Coleção pessoal de luccisantz
Na rede ninguém é um só.
Somos versões. Fragmentos. Edições constantes do que a gente acha que o mundo tolera ver.
Tem gente que não foi feita pra ficar,
foi feita pra ensinar
o quanto a gente aceita menos do que merece.
O tempo não passa - ele cobra.
Ele não espera você se encontrar,
não respeita seu medo,
não negocia com sua dúvida.
Ele ruge.
Enquanto você hesita,
ele arranca pedaços do que você poderia ter sido.
E a vida?
A vida não pausa pra você se organizar.
Ela acontece no improviso,
no erro,
no “vai assim mesmo”.
Tem gente esperando o momento certo.
Tem gente esperando coragem.
Tem gente esperando aprovação.
E tem quem entendeu.
Que o agora é bruto,
imperfeito,
e mesmo assim… suficiente.
Não é sobre dar conta de tudo.
É sobre não se abandonar no meio do caminho.
Porque no fim,
o tempo não leva só os dias.
Ele leva versões suas
que nunca tiveram a chance de existir.
Criança não entende orgulho,
não entende briga de adulto,
não entende silêncio imposto.
Ela só sente falta.
Sente no vazio da pergunta que ninguém responde,
no “cadê?” que vira rotina,
no abraço que simplesmente parou de existir.
E quem afasta…
acha que tá vencendo.
Mas não percebe que tá ensinando abandono,
plantando insegurança onde só devia ter amor,
e deixando marcas que o tempo não apaga.
Porque criança cresce…
mas o que faltou nela
não cresce junto.
Fica.
E grita em silêncio pro resto da vida.
Não é o lugar, nem quem passou,
o tempo mente... Nada levou.
Há algo em mim que insiste em ficar:
não acaba… aprende a morar.
Não insista
Tem lugar
que te aceita…
desde que você se diminua.
E eu tentei.
Tentei caber,
tentei calar,
tentei ficar.
Mas ficar, às vezes,
é só uma forma lenta
de ir se perdendo.
Então eu fui.
Não por falta de amor,
mas por falta de espaço
pra ser quem eu sou.
A arte da Paula não se limita à pele, ela atravessa.
Cada traço que ela desenha carrega intenção, história e uma precisão quase ritualística. Não é só tatuagem, é linguagem ancestral sendo reescrita em carne viva.
A tattoo maori exige mais do que técnica. Exige respeito. E Paula entende isso como poucos. Ela não copia, ela interpreta. Ela não marca, ela traduz.
O que ela fez em mim não foi apenas estética. Foi identidade. Foi força. Foi um símbolo que agora respira comigo.
Existe artista… e existe quem transforma pele em narrativa.
Paula é dessas.
E eu carrego isso comigo agora. Permanente. Como tem que ser.
gentileza não é fraqueza, é controle. É você sentir tudo, perceber a dureza do mundo… e ainda assim não deixar isso te transformar em alguém que você não respeita.
Eu, no date, não jogo pra inflar ego.
Não sou narcisista, não preciso disso.
Quando estou com alguém
eu quero oferecer o meu melhor.
Não pra impressionar,
não por interesse,
Nem esperando algo em troca.
Mas por respeito.
Porque o tempo dela importa.
Porque estar ali comigo é escolha.
E eu valorizo isso.
De verdade.
Quem ama não provoca.
Não faz cena, não disputa atenção, não usa terceiros pra atingir.
Quem ainda joga…
nunca entendeu o que era amar.
E eu?
Ainda sinto.
Mas sentir não me obriga a voltar
pra um lugar que me destrói.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
