Coleção pessoal de eriecsoulz
É hora de secar as lágrimas
Erguer a cabeça
Respirar fundo
Arrumar o cabelo
Vestir o melhor sorriso
É hora de perguntar a si mesmo:
“Onde quero chegar?”
“ONDE – QUERO – CHEGAR?"
Se já sabe a resposta, ótimo
Vá em frente e chegue!
Se ainda não sabe
Trate de descobrir
Uma vida sem foco
É quase uma vida perdida
Ações geram reações
Tudo o que precisamos
Está na consequência de um ato
Já é hora de agir
Então aja.
Sobe a noite aos céus
E goteja milhares e milhares de estrelas
A Lua mansa em seu profundo silêncio
Apenas observa a magia começar
Para alguns
Corpos a desacelerar
Mentes se fechando em escuridão
E abrindo-se em sonhos
Para outros
Hora de se alegrar
Mais um dia se encerrando em mistérios
Sobe a noite aos céus
Iluminada o suficiente para todos
Cheia de paz
De bênçãos
De proteção
Para o fim
Enfim
Novamente
Tudo recomeçar
Olhos pressionados, típico “olhar 43”, semiabertos, fixos no alvo, medindo minuciosamente cada movimento. Sei que tenho excelente pontaria, afinal foram longos anos de dedicação e treinamento, mas, ainda assim, hesito toda vez, tenho medo de errar. Cautelosamente tenciono as fibras do arco até que elas cheguem praticamente ao limite, então, vou pouco mais além, percebi que esses milímetros a mais tem surtido melhor efeito. Inspiro profundamente, solto a flecha e vibro em silêncio até que a lâmina atravesse o pulsante coração. O sangue escorre, vermelho, quente e brilhante. O amor explode, envolve, engrandece, o corpo estremece e deixa um discreto sorriso escapar. Eu sou o Cupido e amo meu trabalho. Executei-o por muito tempo com grande êxito, mas assim como em qualquer outro, enfrentei um período de provação. Distribuir amor, confesso, passou a ser uma tarefa muito difícil. Engana-se quem pensa que distribuo somente amor entre casais. Engana-se. Tenho em estoque todo e qualquer tipo deste lindo sentimento. No início da turbulência, pensei ter perdido a técnica, a força, troquei o arco, afiei um pouco mais as lâminas e até reformulei a poção, mas de nada adiantava. Percebi que o ser humano estava mudando, os corações agora, carregavam escudos que o envolviam permanentemente. Eles passaram a olhar para si e somente para si. Percebi que nada mais importava, eles não se importavam. Desanimei, enfraqueci, entristeci e desAMEI. Eu também passei a não me importar mais, e então, ninguém mais se importava com nada nem ninguém. Desiludido, perdi as esperanças, não sabia o que fazer. Peguei minhas coisas e fui em direção ao baú onde os guardaria para sempre. Coloquei tudo lá, carinhosamente, o arco, as flechas e as poções. Prestes a fechar a tampa, olhei aqueles objetos fixamente e vi a solução bem ali, diante dos meus olhos, andando comigo o tempo todo. O amor! Meu próprio amor. Tão logo, apanhei uma das lâminas carregada, fechei os olhos e cravei-a no peito, senti aquela explosão me envolver, correndo por todo o corpo, cena que vi milhares e milhares de vezes. Como era bom! Agora, mais uma vez eu me importo, ainda que não seja fácil, eu acredito na força do amor.
Agora você faz parte de um jogo de xadrez, desconsidere gêneros e escolha: Que peça você será?
O Rei? Peça mais importante do jogo. Ou a Rainha? Com toda sua liberdade, força e flexibilidade. O Cavalo talvez? Diferente, único, estratégico e cheio de estilo. Dentre os outros, o Peão? Menor peça do jogo, limitado, fraco, reprimido, considerado o sacrifício. É, esta última, não parece uma boa opção, mas, talvez seja a melhor das opções.
O peão é aquele que casa a casa vai chegando onde deseja. Seus movimentos são detalhadamente pensados, seguindo sempre em frente, pois ele nunca poderá voltar atrás. Uma característica para poucos, uma característica para os fortes. Observo também, os peões na linha de frente, como uma muralha, preparados, ou não, eles estão ali para enfrentar seus adversários face a face, seja ele quem for. Estão dispostos a ir até o fim, lutando para proteger sua entidade maior, a qual ele acredita, ama e dedica sua vida. Outro ponto importante, se não o mais, o peão é uma peça “pequena” alocado no tabuleiro em sua grande maioria, sendo a única peça que ao chegar do outro lado é coroado, podendo tornar-se qualquer outra peça. Este é o Peão. Possivelmente a maior e mais importante peça do jogo.
Passo a passo, consciente, batalhando e crescendo. Vencer? De repente... A vitória não é certa, contudo, saberemos apenas depois de tentar.
Afinal, que peça você será?
Eu estava só, mesmo rodeado de pessoas. Praticamente nada me entusiasmava. Uma moça descabelada dormia a minha frente, seus fones de ouvido estavam no som mais alto possível. Atrás havia um casal que falava incansavelmente sobre as artimanhas dos netos e palpitavam na vida dos pais deles. Ao lado tinha um menino, digo, um rapaz com seus vinte e tantos anos, um livro na mão e um ponto de luz sobre si. Não que eu tenha reparado, mas as letras grandes no início da página cento e vinte e dois me chamaram atenção: Como ser um herói. Afinal não precisava de muito esforço para lê-las, enfim. Ao fundo ouvia-se algumas risadas e crianças resmungando, enquanto isso lá fora, a paisagem corria a cerca de cento e dez quilômetros por hora. Já era noite, estava escuro e o bendito assento vinte e três do rapaz vestido de preto da cabeça aos pés, não que eu tenha reparado claro, até porque era impossível não vê-lo, continuava com a luz acessa. Aquela viagem certamente seria longa, a começar a contar pela minha ansiedade que transformava os segundos em horas. Eu estava ali, minha mente não, a propósito, estava longe, bem longe. Mal sabia eu o que fazer ao desembarcar no meu destino. Eu pensava, roía as unhas, cruzava as pernas e imediatamente descruzava, refletia, agoniava e não chegava a conclusão alguma. Talvez eu devesse relaxar um pouco e tentar dormir, eu estava completamente incomodado, sabia o porquê, mas na verdade não queria admitir a mim mesmo que talvez estivesse metido numa loucura, que talvez tivesse tomado uma decisão precipitada que havia me deixado completamente inseguro. Enfim, eu iria tentar. Já estava decidido. Fechei os olhos e em meio aquela multidão de pensamentos questionei: Como ser um herói? Abri novamente os olhos e fiquei olhando para o nada por longos minutos, tentando responder aquela simples pergunta. Eu não sei, mas acho que preciso acreditar um pouco mais em mim. Acreditar nas minhas intuições, aplicar meus aprendizados nas novas experiências que estão por vir e ter mais fé. Ter certeza. Certeza de que dará certo. Heróis agem enquanto os outros se paralisam. Eu estava agindo e isso já é um começo... CLICK! O garoto do vinte e três apagou a luz. Finalmente. Já era hora. Encostei a cabeça no vidro e logo adormeci. Algumas horas depois o ônibus parou. Acordei meio assustado e logo o motorista gritou o som do meu futuro. Eu não estava preparado, porém minha determinação era imensurável. Muitas pessoas se levantaram para sair o mesmo tempo. Eu ainda estava sonolento, decidi aguardar o tumulto se diluir. Ajeitei-me no assento, olhei ao lado, assento vinte e três, vazio, notei que havia algo enfiado entre o vidro e a cortina da janela, era o livro. Como ser um herói? Levantei rapidamente olhei ao redor e por uma fresta da janela, vi o garoto lá fora. Pensei naquela pergunta impregnada na minha cabeça. Definitivamente eu não sabia a resposta para ela, mas logo saberia. Peguei o livro e fui em direção a saída já folheando-o. Na folha de rosto havia um nome escrito a caneta, certamente era o nome dele, ou não, sei lá, aquilo não me importava. Desci as escadas, passei pela porta de saída e acelerei o passo. Elevei os olhos e vi o mundo, minha mente se inundou de pensamentos, não pensei duas vezes e gritei:
- Fabrício? O garoto parou e olhou-me desconfiado. - Acho que isso aqui é seu. Estendi a mão entregando-lhe o livro.
Segui meu caminho certo de que grandes feitos se iniciam com pequenos atos.
Enquanto caminhava para o trabalho, parei por um segundo para olhar ao redor, era bem cedo, o ar estava puro e ainda fresco mesmo sob o sol incandescente. Pessoas de um lado para o outro evitavam trocar olhares, algumas carregavam bolsas de problemas enquanto outras estampavam um sorriso no rosto. Olhei as nuvens, fechei os olhos e inspirei profundamente. Os raios de sol atravessaram-me como flechas aquecendo todo meu corpo. Purifiquei-me. Ressurgi. Acendi o que há muito havia se apagado.
É preciso que exista o erro, para que ele possa ser corrigido.
É preciso conhecer o erro, para dar devido valor ao acerto.
O erro é um favor, que se ajoelha em forma de degrau para o sucesso passar.
Andando por aí, ouvi uma antiga história que dizia:
Um homem ao chegar ao Reino dos Céus procurou o templo de Deus e esperou sua vez para ser atendido. Depois de uma longa conversa, entre perguntas e respostas, Deus entregou-lhe uma lista com todas as dádivas previstas a ele, desde o momento de seu nascimento até seu último dia na Terra, ao passar os olhos pela lista, logo identificou alguns itens dos quais não conseguia se lembrar, bênçãos não recebidas, situações não vividas, tão logo questiona:
- Perdoe-me Senhor, esta não deve ser a minha lista, há alguns itens nela que não tive a proeza de vivenciar...
Deus olhou-o sereno e disse:
- Sim, esta é exatamente sua lista. As dádivas aí não recebidas, seriam suas, mas você não possuía Fé suficiente para acreditar que as alcançaria, deixou levar-se, muitas vezes, pelo sentimento do fracasso, descontente pelas perdas da vida. Deixou de pedir-me e eu estava aqui, pronto para auxiliá-lo. Não digo que deveria implorar por tudo isso, mas meu propósito pra você era maior, bastava você ACREDITAR e conquistaria tudo. TUDO!
Este é meu quadro preferido. O único que me lembra você. Seu cabelo branco acinzentado, seu olhar sereno, seu colar de pérolas. Todo pintado com café preto amargo, naquele magnífico sorriso de um canto só. Minha musa inspiradora. Nem mil fotos Polaroid contariam toda nossa essência, nossa vivência, todo esse nosso romance. Mãos entrelaçadas, apertadas, ruas cruzadas, toda tinta derramada. Ainda venho vê-lo as vezes, sempre ao nascer do Sol, para dar encanto, ganhar vida, ganhar um pouco de você, bem pouco, bem mais que o suficiente.
A propagação desta geometria, vaga e abstrata, encrostada pelas ruas da cidade, entre portas e janelas, musgos e reboques, revelam outros pontos de uma mesma história, vista por um milhão de olhos inocentes que plantam flores ou espinhos, sobem escadas atropelando seus próprios vizinhos sem carregar alguém ao colo, murmuram versículos mas sempre cruzam os braços. O que é uma boa música para quem nunca pôde escutar? Um dia. Sol, euforia, correria, poesia.
Minha primeira carta de recusa não foi uma carta qualquer, com apenas um texto padrão e um NÃO gigantesco gritando na cabeça. Ao final dela, havia uma consideração escrita a caneta azul: “Ainda que tenha de colecionar cartas de recusa, faça uma extensa coleção, por favor, faça. Continue este movimento. Por favor, insista.”
Vem e me inspira, passa e arrepia.
Me somem os pensamentos.
Chegam as palavras e tomam minha mente.
Fico de lado, escuto sua voz.
Faço reverência!
Me arranca um suspiro, uma lágrima, um sorriso.
Torce a caneta e carimba o papel,
Um desabafo, uma história, um delírio.
Eternizar a emoção que me reflete,
A traços descompassados que ninguém precisa entender.
Mas acha graça.
Vá-se embora.
Reluz.
Amassa e joga fora.
Ok, vá lá! Dê a cara a tapa!
Vamos ver do que é capaz.
Surpreenda!
Seja sua própria melodia.
Aumente o som.
Dance no escuro,
Olhe o céu.
Com certeza ele está cheio de luz.
Sorria.
Não há nada mais forte
Que um sorriso,
Para aqueles que te querem no chão.
Eis a graça do contraste.
O dia se transforma em noite e a noite em dia novamente.
Amanhece, mas o Sol não aparece.
Anoitece e não vemos as estrelas.
Não mais.
Tudo que se vê é uma cinza floresta de pedras.
Fim de tantos projetos concretizados.
De contas no relógio.
Dos “x” no calendário.
A beleza natural da Terra se perdeu.
O que não é pedra, é pixel.
É sinal.
Ou ainda um emaranhado de fios expostos.
Que não se sabe o que, pra onde, ou pra quem vai.
Imensuráveis essências foram assentadas sob a terra.
Enterrou-se a pureza, a inocência, o respeito, a verdade.
Isso é alicerce. Ou era. Ou ainda é, mas lá embaixo.
Perdendo-se a cada bloco sobreposto.
A cada parede levantada.
Para criar, por padrão, uma estrutura verticalizada.
Para que seja alta. Bem alta.
E quanto mais alta, mais cara.
Mais se paga.
Mais se tem.
Mais se é.
Descobrimos tudo.
Aprendemos tudo.
Registramos e contabilizamos tudo em números.
Certidão de nascimento, RG, CPF, CNH, CTPS, CNPJ,
Passaporte, cartão de crédito, título de eleitor...
E uma lista infinita de uma identidade codificada.
Distraídos, meio a tanta correria, não percebemos...
Fomos escoados.
Sabotados.
Soterrados.
Sufocados pelo ar que tiramos de nós mesmos.
Menos um.
Mais um código registrado que vai para o fundo da gaveta.
Sem nada deixar.
Sem nada levar.
