Coleção pessoal de bodstein
Quando se tem vários filhos as neuroses dos pais acabam sendo diluídas entre os irmãos, tipo um processo chamado na medicina de “vírus atenuado”. Mas quando se teve um único, todas as esquisitices acabam desabando sobre um só. Portanto, apesar de meu filho hoje se declarar ateu, o simples fato dele ter sobrevivido a mim e à mãe dele e, ainda por cima, são, é a prova mais viva e cabal de que Deus realmente existe, e de que milagres acontecem.
Dentre todos os tipos de repressores, os que censuram em nome de Deus são os mais odiosos e prepotentes, pois que se arrogam de autoridade divina para ditar o que é certo e o que é errado no procedimento de toda a espécie humana
É direito legítimo e inalienável de toda pessoa ser o que é, independente de por escolha ou não. Às demais cabe tão somente o direito de não aceitar o que ela fizer contra seus diferentes, mas nunca por ser quem é.
Não existe uma única pessoa que seja exatamente igual a outra na sua forma de ser, pensar ou se expressar. Contrariando essa realidade, é imenso o número das que se veem num todo de “iguais” que lhes confere o direito de julgar as que são “mais iguais” ou “mais diferentes” que as outras para condenar tudo o que não alcançam ou escolheram não entender.
As maiores personalidades do mundo sempre foram as que nunca falavam de si mesmas, mas que todos não podiam deixar de falar delas.
Sempre que o passar dos anos me faz temer as limitações da idade, seleciono o problema mais difícil da minha lista de coisas a fazer e não descanso enquanto não lhe dou solução sem recorrer a outras pessoas. Isso me devolve o sentimento de poder sobre as coisas e o sentido de domínio sobre minha vida, pela certeza de que a incapacidade não se apresenta como verdade absoluta quando as soluções vêm através da inteligência, e não pela força física.
O que legitima a posição de alguém como representante de um povo não é o tamanho do grupo construído para dar-lhe apoio, mas o número de indivíduos que o fazem de forma autônoma por um processo de escolha consciente entre diferentes possibilidades.
Algo verdadeiro se propaga sempre por muitas fontes, bem como o que não se mostra autêntico não se repetirá por várias, preservando a íntegra do que se divulgou na primeira. Assim, cruzar as informações do maior número possível de origens oferece muito mais confiabilidade quanto à veracidade do conteúdo, seguindo-se a identificação das mais idôneas dentre elas antes de emprestar-lhe aval, acurando o senso crítico para não aceitar como real a que mais se identifique com suas próprias crenças.
Nenhuma verdade fica restrita a uma única fonte, nem mentira alguma é reproduzida por muitas em conformidade com o reportado na primeira. Assim o caminho é pesquisar a partir de uma grande multiplicidade de origens para cruzar depois todas as informações obtidas para se descobrir até onde concordam. Nas que discordam entre si buscar conhecer as mais confiáveis das fontes, sem adotar nenhuma como real apenas por se identificar com suas próprias crenças.
Os jovens de todas as épocas constroem um mito de que os mais velhos nunca sabem quase nada do que eles vivem, quando na verdade apenas descobrimos que essas coisas não são tão importantes assim que precisemos delas para tornar a vida mais gostosa de ser vivida.
O passar do tempo, principalmente no estágio avançado de nossas vidas, nos ensina uma lição preciosíssima: a de que poderemos continuar fazendo a maior parte das coisas que sempre fizemos, só que de modo muito mais simples. Aí se descobre de que o que acontecia antes é que não existia sabedoria o bastante para não complica-las tanto quanto acreditávamos que fossem.
Há algum tempo descobri que o mundo trata os espertos com muito mais benevolência. Não porque o mereçam mais do que nós, mas porque perceberam ganhar muito mais quando se queixam.
Sempre me perguntei porque tantas pessoas, principalmente as que alcançaram patamares sociais elevados, entram num estado de angústia tão grande ao deixar de ocupar o mesmo espaço de antes por conta da idade, e algumas não. Descobri recentemente que se trata de despreparo para entender que a perda da evidência social é pré-requisito para que a sabedoria ocupe o espaço deixado livre na mesma proporção, e o desespero só chega para as que não o descobrem a tempo.
Nos últimos anos venho descobrindo que não é propriamente o avanço da idade que faz com que as pessoas desenvolvam tanto medo da velhice, mas sim a indiferença social que passam a receber por parte dos demais, independente de revelar algum tipo de limitação física ou mental para realizar qualquer coisa com a mesma desenvoltura de antes. O que leva tantas ao ridículo de querer aparentar juventude eterna é o sentimento de se verem tratadas como débeis mentais por conta do passar dos anos
Não existe ignorância alguma em se acreditar na verdade errada. A ignorância está em recusar-se a conhecer as alternativas disponíveis para escolher a verdade certa.
Existe uma diferença abismal entre não abandonar uma idéia porque, ao compará-la com as demais, se concluiu que é a que apresenta mais sentido, e recusar-se a aceitar uma alternativa para onde toda lógica aponta, apenas porque contraria tudo o que acostumou-se a acreditar antes dela.
Se quer contestar a hipótese que defendo, primeiro a conheça, depois reflita sobre ela, tire suas conclusões, e então volte para discutí-la comigo.
Ainda que pareça incoerente a princípio, são as pessoas de comportamento distorcido e torpe as que mais julgam, expressam preconceito e tecem críticas ácidas contra o comportamento alheio. Mas existe uma lógica simples nisso: as justas não vivenciam o mal no dia a dia para ver a maldade nas outras, e por isso até viram presas fáceis de quem a possui. Então, por um processo de identificação natural e involuntária, são as más que atribuem aos outros a realidade que trazem em si mesmas.
Existem pessoas que carregam tanto preconceito, arrogância, inveja e desonestidade para inviabilizar até tentativas de ajuda das mais próximas, que ainda assim seguem com ideias odiosas a respeito do mundo e se vendo eternamente injustiçadas por ele, o que reforça a tese de que nem toda compaixão se faz útil, e nem todo perdão consegue promover mudanças.
