Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠A pergunta que
não quer calar:
onde está
o Hugo Marino?
Não era nem preciso
perguntar isso,
Pois já era para
ter sido respondido.

O tenente continua
largado nu
como um louco,
era tempo de ter
já parado de colocar
tanta gente em sufoco.

E assim vou contando
a história de
um povo sofrido,
de um General que
foi preso injustamente,
e que nem
sabe que eu existo.

Olha, meu bem,
só uma coisa te digo:
- Não se meta nunca
mais com o Esequibo!

A única guerra
entre a Colômbia
e a Venezuela
que deveria
ser permitida
é uma batalha
de joropo na fronteira
fazendo os cantores
vencerem um
ao outro na canseira.

⁠Por ele e por
quem precisar,
Reclamarei
até você deste
sono acordar,...
Ainda
preso
está o Pedro,
porque dizem
que foi por tuitar
o quê na Internet
já se conhecia.

Não quero que
países irmãos
entrem em
confronto por
quem não sabe
da melhor
forma estar,...
Não deixem
mais
nenhum atrevido
nunca tocar
no lindo Esequibo.

Até mesmo se
você precisar,
Estarei aqui
para reclamar,
Porque mágoa
não guardo,
nem nunca
vou guardar,
e não permito
ninguém cultivar.
Está na hora
de libertar
o General que
não deveriam
tê-lo prendido,
Estão dizendo
que um acordo
jurídico com ele
não foi cumprido.

Ainda prefiro
não acreditar,
Soltem ele e não
se fala mais nisso.

⁠Quando há
falta de justiça
a quem
é inocente
sobram poemas
neste continente
de memória
marcada:
Letras de cela
apertada,
sem ventilação
e ainda
sem ventilador.

O tempo tem
passado lento,
Provocando tudo,
menos o nosso
esquecimento.

O General
anda engolindo
a dor no ombro
pela alta
temperatura
inflamatória,
E a Mãe orante
pelo manto
Virginal
de Coromoto.

Segue esta
trágica situação
vexatória mais
para quem tem
o dever de fazer
e ignora o dever.

Neste tempo
em tempo
de conseguir
fazer justiça,
E encaminhar
a liberdade
em pronto
andamento,
Pois já são
18 meses
sem nenhum
discernimento.

⁠Cai a chuva mansa,
e minha alma não
cansa de perguntar
quando irão libertar
a tropa e o General?

O General não deveria
ter sido aprisionado,
dizer que ele instigou
a rebelião é um absurdo!

Até agora não soube
mais se ele teve
os pedidos atendidos:
Bíblia, lápis e livros.

Quero saber da saúde
que sei não bem
depois de tanto mal
praticado contra ele,
Esta poesia bruxa
insiste que não deixe
ir longe esta loucura,
Abaixo esta e qualquer
tipo que seja de tortura.

⁠Não ignorem
a juventude
e a infância
adoçadas
pela guerrilha
na fronteira,
se ninguém fizer
nada a tempo
em boa coisa
isso não vai dar,
os filhos do povo
não podem servir
de diversão
em parque eleno.

Tudo anda a cada
dia neste mundo
anda mais insólito
como o estranho
mistério de Anabel,
como deputado
fugindo de fininho
depois ter aceso
o pavio do bloqueio;
quem faz isso
cedo ou tarde
a História irá cobrar,
porque se ela
assim não fizer,
eu é que vou recordar.

Insisto que ele
e os outros salvem
a vida do General
que nem deveria
ter sido preso,
só de saber que ainda
segue desassistido
tem me causado
um confesso tormento.

Algo me diz que
os olhos de azabache
inabaláveis do General
observam cada
verso de insistência
que pedem
a reconciliação nacional.

⁠Lembro-me
bem e como
se fosse hoje
dos primeiros
passos dados
pelos anjos
da liberdade.

Elias é mais
um que desde
o dia que foi
preso não
deixaram ver
o sol brilhar.

Não dá para
fingir que nada
aconteceu,
Não dá mesmo,
e nunca deu.

Há muitos
desaparecidos
em Tumeremo,
Te pergunto:
-Isso vai ficar
por isso mesmo?

E assim vendo
a distância
as cenas
que passam,
Vejo que
a desgraça
de uma intriga
que mantêm
um General
preso inocente
numa tragédia
infinita por causa
de gente que
anda usando
o nome dele
de forma indevida.

⁠Chega de pouca
vergonha de quem
diz que não
pode pedir
antecedentes
de quem
pede pedir
para tirar foto,
Quase acreditei
também nisso.

Não se faça
de desentendido:
O povo deve
ser respeitado,
E você sabe
muito bem disso.

As Mães de
Tumeremo
andam com
medo dele,
e não deve
ser à toa;
Uma cidade
está vem
sendo destruída:
deve ser
tudo farinha
do mesmo saco.

Estão levando
o quê há
de melhor para
sempre embora,
Alguém tem
que parar
com isso agora.

Há queixas que
ele anda
intimidando
e tirando o ouro
todos os dias,
A gente está
sofrendo todos
os despojos;
Há quem dê
ouvidos cegos
ao autoproclamado
e os seus
'Los Rastrojos'.

Uma tropa que
deveria estar
em liberdade
e contendo
tudo isso,
Ela segue
um calvário
crescente
e um lento martírio.

O nome do General
que dizem
que o acusaram
injustamente
de rebelião
está sendo usado
para causar
inferno político,
E ele não tem
nada a ver com isso.

⁠Aos que a mão
pesada não
conseguiu tocar
peço a Deus
que os proteja
sem parar
a toda hora,
nessas letras
faço também
o meu altar.

É também minha
a campesina causa
'en las orillas del
Río Portuguesa'.


Desalojar pessoas
para deixar
livre a exploração
madeireira,
só saber que
isso se passa me
mata de tristeza.

É também minha
a dor dos pais
que não têm
como comprar
material escolar.

Os que foram
convertidos
em heróis caídos
por obra
dos autoritários,
os nomes estão
escritos na história.
A tropa aprisionada
em sótãos e porões,
uns até em isolamento,
e o General na cela
em abafamento
preso injustamente
sem saber o dia e a hora
e se haverá julgamento.

⁠Não concordo
com a FIM
que deseja
o rompimento
das relações
com Cuba,
Sei que a Pátria
não é minha:

De antemão
peço perdão
pela ousadia
e intromissão,
Alianças entre
países é algo
corriqueiro,

Embora humanos
sejam passíveis
de individuais
e fortuitos erros,

E não há nada
nessa vida
que não possa
ser corrigido;

Se de fato
tais e tantos
erros aconteceram.
Não é regra,
mas sei
que acontece
e não quero
a todos ofender:

Militar quando
vai para a reserva
vive arrumando
desculpa só
para aparecer;

Não sossega
e muitas vezes
são impossíveis
de entender.

O meu coração
tem compaixão
pelas mulheres
e filhos dos
militares que
estão presos
sejam eles
soldados
ou generais,...
Pois a
justiça
já deveria ter
libertado cada
um deles
e os deixado
viver em paz.

É praticamente
fazer que a justiça
se convença
em libertar
o General que
não deveria
ter sido preso;

Não se sabe
nem quando
a juíza vai voltar
a despachar,
Só sei que isso está
me incomodando,...
Faço um
apelo ao General
dos inabaláveis
olhos de azabache
que não permita
mais que histórias
assim venham
daqui para
frente prosperar.

⁠As gotas
de amor
do General
de olhos
inabaláveis
de azabache
vem todos
os dias
fazendo
um oceano
pelo futuro
para que
não se perca
a fé na vida.

Não dá para
fingir que
as mestras
não estão
indignadas,
Por cada uma
sofro em dobro,
Não sejam
um estorvo,
Vocês não
sabem o quê
elas passam.

Não se trata
de uma teoria:
O Coronel
está com
a filha detida.
Foi assinado um
acordo parcial
com a minoria,
Creio que
a palavra
será cumprida.

Só Deus sabe
quando vão
soltar a tropa
e o General,
Não desistirei
de seguir
por cada um
pedindo em
tons reais
e de harpa celestial.

⁠O deputado foi
libertado,
Pela libertação
dos Generais
desde aqui
com expectativa
eis o aguardo!

Eles que estão
presos há
muito mais tempo,
Deles e da tropa
é preciso cessar
o sofrimento:
Da Mãe da filha
do Coronel que
não sabe como
se encontra
neste momento.

Alguém sabe
do Hugo Marino?
Ele que até
agora se encontra
desaparecido,
O coração da
Mãe dele não
está tranquilo.

É preciso reagir
contra o bloqueio
da melhor maneira,
Sei que escrevi
demais e posso
estar proibida
de cruzar a fronteira.

Bem me queiram
porque o melhor
para cada um
assim desejo,
Só quero mesmo
é que vocês
se entendam,
E o futuro saia
dessa ganhando.

Ainda alarma
a quantidade
de deserções,
Peço a Deus
que seja muito
maior ainda
a de reconciliações.

⁠O General foi
preso sem
nenhuma culpa
há pouco
mais de um
ano e meio,
Ficamos até
sem saber
onde foi levado,
E sei que ele
ainda está
fisicamente
debilitado;
A história é
uma trama
macabra,
Só de pensar
me preenche
de medo,
Nem que eu
seja a última
voz a falar,
A liberdade
dele não vou
parar de rogar.

Ele nunca foi
golpista
ou traidor,
E sim um
ele é grande
idealista,
Um dos mais
raros deste
continente,
Desde ontem
vem crescendo
a expectativa
que ele seja
libertado,
Ele não merece
permanecer
aprisionado.

O General foi
carregado em
meio a uma
reunião pacífica
dentro de um
hotel só por
ter discordado
de tudo que
para ninguém
não é segredo,
E mesmo assim
nunca deixou
de ser apegado
a Pátria e um
militar ordeiro.

⁠A ofensa
é vento
semeado,
E como
diz ditado:
- Quem
semeia
vento,
colhe
tempestade,
O tempo é
senhor
e pastor
da razão
e da sanidade.

Tomo cuidado
quando trato
com a realidade
divergente
da vontade,
Vivo repactuando
com a civilidade.

Na terra onde
quase mais
ninguém
se entende,
a filha
do Coronel
ganhou
a liberdade,
a gente
campesina
ainda sequer
foi justiçada,
mais de
um General
e todos ainda
seguem vítimas
da barbaridade
até da ardil
oposta maioria
que desconhece
respeitar a minoria.

⁠
Araranguá Poética


Ventos do Extremo Sul erguem

as areias, as conchas e as ondas,

poesia aberta pelas patas

das heróicas mulas dos tropeiros

ergueu-se e fez Balneário

Morro dos Conventos

por beleza, por agraciada natureza

por um povo cheio de grandeza

e foi escrita a Araranguá poética.



É no rio desaguando no oceano,

nas trilhas românticas

nas dunas bailarinas,

no penhasco poético,

nas falésias contemplativas,

no mágico Balneário Ilhas,

no farol do teu olhar me encontro

e na imensidão do mar

do teu amor eu me entrego.



Inscrição perpétua e sambaqui

trago em mim a vibração guarani,

xokleng me faço intrépida

e cerâmica poética do amor

eterno que passou e se perpetua

com a fé da tua gente originária

e com fé de quem veio de longe

e fez a primeira capelinha,

assim és a Araranguá infinita.



Pelas mãos indígenas, africanas,

europeias continentais e açorianas,

encantadoras prósperas e artesãs,

que enfrentaram o mar e por ti

se fizeram herança na lavoura,

na cultura na pesca

e na memória afetiva,

e por tudo isso e muito mais:

és a minha Araranguá poética.

⁠Cada poema
neste tempo
estranho tem
sido de minha
exclusiva
responsabilidade,
Todo o dia um
desentendimento
diferente vem
me corroendo
na integralidade:
Porque recobrar
um pouco de
lucidez para
uns parece um
crime de verdade.

O diálogo com
a minoria opositora,
Parece até que
abriu a famosa
'Caixa de Pandora',
Depois de tantas
farpas trocadas
lá para trás;
Tem sido tanto
tumulto que se
esqueceram
de libertar
até os Generais.

Não que eu aceite
o rumo dos fatos,
Embora não tenha
Sei que não tenho
autoridade para
falar porque se
trata de uma
Pátria que nem é
um pouco minha;
Busco só entender
o quê se passa
por crer que
insistir em cultivar
a hostilidade vai
levar uma Nação
inteira na desgraça.

⁠Nesta terra
de condor com
as suas asas
em chamas,
tentando nos
salvar dos
resíduos
de chumbo
espalhados,...
Não foi acidente,
dá para ver
o quê vem 'sendo'
intermitentemente:

Seja na Amazônia,
no Cerrado,
na Chiquitania,
no Arco Minero,
na Mata Atlântica,
no Esequibo
e na Serra do Tabuleiro;
eis-me lamento
e grito por amparo
ao mundo inteiro.

A 'cueca sola'
em frente
ao Palácio La Moneda,
que representa
a busca por um
familiar preso
desaparecido
e dança infinita
sem cessar dia e noite,
de gente que não
pode parar até encontrar.

Da busca pelo General
preso injustamente
em Fuerte Tiuna
e tantos outros
nos sótaos e porões,
declaro-me franca
e espiritual testemunha.

⁠Os últimos anos
serão lembrados
por intensas
agitações internas
nas Forças Armadas,

Elas não foram por
ninguém inventadas,
Na imprensa e pelos
quatro ventos estão
sendo comentadas;

Não dá para fingir
que não está
acontecendo nada,
Cada um está sendo
torturado de uma
maneira diferente,
Todo o dia vem
surgindo novos
nomes de tanta gente.

Com o Caguaripano
até quando?

Cadê o civil Hugo Marino?

O mais do mesmo
segue continuando.

O mistério de Anabel
está quase solucionado,
só falta mesmo é saber
onde está o namorado.
O tempo de maneira
implacável está passando,
Só não ver quem
não quer que a justiça
não está andando.

O quê se salva é
saber que os tupamaros
estão semeando,
plantando e colhendo,
os milicianos
estão se dedicando
e que há muita
gente pela Pátria
na mesma caminhada
se esforçando,...
Quanto desespero
vem sofrendo o General
que está preso
injustamente no quartel,
e como isso está
me incomodando...

⁠Deixo aqui escrito
este mistério
para que por
você não seja
mais esquecido,
Nos últimos anos
a relíquia da
Virgem de Coromoto
que foi entregue
nas mãos do cacique
vem se modificando
sempre que ocorre
um distúrbio político.

A Santa Padroeira
vem dando sinais
que não aguenta
mais tanto jogo
com a vida do povo,
Tenham tolerância
com a rebeldia
da juventude,
libertem o José
E se recordem
das palavras de María:

“La virgen ha
perdido todo el color,
el único color que
tiene es el color de
un niño de color rojo,
al final tiene
una calavera,
es el cordero de Dios
que al final
vence a la muerte."

Mesmo que a música
da juventude faça
doer os teus ouvidos,
Recorda-te do teu
jovem que está
no peito esquecido;
É aqui que aumento
o volume para que
o teu coração
me ouça que está
na hora de libertar
a tropa e os generais,
E restabelecer
uma cultura de paz.

⁠Um General
ainda dedica
a lembrança
ao Eterno
Comandante,
Com igual
espírito que
o libertador
discursou
para a tropa
em Taguanes,
Ali vive
no coração
de um povo
a esperança.

O José foi
libertado
e o material
foi devolvido;
O Hugo Marino
ainda está
desaparecido.

Poesia como
a primeira
venezuelana
da diáspora
em cores
de araguaney,
ela foi coroada.

Distante sei
que ali onde
ninguém
pode entrar,
e se entrarem,
eles não sairão;
E se partirem,
não voltarão
aqueles que
não querem
entender o quê é
autodeterminação
de uma Nação.

Dos Generais,
da tropa
e de tantos outros
gentil peço
a justa libertação.

⁠Agente estranho
em canção
da década de 80,
versos, acordes
de punk rock
e estamos em 2019,
intervenção poética,
vozes dizendo
que o tempo
está passando,
e eu continuando
sempre a mesma.

A besta Imperial
não deveria
ter bloqueado,
está na hora de
ir desbloqueando.

Estão dizendo
que os Generais
já deveriam ter
sido libertados,
estão "firmes,
fortes,
voluntariosos
e corajosos",
Só acredito
vendo com
os meus
próprios olhos.

Não tem direito
de reclamar
de mim quem
a um povo todo
está martirizando.

Ecoam as vozes
de muitos
que ainda estão
nos calabouços
e em mim
não me permite
repouso porque
escuto daqui,...
Eles e os generais
que não deveriam
ter sido presos,
isso já é
o suficiente
para seguir
me queixando
até o fim;...
mesmo sabendo
que há em muitos
lugares preces
de liberdade
por todos os altares,
escrever é roer
todos os dias
a cerca elétrica
do autoritarismo
com meus dentes.