Coleção pessoal de luccisantz

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"O peso de estar sozinha a dois"




Não é sobre onde você dorme,
nem sobre quem te faz companhia.
É sobre o lugar que ocupo na tua vida
quando me falta você todos os dias.


Não é sobre proibir teus passos,
nem escolher quem pode te abraçar.
É sobre ter tão pouco da tua presença
e ainda me sentir errada por sentir,
por temer, por me importar.


Você chama de insegurança,
mas nunca pergunta de onde vem.
É fácil julgar o medo de alguém
quando não se enxerga
o vazio que se mantém.


Eu não quero ser tua dona,
não quero vigiar teu coração.
Só queria que a minha existência
não parecesse um incômodo
quando expresso uma preocupação.


E o que mais dói não é a distância,
nem a noite que você escolheu passar.
É perceber que, diante de outra pessoa,
você não teve cuidado
com a maneira de me tratar.


Porque eu posso até ter meus medos,
posso não saber tudo compreender,
mas estar insegura não me faz menor,
nem te dá o direito
de me ferir para se defender.


Eu também mereço delicadeza.
Também mereço consideração.
Não quero ganhar uma disputa,
muito menos implorar por atenção.


Quero um amor em que a presença
não seja favor, nem obrigação.
Em que eu possa dizer que algo dói
sem receber arrogância
como resposta à minha emoção.


Porque existe uma solidão estranha
que não depende de estar só.
É ter alguém a quem chamamos de amor
e ainda precisar engolir a própria voz
para não transformar a dor em pó.


E talvez o que mais me entristeça
não seja o que você fez esta noite,
mas perceber que, enquanto tento explicar
por que certas coisas me machucam,
você parece mais preocupada em se defender
do que em me escutar.


Eu não quero te prender.
Não quero te ensinar a amar.
Só não quero continuar me diminuindo
para caber num lugar
onde eu também deveria importar.


Porque amar alguém não deveria exigir
que eu me acostumasse à ausência
e ainda pedisse desculpas
por sentir falta de presença.

Não é falta de coragem, nem vontade de parar,
é que existem certas dores que nos cansam de lutar.
Quem aponta o dedo esquece, no conforto do seu chão,
que ninguém conhece o peso que carrega outro coração.

As pessoas confundem não conseguir com não querer porque é muito mais fácil julgar o resultado do que compreender tudo o que existe por trás dele.

Desejos que não precisam ser pronunciados.

Nascem no silêncio de um olhar demorado,
na distância curta demais,
naquilo que quase acontece e, justamente por não acontecer, permanece.
É um fogo quieto, escondido sob a pele.
Um olhar que percorre, retorna, insiste...
como quem toca sem tocar.
E há um instante em que os olhos se encontram
e o silêncio já não consegue disfarçar aquilo que o corpo inteiro sabe.

Desejo não se explica.
Reconhece-se.

Há quem conquiste poder para não se sentir pequeno... E termine prisioneiro daquilo que conquistou.

Nem toda perda pede retorno,
nem todo desvio é fracasso.
Alguns dias nos desmontam
só para mostrar
o que já não cabia
no espaço.

“Encontrar alguém que faça sentido no meio da bagunça é raro. Mais raro ainda é não precisar se perder para caber no encontro.”

Vamos abrir portas
sem perguntar o que há depois.

Nem todo caminho precisa de destino,
nem toda escolha precisa de explicação.

Há encontros que chegam atrasados,
lugares que só fazem sentido depois,
e acasos que perderiam a chance
se encontrassem tudo fechado.

Deixemos algumas portas abertas.

Não para esperar.

Para que a vida,
quando quiser surpreender,
ainda encontre por onde entrar.

Algumas histórias não começam com uma declaração.
Começam quando você percebe que está escolhendo aquela pessoa em pequenas coisas, todos os dias.

Tem amores que começam numa conversa despretensiosa e, quando você percebe, já mudaram o lugar onde o coração morava.

Niña loca, hermosa mujer,


tan lejos de mis manos,
pero tan cerca de mis ojos,
que ya no conocen la razón.
Si existe belleza
en aquello que no se puede alcanzar,
tal vez seas tú
esa eterna esperanza.

“Se você estiver no inferno, eu desço para buscar você.”
E talvez seja essa uma das formas mais assustadoras de amar.
Porque descer ao inferno por alguém não é uma metáfora pequena.
É aceitar o fogo.
É entrar onde dói.
É caminhar por lugares dos quais talvez não exista caminho de volta.

Há amores que não terminam porque nunca começaram. Terminam quando finalmente entendemos que não haverá lugar para eles.

Às vezes o coração precisa de tempo para alcançar uma verdade que a cabeça já descobriu.

Algumas portas se fecham. Outras nem precisam ser abertas.
Porque existe uma diferença entre perder um lugar e finalmente perceber que aquele lugar nunca foi seu.

Eu não quero mais entender por que certas coisas precisaram doer tanto.


Só quero que alguma coisa, enfim, mude de direção.


Que aquilo que hoje parece peso encontre um lugar para descansar.
Que o que não aconteceu deixe de ocupar tanto espaço.
Que eu consiga olhar para a frente sem precisar carregar tudo o que ficou para trás.


Não peço uma vida perfeita.


Peço uma vida que não me faça desejar fugir dela.
E, se eu já não souber pedir direito, que Deus entenda mesmo assim.

A Porrada no Lugar Certo


Talvez o que doa não seja apenas não tê-la.
É saber que eu teria ficado, se tivesse tido a chance de ser conhecida de verdade.


Agora estou aqui, tentando juntar as partes da vida, enquanto uma parte de mim ainda olha para uma história que nunca teve sequer a chance de começar.

O tempo passa diferente
quando o sonho perde a vez.
Passeios, risos, violões,
danças na praia ao fim do mês.
Não foi uma história perdida,
nem lembrança de algum lugar.
Foram sonhos sem começo
que o tempo levou sem esperar.

E se não for mais sobre eu e você?

E se eu finalmente parar de te esperar?

Será que, algum dia, vou te ver passar
e não sentir vontade de voltar?

E será que, nesse dia...
meus olhos ainda serão os mesmos?

Ou talvez eu já tenha aprendido
a olhar para você
sem procurar em nós
aquilo que um dia eu esperei encontrar?

Desmonte o impulso. Domine-o. Só então reaja.