Coleção pessoal de bodstein
Bem mais que a proclamada abnegação de agora, o que fala a verdade sobre ti é todo o histórico que desde sempre trazes e a coerência entre o que dizes e o que realmente fazes.
Quem conhece São Tomé das Letras também já ouviu dizerem algo sobre São Tomé das Falas, que faz aquele discurso apoteótico ao subir no palco, até a primeira onda varrer a praia e levar tudo areia abaixo. Como todo bom São Tomé, é ver pra crer!
Uma coisa é você dizer aos quatro ventos o que pensa porque acredita no que está dizendo, e a isso se dá o nome de “liberdade de expressão”. Outra coisa é achar que sua crença é a verdade que deva ser levada a todo mundo, e isso é o que se conhece como pretensão.
Quando se quer construir, tijolo a tijolo, uma discutível “verdade” em que se deseja ardentemente acreditar ,aceita-se quaquer mentira que lhe dê respaldo, como até selecionamos as que melhor atendam o propósito de convencer aos outros e a nós mesmos.
Parecer honesto aos outros é defender o lado que gostaria que vencesse a luta, por mais que não o mereça. Ser honesto consigo mesmo é admitir que o lado por quem torce não fez por onde ganhar aquele round, e desejar mais ainda que corrija as falhas antes do final da luta.
Quando se quer muito acreditar em algo para convencer os contrários não se precisa nem de distorções gigantescas: até erros de digitação viram razões para transformar em mentira a verdade que não se aceita.
Independente de quem esteja certo em um dado momento, é lamentável tentar convencer a nós mesmos que o lado que defendemos nunca comete erros, e o que se combate é o único responsável pelos erros de ambos. A tal atitude não se deve olhar como apreço pela verdade, mas apenas sintoma de extremismo por um dos lados mesmo nos casos em que o doente não se mostre consciente disso.
Defender o que é certo está longe de fechar os olhos para os erros do lado que queremos como vencedor, mas manter-se cético até diante de argumentos que lhe são favoráveis enquanto não descubramos por nós mesmos o que existe de falso ou verdadeiro naquilo de que se fala.
Felicidade é o resultado de pequenos momentos ocupados com coisas simples ao lado de pessoas que amamos o bastante para transformá-los em lembranças inesquecíveis.
Uma encruzilhada apresentará sempre duas direções além daquela de onde você veio: uma à direita e outra à esquerda. Qualquer delas o afastará do caminho do meio, conduzindo-o a um dos extremos. Mantendo-se na que vem seguindo, o risco será reduzido por já conhecer a estrada, além da reta mostrar de longe para onde leva. Extremos nunca se mostram, portanto, como referência de equilíbrio e bom-senso.
Venho pensando de forma completamente equivocada? É possível, pois que sei das limitações que tenho para chegar à verdade. Mas trago um conforto sobre o qual não paira qualquer dúvida: se você estiver certo não terei ninguém a quem culpar por isto!
Quem ocupa lugar numa trincheira não está atrás da verdade: tudo o que busca é a confirmação daquela que construiu para si mesmo.
Idosos do meu país, vocês não se tornam velhos quando passam dos sessenta, mas quando deixam de participar do que acontece em volta, não opinam sobre nada em nome da “paz” e de atores se tornam platéia... e dessas que não aplaudem nem vaiam pelo medo do ridículo.
Por que algumas pessoas parecem cobrar-nos que as tratemos mal apenas para que consigam nos tratar melhor?
Muitas pessoas são como o azul e o amarelo saídos de pontos distintos que se cruzam, por um único e breve momento, para formar o verde no qual resultam os filhos, devendo depois seguir em frente para completar o “X” cujas linhas apenas se afastam
e nunca correrão paralelas, pois que já cumpriram a única e bela missão para a qual nasceram destinadas. O próprio Cristo quis ser esse ponto de intercessão para mostrá-lo aos que teimam em contrariar seus propósitos.
Os descrentes, amargos e agressivos que nos são próximos estão fadados a uma vida triste e solitária, além de bem mais breve que as dos demais, uma vez que afastam de si todos os que poderiam oferecer-lhes auxílio. Quantas vezes temos a solução para o que precisam, mas nos vemos impedidos de ajudá-los, pois que nos constrangem o espírito e, para nos protegermos de suas amarguras, somos obrigados a permanecer à distância, por mais que isso nos entristeça.
O problema das igrejas é quando se tornam mais tribunais do que hospitais, e seus dirigentes atuam como juízes, em lugar de socorristas.
Tentar manipulá-lo para que se comporte da forma como sua turma espera que faça é problema dela, mas se encaixar no papel do imbecil que desejam que você seja é um problema só seu.
