Coleção pessoal de bodstein

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Algumas pessoas têm sérios problemas de expressão e interpretação para sustentar um debate de idéias com elegância. Em tais casos o silêncio os favorece com nossa dúvida, mas quando insistem em falar nos presenteiam com a certeza.

Ao longo de minha vida tive várias incertezas sobre o que eu queria colocar nela; mas essa dúvida, por focar sempre o depois, nunca aconteceu em relação ao que eu NÃO queria.

O “inviável” nada mais é do que alguma coisa que ninguém ainda teve coragem de experimentar.

Basta dar uma passadinha nas redes sociais para constatar que o novo sentido de felicidade que se instalou é aquilo que os psicanalistas chamam de “Síndrome de Poliana”, onde o que importa é fazer o “jogo do contente” num contingente cada vez maior de eremitas modernos – isolados do mundo e impotentes para introduzir qualquer mudança em suas vidas – que sobrevivem publicando “selfies” felizes dos seus desejos frustrados, mas sem qualquer conexão com a realidade que enfrentam.

Enquanto uma pessoa permanece calada a gente fica na dúvida se lhe falta inteligência ou não. Mas quando ela fala a gente tem certeza!

A identificação natural entre essências é bem mais legítima que a moldada de fora para dentro em torno de ideologias. Seus atores podem nunca se encontrar nem jamais se constituir fisicamente em um time, mas integram a única nação que se mostra real face a já tê-los gerado como iguais.

Em nenhum momento da vida me senti propenso a possuir uma identidade brasileira ou de qualquer outra nação. Sou um cidadão do mundo que não se imagina integrando times ou cultuando heróis. O pensamento ufanista do tipo “somos os escolhidos” ou “os melhores” me provocam rejeição visceral instantânea, como as que modelam cérebros em torno de ideologias de qualquer natureza. Minha essência libertária reage com repulsa a pensamentos alinhados e identificações coletivas sob a batuta de um maestro do qual nunca se sabe até onde levará tal condução.

Fanatismo de qualquer natureza – seja religioso, ideológico ou até pelo time que se torça – é um câncer cuja metástase é a idéia incutida em seus membros de que existem pessoas que nasceram para ser melhores do que outras. E toda vez que permitimos que a realidade do outro se torne a nossa, a probabilidade de encontrarmos sozinhos o caminho de volta é proporcional ao tempo que nos permitimos vivenciá-la. Como conhecer se perdemos a saída? Acontece quando o lado de fora é descartado como referencial para se entender mais profundamente o lado de dentro.

A vida pública requer ser gerenciada com o máximo de cautela: por mais que a justiça do homens se revele complacente e a clemência de Deus ofereça o perdão, a História, nem mesmo com o passar dos séculos, nos brindará com a mesma generosidade.

A vida não nos rouba a história com o passar dos anos. Apenas substitui componentes do roteiro respeitando a prerrogativa de nos mantermos protagonistas. O sentimento de perda só acontece quando nos recusamos a aceitar o capítulo novo na tentativa inútil de permanecer reprisando episódios de temporadas que já se esgotaram.

Chega uma hora na vida em que nada permanece imprescindível e pequenos detalhes se tornam importantes. É o mágico momento em que o supérfluo cede lugar para essência, e os vazios são trocados por sabedoria.

A vida é um drama sem meia-entrada onde uns escolhem pagar o ingresso mais caro para assistir da platéia, outros atuam nos bastidores em troca de casa e comida e os que não podem pagar nem a frisa são postos para fora.

A imbecilidade é absolutamente compreensível. Trazer inteligência dentro de si para aprofundar o entendimento de algo não é uma escolha pessoal.

Provocar o debate, mais do que concordar, é o que importa. Por esse caminho é que as grandes transformações acontecem.

Ainda sonho com um mundo onde qualquer pessoa não precise mais temer expressar-se de forma diferente da maioria porque simplesmente não haverá mais minorias, mas tão somente igualdades. Onde as críticas não mais se voltem para o tema abordado na obra – que será apenas um dentre tantos possíveis – mas para o talento do autor ao criá-la. E onde este último não precise abrir mão desse talento por conta de pensamentos pequenos que não tiveram o mesmo privilégio com que o universo o presenteou para seguir em frente. A carruagem irá sempre preservar sua nobreza, independente dos cães que ladrem enquanto ela passa.

Não ocupe a menor parcela do seu tempo esperando de alguém o que de antemão se sabe que não tem pra dar. A pequenez não oferece variedade de opções para quem a traz dentro de si. O espaço interno é por demais pequeno para conter qualquer outra coisa.

O impacto provocado por uma interpretação contrária ao que expressamos nas redes é universal. Acontece toda hora. A vacina é usar de consciência para se expressar, e resiliência para a reação gerada nos outros, que jamais estará sob nosso controle. Daí que o mais importante de tudo é que a intenção se mostre legítima, por mais que não se faça compreendida.

Morrer não é o momento em que o coração deixa de bater, mas quando, mesmo enquanto ele bate, desistimos de viver!

Cuidado como toca o seu presente, pois no futuro ninguém poderá livrá-lo de seu passado !

O encontro verdadeiro acontece quando se pára de fazer presença e começa-se a fazer a diferença.