tu caiu.

A verdade é que ninguém nasce querendo guerra.
A maioria só queria paz, um café quente,
uma conta paga
e alguém que não destruísse a própria sanidade.

Mas o sistema adora fabricar monstros
e depois vender moralidade em prestação de culpa.

Perder o réu primário às vezes não começa no crime.
Começa no abandono.
Na fome.
Na humilhação diária.
Na porta fechada.
No “volta amanhã”.
No olhar torto de quem nunca precisou sobreviver.

E quando a vida te encosta na parede,
até o silêncio aprende a carregar faca.

No fim, a sociedade aponta o dedo,
mas esquece que foi ela mesma
quem ensinou tanta gente
a sangrar sem fazer barulho.

Tem gente que não merece nem o teu olhar,
mas vive implorando migalhas da tua atenção
como quem bate na porta de um castelo
trazendo lama nos pés e ego nas mãos.
Nem toda presença merece acesso.
Tem gente que entra na tua vida
só pra testar o quanto consegue destruir
antes de chamar isso de amor.
Teu silêncio já é luxo demais pra certas almas.
E teu desprezo?
Quase uma obra de caridade.
Porque tem gente que não merece nem o teu olhar…
imagina o teu coração.
Autor: Lucci Santz

O mundo dá voltas.
E às vezes a vida devolve em silêncio
aquilo que o orgulho jurou que nunca perderia.

Quando alguém mostra quem realmente é,
o coração quebra…
mas os olhos acordam.

Sentir profundamente
também é uma forma brutal
de permanecer vivo.

“nem tudo que é difícil é profundo”