Coleção pessoal de bodstein

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Nao usa o poder que te delegaram apenas com teus amigos, se queres que ele perdure. A sabedoria ensina que se a cobiça e a arrogância substituírem a justiça e a igualdade que precisa ser levada a todos, tu e aqueles que privilegiaste serão esmagados pela outra parte que esqueceste, mas que também foi responsável por estares lá.

O parâmetro para o limite da minha fé é a lógica que não desafie minha inteligência. Se uma ação ou decisão divina for capaz de agredir até mesmo a mim enquanto ser humano sujeito a inúmeras falhas, nunca serei convencido a dar-lhes crédito, pois que o Deus em que creio me deu como escudo o discernimento para que eu não fosse induzido a erro por falsos senhores da verdade. A chamada “fé cega”, que se permite conduzir por interpretações dadas por outrem, à priori é fruto da manipulação que se apressa em preencher o vazio deixado pela ignorância.

O próprio Senhor do Universo, ao expulsar Adão e Eva do paraíso e condenar um de seus anjos mais amados a reinar nas trevas, quis mostrar que o retorno é proporcional ao feito, e que oferecer simplesmente o perdão a todo mal produzido é ser conivente com ele e estimular o transgressor a se afastar ainda mais do caminho que lhe foi apontado.

Ser indiferente ao final triste alcançado por alguém pode não estar associado a nenhuma espécie de maldade ou sentimento de vingança, mas tão somente o de preservar a fé, acreditando que a vida é justa o bastante para não deixar que quem viveu para tornar pior a de todos não saia dela sem ter descoberto que tal escolha não vale à pena.

Nossos pais podem se tornar os melhores instrutores a respeito dos erros que não devemos cometer com nossos filhos, bastando refletir sobre o que nos causaram quando os usavam conosco. Buscando não reproduzi-los – pois que possivelmente não farão bem a eles também – podemos transformar as cicatrizes em meios de nos tornarmos pais melhores, bem com filhos menos amargos pelo exercício do perdão.

Nossos filhos têm todo o direito de cobrar-nos presença, já que personificam nossas escolhas e não há alegação válida para não dar-lhes suprimento. Mas pais eles não escolhem, e não lhes cabe o dever de dar amor a quem não tenha antes conquistado seu respeito. O que diferencia o pai de fato do pai de direito – bem como o direito legal do moral – não é o ato de se gerar um filho, mas o de fazer-se pai, que é muito mais substantivo e meritório do que o papel de mero provedor.

Como pais, sempre cometeremos erros com nossos filhos e eles farão o mesmo com os deles, por conta da inexperiência da juventude quando os geramos, até a maturidade nos oferecer a todos uma segunda chance. Se as feridas de ontem, porém, não cicatrizaram, cabe-nos perguntar se este segundo tempo foi usado para corrigir o primeiro ou se seguimos repetindo os mesmos erros, mesmo sendo possível fazê-lo. Haverá, por certo, um ponto da estrada em que já não poderemos culpa-los por seu amor não ter resistido à inutilidade de tantas esperanças traídas, mas em qualquer caso nossa parte precisará estar cumprida.

Eu não tenho que me deixar convencer: você é que precisa mostrar uma idéia consistente para me fazer apostar nela.

Jamais será uma tarefa árdua me fazer mudar de idéia: basta reunir elementos suficientes pra me convencer de que a outra visão é melhor do que a minha.

Meu maior orgulho? Provavelmente o de ter cometido muitos erros, mas nenhum deles pela cabeça dos outros!

Não me identifiquem por "cabeça feita". A cabeça que ostento foi auto-construída.

Nenhuma doutrinação passiva é legítima. É direito de todos entender as interfaces de suas peças para montar o próprio quebra-cabeças, o que torna odioso o dogmatismo por ação externa para usurpar a decisão alheia, com o intuito de ampliar poder e destituir as pessoas do seu inalienável direito de escolha. E aos que se mostrem funcionalmente incapazes de fazê-lo deve ser garantida proteção contra o domínio dos que estão atrás apenas da força emprestada pelo volume, e não pelo pensamento.

O processo de compreensão pode, no máximo, ser auxiliado, mas nunca induzido, de modo a que o direito de escolha permaneça inviolável a qualquer agente externo sob risco de abrir-se mão da liberdade, traduzida pelo acesso aos próprios princípios e valores.

O estado de direito com que um dia sonhei foi o que nos daria advogados para levar justiça aos inocentes, promotores para que a impunidade não se tornasse ancoradouro de culpados, e juízes capazes de entender a diferença entre ambos. Bastaria esses estatutos se mostrarem fiéis a seus propósitos para mudar a realidade que nos foi vendida como “direitos humanos”.

Ao contrário do que se acredita, a ameaça à humanidade não virá do espaço através de uma invasão alienígena inesperada. Ela vai sendo introduzida quase imperceptivelmente por quem já está entre nós, estendendo sutilmente sua rede de poder bem nas barbas de uma massa acomodada e conivente que, no momento do golpe final, se apresentará como seus primeiros adeptos e, ao longo do tempo, como principal força de sustentação.

Muito menos destrutivo é o "não" direto e definitivo do que o "sim" que nunca se cumpre!

A morte, ainda que perturbadora, não pode ser tida como perversa, pois que jamais nos ilude com promessas de não virá em algum momento. Bem mais cruéis são os que nos deixam sempre sem respostas, pois que aprisionam nossas vidas no sórdido cárcere das incertezas corrosivas e imobilizantes.

Firmar posição de que a Terra é o único lugar com vida inteligente no universo, frente à minúscula dimensão do planeta que habitamos, não só se mostra de uma pretensão igualmente ridícula como também de ignorância comparável a de quem refuta a vida em uma caverna porque a escuridão o impede de enxergar dentro dela. Diante do que não entende a mente deveria buscar na dúvida sua única afirmação de inteligência.

Fazer-se maior não é o mesmo que exibir sua força. As águas dos rios nos mostram que sua vitória sobre as pedras no caminho para o mar não é lançar-se sobre elas, mas contorna-las sem as quebrar, livrá-las de suas arestas e deixar-lhes o limo para que não firam. Assim podem seguir sua missão de compor um poderoso oceano que herdou deles humildade para se posicionar abaixo de todos os rios do mundo.

Autodomínio é a consciência de que todo problema atinge o tamanho que permitimos. Muitos regridem não pela declaração de guerra, mas pela postura de não resistência, que inverte o sentido de uma força maior do que a mínima para nos pôr de joelhos.