Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
O sobrevoo silencioso
do condor sobre
o nosso continente
anda mais forte,
Não há possibilidade
de ficar contente,
Com o massacre
Senkata e Sacaba
que matou tanta gente.
Eis-me a poética
pelos anônimos
que insiste em saber
como são os rostos
dos desaparecidos
e para onde
ele foram levados,
Não saber quem
são e como são
tem deixado o meu
coração aos pedaços.
A América do Sul
de ponta a ponta
está sequestrada
por controle remoto,
Buscando saber
o quê aconteceu
com a tropa castigada,
E com o General
que foi injustamente
preso no meio
de uma reunião pacífica
no dia treze de março
há quase dois anos,
Por todos eles
e o tempo todo
tenho escrito versos
latino-americanos
porque sem eles
não sei o quê será de nós;
Sem exagero sei
muito bem aquilo que falo.
A insistência
cochala agrediu
Cochabamba,
E o mundo que
já conhecia
este filme fingiu
que não viu,
Quase fizeram
com quem teve
a casa revirada
e não estava
para os seus
pertencer defender,
porque foi forçado
ao exílio para a sua
própria vida proteger.
É golpe! É golpe!
Não me canso
do golpe na Bolívia
ao mundo denunciar,
O povo indígena
nas mãos
desses terroristas
correm perigo,
Se o continente
não se mobilizar.
Algo de pesado
ronda o continente,
Que mantém soltos
os culpados e presos
muitos inocentes
como a tropa
e o General que foi
preso há quase
dois anos no meio
de uma reunião
pacífica no dia
treze de março,
E todo o dia não
me canso de por
cada um deles
continuar a me queixar.
Em nosso confuso
continente cada
um tem a sua
parcela de culpa,
A nossa dívida
histórica é interna
com o nosso
povo originário,
Em um mês e meio
quatro guajajarás
foram assassinados,
Mas é o menos
urgente que ocupa
todos os espaços
no tumultuoso cenário
que tem origem
numa única corrente
que seduz o mercado,
Invade países com
a sua intriga foi
capaz de prender
um General
e uma tropa fazendo
outro massacre
só que silencioso,
Estão todos vivos
mas é como mortos
estivessem perto
de chegar este Natal.
Não me permito
voltar os olhos
para fora,
os massacres
em Sacaba e Senkata
não tiveram
a redentora justiça
como pronta resposta:
O atraso do tempo
pode conspirar
contra a verdade
e a cruel História,
Tal como
a irrazoabilidade
fazendo batida
fora de hora,
contra a lógica
e um constante
rasgo a Constituição.
E da mesma forma
pode ocorrer com
os desaparecidos
de Laguna Alalay
em Cochabamba
e tudo aquilo que
ocorreu por tantos
lugares e em El Alto,
Tomei gás
lacrimogêneo até
o meu último
poro não alcança,
e por nada arrastaram
a minha cara no asfalto.
Dizem que
Aquiles Nazoa
agora vive
em La Casona,
E me fez lembrar
do vôo do herói
da época que
ainda eu era moça.
O poeta como
sempre é eterno,
E parece ironia:
o herói ainda
continua preso,
E todos nós
sem sossego.
Se estamos
em revolução
ainda não sei,
Quero só ver
quando ela
se tornará lei
e libertação.
Só acreditarei
quando ver
com os meus
próprios olhos,
E se por acaso
eles não verem:
Só o tempo
será capaz de dizer.
Os teus direitos
em todos os tons
e cantos daqui
serão em regra
relativizados
nesta Era,
se você for
indígena
vestindo
farda ou não,
e se a tua
convicção
for diferente
do poder vigente.
Não importará
se você vestir
farda ou não
neste continente:
os teus direitos
serão vilmente
atropelados
por autoritários
e por aqueles
que não pensam
como você terão
um cardápio
de salvação
orientado por
mentes que vivem
em estado de exceção.
A correnteza
de duas vias
em silêncio
expõe quando
falta a moral
e os bons
costumes é
sinal que estão
se regendo
pelos dois
grandes males
do século:
o relativismo moral
e a desonestidade
intelectual que
compõem
a burocracia do mal
que foi capaz
de prender
injustamente
uma tropa e um General.
Passou um mês
do massacre
de Sacaba:
ninguém foi preso
e quem sabe
da verdade
não abre a boca,
Não se indigna
ou não demonstra
por medo
de represália
de ser mais
um desaparecido,
Um sobrevivente
sem salvo-conduto
ou simplesmente
se tornar mais
um preso político.
Não importa
onde esteja
se é na quermesse
em prol das vítimas
de Senkata ou até
mesmo na igreja,
O autoritarismo
vai te aprisionar
quando você
não permite
a sua dignidade
ele sequestrar.
Muitas histórias
sem fim nesta
Pátria imensa
para contar e recontar,
Não se sabe nem
o porquê e nem
quando vão soltar
a tropa e um General
presos injustamente
e não há notícias
nem de esperança
para este Natal,
Da poesia sigo
sendo o último
soldado até o final.
Anita Garibaldi
Olhei para a copa
de uma araucária
e lembrei que fostes
Rincão dos Baguais,
Há tanto tempo faz
por todas auroras
amorosas que meu
peito te ama todos
os dias ainda mais.
Passaram tropas,
a tua memória
nunca se apagou,
Tua gente carinhosa
o futuro abraçou.
Imigrantes italianos
e alemães ergueram
com força do campo
uma cidade bonita,
Não é a toa que tens
o nome de heroína.
Há muito o quê fazer
na Cachoeira do Taimbé,
na Gruta de Nossa
Senhora de Lourdes
onde o povo sempre
busca aumentar a fé,
E na Trilha Geremia,
nos teus lagos e
na Usina Velha valem
cada passeio da alegria.
Anita Garibaldi és
da nossa heroína
a fiel seguidora
que honra sempre
a primeira professora,
e aos olhos brinda
com a tua paisagem sedutora.
No dia treze
de março
do ano de dois
mil e dezoito,
um General
foi preso
injustamente
no meio de
uma reunião
ordeira e pacífica,
E contra ele
tudo ficou tudo
ficou por
isso mesmo:
nunca mais
se ouviu notícia
de libertação.
Um poemário
em reclamação,
Dando conta
de saber do
destino da tropa
e da população
de um continente
a poesia
além escrita,
vem alimentando
uma multidão
e dos ouvidos
virou a canção.
O General deixou
como mensagem
a reconciliação,
E eu poesia
todo o dia
pela consciência
continental
para um povo
nascer de novo
e libertar a mais
frágil filha de Bolívar.
Na gradação
desta noite
bolivariana,
Sofro as dores
da filha
mais frágil
do libertador,
Se o General
estivesse solto
sei que ele
se comoveria
por esta ferida
contundente
e profunda
de uma Pátria
tentando
ser reerguida
após séculos.
Contra tal
barbaridade
em versos
que passeiam
por este
continente
e denunciam
comparáveis
insanidades,
A comoção
alcançou até
o General
de olhos
de azabache.
Versos que
são de minha
integral
responsabilidade,
E que não
desejam provocar
quem quer que seja,
E sim nasceram
para gritar tudo
aquilo que
ao povo humilde dói.
Ontem um quartel
ao sul foi assaltado
por terroristas
que queriam mais
uma vez convulsionar
a Pátria de Bolívar,
um militar foi morto,
o armamento recuperado
e o terror aprisionado.
É preciso esclarecer
cada passo dado,
Ser preciso ao manter
o povo bem informado
porque o perigo
vem sendo todo
o santo dia pavimentado
e o continente vem
sendo na escalada
pelo Império sacrificado.
Rechacar a externa
e grave intromissão
que faz perder tempo,
impedindo a paz,
e o restabelecimento
pela via de um caminho
mais aplainado,
é uma sensível urgência
de cada instante
e não há como desviar
da realidade dos fatos:
É quase Natal e até
agora não houve
nenhuma notícia
de reconciliação
com a tropa
e com o General
que estão há anos
injustamente aprisionados.
Só vem crescendo
a insatisfação
no meio das tropas
da venezuelanas
pelo constante
maltrato aos seus
velhos generais
em injusta prisão.
Era para ser um
Natal em paz
e sem repetição
dos velhos erros,
mas a opção é
seguir errando
em série porque
de fato escutar
a voz do coração
em lugar nenhum
não há quem
queira saber mais.
Não há condições
de enaltecer
acertos de esquerda
ou de direita,
neste continente
que virou um oceano
de presos políticos,
que está matando
os seus índios
atropelando a juventude
na Praça da Dignidade
e sem perceber
estamos habituados
com estranha
normalidade de tolerar
e conviver constantemente
de massacre em massacre.
No Mercado Antigo
de La Ramada
Cruceña
não se pode mais
vender em paz,
Em Yapacaní
a ausência dela
não aconteceu diferente,
O silêncio em muitas
rádios tem sido presente:
Não há mais imprensa livre
e tampouco de resposta,
Sobram militares e policiais
subordinados a motoqueiros,
a barra brava do oriente
e a terrorista união
da juventude cruceñista.
Não se pode dormir
em paz em Chapare
e por toda a Bolívia,
Por causa da violação
do Protocolo de Ushuaia
por culpa de gente errada
com a Bíblia nas mãos
numa aventura golpista.
Neste continente
onde os massacres
de Senkata e Sacaba
estão quase olvidados,
A proteção aos povos
indígenas de todas
as Nações e cantos
que já era mui frágil
agora pode ser
declarada extinta,
e nada posso fazer.
Só de pensar nisso
e ainda por ontem
vem me deixando
apavorada porque
sei que estes
diabos em vida
querem fazer
de tudo para provocar
um sentido
para justificar
aplicação do TIAR
e um continente
inteiro convulsionar.
Quem perde com isso?
É a humilde população.
O quê ganho falando nisso?
A paz de espírito
pelas tropas e o General
que estão presos
injustamente na prisão,
E eu que não posso
por eles fazer nada
a não ser não ficar calada.
Daqui há pouco
completam dois
exaustivos anos
que o General
está preso sem
nenhuma prova,
Ele foi preso
no meio de uma
reunião pacífica.
Que ocorreu no
inesquecível dia
treze de março
que ele foi sem
nenhum motivo
à prisão levado,
repito sempre
como se repete
uma prece com
o santo rosário
doa a quem doer,
para que jamais
o esquecimento
encontre espaço.
A irmã, as filhas
e família estão
mui tristes e todos
que gostam dele
sentem a falta
que faz em liberdade,
e sem pedir licença
também sinto
como fizesse
da história parte.
Como não há
resposta sinto
muito por ele
e pela tropa,
E insisto
pelo milagre
da reconciliação
que os colocará
novamente
no caminho
da vida que foram
todos arrancados.
Desfilou de coração
blindado o descaso
com a expectativa
pela promessa
por uma mesa
de diálogo nacional
para libertação
dos presos políticos
antes do Natal:
Mais uma vez não
desisti de pedir
que libertem antes
do Ano Novo
a tropa e o General;
Por muitos que
nem sei quem são
venho pedindo
a libertação,
Só sei que alguns
tantos da mesma
forma que um
civil e um coronel
desaparecidos
eles estão,
Uns de ouvidos
blindados vão
e outros para
a diplomacia
os ombros dão;
E eu não tapo
o sol com
a peneira não.
O General que
está há quase
dois anos preso
injustamente,
É um dos
três Generais
que estão
privados de tudo,
E enterrados vivos
a cada minuto
em Fuerte Tiuna,
Ali após a nove
da noite não
se recebe mais
nenhuma visita.
Dizem que há
um tenente
triste e enfermo
e de Ramo Verde
um Capitão
da GN foragido
saiu correndo,
Se é mesmo
verdade
só Deus sabe,
É preciso se
reconciliar para
dar um basta
neste pesadelo
tão covarde.
E vendo a vida
na vitrine conto
além da captura
do General
em meio de uma
reunião pacífica;
Ele e tantos
ainda esperam
a liberdade cantar
sob a luz do sol
da justiça um
país se pacificar.
Envio poemas
em doses
homeopáticas
para a sua
irrazoabilidade
sacodir
e não te deixar
nem por
um segundo
descansar
até o nó cego
do autoritarismo
você desfazer,
Há muitas baixas
de indígenas
neste continente
para investigar,
E garimpos
para expulsar.
Estamos perto
do Ano Novo,
Houve uma
promessa
por uma mesa
de diálogo
nacional
antes do Natal,
e ela não
foi cumprida:
Não soltaram
a tropa,
o General
e outros tantos
que estão
enterrados em vida;
Em qualquer lugar
quando falta
o diálogo
sempre faz lembrar
da diplomacia da Bolívia.
É quase véspera
de Ano Novo,
Três oficiais
e nove civis
estão presos
por decisão
do Tribunal Militar
17 de Controle
pela invasão
do Batalhão 513.
Uns desertaram
para terras brasilis
e ganharam refúgio;
É ao menos o quê
as notícias dizem,
E a poesia se
obriga a rimar
sem subterfúgio
em ares confusos.
Não é segredo
que peço justiça
por mais de
um general que
estão pagando
penas altas demais
que nem deveriam
continuar a pagar,
e nem presos
deveriam estar;
e assim sigo todo
o dia a reclamar.
Por tantos outros
ocorridos e agora
mais este fatídico
sigo escrevendo
para que o tempo
não promova
o esquecimento:
Que além do General
há quase dois anos
injustamente preso,
Há tantos outros
além dele e dos generais
na mesma situação,
Pois há tempos a justiça
vem sendo aplicada
sem nenhuma correção.
É véspera de Ano Novo,
e não consigo sentir
o perfume da liberdade,
Versejo como quem
grita aos quatro ventos
sem ser escutada;
E mesmo assim
com esperança
e fé na possibilidade.
É impossível fingir
que não escutei
reivindicações
pela liberdade
dos presos políticos
que mais uma vez
foi procrastinada;
Dói ver gente
que por ela não
estão fazendo nada.
Há sindicalistas,
nove comuneros,
gente campesina,
militares e gente
de todo o jeito,
e vozes resistindo
o quê os corações
não se calam
neste continente
que foi invadido
por radicalismo;
E me espanta que
há quem se assuste
porque conto tontos
e outros fatos
pedindo pela libertação
de todos e do General.
Na inauguração
deste Ano Novo,
dou a mim
mesma o direito
de viver a minha
tristeza de verão:
Vejo cenas que
passam do
nosso continente
em convulsão;
E para o General
que foi preso
injustamente
e uma tropa
não há sequer
um sinal se irá
ser concedida
a justa libertação.
Sou testemunha
poética e ocular
na Venezuela
e na Bolívia como
começou o perigo
continental pelas
mãos traiçoeiras
da autoproclamação.
Quem discorda
da violência os fiéis
das bizarrices
da Rainha de Sabá
às avessas,
eles estão tratando
como se fosse
um perigo eminente:
ordenando prender
por terrorismo e sedição,
todos aqueles
que pensam diferente.
Diante do que
é verdadeiro,
independentemente
da direção não
há como flertar
com o relativismo,
Os massacres de Sacaba,
Senkata e Yapacaní
andam querendo dar
outros nomes
e tratar os crimes
com desonesto eufemismo.
Contando tudo
o quê se passa
por todo o lugar
vou mostrando
o autoritarismo
de todas as direções
capazes de prender
até injustamente
um General por
antever a urgência
da mensagem
de reconciliação
para o povo dele,
e recomendável
à todas populações.
Estamos num crítico
momento por aqui
neste continente
na Bolívia silente
um pedaço edênico
deste continente
que se transformou
num paraíso de golpes,
conspirações,
abusos e mil traições;
Todas capazes de trair,
matar e desaparecer
nos seus sete
pontos cardeais,
e até em um deles
de manter
sob cárcere duas
dezenas de militares,
e em outros tantos
praticar contra
quem os crítica:
falsos positivos
calúnias e difamações.
