Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
O General segue severamente injustiçado
(((Ele está indevidamente aprisionado)))
O caso está sendo duramente silenciado.
O General está isolado, sem comunicação
e permanece em injusta prisão:
(((o idealista da pacificação))).
O General está isolado, sem comunicação
e permanece em injusta prisão:
(((a saúde está em deterioração))).
O General está isolado, sem comunicação
e permanece em injusta prisão:
(((ele é alvo de política perseguição))).
O General está isolado, sem comunicação
e permanece em injusta prisão:
(((há uma tropa em igual situação))).
O General está preso injustamente,
Não há nenhuma notícia de medida humanitária,
O General está isolado simplesmente.
Sempre haverá um
condor acompanhando
cada passo meu,
neste peito devoção
há pelo continente,
não sei qual será
o destino da nossa gente.
Talvez a segunda onda
virá ainda mais forte,
será usada como álibi
para a injustiça culposa
do vício daqueles tais
que têm poder evidente.
Sempre haverá um
condor acompanhando
cada verso meu,
que insiste rogar
pela liberdade do General
que está preso inocente,
e por uma tropa igualmente.
Talvez a segunda onda
virá ainda mais atroz,
o Peru amanheceu mais
uma vez sem presidente,
apareceu mais de um algoz,
e não há grupo interferente.
Pela primeira vez nunca
tivemos tão distantes
de alcançar a luz do final do túnel
de cada rincão e dos instantes,
não arrisco a previsão
que virá daqui para frente.
Só sei que a vida por aqui
está a cada dia mais indecente,
e o povo sendo condenado à indigente,
que cada poema me custe o sangue,
tenho orgulho da minha insônia
serena de quem não vive indiferente
neste mundo onde nem as araucárias vivem livres.
Um país que não era
uma zona de guerra
sendo virado do avesso
pela truculência
de uma parte do povo
que não consegue
conviver com nenhum
tipo de diferença,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Não sei o rumo
que tomaremos,
só sei que não está diferente
por todo o nosso continente,...
Onde tiranos seguem livres
e os heróis da justa revolta
no Chile continuam presos,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Não sei o rumo
que tomaremos,
só sei que estamos sozinhos
e isolados em nossos caminhos,...
Tão sós quanto o General
preso injustamente,
sem devido processo legal
e isolado totalmente,
(((Tudo isso me dá muito medo!!!)))
Só sei que o ideal seria,
se houvesse perdão, reconciliação
(((sem implicar em impunidade)))
e união contra o ódio e o ressentimento
em conformidade com a mensagem
deixada pelo General há mais de três anos,
O triste rumo de todos mudaria,
(((E uma nova história nasceria!!!)))
Não há enigma
a ser decifrado,
Não veja chifre
em cabeça de cavalo,
(Apenas uma poetisa
injetando versos
nas veias abertas
da América Latina),
Para talvez tentar
a sorte e a calma
galeana por qualquer
lugar que precisar,...
Testemunha sensitiva
das prisões políticas
no afã de cada uma
delas pela liberdade
serem socorridas,
Pois até lá na Bolívia
que caiu a Ditadura,
evoltou a democracia:
Ainda não libertaram
Orestes e Alejandra,
e outros tantos mil,...
Contando estas e outras
tantas cruéis histórias,
ainda sobra espaço
para insistir em querer
saber do General
injustamente preso
que ninguém sabe,
e ninguém nunca mais viu.
América do Sul, Pátria minha,
peço que não me deixem órfã como filha
e cada um dos teus amados filhos,
nas tuas mãos estão entregues os nossos destinos.
Todos os dias pergunto onde
foram parar os direitos humanos
do povo, da tropa e do General
(((Este é o poema)))
No instante do giro do mundo,
li uma notícia que iniciaram
os julgamentos dos militares,
lado a lado, e sem que ninguém a veja:
Persiste estar a minha poesia,
porque no fundo também é prece,
(viver num inferno ninguém merece),
Todos eles são presos de consciência,
em cada verso são habitantes
(a reconciliação e a paciência);
Todos tem sido devotados ao General
e à cada um da tropa que injustamente padecem,
porque crê que só vivendo em paz é que todos crescem.
I
Micropoema à 30 de novembro...
Mesmo que ninguém me veja,
porque se trata de só mais um poema,
misturado no ar e entre a tropa,
(na boca do povo com toda a certeza),...
quero saber se soltaram
o General que preso não
deveria nenhum minuto estar;
não tenho nenhuma notícia
quando a Justiça vai o libertar.
II
Micropoema à 1 de dezembro...
Outros mais de duzentos já
(deveriam para casa voltar),
apenas só soltaram vinte e seis;
com um pouco mais de boa vontade
não é difícil fazer cumprir as leis,
como se encontra o General:
Socraticamente só sei que nada sei.
Obtuso corredor mui escuro
de tempestade de informações
neste ultra confuso dia de liberações,
que apenas resultou em libertações
de três presos de consciência,
(os demais presos de consciência
vivem a maior solidão do mundo).
A paz, a justiça e a liberdade
por ali ainda não fizeram
habitações, infelizmente;
(e para que elas venham
persisto num poemário rotundo).
Dois do Golpe Azul
e um do Golpe Fênix,
só três presos militares
políticos, simplesmente;
(e por aqui recolhi
as chagas do continente).
E sobre os demais presos
de consciência pesa
o conta-gotas da justiça
em ausência neste dia
primeiro de dezembro triste,
(sigo com as veias abertas
galeanamente por gostar de gente).
Do General preso
injustamente nada se sabe,
só sei que a Justiça para ele não existe;
Por pensar diferente está
passando pelo pior calvário que existe,
e só que desta nave de portas fechadas, gradeadas, pés algemados,
mãos algemadas e caminhos todos fechados,
ele não é o único por querer bem a tanta gente,
e não se abraçar com o orgulho e a existencial escuridão.
A democracia ou a ditadura flertam
com liberdades e se enredam
em todos os tons com abusos,
E nessas duas há aqueles que
do oportunismo se enamoram
causando um turbilhão de falsas informações
provocando rumores e abalando emoções,...
Sou poeta e não gosto de mentira,
embora eu verseje
também sobre os rastros dela
para que não seja esquecida e repetida,
Porque militares prisioneiros de consciência
libertados foram apenas três,
se os outros foram presos abusivamente não sei,...
Só sei que nem toda prisão é política,
e por mais arbitrária que seja
não pode ser chamada como tal;
Porque prisão política verdadeira
é sempre aquela como se encontra o General.
A dor da saudade
não rima com nada
além do absurdo
que tem crescido,
E anda golpeando
em absoluto
os corações dos filhos
dos presos políticos,
É desse jeito que para
todos assim tem sido,
É da minha janela
que tenho sempre visto:
A consciência não
permite fingir
que não é comigo,
Em pleno Natal
nada se sabe o quê
vem acontecendo com
os presos de consciência,
Não me permito viver
do mal da indiferença,
nada mais se sabe do General.
O dia ainda não
((se levantou)),
O piloto do F16
muito cedo voou.
O Capitão de Navio
(((foi transferido)))
para aquele lugar
que me dá arrepio.
Há quem infelizmente
((não se atentou)),
da tropa eu nada sei.
O General
(((foi transferido)))
para aquele lugar
ao arrepio da lei.
Há quem infelizmente
((não se acordou)),
que para eles não houve grei.
Há quem infelizmente
nem satisfação deu,
Do General e do Capitão
ninguém sabe, nem eu sei.
Só se tem certeza
((que segue o desastre)),
dos Direitos Humanos ninguém sabe.
Neste mês do Natal
a única certeza que
se tem é que seguem
injustos com o General.
O pouco que se soube
foi pela página do jornal,
não houve ninguém
de honra para socorrer.
Com o Capitão-de-Navio
a História se repetiu,
nada se sabe ou viu,
e com uma tropa igualmente.
Triste história com quem
veste ou vestiu farda,
e nunca se esqueceu
de ter um coração de gente.
Coração sul-americano
em todas as glórias
e dores sem engano
do meu povo e suas tropas.
Junto com cada vida
perdida no oceano,
levando palavras
todas engasgadas
na garganta como cravos.
Multiplicam-se os mortos
somados aos bloqueios,
e não faz vista grossa
à existência de torturados.
Firme em plena eclipse
solar parcial,
sem saber do General
preso injustamente,
ainda espera
pela justiça imparcial.
Carregando naufrágios
para si e vivendo de pé
em nome do que é
terno, imutável e místico.
Buscando abrir fronteiras
para o perdão e a reconciliação:
porque crê como criança
no que dizem ser impossível.
Não me canso de repetir isso:
Como o Sol da Venezuela nasce no Esequibo,
A liberdade está para o General.
Não me canso de repetir isso:
Como o Acordo de Genebra de 1966
está para a integridade territorial,
A liberdade está para o General.
Não me canso de repetir isso:
O General continua preso injustamente,
e sem acesso ao devido processo legal.
Não me caso de repetir isso:
O Sol da Venezuela nasce no Esequibo,
e o Sol da liberdade não pode
continuar sendo negado ao General.
