Sorri. Conversei. Fingi normalidade.... Lucci Santz

Sorri.
Conversei.
Fingi normalidade.


Enquanto por dentro,
as paredes desabavam devagar.


Tem gente que acha
que a morte sempre faz barulho.
Mas às vezes ela chega mansa,
senta no peito
e apaga a pessoa aos poucos,
como luz de casa atrasada.


E o pior?
Você continua vivo depois dela.


Carregando os restos.
Aprendendo a respirar
com os pulmões cheios de ausência.


Mas existe uma coisa irritantemente nossa, humana..
sobre sobreviver:
mesmo quebrada,
a alma insiste.


Insiste em escrever.
Em sentir.
Em levantar da cama
mesmo sem acreditar muito no amanhã.


Talvez porque,
lá no fundo,
até as ruínas sonham
em virar lar outra vez.