Coleção pessoal de luccisantz
Inventaram poesia porque enlouquecer em silêncio era insuportável demais.
Porque havia dores que não cabiam em conversa.
Perdas que não aceitavam nome.
Amores que queimavam sem fazer fumaça.
Então alguém escreveu.
E naquele instante, a humanidade descobriu que palavras também podiam sangrar.
Desde então, todo poeta é apenas uma pessoa tentando sobreviver ao excesso de sentir.
— Lucci Santz
O que liberta
não é esquecer quem feriu,
mas parar de insistir
em carregar alguém
que nunca teve medo
de ver você afundar.
Tem gente que chama caos de amor
porque nunca aprendeu a oferecer paz.
E quem tenta salvar tempestades humanas
quase sempre termina afundando junto.
Sem Colete
Quando eu parei de me proteger,
vieram com mira certeira.
Não foi o erro que doeu.
Foi acreditar
que comigo
seria diferente.
O tiro nunca vem
quando você tá armado.
Ele vem
quando você acredita
que finalmente pode descansar.
A temporal...
Quando o tempo pula sem te mostrar direção ou norte
e se sentir vivo
é exatamente a única coisa sensata
dentro do caos chamado...
mente.
Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.
Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.
Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.
Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.
E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.
Eu não estou perdida
Não é falta de direção,
é excesso de mundo dentro.
Minha mente não se cala,
ela transborda.
São pensamentos, memórias, medos,
tudo ao mesmo tempo,
como se o silêncio não tivesse vez.
Eu não estou perdida.
Eu estou cheia.
Cheia de coisas que ainda não viraram forma,
cheia de sentimentos sem nome,
cheia de histórias que insistem em existir
mesmo sem saber por onde começar.
E no meio disso tudo,
existe uma parte minha
que pede paz…
mas existe outra
que entende:
é desse caos
que eu crio.
Então que seja.
Se minha mente é um turbilhão,
eu escrevo dentro dele.
"Frio que Sente"
Tem um frio
que não vem do mundo,
vem de dentro.
É quando você ainda sente tudo,
mas já não consegue demonstrar nada.
O coração não para de bater…
só aprende a se proteger.
E, às vezes,
se proteger
é esfriar.
“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”
"Dominar o mundo"
Não quero o mundo de joelhos,
quero o mundo aberto na palma da mão,
não por poder vazio ou espelho,
mas por ter vencido a própria prisão.
Dominar não é guerra nem grito,
não é pisar pra poder subir,
é olhar pro medo mais bonito
e ainda assim escolher ir.
É acordar quando tudo pesa,
mesmo sem ter chão pra pisar,
é transformar dor em certeza
de que ainda dá pra tentar.
Quero conquistar cada parte minha,
cada sonho que eu escondi,
porque o maior império que existia
era o que eu não deixava existir.
E quando o mundo enfim for meu,
não vai ter coroa ou trono, não…
vai ser só eu reconhecendo
que nunca mais fui minha prisão.
Decepção
É quando a realidade te dá um tapa com a mão aberta depois de você jurar que era carinho.
É perceber que você não se enganou por ser burra… se enganou porque quis acreditar. E acreditar, às vezes, é o erro mais caro.
É quando alguém te prova, com ações bem claras, que você era opção… enquanto você tratava como prioridade.
E dói mais não pelo que a pessoa fez — mas pelo que você imaginou que ela nunca faria.
Decepção não quebra só o coração, não. Ela corrói a confiança, desmonta tua intuição e ainda deixa aquele gosto ridículo de “eu devia ter visto isso antes”.
E o pior?
Quase sempre você viu.
Só escolheu ignorar porque sentir era mais confortável do que encarar a verdade.
Tem um momento específico que é o mais sujo: quando você entende tudo.
Quando as peças se encaixam e você percebe que não foi azar… foi escolha mal feita.
A sua.
A da outra pessoa.
Um caos compartilhado.
Mas aqui vai a parte que ninguém gosta de engolir:
decepção é um tipo de lucidez. Violenta, sim. Mas limpa.
Ela arranca a fantasia, rasga expectativa, joga luz onde você queria manter sombra.
E por mais que doa, ela te devolve uma coisa que você tinha largado pelo caminho: critério.
Você fica mais fria? Fica.
Mais seletiva? Ainda bem.
Mais difícil de acessar? Óbvio. E talvez seja exatamente isso que te salva da próxima.
Porque no fim das contas, a decepção não te destrói.
Ela só destrói a versão de você que aceitava menos do que merecia.
E essa… sinceramente… já tava pedindo pra morrer faz tempo.
Livro: Textos que Doem e Acordam por Lucci Santz
Mel
O nome dela escorre lento
tipo coisa que não se esquece fácil
gruda na boca, na mente
e pelo visto… até nos teus dedos.
Mel não chega, invade.
Vem com história torta, vida rasgada,
dessas que o mundo tentou quebrar
e ela devolveu com riso meio louco.
Tem gente que passa…
ela fica.
Nem precisa tocar direito
e já bagunça tudo por dentro.
Teu corpo entrega antes da razão,
teu pensamento trai qualquer juízo,
porque tem gente que não é paz…
é vício com nome bonito.
E o pior?
Você sabe.
Sabe do caos, do passado, das grades,
das vezes que a vida mordeu ela sem dó…
e mesmo assim, tá aí,
respirando ela como se fosse ar.
Mel não é leve.
É doce que queima.
É perigo que chama pelo nome
e ainda te faz sorrir enquanto você cai.
E você cai.
Com gosto.
Na rede ninguém é um só.
Somos versões. Fragmentos. Edições constantes do que a gente acha que o mundo tolera ver.
Tem gente que não foi feita pra ficar,
foi feita pra ensinar
o quanto a gente aceita menos do que merece.
