Coleção pessoal de bodstein
Talvez a lição mais importante que aprendi nas últimas décadas é que na vida tudo acontece exatamente como numa partida de xadrez: sempre que a estratégia inicial de vitória falha, o próximo lance do adversário pode promover uma reviravolta tão decisiva que, mesmo quando já se dava o jogo por perdido, tudo pode mudar novamente a nosso favor. Daí porque não se pode jamais aceitar a inexistência de saídas antes de aguardar pelo que vem a seguir. Se todos soubessem como esse mecanismo de alternância funciona, o desespero que leva muitos ao suicídio seria visto como realmente é: apenas mais uma ilusão de ótica igual a muitos outros equívocos criados pela mente humana e que subtrai, de forma abrupta e vã, a grande possibilidade de uma segunda chance.
Passamos toda uma vida achando que recebemos
Muito abaixo da medida, bem menos que merecemos.
Bem mais tarde se descobre que tudo que se utiliza,
Seja em ouro, prata ou cobre, é mais do que se precisa!
Existe o erro de percurso, onde todo perdão é percebido como prova de amor e estímulo para continuar se aperfeiçoando. Mas tem também a falha de caráter, onde todo perdão é percebido como prova de ingenuidade e estímulo para continuar enganando.
Pra quem já se convenceu, nenhum argumento é necessário. Para quem se recusa a acreditar, nenhuma evidência é suficiente!
O tipo de caráter no Brasil, entranhado na formação moral de seu povo, mostra-se ainda mais degradante quando comparado ao das culturas orientais: lá eles colocam a moralidade num patamar mais elevado do que a própria vida, pela convicção de que a desonra a macula de forma indelével para não mais justificar sua manutenção. Assim, quando expostos por falhas da honra, é comum escolherem o suicídio antes de conviver com a vergonha. Em nosso país a valorização do homem não reside em esquivar-se da ilegalidade, mas na competência para negá-la à exaustão mesmo diante de todas as evidências contrárias, sendo esta capacidade motivo de orgulho por quem a domina e de admiração pelos que o defendem. A regra é de que o reconhecimento do delito jamais se faça por parte do criminoso, e a estratégia seja sempre a de transformar constatações inequívocas em "perseguições do poder vigente", e a correta aplicação da lei em injustiça.
Nação evoluída não é a que possui milhões de pessoas fracas com um homem forte para conduzi-las, mas a de milhões de cidadãos fortes decididos a conduzi-la.
Planeja tudo o que desejas realizar, pois quanto mais pensares em teus sonhos, mais reais se tornarão. Quanto aos teus temores, deixa para quando acontecerem, para não sofreres com eles desde já. Antecipar coisas só vale para as melhores, até porque algumas das ruins podem nem se concretizar, e todo o sofrimento que te impuseste por elas terá sido em vão!
Quantas vezes nos sujeitamos a ser usados por uma pessoa não por ser quem é, mas por estar ligada a uma outra que nos é cara , e que tememos ter que perder. A angústia ainda é maior quando quem nos importa desconhece o que ocorre, e somos colocados entre revelar a verdade (e enfrentar o resultado), sujeitar-se ao abuso (para não sofrer a perda), ou punir a ambos com um afastamento respeitoso, mas extremamente dolorido.
Luiz Roberto Bodstein
Quando te derrubam com a primeira “pernada”, descobres que cometeste um erro de avaliação. Na segunda do mesmo padrão, fica claro que faltou inteligência para não amargares a raiva que sentiste de ti mesmo. Na terceira, porém, já te têm em conta de idiota, e está na hora de mudar o rumo ao preço de teu auto-respeito.
O ponto equidistante entre os extremos que se atacam é sempre o melhor lugar para permanecer. Ao ocupar trincheira em qualquer dos lados você se iguala aos piores!
O medo é um agente duplo de poder quase absoluto: enquanto o manténs distante e ocupado em infiltrar-se no inimigo, ele te trará conquistas inimagináveis; mas se deixares que se volte contra ti vais te deparar com o mais poderoso e cruel inimigo que já enfrentaste, pois não conseguirás fazer uso de qualquer dos teus recursos para manter domínio sobre nada mais, e principalmente sobre ti mesmo.
Sentimentos são dessas coisas de caráter estritamente pessoal, e não estão vinculados às pessoas próximas das que os inspiram, pois depende de um histórico próprio e intransferível entre elas. Não se pode, assim, desejar que nossos amigos estendam também a nossos cônjuges, pais, irmãos ou filhos o carinho, amor ou gratidão que nos dedicam, pois que o respeito que recebemos pode não estar presente entre todos aqueles de quem gostamos. Jamais cobre essa vinculação, portanto, nem a transforme em moeda de troca para manutenção de algo bom que cabe apenas a você e a cada um construir ou desconstruir por si mesmos.
Com toda a informação que já se tem sobre os efeitos colaterais das drogas - por quem usa e por quem paga pelo vício deles - o único modelo admissível de drogados vítimas é o das crianças, e talvez o dos que caem na droga por debilidade mental, que traz incapacidade analítica para os próprios atos. O restante é formado por um exército de cínicos egoístas que colocam sua diversão acima do comportamento criminoso despejado sobre o restante da humanidade.
A menos que sua descoberta seja surpreendente o bastante para mudar o mundo, não perca muito tempo ensinando às pessoas como podem melhorar seu dia a dia: elas vão sempre escolher errar pra descobrir, ou fazer do jeito delas. E ainda que sua idéia possa transformar o mundo, cuidado com os que o preferem do jeito que está, pois lhe apontarão seus canhões para não se verem forçadas a abrir mão do que gostam de acreditar ou do que ainda pode mantê-las no topo por quanto tempo o consigam.
Os funerais existem para atender os vivos, e não os mortos. Antes ser lembrado pelo que fizemos do que pela imagem cadavérica, sem relação com o que fomos e rodeada de tristeza no fundo de um caixão, revelando todas as marcas que, se pudéssemos, não gostaríamos de ver exibidas sequer no espelho do banheiro. Que os que me amam me prestem sua homenagem poupando-me dessa última exposição pública tão contrária ao que busquei ser ao longo de minha passagem pelo planeta.
A grande vantagem de não se ter “mocinhos” pelos quais se torce é a de poder juntar-se aos índios quando o xerife já perdeu o controle, e também deixar a aldeia quando o fedor dela se tornar insuportável até descobrir de qual lado se respira melhor.
O bombardeio de ”likes” que se segue a imagens sem qualquer significado, se confrontado com a ausência quase absoluta de reações para um texto relevante que force a reflexão, dá a dimensão exata das prioridades desse novo mundo mostrado em tempo real. A roupinha “fru-fru” que o pet ostenta na foto adquiriu mais relevância que o desejo de se ter um mundo melhor, e na frivolidade da vidinha cênica e sem conteúdo mostrada nas “selfies” é o que as pessoas efetivamente esperam que as demais acreditem.
O bom de envelhecer é a transição para a fase mais honesta de nossas vidas. Não havendo mais preocupação com empregadores em potencial, e nem com o perfil obrigatório de “bom moço” mostrado nas redes, mais repressores que a mais torpe das ditaduras, é quando se pode usar apenas a alma e o caráter para mandar às favas o “politicamente correto”, derrubar a masmorra que aprisionava a essência indômita e arrancar a última mordaça que prendia na garganta a voz das vítimas dos achaques e das injustiças.
Existe um herói em muitos de nós que quer respeitar a si mesmo antes de tudo, viver de forma digna, sentir orgulho do que fez e morrer com a certeza de ter cumprido a sua parte.
