Coleção pessoal de eriecsoulz
"Que bom que não perdi a fé!", falei baixo ainda curvado ao estrondoso som dos aplausos. Os gritos e assovios daquela multidão ecoaram meio a minhas lembranças. Se hoje estou aqui, é graças a minha fé, a minha luta diária em busca da realização de um sonho que neste exato momento se finda. Eu o conclui. Devo graças também a bons amigos e a minha família. Presenciaram momentos em que duvidei da minha capacidade, me frustrei com alguns caminhos que tive de trilhar, pensei em voltar, em desistir e quando convicto do retorno, olhei para trás... Eles estavam lá, formando uma muralha, todos apontavam para frente gritando um a um: "Vai lá você consegue", "Não desista, estamos com você", "Filho, mantenha o foco, amo você", "Vai lá cara, arrebenta"... Todo aquele carinho, aqueles olhinhos acreditando em mim. Como pude duvidar? Meu coração se exaltou, meu rosto explodiu em lágrimas, acendeu minha esperança, voltei à face adiante e fui. Estive nos bastidores muito tempo. Acomodado. Percebi o quanto é difícil subir ao palco. E quando me perguntaram: “Há coragem suficiente?” Subi o mais alto que pude e dei o meu show. Porque é isso que a vida quer de nós, um show. O melhor dos shows que podemos dar.
Nada parece ter sentido até que ali eu me encontre.
Nem todos interpretam o que leem da maneira que eu gostaria que interpretassem.
Nem todos leem ouvindo a melodia que eu ouço.
Ninguém lê com o mesmo sentimento de quem escreve.
Palavras são só palavras, quem dá sentido a elas é você.
Quem? Eu?
Sorriso lindo, corpo tatuado, cabelo bagunçado, todo arrepiado. Menino equilibrado, espiritualizado, sexto sentido exacerbado. Olhar encantado, sono perturbado, coração apertado e um choro entalado que não se finda. Eu sou isso e mil mais, dentre estes, ainda me pergunto: “Quem sou?”
Um quem sou eu.
Aquariano, Enigmático, Futurista, Perfeccionista, Intenso, Chato, Ansioso, Indignado, Desnorteado... Sempre procurando no infinito uma razão para os fatos. Correndo de olhos vendados pelo simples desejo de adrenalina, e quando a encontro e eu sempre a encontro, não a quero mais. Eu quero é mais. Sempre mais. Não me contento fácil, quero ir além! Felicidade não se encontra em qualquer lugar.
Para todo Fim, um Recomeço
Vê-se um botão nascendo no meio do deserto.
Penso que ele não sobreviverá.
Esperará a morte com a seca e o Sol quente.
Mas ele floresceu, da cor da água refletindo o céu.
Exalando todo seu perfume.
Permaneceu sozinho.
Pensamento vazio.
Precisava seguir em frente.
Desejei-lhe forças!!!
Mas, menti pra mim mesmo acreditando que ele suportaria...
Bastou anoitecer e ele se fechou.
Eu estava certo, ele não resistiria.
Notei pequenos pontinhos de luz por suas pétalas, folhas e caule...
Esperei pelo fim...
E enfim adormeci!
Ele se foi.
SECOU e VOOU.
Espalhou suas sementes por uma vasta extensão.
Botões brotaram, mais, mais e mais.
Eu estava errado, ele não só resistiu com se multiplicou.
Deu ao fim, um recomeço.
Entregaram-nos uma folha em branco e disseram apenas: Descrevam-se!
Descrever-se é, no mínimo, algo temporário. Sou alucinação, evolução, desconstrução, razão, emoção. Tudo que sou hoje, amanhã, provavelmente não serei mais. Eu sou o autor. Eu traço as rotas e escolho os caminhos. Eu decido se vou seguir ou mudar de rumo. Há algum tempo, decidi assumir e aceitar as consequências das minhas escolhas. Decidi agir independente da ocasião, mesmo quando minha melhor ação é ficar imóvel. A vida não é uma bolha que nos isola do resto do mundo, há também os fatores externos que nos envolvem e aprendi a olhá-los como meus, porque, ainda que clichê, nada é acaso. Tornei-me otimista. Passei a crer no meu potencial, porém, não é incomum que um quadro de insegurança vez ou outra se instale. Sou humano e isso se transcende aos mistérios do universo, da mente, da alma. Descrever-se é algo amplo demais para tão pouco tempo, para tão pouco espaço. Lembrei-me então, de uma velha canção que dizia: "Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz". Quem sou eu senão um ser em busca de felicidade? Bati os olhos no relógio que andava incansavelmente, corria, voava. Na verdade, o tempo voa. Os dias contados no calendário não perdoam, eles são únicos, se passar, passou. Aquela era a hora. A primeira. A última. Eu precisava escrever. Descreva-se! Descreva-se! Descreva-se! A voz ecoava pelo meu corpo. Eu tentava, me concentrava, mas nada alcançava minha mente. Nada! Eu, nervoso, aparentemente me perdi naquele teste. Observei a folha e sorri. Talvez ainda não fosse meu momento. Não aquele. Não sou ser de tão pouco tempo. Talvez devesse aprender a ser. Por enquanto não era. Certamente eu continuaria tentando. Sim! Continuaria, e sempre sorrindo, pois aprendi a ser grato pelo que tenho. Os dias estão repletos de oportunidades. Aprender, crescer, evoluir, vencer, e, mesmo que não faça sentido algum, assim como minha folha ainda em branco, eu estarei lá, pronto para ser o autor e escrever minha própria história.
Credo - Creio que das responsabilidades para com o universo, uma das mais importantes está na maneira como penso nos efeitos das minhas próprias ações recaindo sobre os outros, a dimensão e o peso que tomam no decorrer de uma trajetória viciosa, onde os pontos são totalmente interligados uns aos outros. Inevitavelmente algumas pontas se soltam e escorrem pelo vão mesmo depois de todos os esforços. Uma constante. Uma constelação infinita onde brilha mais quem pode mais, quem quer mais e, é claro, quem divide para multiplicar. O próximo também tem o seu devido valor e não poderá ser prejudicado por atos de egoísmo e má fé, o Sol é justo e brilha para todos.
Um pouco mais atrás, creio na energia emanada no pensar dos meus passos, no gerir das intenções, que incidem não somente na lei da ação e reação, "...não há boas ações, sem boas intenções...", sendo a colheita satisfatória é sinal que o plantio também esteve em boas sintonias, caso contrário, certamente tratamos de um afunilamento que nos trazem evidências suficientes para mudar de rumo. "É como sentar sobre as próprias pernas, em repouso, até que elas doam e obriguem-nos a move-las." Creio que somos livres para expor e expressar emoções, opiniões e insatisfações, tendo a consciência de que esta é uma conduta individual e não coletiva, muito menos soberana, há de se respeitar pensamentos divergentes aos quais nos possibilitam inúmeras oportunidades de adequação, autoconhecimento e desenvolvimento ético. Impor-se de maneira limpa é perfeitamente possível. Creio ainda na evolução do ser como essência, como luz, "...ganhar até mesmo quando perde...", relevar, aceitar, progredir e regredir quando necessário. Creio no amor, sem piedade, sem jogo, aquele que não se exterioriza num coração de papel no fundo da gaveta. Creio na missão e espero algo em troca sim, onde eu sou o remetente e também o destinatário.
Sístole }{ Diástole ( )
Sístole }{ Diástole ( )
Sístole }{ Diástole ( )
Contrair - Relaxar
Retrair - Expandir
Um ponto de equilíbrio
Um fluxo contínuo
Um coração
Um ser
Uma vida
Que se expande
Se expande
E expande
Sendo assim
Tão amplo
Tão nítido
Tão leve
Não há peso
Que repuxe
E pairando
Permanece
Eternamente
Pelos ares.
Eu queria mais algumas horas no dia, mais uns dias na semana, alguns meses a mais no calendário... Deixe-me pensar, acho que vou fazer uma lista de tudo que eu quero. Vou mudar tudo aqui. Vou desenhar paredes e um teto invisível pra olhar o céu. Como nao pensei nisso antes??? Onde está o meu caderno? Onde está o meu caderno? [...] Procurei, procurei, procurei, mas acho que o perdi, perdi no tempo, e, perdido no tempo a mais, que eu tanto queria. Ahhhhhhhh. Eu já deveria saber. As linhas da perspectiva que se convergem e deixa eu adivinhar? Desenham um sorriso, num bilhete na minha porta, iluminada pelo sol, abaixo do relógio que marca que o tempo é AGORA.
O pico da montanha.
Aquela era a montanha da vida. A localização atual daquela jornada se apresentava em solo árido, íngreme, quente, continha rochas pontiagudas e frouxas, arbustos secos e espinhosos. Todos viam o deserto, mas alguém via diferente. Este alguém enxergava no deserto uma perfeita oportunidade para contemplar as belíssimas rosas-do-deserto. Vê-las tão de perto seria magnificamente gratificante, mesmo com toda força contrária. A gravidade. A gravidade que trazia, em seu primeiro empuxo, um dedo apontado na face daquele ser estranho: “Volte! Desça! É mais seguro lá embaixo...”, mas as rosas eram o objetivo e ele estava determinado a atingi-lo. Vendo-se enfrentada, a gravidade se pendura nos ombros do garoto e ali fica, completamente sem coragem de subir, ou, pelo menos tentar. Indisposta a ajudar e com medo de voltar sozinha, se mantem a resmungar. Milhas a frente, o garoto desanimou. Elevou os olhos, viu o céu azul, viu as rosas, se inspirou, tirou forças de onde não tinha e prosseguiu. O foco estava ali, não muito longe, parecia perto na verdade, bem perto. Esticando um dos braços, se desprendeu da raiz que segurava e voou, para pelo menos uma rosa alcançar, mas, se desequilibrou, escorregou e caiu. Na base novamente, pôs-se a olhar o céu, todos riam dele, gargalhavam, alguns inclusive, celebravam sua queda. Naquele meio, alguém o olhava diferente, sem sequer um sorriso no rosto. Imóvel por um tempo, o menino permaneceu fixo naquele céu azul. Tomou ainda mais forças do que antes e retomou a subida. Sua ânsia, grande que era, o levou rapidamente onde estavam as rosas, ele já conhecia os obstáculos da subida, porém agora, queria algo além, queria o céu azul. Subiu, subiu e subiu. Não mais parava ou enfraquecia, causando a fúria daqueles que lhe subestimavam. Enraivecidos, apedrejaram-no, mas havia alguém, alguém que o via diferente. Olhou as pedras nas próprias mãos e viu-se fracassado. Poderia ter tido aquela mesma coragem, aquele mesmo empenho, mas não. Poderia então ao menos ajudá-lo? Sim, poderia! O garoto recuou um pouco para proteger-se, já estava cansado, manteve a calma e num minuto as pedras não existiam mais. Abriu os olhos e viu uma mão estendida pronto para puxá-lo. Viu o topo. Viu do topo aquele céu. Viu uma rosa na mão daquele que o ajudara. Viu a luz. Viu a si mesmo refletido lá embaixo, nos olhos de um outro alguém que lhe via com tamanha diferença.
Tudo começa com o desejo. O desejo de prosperar, vencer, ser feliz. O desejo de alcançar a paz, a verdadeira paz. Carregamos a vida inteira uma lista extensa de desejos. Desejos estes muitas vezes nunca realizados, sem que sequer dedicássemos a eles o mínimo de atenção, porquê? A percepção que temos de nós mesmos nos leva a acreditar na fictícia incapacidade. Somos seres humanos e não vivemos em bolhas, que nos isolam de tudo e todos, para que tudo dependa de unicamente de nós. Somos influenciados pelos outros, por situações diárias, por emoções, temos oscilações de humor, autoestima, crenças, temos dúvida, temos medo. MEDO. ME-DO. M-E-D-O. Uma criatura, poderosa, que nos bloqueia, nos recua e nos coloca a prova. Será que somos capazes de assumir as consequências sem amontoar a culpa nos ombros dos outros? Veja bem, o conceito da bolha existe, somos influenciados mas, ainda assim, o que fazer com isso depende unicamente de nós. Então engula sua culpa, engula seu fracasso, semeie seu desejo, regue sua força, aperfeiçoe sua luta, fomente sua fé e colha sua vitória.
Já venci muitas barreiras nesta vida
Aprendi chorar, sorrir, falar, andar e me alimentar
Aprendi andar de bicicleta, desenhar e colorir
Aprendi várias brincadeiras e jogos
Aprendi ler, escrever, somar, subtrair e dividir
Aprendi a tabuada...
Aprendi interpretar. Tudo tem uma história, de onde vem e para onde vai
Aprendi a sonhar
Aprendi cozinhar, lavar e passar... Mais ou menos, mais ou menos
Aprendi dirigir, trabalhar e morar sozinho
Aprendi conversar, me importar e deixar pra lá
Aprendi como entender pessoas, situações e fenômenos
Aprendi a ganhar e a perder
Aprendi amar e odiar
Aprendi como se aprende
Porque agora, não aprenderia a ser feliz com tudo que já tenho?
Se você pretende usar gravatas, aprenda a dar o nó. O melhor nó. Você não vai ficar esperando que alguém o faça, certo? Escolha suas próprias cores, texturas e tecidos. Escolha dentre as clássicas, sofisticadas ou aquelas mais inovadoras. Por que não, ser uma de cada? Sim, sem medo. Ainda que prefira o básico entre preto e branco, há uma infinidade de cinzas. Atue, represente, viva, surpreenda. Despreocupe-se. Seja você. O que tem que ser é, e ponto.
Já calei muitas bocas que me subestimaram e calarei ainda, muitas mais. Abrirei também, vários olhos de espanto ao saberem o quão longe eu cheguei.
Amada Mãe
Você não precisa de toda essa maquiagem
Todo esse perfume
E todas essas joias
Você não precisa de 1kg a menos
Esconder os fios brancos
Muito menos esconder seu sorriso.
Você não precisa de tudo isso.
Você é linda como por nove meses imaginei
Nem te digo como esperei
Para em seus braços me aconchegar
Você é um ser humano abençoado
Você é vida que gera vida
Você é mãe
É amor.
A última lágrima.
Escuro e frio
Vazio sem refil
Nem sequer pegou minha mão
E foi embora
Levou minh'alma
E atirou-a em noites de estrelas sem fim
Vadiando pelos caminhos errados
Onde tudo
Tudo vira nada!
Eu era
E não sou mais
Aquilo que era antes
Se arrepende
Ajoelha e chora
Espera
Agora demora
Oh Sol me trouxe aurora
Em seus raios me aqueceu
A última lágrima e vou voar
Minh'alma reencontrar.
Abri a janela com tanta força, como se fosse arrancá-la da parede. Eu estava sendo esmagado. Segurei firme com ambas as mãos no parapeito e me lancei de cabeça em busca de oxigênio. Meio dentro e meio fora, entre cortinas, novamente com tamanha garra, finalmente enchi meus pulmões e com um berro digno de todos aqueles estilhaços, coloquei tudo para fora. Meus dedos se encravaram nos tijolos, a pressão sanguínea se intensificou, fazendo com minhas veias se exacerbassem, principalmente as do rosto e pescoço. Dei um basta. Havia muita história desnecessária perambulando pelo labirinto da minha memória. Já era hora de tomar uma iniciativa e começar a reescreve-las.
Andei pelo mundo buscando algo que nem sequer sabia o que era. Conheci muitas pessoas, muitos lugares, muitas histórias, mas nada preenchia o vazio que existia dentro de mim. As árvores estavam secas, os dias eram frios e escuros, minha mochila, antes cheia de desejos, sonhos e esperança, já não era mais tão leve. Certo dia, ao cair da chuva, me abriguei embaixo do teto velho de um galpão e fiquei horas assistindo a paisagem ser regada com a água vinda do céu. Peguei meu caderno de notas e desenhos com o intuito de desenhar aquela paisagem, antes disso, dei uma breve folheada pelas páginas e notei que já havia muitas paisagens ali, todas pintadas com apenas duas cores, preto e o branco. Incomodado, enfiei a mão no fundo da mochila, onde sabia que meus lápis ficavam e, para minha surpresa, havia uma aquarela inteira lá dentro, e eu, persistindo no preto e branco. Folheei o caderno novamente. Segurei firme desta vez, com olhos de tristeza. Tive vontade de deixa-lo ali, mas não, aquilo era parte de mim. As lágrimas me inundaram os olhos mas não deixei que caíssem. Decidi que a partir dali, escreveria minha história com um pouco mais de cor.
Meu singelo vício de apagar tudo e recomeçar. De volta ao ponto de partida. Zero a zero. Tudo novo de novo e esse novo que nunca termina, que nunca me deixa. Eu só quero ser coerente, mas minha inconstância é tremendamente gigantesca. Até ontem eu queria ser lembrado, ser revolucionário, fonte de inspiração e tudo que eu quero hoje é desaparecer, apagar os rastros, diluir a imagem, rabiscar quaisquer palavras um dia escritas por aí. De repente, uma interrogação instiga muito mais que uma exclamação.
