Coleção pessoal de eriecsoulz

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Perfeito
Com seu pincel mágico
Coloriu a vida
De mil palhaços empilhados
Numa bolha de sabão
Flutuando entre as nuvens
Bem macias de algodão
Apesar dos vários olhos
Este foi o seu caminho
Bem traçados ninho a ninho
Sem mais placas e blá blá blá
Repousada em solo firme
Alegria se espalhou
Um fez cara e tricô
Fez marionete e se engraçou
Fez pipoca e se queimou
Outro fez ponte e se jogou
Numa torre de papel branco
Nem quis ouvir o grito
Ecoado no infinito
Das paredes deste quadro
De um pobre pintor magro esquisito
Que sorria sem parar.

Num momento eu preciso de você e de repente, quem precisa é você.

Lembrete do lembrete.

De todos meus rascunhos rasgados, amassados, rabiscados, esquecidos, descartados eu fui mais um. Só mais um. Fui um rascunho molhado pelas lágrimas das minhas dores e pelas lágrimas das minhas conquistas. Fui rascunho em preto e branco, colorido, impresso e digital. Fui a ideia de um rascunho. Um rascunho mal escrito, mal interpretado e mal finalizado. Fui um rascunho apagado. Perdido. Perdido em mim, nos outros e pelo mundo. É, fui um rascunho e continuo sendo um, porque eu me escrevo e me descrevo todos os dias e, de todas as vezes que eu me reescrevo, eu descubro um pouquinho mais sobre o que sou, sobre quem sou, onde estou e onde quero estar. De rascunho em rascunho, tudo que se espera pra ele é um final surpreendente. Todo dia, toda hora, o tempo todo há um rascunho em branco esperando por um sentido concreto que nunca terá fim.

Enquanto eles se beijavam, você os olhava e eu te olhava. Suponho que por detrás dos seus olhos haviam muitas suposições que recaiam sobre eles ao supor que, dentro de um beijo, tudo se resumia. Eles eram felizes, você era frustrado e eu apenas um narrador que observava tudo de longe. Mas não... Eles eram os frustrados, você era o feliz e eu... Eu era apenas o contorno de uma imagem meramente ilustrativa.

Amanhecia e eu era o primeiro a levantar
Oh céus, por sorte os travesseiros eram mudos
Escondiam todas as lágrimas que eu não podia segurar
Eu sabia de tudo, mas fingia que não
Tu sabias de tudo, mas fingias que não
Ele, ou eles, também sabiam
Me contar, nunca foi uma opção
Me acusar, por sua vez
Era sempre a primeira da lista
Transferir a “multa” e os “pontos” para o outro
É muito mais interessante
Sim... Eu me culpo
Eu me pergunto, me respondo
Traço retas, curvas, ondas
Ziguezagueio e findo num quadro abstrato
Pergunto-lhe...
É possível enxerga-lo? Admira-lo?
Eu entendo tudo que ele diz, e você?
Será que parou algum para olha-lo a fundo
Ou simplesmente pregou-o na parede para compor a decoração?
Será que isso importa? Talvez sim, talvez não...
Ele leva meu nome, minha marca, minha assinatura
Já é parte da minha história
Do meu ser, do meu mundo
Ele estará presente no meu futuro
Como degrau para o sucesso que ei de alcançar.

Pra falar de amor...
Eu não entendia o que ouvia
Até você me apresentar a voz do silêncio
Eu não conseguia expressar o que queria
Até você me ensinar a apenas sentir
Eu não conseguia enxergar
Até você me abrir os olhos
E conectar seus olhos nos meus
E num abraço
Seu cheiro no meu
Seu corpo no meu
Seu coração no meu
E tornar-se
Não apenas um, mas dois
Dois corações que se completam
Se complementam
Se apoiam
E voam juntos
Pra qualquer direção.

Um minuto
Um minuto é muito tempo
E a cada um minuto
Duas partes se dividem
Meio a meio
Meio pra mim e meio pra você
Por enquanto
Porque pode ser que daqui um minuto
Meia parte não exista mais
Pense pelo lado positivo
Quando era, era por inteiro
Mesmo que ilusório
Como na maioria das vezes
Comum acordo de interesses distintos
A junção daquilo que se tem
Com aquilo que se quer
Uma troca justa aparentemente
Mas que insiste em me conflitar
Será que vale a pena?
São minutos valiosos
Não sei se são ganhados
Não sei se são perdidos
Sei apenas que eles vem e vão
E eu fico aqui
Em busca de apenas um minuto
Capaz de mudar o mundo.

Faço hoje, pensando no amanhã e me lembrando de ontem.

Numa noite qualquer, tudo muda.
Numa noite qualquer, tudo mudou.
Mudou no decorrer do amanhecer e mudam até hoje.
De não, estamos cheios.
De sim, escassos. Sim? Por quê?
Porque aprendemos que é feio dizer não, mais tarde, aprendemos que é ainda mais feio mascarar o não com um sim mal dado. Devemos sim dizer sim. Sim para si e não para os outros. O sim do outro é consequência da felicidade distendida. Colocar-se em primeiro lugar não é egoismo, é amor próprio. Bastar-se consigo é algo difícil, contudo, extremamente necessário. Não deixe que lhe diminuam, lhe anulem, lhe passem para trás, esperto mesmo é aquele que se faz tolo perante o tolo que se passa de esperto. Regredir para avançar também é algo admirável, tenha consciência disso. Olhe-se. Consulte-se. Entenda-se. Faça o que deve ser feito sem medo de errar. Todo pássaro mesmo sem nunca ter voado um dia terá que bater assas. Voe. Voe passarinho, estarei aqui no nosso ninho se um dia você voltar.

Hey, acorda! Você deveria absorver e construir novas referências diariamente ao invés de viver se embasando naquilo que já passou, naquilo que já conhece. NÃO ESPERE PARA VIVER O HOJE AMANHÃ.

Vento
Lento, leve, deslizante
Pela fresta da janela
Trinco agudo
Risco do grito no vidro
Click Clack Bum
Olhos semiabertos
Cascas, lascas, raspas
Arabescos
Baixo tom
O som do mantra
Tocando sutilmente pela ponta
Antes seco
E agora encharcado
Belo contraste
Vermelho e branco
Tempo reverso
Desconstruído
A menor partícula de si
Suspira, inspira
E se desfaz
Lentamente
Levemente
Deslizante como o vento.

Você me mudou, me transformou
Trouxe pra mim quem sou
Usou e abusou
Amor mansinho
Mansinho, leve e traiçoeiro
Juras
Juras breves e caladas
Sempre tão caladas
Avoadas, inventadas, decoradas
Contornadas, iluminadas
Lindas e irreais
Logo você, que vivia a me apontar:
- Chato, cruel, marrentão...
- Aquele que não jaz de um coração
Eu só estava magoado
E assim você se magoou
Não suportou
Vestiu suas desculpas e se foi
Foi escorrendo pelas mão
Liso, intocável
Se diluiu, se misturou
Rabiscou, grifou, pintou e reapareceu
Já não era o mesmo quadro
Mal-acabado, torto e opaco
Tudo aos meios
E ao meio dos seus meios intocáveis, repousei
Criei, cuidei, reguei, floresci e frutifiquei
E junto, também me inovei
Bati asas e voei
Sai da teia que você tecia a me circular
Você me mudou
Trouxe pra mim quem sou
Já foi, acabou.

Você riu. Riu de mim. Riu da minha cara. E não porque eu era engraçado. Muito menos por ter feito ou dito algo que lhe levasse a rir. Você riu porque subestimou a minha capacidade. Você riu do meu eu mais verdadeiro. Aproveitou da minha fraqueza... Riu da minha naturalidade, minha essência, minha plenitude. Você riu e eu chorei. Chorei porque doeu. Ao olhar-te, descobri o que era um disfarce. Oscilei. Voei baixo, tão baixo que parei para rir de mim. Rir daquela tolice. Permitir que alguém abale a grandeza dos meus sonhos é muita tolice. É para rir mesmo, e foi o que fiz. Olhei o céu antes de decolar novamente e pensei naquele ditado que diz: “Quem ri por último, ri melhor”, eu não concordo com ele, meu riso em sorriso, em verdade, em crescimento, reconhecimento, era puro, sem maldade, sem inveja, sem qualquer tom de vingança, de inveja, um riso sem disfarce, para mim, para a vida. É só isso que eu preciso.

Da série: Oh Poderoso Zeus

O medo faz o fato.

A razão é azul – A emoção é vermelha

Na base, atente-se as línguas afiadas, no topo atente-se ao som do silêncio.

Quando um ciclo se quebra, inicia-se um outro ciclo em complemento a este que se quebrou. Os elos nunca são desconexos.

Sedução, emoção, dor.

Muitas linhas, muitas figuras, muitas visões, muitas constelações. E a essência? Praticamente a mesma.

O alimento que perfuma o centro de uma rosa, passou primeiramente por todo seu caule espinhoso.

O topo do sucesso tem em seus degraus muito mais histórias bem sucedidas do que o próprio topo.

- Espelho, espelho meu, existe alguém mais belo(a) do que eu?
Eis que o espelho responde:
- Sim, sempre há. Digo-lhe um pouco mais, existe alguém não apenas mais belo(a) como mais equilibrado(a), mais carismático(a), mais esperto(a), sábio(a), criativo(a), dedicado(a), generoso(a), honesto(a), alguém muito mais afetivo(a), muito mais capaz, muito mais confiante do que você. Você é completamente substituível, tudo o que você possui, muitas outras pessoas também possuem, isso e muito mais, isso e muito menos. Por uma perspectiva, os seres humanos são completamente iguais, por outra, extremamente diferentes. A imagem que vê em mim é algo seu, só seu, ainda que haja outras semelhantes, idêntica, jamais, isso lhe faz especial. Olhe fundo em meus olhos. Aqui dentro não existe algo mais belo(a), a menos que você queira que assim seja, caso contrário, e assim espero, és o ser mais autêntico que já vi. És insubstituível.

Ao colocar o pé pra fora de casa eu começo uma luta. Lutocontra o vizinho que varre o lixo pra minha calçada. Lutocontra a imprudência no trânsito.Lutocontra a falta de respeitoquando alguém ocupa um lugar que estava destinado a alguém. Luto contra o descaso.Luto contra o preconceito. Luto contra mentes e pensamentos pequenos. Lutocontra a falta de vontade das pessoas. Luto contra várias outras situações e deixo de lutar ainda, por outras milhares, porque um único ser não é capaz de tanto. Ao voltar pra casa, cansado dos desafios do dia, buscando repouso e um pouco de paz, percebo quelutei tanto lá fora que deixei de lutar por aquilo que tinha ali dentro, diante dos meus olhos. Percebo que a fonte de toda aquela repulsa que me entristece lá fora, dorme sobre o mesmo teto que o meu. Percebo então, que tudo foi em vão, que jamais alguém será capaz de mudar o mundo, sem mudar, antes de tudo, o próprio interior.

Chuva, cisco de céu varrido
Pra debaixo dos tapetes de algodão
Voa em sentindo contrário
Sapateia pelas telhas
Escorrega pela tubulação
Tilinta algo que eu bem escuto
Diz que é transitório, passageiro
Mas garante que traz mudanças
Purifica o topo e encarde a base
Traz somente para baixo
Tudo aquilo que nunca precisou subir

Contradito
Um dia dito em verdade
Quando na verdade
Verdade não há
Verdade era
Era
Mas só um pouco
Um pouco de muito
E se dessem
Um pouco mais
Seria tudo
Mas não deram
Assim, resultado de nada
Logo
Tudo
Muito
Pouco
E nada
Do lado oposto daquele que diz
No caminho inverso
Sem ser comparado
Numa outra versão
Numa outra visão
Numa outra realidade
Realidade daquele que busca tudo
Mesmo não tendo nada
Muito simples na verdade
Verdade?
A voz do meio
Em pleno silêncio.

E ao meio dos seus meios incontáveis repousei.

Eu, enquanto primeira pessoa, sou o melhor sujeito oculto da minha terceira pessoa. Quando por um lado, a terceira pessoa do plural, me tira o brilho dos olhos, por outro, a segunda pessoa, me despertam um brilho diferente. Desperta, porque o brilho é sempre da primeira pessoa. Ninguém tira, nem coloca brilho nos olhos de ninguém.