Coleção pessoal de bodstein

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Nunca integrei a esquerda que me subvertesse, e nem estarei na direita que me ponha de joelhos. Minha tendência é para o ponto que me mantenha a distância segura da imbecilidade cega de uma e da empáfia altissonante da outra.

Seja simples e generoso ao oferecer seus ouvidos, mas seletivo e cauteloso ao oferecer sua voz.

Ao acordar pense no que vai fazer com cada momento do seu agora... O perdão pode zerar o que ficou pra traz, mas a confiança perdida não irá zerar o que ainda vem pela frente.

Quando já se perdeu contextualmente a referência em conceitos como verdade e mentira, tanto faz o que você diga, pois cada qual seguirá pensando o que já consolidou para si. Desmentidos, nestes tempos, são mera perda de tempo e fonte de desgastes. Busquemos, portanto, ser fiéis apenas às nossas crenças, não importando quais sejam, sem a proposta de fazê-las valer aos demais. Com a perda total dos referenciais à nossa volta, os únicos a que devemos atentar são os nossos proprios valores. Esses, sim, são aqueles dos quais não podemos nos distanciar.

Já vi pessoas até escolhendo a quem amar. Mas jamais descobri alguém que tenha escolhido em quem confiar. Uma vez perdida, a confiança nunca voltará a se instalar por mera decisão. Nem mesmo o perdão tem poder para resgatá-la, pois se o primeiro é concedido, a confiança que oferecemos precisa ser conquistada.

Embusteiro é aquele que descobriu sua capacidade de induzir outros a acreditar naquilo que ele sabe que não é. O manipulador é ainda pior: é o que desenvolveu um incrível talento para fazer com que outros não poupem sacrifícios – ou até mesmo suas vidas – para atingir um objetivo do qual ele será o único beneficiário, ao custo da desgraça de seus seguidores e dos atingidos por eles.

Sempre será mais fácil se proteger do calhorda inteligente do que do bonzinho burro.

A lisura não pode ser vista como uma vírgula a partir da qual se atendeu determinado público, se satisfez o chefe ou foi-se acolhido por Deus. Integridade real é aquela que se coloca como ponto final do posicionamento e à revelia de qualquer avaliação já que, com o foco desviado para quem espera por ela, tem seu valor mais subtraído do que legitimado.

Nossa reserva moral é o bem mais precioso que podemos acumular ao longo da vida. Quando bem cuidada, tem poder de reverter situações da mais extrema penúria com que nos deparamos, pois que sempre haverá gente empenhada em ajudar-nos na empreitada. Quando desprezada, porém, não há reserva pecuniária que garanta nossos dias, ou quem se arrisque a comprometer-se com eles. Feliz, portanto, de quem escolhe desde cedo o que fazer com o próprio futuro, pois que quando ele chegar poderá ser tarde para isso.

Como identificar alguém que se permitiu manipular? Basta atentar para o lema da bandeira levantada. Observando-a, é visível e consistente a sensação proporcionada de dejavú em cada novo integrante em ponto tal que as mesmas frases se repetem uniformes, sem a esperada variação de pessoas que pensam por si. Ouvida a última, vem a convicção de que há um padrão impresso em seus cérebros, desde a primeira.

MANIPULADOR é aquele que descobriu sua capacidade de induzir outros a apoiar os seus erros. Já o EMBUSTEIRO é ainda pior: é o que desenvolveu um incrível talento para fazer com que outros matem ou morram para defender uma bandeira em que nem ele próprio acredita!

Quando o coletivo naturalmente sugestiona o indivíduo, ocorre a dedução. Mas quando o indivíduo deliberadamente influencia o coletivo, têm-se a indução. Nesta condição o atingido revela-se fraco, abdica de seu potencial de análise e entrega-se, sem resistência, à manipulação. A única forma de evita-lo é não aceitar verdades alheias como suas antes de submetê-las ao crivo de rigorosa auto-contestação. O exercício da indução – tanto ativa quanto passiva – é igualmente desprezível.

Não se confunda ignorância com estupidez. Ignorante é quem não teve acesso ao conhecimento – não raro por falta de oportunidade – e censurá-lo por isso não só se mostra injusto quanto preconceituoso. A estupidez, diferentemente, é própria de quem foi brindado com o conhecimento, mas não faz qualquer uso dele para analisar as situações com que se depara – por reles comodismo frente à lógica mais rasteira – o que se mostra profundamente irritante para quem pensa. Daí porque não é difícil encontrar ignorantes cujo instinto os tornou sábios, e letrados cujo descaso os tornou idiotas.

São as ações, e não as palavras, que contam nossa história.

O medo é saudável e necessário enquanto atua como protetor e guardião de nossa integridade física. O problema é quando lhe outorgamos uma procuração para ser nosso carcereiro.

Para o humano é o bastante cumprir seu papel, sem achar que está ali para salvar o mundo.
Para o herói, o bônus da consagração supera todo e qualquer risco a que se expõe na tentativa.
Já ao santo o foco se resume à ação em si, e o bônus que vem depois não figura na lista de etapas.

HUMANO é aquele que, ao chegar ao máximo de sua possibilidade, percebe que atingiu seu limite e pára, pois sabe o que acontece depois; HERÓI é aquele que, ao atingir o máximo de sua possibilidade, não o aceita como limite e continua, acreditando que pode mudar esse depois; SANTO é o que sabe ter atingido o máximo de sua possibilidade, não dá a mínima para o limite e vai em frente, ainda que saiba o depois. Mais do que a escolha, a diferença está na importância dada a um “depois” além do que ele consegue saber.

A confiança é, talvez, o maior capital que construímos junto às pessoas ao longo de nossa existência. Quando não lhe damos o devido valor de forma contínua e habitual, não há como esperar que esse capital não se esgote em algum momento, e sem garantias de que seja resgatado. As pessoas, numa primeira instância, podem ainda acreditar nele; na segunda experimentam oferecer um voto de confiança, mas a terceira dificilmente passa de um “pagar pra ver”, isso se todos já não estiverem convencidos de que o ponto da reversão foi ultrapassado, não tendo como culpá-los por isso! Essa é uma das coisas, portanto, onde o mais importante é o “durante” e não o depois, na construção de uma obra que jamais termina e é avaliada ao longo de todo o nosso tempo, e não no ato da entrega de um suposto “produto acabado”.

É bem verdade que são as pessoas, e não os livros, que mudam o mundo. Mas também se sabe que é nos livros que elas descobrem como fazer isso!

Eu sou o anticristo do deus preconceituoso, vingador e odioso que abunda no cérebro dos fanáticos doutrinadores neopentecostais, por ausência absoluta do que deveriam trazer em seus corações.