Coleção pessoal de bodstein

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Há aqueles que transformam o passado em fantasmas a assombrá-los pelo resto de seus dias. Outros não se refletem mais no espelho em que um dia se olharam, e descobrem a leveza do ser em permanente mutação que lhes revelou o sentido da vida. E é quando todos os fantasmas se apagam de suas lembranças e os resgatam para um agora de extasiante plenitude.

A relação de afeto entre duas pessoas é uma via de mão dupla, e não há como ser de outra forma, pois que tende a não sobreviver. Sempre que uma delas se coloca como doadora e a outra apenas como receptora, quando algo as trouxer para a realidade apenas a que só recebia irá perceber, pois que a que doou não terá como sentir falta do que nunca teve. Esta no máximo descobrirá que por tanto tempo se alimentou do próprio amor que dava, e não do que pensava vir da outra. E é quando a suspensão acabará pesando muito a uma, mas não à outra, já que apenas se fez real o que antes era uma ilusão na cabeça de ambas.

Você pode ser espiritualizado o bastante para vivenciar profunda e sinceramente a sua religião, caso escolha ter uma, mas só conseguirá atingir o Conhecimento e viver a Espiritualidade em toda a sua plenitude quando conseguir percebê-la profundamente também pelo lado de fora, e não apenas pelo de dentro.

Num rebanho que optou pela cegueira, aquele que escolheu preservar a visão será sempre o único portador de deformidade.

Já ouviu falar em “persistência de cupim”? Pois saiba que, ao lidar com eles, a única certeza que se terá é que enquanto houver madeira eles não irão desistir da guerra pela sobrevivência. Se há algo de positivo em descobri-lo é que, se os imitássemos com relação ao que precisaríamos trazer para nossas próprias vidas, o mundo que vemos hoje teria deixado para trás a maioria de suas mazelas.

A vida pública requer ser gerenciada com o máximo de cautela. Por mais que a justiça dos homens se revele complacente e a clemência de Deus ofereça o perdão, a História, nem mesmo com o passar dos séculos, nos brindará com a mesma generosidade. A omissão é um dos crimes mais graves, porque todas as atrocidades são cometidas por conta dela sem que ninguém se sinta culpado.

Decálogo da serenidade


I. Ninguém te obriga a conviver com o mal que não queres pra ti.
II. Se não tens como evitar o contato, vacina-te para deter o contágio.
III. Tua paz não é negociável nem para que outros preservem a sua.
IV. Não cabe arrancar joio da plantação alheia, apenas achar outra para semear.
V. Podes renunciar ao que queiras, mas ao incluir tua paz podes não voltar a tê-la.
VI. Não precisas de abono para te protegeres, senão o da tua consciência.
VII. Não podendo impedir que o mal se aproxime, cuida de afastar a ti mesmo.
VIII. Tens o direito de escapar à bulha que traz prazer a quem a permite.
IX. Não cabe a ti servir de antepara a quem não a levanta por si mesmo.
X. Aos que acolhem o mal como remédio, cabe a eles buscar o próprio antídoto.

Neste século das “modernidades”, que bem poderia ser chamado de “a era das caras e bocas” por substituir o conteúdo pela vaidade concentrada no fútil, a qualidade - que um dia já foi a regra - cedeu espaço quase absoluto à quantidade daquilo que, em muito se peneirando, em muito pouco se distancia do nada.

Estás descobrindo que ainda não aprendeste nada sobre a vida? Então aprende mais uma coisa: o ato de viver é uma guerra na qual terás que enfrentar gigantescas e dolorosas batalhas – algumas mais fáceis e outras terrivelmente difíceis – e onde não és posto guerreiro; precisarás aprender a sê-lo por ti mesmo se quiseres sobreviver pelo tempo que te foi dado. Mas não te exasperes nas em que amargaste a derrota, pois estas é que te deixarão capaz de enfrentar as que ainda estão por vir. Lembra apenas de que a ira das guerras é combustível apenas enquanto dura a batalha e, depois dela, veneno, para que não a retenhas em ti como medalhas de bravura. Ao fim de cada batalha dedica teu tempo à cura das feridas e deixa a guerra dentro da guerra, caso contrário a perderás para ti mesmo.

Sempre que se permite o mal prevalecendo sobre a decência e nada se faz a respeito, fica-se refém de quem o pratica, aceita-se o medo colocado acima da dignidade, e ganha-se o desprezo dos que o testemunham por conta de uma covardia degradante e injusta.

A omissão diante da injustiça é o refúgio dos covardes.

O bom combate é aquele em que não se replica a estratégia dos covardes, escolhendo antes a consciência como arsenal de guerra, a verdade como munição e a caneta como arma.

O limite do medo vai até onde não nos cala diante da torpeza, e nem nos acovarda ao ponto de aceitarmos trocar a justiça pelo conforto.

Como saber se a carapuça se ajustou perfeitamente à cabeça de quem
a tomou para si? Ela pesa como chumbo, inclinando quem a está usando até o ponto de se perceber cara a cara com a própria vergonha!

O terror que algumas pessoas sentem de virar mais uma vítima da torpeza alheia faz com que vendam suas almas às indignidades, se acovardem diante de ações espúrias inequívocas e admitam o abjeto, criando justificativas para si mesmas de forma a continuar tolerando o intolerável.

Existem pessoas tão exploradoras e egocêntricas que nos deixam a nítida sensação de que qualquer sacrifício que façamos por elas será sempre inútil, pois que jamais o notarão. Cobram sempre mais e mais, nunca se satisfazem e basta que não se vejam atendidas uma única vez para sermos transformados nos seres mais abjetos, frios e indiferentes que já pisaram o planeta.

Não são os grandes esforços que fazemos pelas pessoas que subtraem nossa energia, mas a banalização do preço pago para atender coisas tão supérfluas que tropeçam no desrespeito.

O problema do extremista de esquerda é partir da premissa de que todo político de direita é tirano, e o de direita acreditar que todos os de esquerda são terroristas. O fanatismo não lhes permite entender que tanto pode existir direita moderada quanto esquerda libertária em uma democracia sem que o substantivo esteja obrigatoriamente associado ao mesmo adjetivo. Assim como toda unanimidade é burra, o fanático ideológico só vê seu igual, a exemplo da toupeira que só consegue enxergar no seu próprio ambiente de trevas.

Nunca dependi de ídolos, gurus ou heróis me apontando o caminho. Alguns exemplos me inspiram, mas o mestre que sigo é o meu cérebro.

A forma de demonstrar que amamos nossos filhos é deixando-os livres para ser como são, com suas idéias, dificuldades e idiossincrasias. O tempo de cobranças é encerrado no momento em que saem do ninho para viver suas vidas, e é quando amor passa a ser sinônimo de respeito, e suas buscas por nós o melhor termômetro de que seguimos cumprindo com nosso papel.