Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
O pior tipo de censura
é o fascismo social
que pode ser escrito
em decreto ou atitudinal,
é o que vem sofrendo
numa injusta prisão
uma tropa sem merecer
e um idealista General.
O fascismo social
é aquela verbalização
que constrange,
ação que agride
quem pensa diferente
atira na gente
ou sequestra a gente
na laguna de Alalay,
como fizeram com
o povo que ninguém
sabe sequer se foi,
como e para onde vai.
O fascismo social
é a pavimentação
para tiranos iguais
aos da direita
da Bolívia que usam
também da Bíblia
para assaltarem as Nações
e fazerem desaparecer
debaixo das nossas
vistas as populações.
Os povos
da nossa
Abya Yala
não podem
continuar
arcando com
o próprio
sangue
a conta
e a falência
de outros
continentes
por contas
que não
são deles,
e não são
nossas,
e mesmo
se fossem não
autorizariam
as vis tropas
na marcha
dos ataúdes
em Senkata
nos tripudiar.
Este foi mais
um episódio
como o de El Alto
que querem
da memória
do mundo apagar:
atiraram em
nossa direção
para os assassinar.
Em outra terra
há uma tropa
e um General
na prisão que
sei que jamais
se renderiam
a este tipo
de gente que
se prestam
ao serviço
de fazer um
povo destruído.
Passaram
17 anos
eles não
podem nunca
mais voltar,
agora Bojayá
as suas vítimas
pode enterrar,
não se iludam
que vou
parar por aqui,
vou viver para
um por um
todo o dia denunciar.
Existem áudios
a ser investigados,
Existem mártires
a serem justiçados
pelas leis terrenas,
Os culpados não
foram encontrados,
Foi golpe, é golpe
e vem seguindo
em marcha o golpe,
E junto com o povo
me sinto recolhendo
os destroços,
E sabemos que
os criminosos
estão soltos
apagando pouco
a pouco os vestígios.
Tal como o saldo
de feridos e mortos,
intriga geopolítica,
O ouro branco
no centro do jogo
e um povo todo
passando sufoco
para salvar
a própria vida;
Porque nem com
as suas tropas
pode mais contar,
E depois não diga
que eu te avisei:
que há uma tropa
que está pisoteando
e se deixando
pisotear
por covardia
e medo de um
mentiroso histórico
querendo se
posar de santo
e passar por vítima.
A verdade não
me faz de nenhuma
ideologia política
mesmo que você
diga que sim;
Ela não me faz
menos patriota,
apenas me faz
uma pessoa sincera,
Do outro lado dessa
história há um
país em bloqueio,
E que do povo o inimigo
tem sido sempre o mesmo,
E para um General
e uma tropa que
seguem presos
inocentes a justiça
está mais do que a tardar.
Apiúna
Apiúna minha adorada,
a tua Maria-Fumaça
faz muita gente
enfrentar esta estrada.
O teu sabor de tangerina
e o teu perfume dão
motivos para a alegria.
Aquidaban é onde
a história e a vitória
se encontraram,
E também foi teu nome.
Na Serra do Mar
o meu peito a inspiração
sempre vive a encontrar.
Cabeço negro catedral
do tempo o teu nome
eu honro para sempre,
e amo amar a tua gente.
Nos teus morros, cachoeiras
e nas tuas corredeiras
estão os meus poemas
Onde está o belo Cânion
do Vale Ribeirão Neisse
entrego ao Altíssimo a prece
por esta cidade e hospitalidade.
Apiúna minha amada,
que nunca esquece
da herança botocuda e europeia,
tens todo este apreço
porque a tua gente que merece.
Sabe como o meu cérebro lê o mantra "nunca os artistas foram tão hostilizados"? Você que escreve ou faz qualquer tipo de arte cale a sua boca porque eu não tenho a mesma capacidade do que a sua.
Antônio Carlos
Onde o Caraguatá
floresce esplêndido
na Mata Atlântica,
Ali está o sonho
vindo da Renânia
que cruzou com bravura
o oceano, se estabeleceu
e com fé gigante ergueu
uma cidade bonita.
Construiu igrejas, grutas
com marianas virtudes
e recantos acolhedores
onde as palmeiras gentis
e os coqueiros dialogam
com as poéticas araucárias
dos amorosos destinos.
O meu amor por ti
é tão precioso quanto
a bromélia na mão
do descobridor,
E você sabe com
orgulho no teu íntimo.
Na Serra das Congonhas
onde nasce o Biguaçu,
com ternura abraço
os teus Rachadel, Farias,
Ribeirão Vermelho,
Louro, Saudades
e encantos infindáveis.
Antônio Carlos adorada,
por estes rios que te beijam
e por todas as quedas d'água
que dão graças a vida e festejam,
O meu coração repousa
em ti e meus sonhos se erguem.
Sempre rezo a São Francisco
no Morro dos Müller por nós,
para a linda Antônio Carlos
repleta de povo amigo,
para todo este paraíso de beleza,
de pilões e alambiques
que têm tudo o quê é preciso
nesta vida para ser feliz contigo.
Tão precioso e raro
quanto marfim,
O nosso amor bravo
cruzou obstáculos
da vida e do tempo,
E hoje se confirma
o leal sentimento
que forte nos uniu,
e sempre se celebra.
Da tropa e do General
que foi preso inocente
há quase dois anos
no dia treze de março
existe um poemário,
E venho contando
nas entrelinhas dos
meus versos dedicados
sobre os estilhaços
que tantos tiranos
estão a nos deixar,
Não vou parar por aí,
não posso ignorar,
É Pátria Grande
ou Pátria maior ainda.
Não há explicação
golpe é golpe,
O golpe na Bolívia
foi dado e um
informe da sucursal
do inferno que
leva como sigla
três letras a fraude
não conseguiu provar,
Não me canso
por este continente
um só minuto de gritar.
No exílio os líderes
se encontram
e estão convertidos
em milhões
que este golpe
não vão parar
de denunciar
pelo mundo e seus rincões.
O melhor amigo
do líder em exílio
foi atropelado
pela viatura militar,
Para a maldade
dos Homens não
há explicação,
Há um golpe
na Bolívia que
não há como negar.
Canto sem ter
a voz dos cantores
da América,
Escrevo para
o tempo passar
E quem sabe
acordar do pesadelo
de não ter que
tomar tiro se tiver
de sair para protestar.
Encontrei uma rima
que parece ironia,
Estamos a um
mês do Natal,
Não soltaram
a tropa e o General
que está preso
há quase dois anos
imerecidamente,
Enquanto o Deus
da Guerra anda
livre e leve solto
pelo nosso continente.
Não reverbere à toa
que não foi golpe,
Porque tu vais
passar vergonha,
Não arrume
justificativas
para buscar encobrir
o quê o mundo
na Bolívia é testemunha:
Uma sugestão de renúncia
por parte de um General
que foi para
o autoexílio dourado,
Uma autoproclamação
em três minutos
e sem quórum de votação,
e você fingindo que não viu.
Caiu a noite na América Latina,
você em voluntária letargia
e perdeu a visão do coração,
Enquanto outros perderam
em protestos chilenos
pedindo de um sistema
para o povo libertação.
Olha, você que pensa
que viu tudo,
há uma tropa presa
nos sótãos e no calabouço,
Só de me lembrar
que assim está
me preenche de desgosto,
E um General injustamente
preso que desde sempre
nunca abandonou
o tempero da revolução.
A infância e os idosos
foram e seguem
torturados na Bolívia
pelos infames golpistas
que se alimentam
dos massacres
de Senkata, Sacaba
de outros rincões
ainda não conhecidos
e outros talvez ainda
não tão comentados,
Incontáveis são
os presos políticos
e é desconhecido
o número
de desaparecidos;
Os tiranos certos
de que serão acobertados:
alimentam o triângulo
de ódio, tortura e morte
porque creem que
não serão derrubados.
Do outro lado
a tragédia do povo
yupka pouco falada,
Talvez seja daqui
a pouco esquecida.
O meu silêncio é
um tambor que
indomável grito
as dores do mundo.
A verdade não retida
jamais há de ser
discurso de ódio,
é a maneira de
lutar todo o dia:
contra o tempo
e o esquecimento.
Por isso todo o dia
devoto um terço,
um poema de protesto
contra o Império,
e não escondo
o meu desagrado
de terem feito
um General injustiçado
e uma tropa e o seu
orgulho quebrado
pelo peso
das mesmas correntes.
Há desaparecidos,
torturados e presos
por lutarem pelos
seus ideais democráticos,
ainda há quem por eles grite
e quem vá de peito aberto
defendê-los de um ofensivo
golpe contra a Humanidade,
e por eles sofrer na pele
o rechaço por parte
das bestas-feras
nas ruas pacenas,
peço que você não
alie com quem age
agressivamente
e se inspira naquele
que ostenta um
estandarte de projéteis.
Se a tua devoção serve
a um Deus que ofende,
tortura, persegue e mata
não é ao verdadeiro
Deus que você segue.
Mil vezes prefira
se inspirar em quem
canta a liberdade
e exibe os seios
em público para
dizer que o Chile
"prende, tortura e mata".
Mil vezes prefira
se inspirar no General
que foi preso há
quase dois anos
no dia treze de março
no meio de uma
reunião pacífica.
Mil vezes prefira
se inspirar na tropa
que está dando
a sua vida pelo povo,
e sem esperar qualquer
aplauso ou troco.
Mil vezes prefira
se inspirar nas marchas
dos movimentos indígenas,
na admirável marcha campesina,
e em todos que se mobilizam
pela liberdade da América Latina.
Outros poetas
estão surgindo
de improviso
neste continente
de fracassados
pela dolarização,
É a delícia
e o inferno
do capetalismo
colocando em
transe e toda
a sua pressão
Aqui não há
quem não queira
foragir da realidade
e embriagar-se
para conter desespero,
É a tragédia de
mais de uma Nação.
O tempo está correndo
e ainda insisto
em pedir a liberdade
da tropa e do General,
Para a reconciliação
sempre é tempo.
Ignora-se o quê
é mais grave,
Mas é a minha
poesia que
tira a paz
do autoritarismo
golpista na Bolívia,
Por ambição ainda
desejo tirar a paz
de muitos outros
que estão com
alma vendida
e que também
merecem meus
versos alucinando
cada passo deles
neste continente,
Nas minhas veias
há o mesmo sol
do deserto de sal ardente.
O aroma do genocídio
do povo indígena
pelo vento sul trazido
desde o altiplano
se fez reconhecido,
A tal doidivana
autoproclamada
não tem diferença
do falso militante
no meio da rua
de calça arreada,
Gente assim é capaz
de tombar um
hemisfério inteiro
se todo mundo
ficar sem fazer nada,
Essa gente apronta
tanto que
o tempo passa,
E do General preso
injustamente e da tropa
ninguém anda
falando de mais nada.
O aroma da multidão
jovem pisoteada
na favela,
É sinal de segurança
sem sentinela,
De baile e música
sem escolha;
De uma manipulação
sem limite,
De uma América Latina
crescentemente
colocada em convulsão.
Foi muito o sangue,
e agora escapa o lítio
Ainda não dá
para contar
o prejuízo assinado
pela doidivana
autoproclamada
e os seus companheiros
de pornochanchada:
a imprensa
segue censurada.
Pensamentos, palavras e atitudes que estimulem perseguições individuais não são necessárias para o bom andamento do Brasil e de nenhum país.
Ascurra
O teu signo foi inspirado
no heroísmo de 1874
em reverência à 1869,
E foi nascido além-mar
da herança italiana
que cruzou por uma nova
vida rumo a América,
Que plantou lavouras de amor
e deixou memórias de afeto
na forma de casas antigas.
Coroada por montanhas
cristalinas, praças carinhosas,
igrejas e capelas frutos
da sua fé ardorosa,
É a lembrança da tua gente
amorosa que sempre levo comigo.
Ornada pelos ribeirões
Guaricanas e São Paulo,
Com beleza e gentileza
conquista os corações onde
o Rio Itajaí-Açu enamorado beija.
Na Cruz de Pedra te encontro
como um poema,
No Morro do Oitenta deixo
para trás os meus problemas.
No Salto Andorinhas
me encontro nas poesias.
No Salto da Mineira te quero
como um beijo me queira.
Na Serra Selim percebi
que eu nasci para você
e você nasceu para mim,
Na Pedra da Leoa sempre
pude sentir que a vida é boa;
Ascurra minha preciosa,
quando te vi pela primeira vez
e me apaixonei não foi à toa.
Anitápolis
Entre as montanhas
da Serra Geral,
Nasceu da esperança
da imigração,
Tens o nome da Heroína
eterna do coração
e de Dois Mundos,
Tua beleza inspira
poemas profundos.
Anitápolis amada,
a tua beleza esplende
e meu peito a ti se rende.
Cresceu jóia de Santo
Amaro do Imperatriz
destacada e honrada
pela gente corajosa
que pela terra doou
uma vida toda dedicada.
Na Cachoeira da Usina
é ali que os meus votos
renovo de dar graças a vida.
Na Serra da Garganta
recordo da batalha
revolucionária dos heróis
que ensinaram a História
a nunca ter medo de nada,
e a louvar a tua gente solidária.
Há muito tempo
venho contando
a injustiça em
versos autorais
e de minha total
responsabilidade
sobre a injustiça
cometida contra
uma boa tropa
e um General:
O círculo vicioso
contra os nossos
povos que vem
sendo imposto
não nos deu
trégua nem
no mês do Natal.
Na nossa Pátria
América Latina
virou rotina aturar
todo o santo dia
falsas notícias
a ironia e a tirania,
E morrer nas mãos
de cada uma delas
porque não
há investigação.
A Bolívia não foi
poupada do cruel
engendro deste
emaranhado,
o povo vem
sendo ameaçado
e por lá um golpe
duro foi instalado,
Desde outubro
era esperado
um informe final
sobre o resultado
da vitória eleitoral,
Somos testemunhas
de um festival
de absurdos sem
antes nunca visto igual.
O Comandante
da mais frágil
filha de Bolívar
se recordou
do lema patriótico:
"Pátria ou Morte,
Venceremos!"
Isso me fez lembrar
da dolorosa partida
do mais ilustre
líder rumo ao exílio.
Não consigo parar
de me chocar que
vem crescendo
o número de
presos políticos,
O fato é que alguém
tem que reclamar
até a liberdade cantar.
Do outro lado de lá
há um General
que não fez rebelião,
não fez nenhuma
sugestão e foi
preso mesmo assim,
ele que no dia
treze de março
há quase dois anos
no meio de uma
reunião pacífica;
E pesa um rigor
injusto e sobrenatural
de não saber se
ele, a tropa e todos
o quê foram presos
pelos mesmos
motivos receberão
os auspícios
de serem soltos
antes do Natal.
Nenhum golpe é
para sempre tal
como a noite,
Insistir numa
mentira que
não houve ela
sempre acaba
virando açoite,
Mesmo no meio
da madrugada
acordar é questão
de vida ou morte
Acorda Bolívia
para não entregar
nas mãos erradas
a sua própria sorte.
Enquanto andava
cruzou uma borboleta
azul elétrica num
voo baixo e triste,
Talvez pelos ventos
ou fugia para
salvar a própria
vida para
não ser devorada,
Num momento que
eu meditava
um verso para
pedir um Natal
sem prisões políticas
e o pedido para libertar
da prisão injusta
a tropa e o General,
Talvez seja esse
o significado real
da missão da poesia.
Nenhuma prisão é
para sempre tal
a tempestade que
obstrui caminhos,
Ignorar que estamos
num continente
que virou um
oceano de presos
e desaparecidos políticos,
É dar um cheque
em branco para recolher
a sua bandeira antifascismo
nos estádios e se entregar
nas mãos do autoritarismo.
